Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) é um partido político brasileiro fundado em junho de 2004. Obteve registro definitivo na Justiça Eleitoral no dia 15 de setembro de 2005. Seu número eleitoral é o 50, suas cores principais são o vermelho e o amarelo; tendo o roxo como sua cor secundária e, como logotipo principal, um sol sorridente desenhado pelo cartunista Ziraldo. O espectro político do Partido Socialismo e Liberdade é definido como de esquerda à extrema-esquerda. Defendendo o socialismo democrático, é considerado um partido de esquerda ampla, pois, não funcionando por centralismo democrático, agrega diversas correntes internas desde reformistas até revolucionárias.
Sua criação foi impulsionada por dissidências do Partido dos Trabalhadores (PT)O PT e a crise, por Valter Pomar por Luiz Antônio Magalhães, editor de Política do Observatório da Imprensa. publicado no "Correio da Cidadania"[“Somos oposição ao governo Dilma e não nos aliamos com os demo-tucanos”, afirma novo presidente do PSOL] pela Equipe da Secretaria de Comunicação Nacional (2013) que alegavam discordar das políticas do partido. Já no primeiro ano do Governo Lula, Luciana Genro, Heloísa Helena, Babá e João Fontes vinham descumprindo as orientações da bancada do Partido dos Trabalhadores nas votações no Congresso Nacional e, por votarem contra a reforma da previdência do governo Lula, acabaram expulsos pelo diretório nacional do Partido dos Trabalhadores.
Dentre os destaques na atuação do partido, Marcelo Freixo presidiu na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) a CPI das Milícias, a qual ganhou repercussão nacional, chamando para depor políticos suspeitos de envolvimento com milícias. Impulsionou o Movimento Ficha Limpa, em que o partido participou de atos favoráveis ao projeto de Lei da Ficha Limpa e trabalhou no Congresso Nacional pela sua aprovação.
Após as candidaturas presidenciais de Heloísa Helena (2006), Plínio de Arruda Sampaio (2010) e Luciana Genro (2014), Guilherme Boulos foi lançado candidato ao Palácio do Planalto pelo partido em 2018. Desde a eleição de 2014, o Partido Socialismo e Liberdade foi o terceiro partido que mais cresceu em número de filiados. Através das diversas eleições, dos parlamentares do partido e dos movimentos onde atua, este faz oposição aos governos e à maior parte das políticas que se manifestam no Congresso Nacional do Brasil e nos parlamentos estaduais e municipais. Em dezembro de 2025 o partido possuía 290.593 filiados.
História Fundação thumb|Babá, Heloísa Helena, Luciana Genro e João Fontes|esquerda O Partido Socialismo e Liberdade foi fundado em 6 de junho de 2004, após a expulsão dos parlamentares Heloísa Helena, Babá, João Fontes e Luciana Genro do Partido dos Trabalhadores (PT), em razão da oposição desses à reforma da previdência proposta pelo governo Lula em 2003. Recebeu apoio de intelectuais socialistas famosos, como Fabio Konder Comparato, do geógrafo Aziz Ab'Saber, do jornalista e ex-deputado Milton Temer, dos sociólogos Francisco de Oliveira e Ricardo Antunes, do economista João Machado, da economista Leda Maria Paulani, dos filósofos Leandro Konder e Paulo ArantesPara ver a desilusão de Paulo Arantes quanto à democracia representativa capitalista antinegocial (a ponto de levá-lo a afirmar: "Votar, nem pensar"), cf. ARANTES, Paulo Eduardo. Entrevista: "Hoje a Filosofia se encontra em Estado de Sítio". Entrevistado por Márcia Tiburi. In: Cult – Revista Brasileira de Cultura, n.118, outubro de 2007, p.8-12. e do cientista político Carlos Nelson Coutinho.
