A Transportes e Turismo Eroles (T.T. Eroles ou apenas Eroles) foi uma das maiores empresas de transporte de passageiros do Brasil.Mito - História
História Henrique Eroles resolveu, em 20 de dezembro de 1934, explorar o transporte coletivo do município de Mogi das Cruzes, Região Metropolitana de São Paulo, o que na época era um setor novo e que apresentava várias dificuldades. Adquiriu um veículo Chevrolet - tigre, tipo "Ramona", ano 1934, conhecido na época como jardineira, que transportava de 20 a 25 passageiros. Esse veículo fez a primeira linha regular de ônibus da cidade de Mogi das Cruzes, ligando o Centro ao bairro de Taiaçupeba, na época Capela do Ribeirão. Em 1937 adquiriu seu primeiro veículo 0KM e foi agregando à empresa como sócios, seus filhos e sua esposa. Já em 1964, com uma frota maior e crescente surgiu a razão social Transportes e Turismo Eroles.
Com o passar dos anos a Eroles crescia cada vez mais, e dominou sozinha o transporte coletivo municipal de Mogi das Cruzes por mais de 60 anos, e o transporte municipal também dos municípios de Santa Isabel e Guararema. Operou por longos anos as linhas metropolitanas mais rentáveis da EMTU, que ligavam essencialmente Mogi das Cruzes aos outros municípios do Alto Tietê e à Capital, só perdia em número de linhas para a Viação Poá. Além disso operava linhas turísticas regulares dentro do Brasil, e também linhas internacionais ligando o citado país ao Paraguai, a Argentina, a Bolívia, ao Uruguai e ao Chile. Seus ônibus eram sempre novos, conservados e modernos. Sua pintura conhecida nacionalmente. A Eroles servia de referência para as demais empresas. Foi considerada uma das melhores empresas de transporte de Brasil.
Henrique faleceu em 7 de outubro de 1964. Seus herdeiros e sócios assumiram o controle da Eroles. Como é relatado pela própria empresa até hoje, deixou concretizado o seu sonho que era "implantar uma empresa de transporte coletivo de passageiros à altura do progresso da cidade que tanto amou". O seu esforço foi reconhecido em várias cidades, com a nomenclatura de uma avenida (em Mogi) e de uma rodovia (a SP-66 que passa por Poá e Itaquaquecetuba, entre outras cidades).
A crise Mito - Eroles Tal trajetória de sucesso acabou em 2004,Diário de Suzano - Jornal de FatoDiário de Suzano - Jornal de FatoDiário de Suzano - Jornal de Fato com a crise financeira que a empresa começou a enfrentar naquele ano.A Semana - Mito: "A culpa não é nossa" Os motivos para o início da crise são incertos, o que de concreto há é que a crise se desencadeou com a quebra do monopólio do transporte municipal de Mogi da Cruzes. A nova licitação foi feita para tentar melhorar os serviços da Eroles, que na época já estavam ficando decadentes. Seriam escolhidas duas empresas que responderiam por 50% das linhas cada.
Com a licitação encerrada, com a Eroles e a então Transcel (hoje CS Brasil) escolhidas, a primeira mudança. Possivelmente numa manobra para que uma empresa com o "nome limpo" assumisse, aconteceu a troca do nome. Passava de Eroles para Mito Turismo; essa inclusive foi a única mudança na empresa com a licitação. A licitação exige uma idade média de 6 anos para a frota. A Mito foi obrigada a comprar novos veículos, e o fez. Os ônibus mais velhos foram transferidos para linhas metropolitanas. De 2004 à 2006, uma crise financeira arrebatadora, fez com que a Mito - Eroles penalizasse os seus usuários de todas as suas linhas, com atrasos e quebras de veículos. Foram dois anos com problemas no transporte no Alto Tietê. Tentou parcerias com a empresa Breda e com o Grupo Ruas Vaz. Depois de muita cobrança dos usuários, frente as prefeituras de Santa Isabel, Guararema e Mogi das Cruzes e à EMTU, e também a apreensão de vários ônibus a pedido de credores, a Mito - Eroles começou a perder suas linhas. Perdeu as linhas metropolitanas da EMTU, perdeu as linhas rodoviárias para a Breda, perdeu as linhas de Santa Isabel e Guararema e chegou a ter apenas 6 ônibus nas linhas municipais de Mogi, onde foi sendo substituída pela sua concorrente Transcel.Railbuss 2007 - Ônibus, Trens, Turismo e Ferreomodelismo!
