thumb|Floresta de sobreiros no sul de Portugal (Algarve) thumb|Ocupação ideal das florestas ibéricas laranjaAzinheira, sobreiro verdeCarvalho, faia, amieiro amareloAzinheira, carvalho-português vermelhoRetama, tojo púrpuraAbeto, pinho negro, faia azulAlfarrobeira, palmeira, carrasco cianoCarvalho-português, sabina, alzinheira As florestas da Península Ibérica — que estão integradas, atualmente, nos territórios continentais de Espanha, Portugal, Andorra, Alta Cerdanha (parte do atual departamento francês dos Pirenéus Orientais), e GibraltarNão se incluem os arquipélagos dos Açores, a Madeira, as Canárias e as Baleares, por não pertencerem à Península Ibérica. — enquadram-se dentro de duas grandes regiões florestais: a euro-siberiana e a mediterrânica. Cada uma delas é caracterizada por um conjunto de plantas e comunidades biológicas que lhe são próprias, podendo, entretanto, haver algumas espécies em comum.

A divisão entre essas duas regiões não é bem definida, existindo áreas de influência dos dois tipos de vegetação. Algumas espécies têm o seu habitat preferencial exatamente nesses pontos de convergência, o que torna muito difícil estabelecer limites precisos.

Origem e características Pelas suas condições bio-históricas, geográficas, geológicas e orográficas, a flora da Península é uma das mais ricas e variadas de toda a Europa, comparando-se apenas à de outros países mediterrânicos, como a Grécia e a Itália. Calcula-se que inclua mais de espécies diferentes de plantas, sendo muitas delas endémicas.

O Mediterrâneo, sabe-se hoje, foi submetido no passado a grandes alterações no clima e na vegetação, unidas a outras variações, às vezes muito grandes, no nível do mar e a nas posições relativas das massas continentais (placas eurasiática e africana). Com a introdução de plantas e o isolamento, devido às flutuações marítimas ou às periódicas glaciações, pode-se encontrar uma variada diversidade de espécies vegetais.Considerações acerca do arrefecimento plistocénico em Portugal

A Península Ibérica, situada numa importante via de passagem entre a África e a Europa, viu-se enriquecida com a chegada, conforme as mudanças climáticas, de plantas estepárias, termófilas, xerófilas, orófilas, boreo-alpinas entre outras, muitas das quais conseguiram sobreviver, graças à diversidade de meios que existem nas cadeias montanhosas, que lhes permitiram se adaptar conforme a altitude e ao clima. A complexidade geológica da maioria das montanhas ibéricas, especialmente as das cordilheiras Bética, do Sistema Ibérico e dos Pirenéus, aumentaram muito o número de novos meios onde a adaptação tornou possível a riqueza da flora atual.

A região euro-siberiana

Esta é representada pela zona atlântica, que se estende desde o norte de Portugal, Galiza, Astúrias, Cantábria, País Basco e os Pirenéus Ocidentais e Centrais. Caracteriza-se pelo clima (h)úmido, suavizado pela influência oceânica, com inverno temperado e uma estação seca pouco acentuada. Sua principal área se estende pelo norte de Portugal, a maior parte da Galiza, Astúrias, Cantábria, País Basco, noroeste de Navarra, e Pirenéus Ocidentais. Não obstante, sua influência em forma de ecossistemas e/ou espécies concretas se estende em muitos pontos até o interior, especialmente nas metades norte e oeste.

A vegetação está representada por florestas decíduas de carvalhos-brancos (Quercus petraea) e carvalhos-vermelhos (Quercus robur), Lista de plantas da flora Ibérica Quercus sp. com freixos (Fraxinus excelsior) e aveleiras (Coryllus avellana) nos solos mais frescos e profundos dos fundos de vale. O solo montanhoso se caracteriza pela presença da faia (Fagus sp.) e nos Pirenéus, algumas vezes, por abetos (Abies alba). Estas faias e abetos ocupam as ladeiras frescas e com solo profundo das montanhas não muito elevadas. Sente-se a influência mediterrânica devido à presença das azinheiras (Quercus ilex) e dos loureiros (Laurus nobilis), que se situam nas cristas e ladeiras mais quentes, especialmente sobre solos calcários, onde se acentua a aridez.

