thumb|260px|right| O campo de Tupi, é um campo petrolífero localizado na Bacia de Santos, no litoral do estado do Rio de Janeiro. É o reservatório mais produtivo do Brasil. Em 2025, bateu a marca de 786 mil barris de petróleo por dia e, em janeiro de 2026, bateu a marca de 1 milhão de barris de petróleo por dia.

Visão geral Descoberto em 2006, o campo de Tupi é o primeiro campo supergigante do Brasil, denominação dada a campos com mais de cinco bilhões de barris equivalente de volume recuperável (boe – unidade de volume, soma de petróleo e gás equivalente em petróleo).

O campo pertence ao consórcio formado pelas empresas Petrobras, que é a operadora do campo, com 65% de participação, a britânica BG Group, adquirida pela holandesa-britânica Royal Dutch Shell, com 25%, e a Petrogal Brasil, joint-venture entre a portuguesa Galp Energia e a chinesa Sinopec, com 10%.

A declaração de comercialidade foi realizada em 29 de dezembro de 2010, quando as então descobertas de Tupi e Iracema foram denominadas respectivamente de campos de Lula e Cernambi. Os volumes recuperáveis, informados pela Petrobras à Agência Nacional do Petróleo eram, respectivamente de 6,5 e 1,8 bilhões de boe de volume recuperável total. No entanto, a ANP considerou que as acumulações de Tupi e Iracema pertencem a um único campo e definiu que ambos fazem parte do Campo de Lula.

As reservas anunciadas representam mais do dobro das reservas de Roncador, que contém aproximadamente 3 bilhões de barris recuperáveis de petróleo pesado, de menor valor comercial e era, até então, a maior descoberta de petróleo brasileira segundo disse o consultor Caio Carvalhão, do Cambridge Energy Research Association, no Rio de Janeiro.Petrobras: Campo de Tupi, na Bacia de Santos, é a maior reserva de petróleo e gás do Brasil. Globo Online, com Agências, 8 de novembro de 2007

O óleo encontrado no local tem 28 graus API para a acumulação de Tupi e 30 graus API para Iracema, e é considerado de melhor qualidade comercial do que a média do petróleo encontrado no Brasil, e o mais fácil de refinar. A descoberta fica em rochas localizadas abaixo da chamada camada de sal, em profundidades muito grandes, cuja perfuração é pioneira no mundo.Petrobras deve instalar projeto-piloto em Tupi entre 2010 e 2011. Os volumes recuperáveis estimados de óleo e gás para os reservatórios do pré-sal elevaram significativamente a quantidade de óleo existente em bacias brasileiras, colocando o Brasil entre os países com grandes reservas de petróleo e gás do mundo, segundo a empresa estatal.

A Petrobras realizou, também, uma avaliação regional do potencial petrolífero do pré-sal que se estende nas bacias do sul e sudeste brasileiros. Em seguida ao anúncio da descoberta do campo petrolífero de Tupi, o governo brasileiro retirou de licitação os direitos de exploração de 41 lotes no entorno de Tupi, que seriam leiloados no final de novembro de 2007. "Isso poderia sinalizar um aumento do petro-nacionalismo. Mas também parece ser uma atitude prudente, uma vez que esses blocos podem passar a valer muito mais, à medida que mais informações forem sendo conhecidas acerca de Tupi", escreveu a prestigiosa revista liberal conservadora The Economist, em seu artigo Afinal Deus pode mesmo ser brasileiro.<ref name=ECONOMISTa>[http://www.economist.com/world/la/displaystory.cfm?story_id=10134215All this and oil too - God may indeed be Brazilian after all The Economist, 15 de novembro de 2007.]</ref>

Em julho de 2019, o Campo Tupi era o maior campo em produção no Brasil, produzindo respectivamente, 928 mil barris por dia de óleo e 39,5 milhões de metros cúbicos de gás natural, para uma produção total de 1,176 milhão de barris de óleo equivalente. Depois, a produção entrou em declínio, mas o campo se recuperou. Em 2025, contribuiu para o recorde de produção petrolífera no Brasil de todos os tempos com a marca de 768 mil barris de petróleo por dia, e foi o reservatório mais produtivo do Brasil.

Em janeiro de 2026, o campo retomou a marca de 1 milhão de barris por dia. O resultado está alinhado ao Plano de Negócios 2026-2030, no qual um dos objetivos é maximizar a produção nos poços existentes.

Descrição técnica O campo Tupi está onde pela primeira vez foi atingida a camada pré-sal. A Petrobras foi a primeira empresa petrolífera do mundo que perfurou, testou e avaliou as rochas do pré-sal.