Tentativas de recuperação thumb|275px|Comil Svelto: principal modelo utilizado pela Mito durante a parceria com a Viação Suzano.
A Eroles chegou a possuir quase 700 ônibus. No fim do ano passado[que ano?], por meio da Mito, possuía 15 ônibus. Com esse número não era possível operar em Mogi das Cruzes.
As linhas metropolitanas foram tranferidas para a CS Brasil, assim como as linhas de Guararema. Em Santa Isabel opera a cooperativa Transcooper. Da saúde financeira da empresa pouco era sabido, já que os Eroles também possuem divergências com a imprensa por causa de dívidas, e não davam entrevistas na época. Foi noticiado na época da crise que as duas razões sociais, Transportes e Turismo Eroles e Mito Turismo, possuiam pedidos de falência na justiça.
No dia 1 de Maio de 2008, 20 ônibus da Mito foram apreendidos a pedido de uma concessionária, por falta da pagamento. A parceria com a Visul foi desfeita.Mogi News - Justiça apreende 20 ônibus da Mito
A maior parte do faturamento da empresa (62% dos lucros) estava sendo utilizada para pagar dívidas trabalhistas e a empresa contava com apenas 33 carros para atender a população do município de Mogi das Cruzes, já que 55 veículos dos que restaram foram apreendidos por causa de dívidas.
De acordo com o contrato entre a empresa e a prefeitura de Mogi das Cruzes, a empresa deveria atuar com 90 ônibus em operação e disponibilizar outros 12 para a reserva técnica, totalizando 102 coletivos.O Diário de Mogi - Mito vai a justiça para se manter
Ameaça de cassação Por causa desses problemas, a prefeitura de Mogi das Cruzes chegou nomeou uma comissão com o monitoramento da secretaria de negócios jurídicos para investigar irregularidades, incluindo quebra de contrato por parte da Mito Turismo. A empresa pediu ao prefeito para que interrompesse o processo, porque estava adquirindo novos ônibus para completar a frota, mas o prefeito queria saber se a empresa estava com as finanças equilibradas, como não obteve essa informação no momento, ele continuou com o processo.Mogi News - Prefeito nega pedido da Mito para suspender cassação de contratoMogi News - Futuro do transporte será definido em 30 dias
Novos ônibus thumb|300px|right|Passe escolar da Eroles, em 2004
No dia 31 de setembro de 2008, a diretoria da Mito Turismo fez uma entrevista coletiva para anunciar medidas para restabelecer os serviços da empresa e recuperar o mercado perdido para a CS Brasil no município de Mogi das Cruzes. A empresa passou a locar (alugar) 110 ônibus das empresas Comil e Marcopolo, cujo contrato teria duração de 60 meses. O investimento total da Mito Turismo chegaria aos R$ 25 milhões nos cinco anos de duração do contrato com as empresas que têm sede no estado brasileiro de Rio Grande do Sul. A empresa também pretendia contratar funcionários e retomar concorrências em outros municípios e assim recuperar a sua credibilidade. Os coletivos possuíam três portas e eram adaptados para deficientes físicos (cadeirantes) de acordo com as exigências da prefeitura. Com isso, os diretores da empresa acreditavam que conseguiriam operar em condições semelhantes com a CS Brasil.
A diretoria nessa entrevista garantiu que a segunda exigência da prefeitura para que a empresa retome as suas linhas também seria atendida. A Mito Turismo não possuía dívidas com a prefeitura de Mogi das Cruzes. A prefeitura estava devendo cerca de R$ 700 mil para a Eroles Turismo, esse crédito antigo foi repassado para a Mito Turismo e a dívidas com a prefeitura foram abatidas. As pendências trabalhistas e comerciais estavam equacionadas, segundo a diretoria da empresa. Tanto que estava contratando cerca de 250 pessoas, entre cobradores, motoristas, e outros cargos na área operacional. Segundo a diretoria da empresa, o financiamento dessa nova frota de ônibus foi feito junto as diversas instituições financeiras e não existiam investidores participando do negócio.Mogi News - Mito apresenta ônibus para retomar linhas e diz que vai contratar 250
Dívida da prefeitura de Mogi das Cruzes O prefeito confirmou à imprensa após a entrevista da diretoria que a administração municipal devia cerca de R$ 700 mil. No final da década de 1990, a administração ficou devendo cerca de R$ 2,5 milhões a Eroles Turismo, que depois se tornaria a Mito Turismo.