Muitas dessas florestas vem sendo transformadas em prados, pela ação do homem que requer novas terras para a agricultura e pecuária. Pequenas reservas de floresta original são conservadas nos limites dos prados. A orla natural está formada por cercados e espinhais que são instalados nas clareiras; estes formados principalmente por rosas silvestres, amoreiras, abrunheiros, vinhas, e outros arbustos, mais ou menos espinhosos, e também podem desempenhar este papel as retamas e os piornos.

A seguir as principais florestas desta zona:

Faias thumb|Bosque de faias São as típicas florestas atlânticas que caracterizam o solo montanhoso da região euro-siberiana ibérica. Situa-se entre os 800 e de altitude, em solos frescos e razoavelmente férteis, tanto calcários como silícios, mesmo que estejam quase sempre acidificados pelas intensas lavagens. A faia é uma árvore que projeta uma grande sombra, de forma que em suas formações densas ficam excluídas, na maioria dos casos, outras espécies lenhosas, e inclusive herbáceas.

Apesar do seu caráter atlântico, estas florestas penetram até o centro da Península, chegando ao Moncayo (os faiais mais meridionais da Península), ao Parque Natural Tejera Negra, na Serra de Ayllón; e Montejo da Serra, este último na província de Madrid. Refugiados em talvegues e umbrias, onde se encontram condições favoráveis, sua recuperação ao ser desflorestado é muito difícil e são substituídos pelo carvalho-negral. Cabe fazer uma menção especial à Floresta de Irati, no pirenéu navarro, uma das mais importantes florestas de faias-abetos existentes na Europa, com uma superfície aproximada de

Carvalhos

As florestas de carvalho, sobretudo de carvalho-vermelho (Quercus robur), são as mais características da zona atlântica. Representam a formação florestal típica da base das montanhas até cerca de 600 m de altitude. Conforme se eleva a altitude, são substituídos por faias e, nos fundos dos vales, por freixos e aveleiras. Dos dois carvalhos principais, o branco (Quercus petraea), é o que mais penetra até o interior e o que mais facilmente encontrado em maiores altitudes, mas desempenhando um papel secundário; em geral, quando o clima começa a deixar notar seu caráter continental, estes carvalhais são substituídos pelos carvalhos-negrais.

O áreas de carvalho são as mais ameaçadas, por ser seu solo, o mais adequado para prados e cultivos. Castanheiros e bétulas são frequentemente associadas aos carvalhos. Estas florestas, ao serem degradadas, são substituídas por espinhais, piornos e, em último caso, por callunas e tojos. Ao carvalho corresponderia originalmente grande parte da área ocupada atualmente por pinhais e eucaliptais.

Bétulas Os betulais formam pequenas florestas encravadas ao pé das encostas rochosas ou nas clareiras deixadas pelas faias, sobre os solos mais pobres e acidificados, acompanhados pela sorveira. Outras vezes ocupam uma área própria, por cima do domínio da faia, na zona montanhosa rica em silício; esta terra pode ser de pouca extensão e, geralmente, de pouco destaque quando associado com o carvalho-branco.

thumb|left|120px|Abeto branco thumb|125px|Abies alba

Abetos

O abeto-branco (Abies alba) Lista de plantas da flora Ibérica Abies sp. se situa nas ladeiras frescas e com solo profundo dos Pirenéus, de Navarra a Montseny, formando abetais puros ou, com mais frequência, florestas mistas com a faia. As massas mais importantes estão em Lérida, com cerca de Em altitude estende-se dos 700 até aos mas as suas principais massas se localizam nos vales mais húmidos e escuros. São bosques muito escuros, com solos muito ácidos, devido à decomposição acicular. Em altitude é substituído com certa frequência pelo Pinho-negro (Pinus mugo).<ref name="listap"> [http://www.rjb.csic.es/floraiberica/PHP/cientificos_.php?rgen=Pinus Lista de plantas da flora Ibérica Pinus sp.]</ref> Nestes abetais encontram-se, às vezes o Plátano bastardo (Acer pseudoplatanus)Flora digital de Portugal Acer pseudoplatanus e seu habitat é muito similar ao das faias. Como estes, têm um claro significado euro-siberiano.