Para atingir as camadas pré-sal, entre 5000 e 7000 metros de profundidade, a Petrobras desenvolveu novos projetos de perfuração: mais de 2000 metros de sal foram atravessados. O primeiro poço demorou mais de um ano e custou 240 milhões de dólares. Atualmente, o ritmo de perfuração de poços é três vezes maior do que no início das operações, o que significa economia de milhões de dólares. Em 2022, a Petrobras perfurou um poço no pré-sal em apenas 35 dias, o recorde da companhia.

No pré-sal, o Campo de Tupi tem destaque. Em novembro de 2025, foi o campo com maior número de poços marítimos  produtores, 63, segundo o Boletim da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Ainda de acordo com o relatório da ANP, o Campo de Tupi foi o segundo maior produtor de petróleo, com 681.790 barris, e de gás natural, com 33,36 milhões de metros cúbicos. 

De acordo com o Plano de Negócios 2026-2030 da Petrobras, até 2030 serão perfurados mais 16 poços. Desses, 12 serão produtores e quatro injetores.

O Brasil está hoje ocupando o 8º lugar no ranking de países com maiores reservas de petróleo, segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás.

Desafios tecnológicos vencidos e premiados A maior dificuldade do ponto de vista tecnológico para explorar o reservatório de Tupi não era a profundidade; a Petrobras é líder mundial na exploração de petróleo em águas profundas – detém o recorde mundial de poço em lâmina d'água, de 2.777 metros – e já tinha poços comerciais operando a mais de 5.000 metros de profundidade na Bacia de Santos; mas nunca havia tido que atravessar uma crosta salina como o do Campo de Tupi. A rocha é dura, mas é estável, enquanto a camada de sal não é tão dura mas é menos estável. Imagine algo como uma gelatina, você abre o buraco, e o buraco fecha, explicou o especialista Giuseppe Bacoccoli, do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia do Coppe.ESCOBAR, Herton. 2 km de sal desafiam tecnologia - Líder mundial em exploração de petróleo em águas profundas, Brasil nunca teve de enfrentar crosta desse tipo. Rio de Janeiro: Economia & Negócios, O Estado de S. Paulo, 18 novembro de 2007

A Petrobras venceu esses desafios com o desenvolvimento de várias tecnologias. Em 2015, nove delas foram premiadas no prêmio mais importante do setor, o Distinguished Achievement Award, da Offshore Technology Conference (OTC).

No Campo Tupi, aconteceu o maior levantamento sísmico 3D do mundo. Essa tecnologia permite identificar o que há no subsolo marítimo. Em toda a Bacia de Santos, foram mapeados 20 mil quilômetros quadrados em quatro anos. Com o tempo, a tecnologia evoluiu para 4D. Controvérsia sobre o batismo do Campo de Lula No Brasil, os campos marítimos são denominados a partir de espécies de animais marinhos existentes nas costas brasileiras, como peixes, mamíferos marinhos e moluscos, tradição que começou com a Petrobras desde o primeiro campo marítimo descoberto no Brasil, em 1968, o Campo de Guaricema. Desta forma, quando houve a declaração de comercialidade das descobertas exploratórias denominadas de Tupi e Iracema, elas foram denominadas como campos de Lula e Cernambi. A exemplo do Campo de Lula, a grande maioria dos campos do pré-sal da Bacia de Santos são denominados a partir de moluscos: Atapu, Berbigão, Búzios, Lapa, Sapinhoá, Sépia e Sururu. A única exceção é o Campo de Mero, um peixe.

Existem outros campos no Brasil com nomes de moluscos, todos no pós-sal da Bacia de Campos: Polvo (pertencente à PetroRio), Ostra, Abalone, e Argonauta, no chamado Parque das Conchas da Royal Dutch Shell (sendo shell'' concha em inglês). No entanto, a denominação Campo de Lula foi considerada controversa, devido à associação com o político Luiz Inácio Lula da Silva. A lei brasileira não permite que nomes de locais públicos sejam escolhidos em homenagem a pessoas ainda vivas. Sobre a alteração do nome, o então presidente Lula chegou a comentar, em tom de humor, que se sentia orgulhoso, mas que o nome do campo era mesmo de um molusco.

Ver também Lista de bacias sedimentares do Brasil

Ligações externas Petróleo Brasileiro S.A. - Petrobras - Fato Relevante: Análise da Área de TUPI Mapa - Região Petrolifera de Tupi Centro de Informações de Petróleo e Gás Natural do Estado do Rio de Janeiro

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