Faith No More é uma banda de metal alternativo norte-americana formada em São Francisco, Califórnia em 1982 e que retornou às atividades em 2009 após uma pausa de 11 anos. Antes de escolherem o nome atual em 1982, a banda se apresentou com os nomes Sharp Young Men e depois Faith No Man. É considerado um dos maiores grupos de rock dos anos 1990, e entre as canções suas de maior sucesso estão "Epic" e "Falling to Pieces" do disco The Real Thing (1989), "Midlife Crisis" e "Easy", cover do grupo americano The Commodores, as duas do álbum Angel Dust (1992), além de outro sucesso, a canção "Ashes To Ashes" do álbum Album of the Year de 1997. A banda ganhou notoriedade no Brasil com a passagem constante do vídeo musical de "Epic" na MTV local, com uma apresentação no Rock in Rio II e com o encerramento, no dia 14 de novembro de 2011, do Festival SWU, na cidade paulista de Paulínia.

O estilo musical é de difícil categorização, muitos críticos musicais e músicos dos anos 1990 dizem que foram eles que influenciaram no surgimento do nu metal visto que a banda possui uma série de vertentes e gêneros distintos, como punk, jazz, funk, heavy metal, rap, easy listening e pop. Alguns chegaram a chamar seu estilo de metal alternativo. O single "Epic" é considerado por alguns como a primeira encarnação do nu metal, como afirma Jonathan Davis "Epic foi protótipo do modelo do rótulo que olheiros da música buscavam para recrutar. E eles o fizeram. Isso é uma defesa da ideia que o Faith No More foi o único catalisador atrás do que finalmente se transformou no nu metal" diz Jonathan Davis que mais tarde chamou Mike Bordin para tocar bateria no Korn. Outro fator crucial para a popularidade dos Faith No More foi a entrada de Mike Patton em 1988, cujos vocais característicos podem ter sido o maior motivo do êxito comercial do grupo.

Depois de lançar seis álbuns de estúdio, incluindo seus álbuns mais vendidos The Real Thing (1989) e Angel Dust (1992), Faith No More anunciou oficialmente uma pausa em 20 de abril de 1998. Em 24 de fevereiro de 2009, os integrantes do Faith No More anunciaram uma reunião para fazerem uma tour europeia, além de uma nova passagem pelo Brasil, em 07/11/2009, no Maquinária Festival,Adams, Jason. "Faith No More reunion update: 'We Care a Lot' because this is 'Epic'!" Entertainment Weekly. 23 de fevereiro de 2009 e lançaram seu sétimo álbum de estúdio, Sol Invictus, em maio de 2015.

História O início, We Care a Lot e Introduce Yourself O grupo surgiu em 1981, vindo das cinzas do Faith No Man, banda formada e liderada por Mike "The Man" Morris. Roddy Bottum, Mike Bordin e Billy Gould, então integrantes do grupo, decidiram livrar-se de Morris e ao invés de demití-lo, preferiram formar uma nova banda. Por sugestão de um amigo, o nome escolhido foi Faith No More, já que "The Man", "o cara" (Morris) "não mais" (no more, em inglês) faria parte do grupo.Nota do editor: A tradução literal de Faith No More para o português é Fé Nunca Mais No lugar de Morris, foi recrutado Jim Martin na guitarra. Diversos músicos ocuparam a vaga de vocalista nesta fase - dentre eles a então namorada de Roddy Bottum na época, Courtney Love, que teria implorado para entrar na banda, sendo expulsa depois de alguns shows, segundo ela eles queriam uma banda de machos, até os membros optarem por Chuck Mosley, que participaria apenas dos dois primeiros discos da banda: We Care a Lot, de 1985, e Introduce Yourself, de 1987.