A região mediterrânica

A região mediterrânica, que ocupa o restante da Península e as Ilhas Baleares, tem como característica principal, a existência de um período de seca estival, mais ou menos extenso (de 2 a 4 meses), e sempre bem marcante. Os índices pluviométricos podem variar dos até menos de 350 mm e a temperatura, chega a alcançar no inverno -20 °C ou mais em algumas regiões, sendo que no verão permeia os 27 °C.Daniel Prat - As Orquídeas Francesas

Nota-se a influência das montanhas na região mediterrânica ibérica, pela presença marcante nas florestas de espécies perenifólias de folha endurecida, como azinheiras, sobreiros, azambujeiros, zimbros entre outras. Estes vêm acompanhados ou substituídos nas zonas mais quentes e erodidas, por pinhais (principalmente pelo pinheiro-de-alepo), e nos areais e dunas fixas por junípero e por pinhais de pinheiro-manso. Exceções a esta regra, encontram-se a região mais árida do sudeste da Península, onde se localizam as zonas baixas das províncias de Múrcia e Almeria, onde sua única vegetação são palmitos, espinhais e a em maiores altitudes carrascos e lentiscos. Outra exceção são as zonas salinas ou endorreicas, com grandes oscilações de temperatura, na depressão do Ebro. thumb|200px|Bosque de carvalhos-negral, Quercus pirenaica

Carvalho-negral

O carvalho-negral (Quercus pyrenaica), entre todos os carvalhos, é o mais resistente à seca e aos climas de matiz continental. Suas florestas, de caráter subatlântico, representam, muitas vezes, a transição entre o Mediterrâneo e o Atlântico. Sua área peninsular é muito ampla e tem uma grande importância, sobretudo nas montanhas do centro. Desde o interior da Galiza e a vertente sul da cordilheira Cantábrica, estendem-se pelo Sistema Central, alcançando o sul, já muito escassos na Serra Nevada e em Cádis. Podendo estender-se desde cerca de 700-800 metros até os 1500-1600 metros de altitude. Preferem os solos ricos em silício e substituem, em altitude, os azinhais húmidos e sobreirais; no patamar superior dão início a pinhais de pinheiro-silvestre (Pinus sylvestris). Nas zonas onde é mais patente a característica Atlântica vêm seguidos, como fase regressiva pela urze-vermelha (Erica australis), no mais, são frequentes em suas clareiras e trechos degradados, Cistus sp. e lavandas. Sua área natural pode estar ocupada por pinhais de pinheiro-silvestre e pinheiro-marítimo.

Matas, florestas ripícolas e de fundos de vale

Nesta região, observa-se florestas decíduas favorecidas pela humidade do solo, que se mantém assim quase todo o ano. Isto lhes permite evitar o longo período de seca estival, que caracteriza o clima mediterrânico. thumbnail|left|Galeria ripícola, rio Tajuña Neles acontece um mosaico característico, desde a margem do leito fluvial ao limite exterior dos bosques, de modo que as florestas mais dependentes da água se situam na margem (amieiros, salgueiros) e os mais independentes no exterior (freixos, ulmeiros, choupos). Estas florestas são formadas por salgueiros, choupos, amieiros, ulmeiros e, por vezes, por carvalhos-negrais, tílias, abetos e aveleiras. Quando a presença da humidade começa a diminuir nas zonas mais áridas do vale do Ebro, Levante e na metade meridional da Península, a aridez vem, frequentemente, acompanhada por um aumento de sais no solo; nestas condições encontra-se formações arbustivas de tamargueira, loendros e .