Les Zinzins de l'espace (título internacional oficial: Space Goofs) é uma série de animação francesa de duas temporadas e 104 episódios, criada por Jean-Yves Raimbaud e Philippe Traversat. As etapas de produção da primeira temporada tiveram início nos estúdios da Gaumont em 1996. A segunda temporada teve a sua produção iniciada pela Xilam em 2003, o mesmo ano em que foi pela primeira vez anunciada publicamente. Teve a sua estreia no canal France 3 em 6 de setembro de 1997.
No Brasil e também nos Estados Unidos, a série estreou no extinto Fox Kids (posteriormente Disney XD) no final dos anos 1990. O Locomotion (também já extinto) a transmitiu no início dos anos 2000 como Casa de Mutantes. A Rede Globo exibiu a série animada entre 1999 e 2000 no programa Angel Mix. A segunda temporada, por sua vez, foi transmitida única e exclusivamente pelo Jetix (anteriormente Fox Kids) a partir de agosto de 2006 até o fim definitivo do canal em 2009. Em Portugal, no final dos anos 1990, estreou na RTP1 sob o título Casa para Alugar, tradução literal de Home to Rent (título oficial da série no Reino Unido). A segunda temporada teve a sua emissão feita pelo Panda Biggs em 2011 sob o título Patetas do Espaço.
Inicialmente, a série apresenta a história de cinco alienígenas (posteriormente passaram a ser apenas quatro) que caíram acidentalmente no planeta Terra, depois de terem a nave destruída por um asteroide. Presos em um ambiente estranho e sem terem escolha para onde ir, todos eles decidem procurar refúgio em uma casa de aluguel mais próxima. Contudo, para a infelicidade deles, na visão deles tal casa é constantemente "invadida" por inquilinos. Enquanto sobrevivem na Terra, criam planos para se livrar dos inquilinos, ao mesmo tempo que pensam em como vão retornar ao seu planeta de origem, Zigma B. Apesar de seus esforços, todos os seus planos fracassam muitas vezes ao decorrer dos episódios.
Da série originou-se Stupid Invaders, um jogo de aventura do estilo "apontar-e-clicar" em que todos os cinco personagens da série são controlados em diferentes fases e seções. Desenvolvido e produzido pela própria Xilam e publicado pela Ubisoft em meados de 2000 para as seguintes plataformas: Microsoft Windows e Mac OS. A versão para o Dreamcast foi lançada em 2001 pela Titanium Studios. Possui versões localizadas em inglês, francês, alemão, italiano, polonês e russo.
Enredo Os extraterrestres Etno, Candy, Gorgious, Bud e Stereo são oriundos do planeta Zigma B. Viajavam pelo espaço com o intuito de tirar férias, porém, durante a viagem, a nave se colidiu com um asteróide e acabou por cair acidentalmente na Terra após perder a sua rota e os controles de direção falharem. Eles se refugiaram numa casa de aluguel e a nave se encontra destruída sem chance de conserto. Assim, os cinco decidem ficar até que Etno construa uma nave que funcione para voltar ao planeta natal o mais rápido possível (ele detesta mais a Terra que os outros do seu bando, principalmente graças aos comportamentos desagradáveis dos seres humanos), mas muitas vezes não consegue construir uma que funcione e, nas raras situações em que suas naves funcionam, uma pessoa acaba indo no lugar. Apenas em um episódio da segunda temporada eles viajam numa nave que não se destrói e conseguem voltar para Zigma B com sucesso, porém, encontram todos os humanos que viajaram nas naves de Etno e, para não serem surrados, correm até a nave para salvar as suas vidas e voltam de maneira inconveniente para a Terra, onde continuarão tentando voltar para o seu planeta natal de diversas maneiras.
Personagens Gorgious Klatoo: Um alienígena azul e obeso; é o mais guloso de todos. Pode ser interpretado como uma sátira ao comportamento dos donos de casa dos dias de hoje. O seu passatempo favorito é sentar-se no sofá para assistir às partidas de futebol e comer obsessivamente. De vez em quando, come objetos não comestíveis (como derivados de petróleo). Outra característica peculiar é a sua agressividade; geralmente sugere atitudes violentas para lidar com os seres humanos ou qualquer um que se atreva a tocar na sua comida. Não obstante, pode ser visto como um ótimo companheiro. Ele é quem mais critica as naves defeituosas do Etno. Candy Caramella: É um extraterrestre verde e cabeçudo com trejeitos afeminados, que desempenha funções de uma dona de casa; prepara todas as refeições aos alienígenas do bando e possui uma obsessão anormal por limpeza graças à sua mãe. Por essa razão, o seu prazer é fazer faxina com o seu aspirador de pó por toda a casa até que ela fique completamente impecável. Candy se orgulha da sua vasta coleção de calcinhas e certifica-se de que estejam sempre passadas e limpas. Rivaliza-se muitas vezes com o Gorgious, apresentando-se como uma antítese aos seus comportamentos rústicos. Na versão brasileira, o personagem é tratado confusamente como homem ou mulher e possui sotaque nordestino. No jogo Stupid Invaders, é revelado que ele deseja voltar ao seu planeta para realizar uma mudança de sexo (nota: o dublador original não é uma mulher). Ele é transexual e não binário. Bud Budiovitch: Alienígena laranja de pescoço longo e olhos esbugalhados. Um dos mais preguiçosos e estúpidos do grupo; passa todo o dia assistindo à televisão (exceto quando está dormindo ou interagindo, obviamente). Por incrível que pareça, os programas de televisão muitas vezes podem ser-lhe úteis, e isso já foi mostrado no episódio "De Volta à Escola", em que uma professora se instala na casa e passa a lecionar por lá. Os seus programas favoritos são "Space Cruisers" (cujos personagens principais foram