O prefeito disse que a Mito Turismo devia à prefeitura um repasse mensal de verbas, pelo motivo da concessão dos transportes públicos de Mogi das Cruzes é onerosa às concessionárias. Com a crise Mito - Eroles, não foram pagos pela prefeitura os valores definidos pelo contrato. O secretário de serviços urbanos afirmou que a empresa devia aproximadamente R$ 2,5 milhões. A dívida foi transferida para a Mito Turismo que teve a sua dívida de R$ 1,8 milhão quitada. Esses créditos em favor da empresa foram obtidos em 1998 quando houve a suspensão do monopólio da empresa, a Eroles já havia pago a prefeitura o dinheiro à título de exploração do serviço.Mogi News - Prefeitura deve R$ 700 mil à empresa Mito
Ação popular na justiça Uma cidadã de nome Ana Stela Vieira por meio de seu advogado Ricardo Luís Rodrigues da Silva entrou com uma ação popular na justiça a anulação da licitação pública e do contrato administrativo 49/2004 que deu à Mito Turismo a concessão de exploração das linhas no município de Mogi das Cruzes, declarando que a empresa não seria idônea o suficiente para realizar esse serviço. Ela também havia reivindicado à justiça a anulação do ato administrativo que previu a compensação de créditos da prefeitura mogicruzense à Mito Turismo e a condenação dos réus (prefeitura, Mito e o prefeito) à devolução dos valores angariados ao longo da prestação e por perdas e danos. A justiça indefiriu (não aceitou) a ação popular.Mogi News - Mito vence na justiça contra ação popular
Circulação dos novos ônibus thumb|450px|right|Passagens de ônibus intermunicipais da Mito Turismo, em 2005
A Mito Turismo, em outubro de 2008 não havia ainda disponibilizado os ônibus novos para a população, segundo a prefeitura mogicruzense, a empresa não havia apresentado os documentos necessários para que fosse feita a vistoria técnica. Sem a vistoria técnica, os veículos ficam impedidos de rodar.
O processo administrativo da prefeitura mogiana que poderá causar a cassação da empresa não foi suspenso. A comissão que analisará uma possível quebra de contrato por parte da Mito Turismo terminaria no final de outubro, mas foi prorrogada por mais 20 dias.
O diretor da empresa disse à imprensa que antes do dia 30 de outubro disponibilizaria a frota nova para os passageiros, o que não aconteceu. Ele afirmou na época que o número de veículos é grande e que o valor do IPVA é alto, além da burocracia que é grande. A empresa deveria seguir o cronograma da prefeitura para a retomada das linhas que foram perdidas para a CS Brasil, no entanto, apenas 24 ônibus da Mito Turismo estavam circulando nas ruas.Mogi News - Mito disponibilizará nova frota até o final do mêsMogi News - Parecer sobre a Mito sai no dia 17
Os poucos ônibus da empresa estavam circulando nas ruas. A prefeitura mogicruzense iria tomar a sua decisão no dia 17 de novembro, mas mudou de ideia e a decisão final sairá até o dia 31 de dezembro de 2008, antes que o próximo prefeito assuma.Mogi News - Junji promete entregar transporte coletivo normalizado a Bertaiolli Apesar dos problemas e dificuldades da empresa e a ameaça de cassação por quebra de contrato, a Mito Turismo ainda recebe apoio de entusiastas e busólogos da região. Eles torciam na época para que a empresa se recuperasse e dizem que ela faz parte da história de Mogi das Cruzes.Mogi News - Mogiano promove campanha para salvar a Mito Turismo da cassação
Intervenção da prefeitura