Fruto Proibido é o quarto álbum de estúdio da artista musical brasileira Rita Lee — e o segundo com a banda Tutti Frutti — lançado em 30 de junho de 1975, através da gravadora Som Livre. Procurando re-estabilizar sua carreira musical depois de sua expulsão d'Os Mutantes em 1972, Lee juntou-se ao Tutti Frutti, no ano seguinte, e liberou o primeiro disco fruto dessa parceria, Atrás do Porto Tem uma Cidade (1974), que acabou não obtendo o desempenho comercial esperado. Além disso, o grupo e cantora foram afetados pelo descaso e a pouca liberdade criativa concedida pelos executivos de sua gravadora, a Philips, o que os levou a abandonarem o selo e aceitarem a proposta oferecida por João Araújo, presidente da Som Livre, por onde assinaram um contrato de gravação. O estadunidense Andy Mills foi selecionado como o produtor principal do projeto pela própria intérprete, a quem ela conheceu através de seu trabalho como técnico de som do cantor Alice Cooper.
Musicalmente, incorpora principalmente os estilos glam rock e blues, enquanto suas letras versam sobre temas como desprezo parental, despedidas, anseios pela liberdade e auto-capacitação, além de abordar narrativas que aludem a personalidades despidas de pudor e auto-repressão, como a atriz naturalista Luz del Fuego e a bailarina Isadora Duncan. Os vocais de Lee foram notados por exibir inflexões infanto-juvenis, agora não mais na vertente zombeteira e debochada dos Mutantes, mas transpirando rebeldia e até sofrimento. Fruto Proibido constituiu a liberdade artística que artista almejava, diferente de seus outros três discos lançados anteriormente. No álbum, ela compôs três das nove faixas e foi creditada como co-escritora em todas as outras.
O disco trouxe um nível de sucesso comercial para a artista que ela jamais havia experimentando, projetando-a como uma das maiores vendedoras de álbuns no país na época. Ele alcançou a sétima posição na parada musical do instituto IBOPE — divulgada pela revista estadunidense Billboard —, e se tornou o álbum inaugural de um artista de rock a ultrapassar o marco de 50 mil unidades vendidas em solo brasileiro. Com isso, Lee obteve o segundo melhor desempenho comercial para uma cantora brasileira naquele ano. Em função de promover o material, a artista apareceu em programas de televisão, como no Fantástico onde um vídeo musical para "Agora só Falta Você" foi exibido, e embarcou na Turnê Fruto Proibido, que foi aclamada por críticos especializados da época pela sua presença de palco, bem como pela qualidade de som e de figurinos usados nos shows.
Fruto Proibido foi recebido pela crítica musical com aclamação, com elogios direcionados à seus vocais, instrumental, letras e à forma mais espontânea que a artista soava aqui que em seus registros anteriores. Retrospectivamente, é amplamente considerado como o álbum que fez crescer o status de Lee como uma das maiores artistas do rock brasileiro, bem como um símbolo de expressão e representatividade feminina dentro do gênero e na música do Brasil de forma geral, tanto no período de ditadura militar quanto contemporâneo. Além disso, vários artistas, como Manu Gavassi, Zelia Duncan e Pitty, creditaram a obra e suas canções como um ponto de influência para suas construções musicais. Foi classificado na 16.ª ocucação na lista dos 100 melhores álbuns da história da música brasileira compilada pela revista musical Rolling Stone Brasil, enquanto a versão estadunidense da mesma publicação enumerou-o entre os melhores discos de rock latino-americanos de todos os tempos.
Antecedentes esquerda|thumb|235x235px|Lee em apresentação com Os Mutantes, 1972. A carreira musical de Rita Lee ascendeu durante o Movimento Tropicalista como vocalista da banda Os Mutantes, criada em 1966, que contava com vários outros membros, incluído o baixista e vocalista Arnaldo Baptista, a quem ela também desenvolveu um relacionamento conjugal. Em paralelo ao grupo, a musicista lançou dois álbuns solos: Build Up (1970) e Hoje É o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida (1972). Isso ocorreu porque executivos da Philips, gravadora do grupo, não queria investir em dois discos d'Os Mutantes em um único ano. Assim, preferiu apostar no carisma de Lee como artista solo. Em 1972, o casamento da cantora com Baptista chegou ao fim. As tensões entre os dois se manifestavam não somente na dimensão de um casal se separando, mas também de colaboradores com divergências musicais. Baptista e seu irmão, Sérgio Dias, acreditava que a banda deveria adotar uma nova estética em sua forma de compor e tocar, partindo para o rock progressivo, influenciado por bandas como Yes e Emerson, Lake & Palmer. Em Rita Lee: uma autobiografia, a cantora alega que foi vítima dessa ambição: "Chego ao ensaio e me deparo com um clima tenso/denso. Até que o Arnaldo quebra o gelo, toma a palavra e me comunica – não nessas palavras, mas o sentido era o mesmo – que naquele velório o defunto era eu. 'A gente resolveu que a partir de agora você está fora dos Mutantes porque nós resolvemos seguir na linha progressiva-virtuose e você não tem calibre como instrumentista'". O seu desligamento do grupo foi alvo de muitos relatos conflitantes ao longo dos anos, com algumas pessoas alegando ela havia partido por vontade própria. Porém, em 2007, Baptista admitiu ao Whiplash: "Mandei a Rita embora dos Mutantes. Ela era uma banana!". Em outras entrevistas, Arnaldo explicou a alusão a banana, se referia a banda Yes: "Porque eu achava a Rita um pouco "banana", muito "pra inglês ver", então às vezes eu prefiro o que é mais Led Zeppelin e não Yes, como a Rita era."
