direita|thumbnail|250px|Igreja de San Juan de Baños
A Igreja de São João Batista é um monumento do período visigodo (Século VII) situado na localidade de Baños de Cerrato (antiga Balneos) pertencente ao município de Venta de Baños, na Província de Palência (Espanha). Trata-se do monumento mais importante e mais bem conservado da arte Visigótica em Espanha.
História esquerda|miniaturadaimagem|Visão posterior da cabeceira de San Juan de Baños Erguida no ano de 661 pelo rei visigótico Recesvinto, aproveitando vàrios restos Romanos. Segundo a tradição, a existência deste templo provém de um milagre: Recesvinto, ferido, foi curado pelas àguas medicinais do local que o auxiliaram a recuperar. Então, num gesto de agradecimento, ergue a igreja San Juan de Baños. Mais tarde, é erguida também, à direita do templo, uma fonte da qual escorriam as tais águas milagrosas.
Ao longo do tempo, são feitas adições posteriores, principalmente góticas como a adição de uma cobertura com nervuras nas absides laterais.
A Igreja, como todos os templos visigóticos, começou a entrar em decadência e a tornar-se ruína. É então que no século XIX se decide resgatar o monumento (daí vem a adição do pequeno campanário acima do portal principal). Também são feitas escavações arqueológicas, removendo o estuque para revelar as paredes originais. Durante a restauração a igreja recupera lentamente a sua forma original: fecham-se janelas e aberturas, abrem-se outras, retira-se o tijolo que cobria a abside principal, colocando o nas naves, colocam-se treliças ornamentadas e o altar.
Arquitetura e Decoração miniatura|Réplica da placa de consagração de San Juan de Baños
É de planta basilical, dividindo-se originalmente em três naves e sendo precedida por um átrio. A cabeceira era constituída por três espaços retangulares, dos quais apenas o central subsiste atualmente. As duas dependências laterais projetavam-se para além dos limites das naves laterais, conferindo ao conjunto da cabeceira e do transepto uma configuração em «T».
A decoração original é relativamente clássica, tradicional e austera. Quatro colunas suportam os arcos de separação das naves. No total, são oito capitéis coríntios, dos quais, com exceção de um, são peças romanas reutilizadas. A série dos capitéis demonstra a qualidade e a variedade do trabalho dos escultores da época visigótica, que se inspiraram nos capitéis coríntios da Antiguidade Tardia, criando obras dotadas de uma originalidade própria. Entre as suas características destacam-se a curvatura pouco acentuada das folhas, o tratamento cuidado das superfícies, a forma dos caulículos e das volutas e as proporções dos próprios capitéis.
Sobre o arco toral encontra-se uma placa de pedra com a inscrição que consagra o templo: Precursor del señor, mártir Juan Bautista posee esta casa, construida como don eterno la cual, yo mismo, Recesvinto rey, devoto y amador de tu nombre, te dediqué, por derecho propio, en el año tercero, después del décimo como compañero ínclito del reino. En la Era seiscientos noventa y nueve.
esquerda|miniaturadaimagem|Interior de San Juan de Baños, onde se observam as arcadas
Os arcos que separam as naves, bem como o arco do portal de entrada e o arco toral, são arcos de ferradura. O corpo das colunas que suportam as arcadas que separam as naves é de mármore, muito provavelmente proveniente de edifícios romanos reutilizados. A reutilização de elementos arquitetónicos antigos constitui uma característica importante da construção do edifício.
Como mencionado anteriormente, a abside principal é a única parte original da cabeceira que subsiste. As duas absides laterais foram posteriormente suprimidas, juntamente com os tramos do transepto que lhes eram anteriores, tendo sido abertas duas pequenas absides no prolongamento das naves laterais. Estas transformações modificaram as proporções originais da basílica, que assumiu uma planta retangular. A abside central consiste num espaço retangular, coberto por abóbada de berço com perfil de ferradura, contendo uma pequena janela ornamentada na extremidade.
miniaturadaimagem|Imposta do arco de ferradura da porta principal.
A elevação conservou, pelo contrário, a estrutura original, com uma nave central que domina nitidamente as laterais e atinge o mesmo nível do topo do transepto da construção original. Os contrafortes atualmente existentes são acrescentos posteriores.