Mosley foi demitido em 1988 e os motivos da sua saída ainda geram certa discussão entre os fãs de Faith No More. A versão oficial seria de que Chuck foi mandado embora por ser alcoólatra e por ter causado problemas em alguns shows da banda. Entretanto muitos acreditam que o real motivo da demissão foi o fato de Mosley ser um vocalista limitado. Com a necessidade de encontrar um novo vocalista, em certo momento consideraram convidar Chris Cornell, porém Mike Patton foi o primeiro nome em mente, ele que em pouco tempo se tornaria o líder e a figura mais emblemática do grupo. Assim se deu o início de uma das maiores bandas da história do rock, uma das poucas bandas que poderia ter feito a fusão heavy metal com funk e rap, além do uso incessante de um tecladista certo. As letras não seguem um padrão, mas a maioria tem elementos como sarcasmo, ironia ou podem ser imprevisivelmente românticas.

The Real Thing e o sucesso de Epic thumb|right|250px|Mike Patton, em apresentação no Soundwave Festival, em 2010

Mike Patton entrou no Faith No More poucas semanas antes das gravações do disco The Real Thing por indicação de Jim Martin, que havia ouvido uma fita demo da banda de Patton, o Mr. Bungle.

Com a banda na sua formação clássica, Mike Patton entrou no Faith No More direto para o estúdio onde a banda gravou The Real Thing", lançado em 1989.The Real Thing é um verdadeiro divisor de águas na carreira do grupo, com canções mais bem resolvidas e com o carisma de Mike Patton contribuindo para transformar o Faith No More num grande sucesso comercial. Membros do Metallica e Guns N Roses nomearam Faith No More entre os favoritos grupo de rock deles. A banda recebeu o Grammy nomeado de melhor Heavy Metal/Hard Rock performance. No fim do ano de 1990 "The Real Thing" recebeu o disco de platina.

A canção responsável pela transição foi "Epic", que com seu arranjo grandioso que faz jus ao título da canção, vocal hip-hop e refrão grudento, arrematou o nono lugar na parada de singles da Billboard e teve o vídeo musical exibido a exaustão na MTV estado-unidense. Com mais dois singles de sucesso, a "Falling to Pieces" e "From Out Of Nowhere", o disco The Real Thing chega ao décimo primeiro lugar na parada e atinge um milhão de cópias vendidas nos Estados Unidos.

O curioso é que internacionalmente, o sucesso da banda foi ainda maior. No Brasil, a MTV Brasil começava a dar seus primeiros passos em 1990 e o Faith No More foi uma das estrelas reveladas naquele ano. A popularidade conquistada pela banda no país impressionou seus próprios integrantes. Em 1991, o FNM tocou para o Maracanã lotado durante o Rock In Rio 2, iniciando um verdadeiro culto à banda nas terras brasileiras. O sucesso foi tão grande que eles retornaram no decorrer daquele ano para uma mini-turnê nacional.

Uma das características das apresentações ao vivo do Faith No More é o hábito das covers insólitas. Ainda antes do sucesso, a banda tocava a improvável "Pump Up the Jam" do Technotronic, apenas para infernizar suas platéias. Na época de The Real Thing, a banda incluiu no disco um cover de "War Pigs" do Black Sabbath, em um tempo onde a credibilidade artística do velho Sabbath era próxima a zero. Mas para "War Pigs", a tática não funcionou e o Faith No More começou a atrair a atenção e o respeito do público do heavy metal. A banda substituiu "War Pigs" do repertório dos concertos pela melosa balada "Easy" do grupo The Commodores.

Era Angel Dust

Depois de dois anos de turnê, era hora de pensar no próximo disco e as gravações não foram tranqüilas. O guitarrista Jim Martin estava descontente com os rumos que a sonoridade da banda vinha tomando. Rumores dão conta de que ele participou muito pouco das composições, limitando-se a enviar pelo correio as bases de guitarras em fitas cassete aos outros integrantes da banda.