Expulsa d'Os Mutantes, Lee voltou a morar com os pais. Em Rita Lee: Uma autobiografia, ela revela que chegou a cogitar a ideia de inventar uma história diferente da real para dizer a eles como justificativa de seu retorno, mas no fim a vulnerabilidade foi mais forte e ela os confessou: "Me expulsaram da banda e antes que a solidão me atirasse embaixo de um caminhão, lembrei que vocês talvez pudessem me acolher de volta. Juro que é por pouco tempo". Com isso, ela se estabeleceu no porão da casa da família, onde se pôs a recompor-se das mágoas. Com o tempo, canções começaram a serem criadas aos poucos, mas ainda não parecia aparecer a oportunidade ou a ideia certa de como apresenta-las. Isso mudou em maio de 1973, quando ela recebeu o convite de abrir o concerto d'Os Mutantes no festival Phono 73, organizado pela Phonogram. Rita, contudo, não parecia inclinada a fazer uma estreia solo de fato. A solução foi recrutar a guitarrista Lúcia Turnbull, sua amiga desde os tempos d'Os Mutantes. O nome escolhido para o projeto foi Cilibrinas do Éden e as duas se apresentaram no festival para uma apatia inicial do público que deu lugar a vaias. Lee atribiu a má receptividade ao "repertório fofinho e tolinho" que apresentaram, bem como o figurino escolhido, composto por trajes de anjos e fadas.
Apesar de tentativas de viabilizar o projeto, as Cilibrinas não deram certo. Elas, então, recrutaram os membros da banda Coqueiro Verde – formado pelo formado pelo guitarrista Luis Sérgio Carlini, o baixista Lee Marcucci e o baterista Emilson Colantonio – para servirem de apoio à Lee e os renomearam Tutti Frutti, em homenagem ao espetáculo idealizado pela cantora para lançar sua carreira solo, uma sugestão do escritor Antônio Bivar, que a ajudou nesse novo momento de sua carreira. Ela assinou um contrato com a Phonogram, subsidiária da Philips, para lançar seu primeiro álbum pós-Os Mutantes, sob o convite do executivo André Midani. Contudo, uma viagem para a realização das gravações no Rio de Janeiro não foi bem-sucedida, isso devido ao fato de Lee ter usando drogas durante a ocasião, o que desagradou a gravadora e a fez cancelar a continuidade do projeto. Depois disso, a cantora procurou Midani, em seu escritório, para tentar reverter a decisão. Lá, ela encontrou o cantor Tim Maia, que também estava muito insatisfeito porque a Phonogram havia alterado a capa de seu próximo álbum sem o seu consentimento. Após um longo período sendo colocados em espera para falar com o profissional, eles resolveram invadir a sala dele, que estava ausente, e causaram uma grande depredação. Antes de saírem do local, Lee relata em sua biografia que Maia parou diante da secretária e disse: "Não é nada pessoal, tá, lindinha?". Apesar do rompimento com Midani, a cantora recebeu do selo uma nova oportunidade de gravar um álbum e, em 1974, Atrás do Porto Tem Uma Cidade foi liberado. Apesar de extrair uma canção de sucesso, "Mamãe Natureza", Lee e Tutti Frutti deixaram a PolyGram; a cantora citou o descaso dos executivos do selo na forma de produção do álbum e os arranjos da gravação de "Menino Bonito" – que foi lançado sem a aprovação da banda – como motivos que fadaram a relação ao desgaste.
Gravação esquerda|thumb|140px|Paulo Coelho (foto) assina a autoria de três canções de Fruto Proibido. Após Lee e o Tutti Frutti romperem com a Phillips, eles seguiram em busca de um novo contrato de gravação, ganhando o interesse de João Araújo, presidente da Som Livre e pai do cantor Cazuza. O grupo assinou com o selo a parceria para lançar seu próximo álbum, com Araújo os garantindo total liberdade criativa na elaboração do projeto. Contudo, nisso o Tutti Frutti estava passando internamente por um período conturbado; Turnbull saiu em meio a brigas constantes com Carlini e um senso geral de machismo relacionado a uma mulher tocar guitarra numa banda de rock. Colantonio, por sua vez, foi substituído na bateria por Franklin Paolillo. Para a elaboração do disco, a cantora refugiou-se em uma casa emprestada, à beira da represa de Ibiúna, onde morou por alguns meses com os integrantes da banda – e com suas duas cobras – para os ensaios que começavam às 11h e terminavam às 18h, todos os dias. As cobras eram duas jibóias roubadas do cantor americano Alice Cooper, quando este se apresentou em São Paulo, no Anhembi Parque, em 1974. De acordo com Lee, ela assistia ao show quando ficou horrorizada no momento em que Cooper chacoalhou uma cobra e a pisoteou, até que o animal foi recolhido por alguém da produção. A cantora relata, então, que passou a "lábia no segurança" e foi atrás da pessoa que pegou a cobra. Ao avista-lo, perguntou se Cooper "demonstrava algum sentimento nobre" pelo animal, e não se surpreendeu com a resposta negativa. Na ocasião ela conheceu Andy Mills, técnico de som do artista, com quem se identificou imediatamente, e deixou o local levando a cobra usada no show e uma outra, ainda filhote, que seria treinada e usada em outras apresentações de Cooper. Mills e Lee, vieram desenvolver uma estreita relação a partir dai e ele foi convidado por ela a colaborar na produção musical do álbum.