A cobertura das naves é constituída por asnas de madeira, em contraste com a abóbada de berço que cobre a abside central. A janela da abside conserva uma gelosia de pedra, constituindo um testemunho do sistema de encerramento vazado utilizado na Antiguidade Tardia e documentado também nas Astúrias através de alguns exemplos significativos.
Corre também um friso original ao longo da parte superior do edifício, tanto no interior como no exterior, representando círculos estilizados, cruzes e formas onduladas; motivos semelhantes são utilizados também nas impostas. Entre os elementos decorativos encontram-se ainda cruzes e motivos ornamentais, bem como aves estilizadas nas mísulas associadas à inscrição dedicatória. Estas aves foram comparadas ao motivo da águia da tradição germânica, mas também foram interpretadas como possíveis pombas. Juntamente com as conchas e as rodas solares presentes nas mesmas mísulas, poderão constituir alusões ao tema do batismo.
Quanto à escultura visigótica, a porta exterior apresenta um arco de ferradura com decoração constituída por círculos secantes, comparável ao antigo motivo utilizado na ourivesaria dos reis visigodos, nomeadamente na coroa de Recesvinto, conservada no Tesouro de Guarrazar. Entre os elementos escultóricos do edifício encontram-se cornijas, blocos de imposta, mísulas e capitéis esculpidos. Alguns dos frisos apresentam o antigo motivo de círculos que se intersectam, formando quadrifólios e quadrangulares de bordos côncavos, tratado com um tipo de relevo característico que recorda a técnica do trabalho de metal em relevo. O repertório decorativo inclui ainda motivos designados como «em hélice» e «em concha», elementos vegetais, como palmetas ou árvores, e águias em relevo nas molduras que enquadram a lápide com a inscrição dedicatória, igualmente tratadas com uma aparência que evoca o trabalho metálico.
A série dos capitéis das colunas que separam as naves constitui um testemunho particularmente importante da escultura arquitetónica visigótica. Os escultores da época inspiraram-se nos modelos coríntios da Antiguidade Tardia, mas produziram obras com características próprias. Estes capitéis são fundamentais para o estudo da evolução do capitel entre a Antiguidade Tardia e a época visigótica, bem como para o estudo da reutilização de capitéis antigos de mármore e da sua reelaboração durante a Alta Idade Média. São igualmente relevantes para a análise da influência dos modelos visigóticos sobre os capitéis da época asturiana. Entre os exemplos mais significativos encontram-se o capitel que sustenta, do lado esquerdo, o arranque do arco da abside e os capitéis da colunata setentrional.
A igreja conserva, assim, um conjunto particularmente significativo de elementos arquitetónicos e escultóricos que permitem estudar a arquitetura e a escultura visigóticas do século VII, nomeadamente a utilização de blocos de pedra, o reaproveitamento de materiais romanos, os arcos de ferradura, os capitéis de inspiração coríntia e a decoração escultórica aplicada aos elementos arquitetónicos.
A efígie titular da igreja, uma escultura de São João Batista em alabastro do , encontra-se atualmente na paróquia de São Martinho de Tours, depois de ter sofrido danos durante a ocupação francesa de 1808. O recinto é delimitado por uma cerca de pedra, complementada por estruturas de forja de diferentes períodos.
Fonte de San Juan miniaturadaimagem|Fonte de San Juan Junto à igreja existe então a "Fuente de San Juan", formada por dois arcos em ferradura de pequena dimensão, integrados na parede. Foi construída num local já anteriormente concorrido desde a época Romana devido ao caráter curativo da àgua. Foi então nessa época ereguido um complexo termal romano, a cisterna desse estando ainda ligado à fonte atual. Peças de um altar dedicado às ninfas do local, estando agora no MAN em Madrid. Ali, teria existido um teplo a Esculápio, deus da medicina, sendo daí tirados os materiais para ereguir a igreja.
Ligações externas
San Juan Categoria:Palência (província) Categoria:Arte visigótica Categoria:Arquitetura pré-românica Categoria:Igrejas pré-românicas