Em meio à grandes expectativas, Angel Dust foi lançado em 1992 e apontava para outras direções. Descartava definitivamente o rótulo funk metal e vinha recheado de temas mais mórbidos e sombrios. Um crítico escreveu que o álbum é "um dos discos mais complexos e simplesmente confusos já lançados por uma grande gravadora" e outro escreve que o single" 'A Small Victory', parece levar Madame Butterfly ao Metallica e Nile Rodgers, revela uma facilidade de desenvolvimento para combinar elementos improváveis em misturas surpreendentemente originais." Propositalmente designado para chocar os fãs temporários, a banda apostou em sonoridades inusitadas, longe do hit fácil "Epic" que carimbava a banda até aquele momento. Diferente do que aconteceu com The Real Thing, em Angel Dust Mike Patton participou de todo o processo criativo do disco, e pôde exercitar o experimentalismo e o gosto pelo bizarro que marcou o seu trabalho no Mr. Bungle. Musicalmente, a banda também mostrava evolução, incorporando elementos eletrônicos e teclados mais climáticos, proporcionando uma atmosfera cinematográfica a algumas canções. No mesmo tempo, Martin começou a ficar discontente com o rumo que a música deles estava tomando. Gould tinha às vezes que "tirar" algumas vezes na guitarra. E Martin não fez muita coisa em "Angel Dust", com exceção da guitarra-heavy em "Jizzlobber". No verão de 1992, depois do lançamento do álbum, o primeiro single, "Midlife Crisis", tocado regularmente na MTV e no rádio. Foi mostrado em vídeos para o b-side "Easy", cujo ficou muito popular na Europa e "A Small Victory" também. Os videoclipes coloridos do álbum passado deram lugar a vídeos sombrios, que faziam questão de negar o lado "sex symbol" que o vocalista possuía na época. A crítica americana não mostrou muito entusiasmo e o disco acabou não tendo a mesma repercussão de The Real Thing. Nos demais países, no entanto, o Faith No More continuava enorme, e seu lugar privilegiado nas paradas de sucesso era garantido pelos singles de Midlife Crisis e A Small Victory. O terceiro single de Angel Dust foi para uma canção que na verdade não estava no disco: "Easy", o cover dos Commodores que a banda vinha tocando ao vivo há tempos e que finalmente ganhou uma versão de estúdio. "Easy" foi devidamente incluída em Angel Dust nas prensagens subseqüentes ao lançamento do single. A música também fez parte da trilha sonora da novela Mulheres de Areia da TV Globo.Angel Dust rendeu mais uma turnê gigantesca pelo mundo todo. A turnê durou cerca de dois anos, onde eles, além de promover concertos próprios, tocaram em festivais e abriram shows para o Metallica e para o Guns N' Roses na mega turnê de Use Your Illusion. No fim, não teve nenhum single de "Angel Dust" uma medida tomada pelo sucesso de "Epic" e o álbum não vendeu tão bem como "The Real Thing" teve nos EUA, porém vendeu cópias suficientes para levar disco de ouro. Ele ficou mais popular na Europa e na Austrália.

Ao invés de encarar o compromisso como oportunidade de consolidar a banda em novos públicos, o Faith No More usou seu tempo para provocar a audiência com sessões de garrafadas, insultos e sacanagens, principalmente através de Patton. O saldo do período foi uma grande repulsão por parte dos adoradores de plantão, aqueles que até pouco tempo atrás veneravam os autores de "Epic" e ali não entendiam o não-comercialismo sarcástico da nova fase. Por outro lado, os fãs que seguiram em frente tornaram-se verdadeiros cultuadores do álbum e da banda. O tempo foi passando e a turnê de "Angel Dust" estava completa. O resto da banda concordaram que Jim Martin estava deixando eles para trás com a sua falta de entusiasmo com o rumo que suas músicas estavam tendo. Em novembro de 1993 ele foi afastado da banda. Tanto o guitarrista do Godflesh Justin Broadrick e o guitarrista do Killing Joke "Geordie" Kevin Walker teriam se oferecido para se juntar ao FNM depois da saída de Martin, mas não entraram em acordo.

King for a Day... Fool for a Lifetime e Declínio thumb|left|250px|Jon Hudson, em apresentação no Soundwave Festival, em 2010