teletransportados para o mundo real no episódio "Cruiser Espacial ao Resgate"), "S.O.S. Malibu" e "As Aventuras do Inspetor Piolho". Ele não só adora assistir à televisão, como também é completamente obcecado por ela. Na versão brasileira, o personagem ganhou um sotaque mineiro. Constantemente, usa expressões e gírias tradicionais mineiras, como "uai" ou "eita, sô". Etno Polino: Alienígena com nariz enorme e vermelho apaixonado pela ciência. É o mais inteligente e, por isso, considera-se o líder da turma. Dedica o seu tempo a realizar experimentos e naves espaciais que possam levar todos ao seu planeta natal. Muitas de suas naves não decolavam ou eram roubadas por inquilinos, entretanto, uma delas já demonstrou ter funcionado no episódio "O Retorno", quando Etno e seus amigos conseguem voltar ao seu planeta natal. Stereo Monovici: Alienígena vermelho com duas cabeças (são basicamente irmãos siameses ou xifópagos) e esguio como o Bud. Atua como duas pessoas distintas, pelo fato de suas cabeças terem pensamentos próprios. Ele é o leitor mais ávido do grupo depois do Etno, mas muitas vezes desperdiça a sua inteligência com informações inúteis e pouco confiáveis. Frequentemente ambas as cabeças discutem e brigam, devido às diferenças de opiniões e à sua personalidade implicante. Fazia parte do elenco de personagens principais na primeira temporada; foi removido na segunda temporada por supostamente ser considerado "muito fraco" segundo os produtores da série. Apesar disso, o mesmo já marcou presença em dois episódios da segunda temporada: "UFO" e "Campeões de Outro Mundo", no qual sua presença foi mais notória.
Produção O produtor da série, Marc du Pontavice, conheceu o criador Jean-Yves Raimbaud no Festival de Cinema de Animação de Annecy de 1993, onde seus primeiros encontros foram muito proveitosos. Um desses encontros ocorreu quando Jean-Yves convidou Marc para seu estúdio, a Jingle. Ele tinha vários projetos em andamento, e um deles, Maison à louer (Casa para Alugar), chamou particularmente a atenção de Marc. Quando Jean-Yves conversou com Marc sobre a série, mencionou uma referência que ele ainda não conhecia: The Ren & Stimpy Show. Ao assistir à série em seu retorno a Paris, Marc ficou cativado e impressionado com os personagens e sua animação inovadora. Jean-Yves Raimbaud e Marc du Pontavice estavam convencidos de que esse era o modelo sobre o qual o futuro da animação francesa deveria ser construído. Os projetos de Raimbaud e o modelo de John Kricfalusi entusiasmaram Marc. Jean-Yves foi o primeiro artista contratado por Marc du Pontavice.
No outono de 1994, Marc viajou pelos Estados Unidos para apresentar vários projetos em que estava trabalhando, incluindo Les Zinzins de l'espace, para vendê-los às emissoras americanas. Ele fez uma apresentação do programa com todo o conceito visual repleto de desenhos com uma silhueta tão pouco infantil e inteiramente construída de acordo com seu personagem, o princípio da luz em um quadrado muito colorido sobre um fundo preto e a casa dos alienígenas com proporções. Todos os cenários foram criados pelo co-criador da série, Philippe Traversat.
Uma de suas reuniões o levou ao escritório do chefe de programação infantil da CBS em Los Angeles, onde ficou surpreso ao ver seu interlocutor se virar e devolver a mensagem que ele havia apresentado após uma breve e bem estruturada apresentação. Ele não imaginava que uma emissora americana se interessaria tanto por um projeto como esse, já que seus gostos costumam ser bastante razoáveis, e ele mostrou a série por acaso no final da reunião, depois de ter tentado outros projetos menos surpreendentes. Sem que ele soubesse, Marc ficou feliz com isso, porque a audiência da CBS começou a cair diante da concorrência da Nickelodeon, então ele saiu da reunião com a promessa de um contrato de desenvolvimento, para sua grande alegria. No entanto, ele descobriu que a emissora pretendia manter o controle editorial total e impor seus autores americanos, com o óbvio risco de transformá-los em meros executores, já que a animação americana dominava o mundo e o mercado nunca tinha visto um desenho animado francês em suas telas, pois eles tinham uma vantagem quase abissal sobre eles.
Devido à péssima proposta da emissora, a CBS foi descartada e a France 3 assumiu a produção da série. Bertrand Mosca, então diretor-geral da France 2, que se preparava para assumir o poder, ficou irritado com o sucesso da série animada de Highlander e, principalmente, com o fato de Marc não ter pensado em apresentá-la a ele. Ele se sentiu atraído pelo lado transgressor da série, que era bastante audacioso para um programa de serviço público na época. Mosca assumiu o raro risco de apostar na série contra o conselho de seus colegas do canal e lhe concedeu o maior orçamento já destinado a uma série animada de serviço público. Não foi suficiente para equilibrar o orçamento, mas foi uma boa quantia. A emissora alemã ProSieben também se envolveu no programa, e Marie-Line Petrequin, assim como Mosca, estava insatisfeita com os programas um tanto clássicos que estavam sendo exibidos e sonhava com algo novo. Alguns meses antes de se conhecerem, ela havia se encantado por Jean-Yves e estava disposta a trabalhar com ele. Ela se tornaria uma das apoiadoras mais fervorosas de Marc du Pontavice nos anos seguintes. E eles fecharam o acordo com o apoio da Mediaset, da Itália. Marc sentia que havia um momento em que as emissoras estariam prontas para entrar no jogo, mas ele nunca discutiu isso com a Gaumont, esperando que as vendas internacionais compensassem os excessos que ele previa.