Buscando obter registro permanente na Justiça Eleitoral, o partido obteve quase 700 mil assinaturas a favor de sua fundação, mas os cartórios eleitorais só concederam certidões a 450 mil dessas assinaturas. Uma nova tentativa de apresentar assinaturas válidas foi realizada pelos organizadores do partido em 1º de setembro de 2005. Em 15 de setembro, o registro definitivo foi obtido, e o número eleitoral adotado foi o 50. thumb|200px|Primeira logomarca do partido|esquerda
Crescimento do partido em 2005 O partido ganhou novas adesões a partir de setembro de 2005, resultado da crise política causada pelas denúncias do escândalo do mensalão. Ingressaram no PSOL, ainda: militantes petistas oriundos de movimentos sociais, como a dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Lujan Miranda e o Secretário Nacional de Movimentos Populares do PT, Jorge Almeida; o então vereador Clécio Luis, que sete anos depois viria a se tornar o primeiro prefeito do PSOL em uma Capital de Estado; Edmilson Rodrigues (PA), ex-prefeito de Belém do Pará e deputado federal pela sigla; os senadores Randolfe Rodrigues (AP), na época deputado estadual; Marinor Brito (PA), até então vereadora de Belém; José Nery (PA), que migrou para o PSOL ainda como vereador belenense; o senador Geraldo Mesquita Júnior (AC), oriundo do PSB; Marcelo Freixo (RJ); e os deputados federais Ivan Valente (SP), Maninha (DF), Chico Alencar (RJ), João Alfredo (CE) e Orlando Fantazzini (SP).
Conferência Nacional de 2006 Por decisão do Diretório Nacional tomada em abril de 2006, foi realizada uma Conferência Nacional do partido entre os dias 26 e 28 de maio daquele mesmo ano. Durante esta Conferência, foi oficializada a candidatura da então senadora Heloísa Helena à Presidência da República e de seu vice, o editor carioca César Benjamin, nas eleições brasileiras de 2006. Foi também oficializada a formação da Frente de Esquerda com o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e o Partido Comunista Brasileiro (PCB).
O 1º Congresso do partido, no qual foram definidas as linhas programáticas, aconteceu no primeiro semestre de 2007.
Eleições de 2006
thumb|esquerda|205x205px|Heloísa Helena na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado em 2015 Heloísa Helena, senadora eleita em 1998 pelo PT de Alagoas, disputou o cargo de presidente da república em 2006. A candidata, que havia aberto mão de concorrer novamente ao cargo de senadora, não aceitou o apoio financeiro de empresários, pois de acordo com ela, esta seria a origem da corrupção dos candidatos depois de eleitos.
Durante a candidatura de Heloísa Helena, o partido obteve o apoio de personalidades como o cartunista Ziraldo (criador do slogan e do símbolo do partido). A candidatura foi apoiada também por um grupo de mais de 250 intelectuais do mundo inteiro, entre os quais o linguista estadunidense Noam Chomsky, o sociólogo franco-brasileiro Michael Löwy, o cineasta britânico Ken Loach e o filósofo esloveno Slavoj Zizek.
Heloísa Helena terminou as eleições presidenciais de 2006 em terceiro lugar. Obteve 6,5 milhões de votos (6,85% do total), ficando à frente de Cristovam Buarque, candidato do tradicional Partido Democrático Trabalhista (PDT). Ao término de seu mandato como senadora, reassumiu profissão como professora de enfermagem na Universidade Federal de Alagoas (UFAL) até ser eleita vereadora de Maceió dois anos mais tarde.
thumb|251x251px|Luciana Genro recebendo o Prêmio Congresso em Foco de Melhor deputada federal
Eleições de 2008
Nas eleições municipais de 2008, o PSOL repetiu a Frente de Esquerda com o PSTU e/ou o PCB em onze capitais. O melhor desempenho da Frente em capitais se deu em Fortaleza, onde o candidato Renato Roseno obteve mais de 67 mil votos (5,7% do total). O segundo melhor desempenho foi do deputado federal Chico Alencar no Rio de Janeiro, obtendo quase 60 mil votos (1,8% do total). Em Salvador, o candidato da Frente Esquerda Socialista (PSOL, PSTU e PCB) Hilton Coelho obteve 51 196 votos, alcançando 3% dos votos no município.thumb|Deputados lavando o Congresso Nacional durante o escândalo do Mensalão em 2005O melhor desempenho do PSOL fora da Frente se deu em Porto Alegre, onde a deputada federal Luciana Genro obteve quase 73 mil votos (9,2% do total). Em Macapá, o PSOL foi para o segundo turno com Randolfe Rodrigues, candidato a vice de Camilo Capiberibe do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Entretanto, Capiberibe perdeu para Roberto Góes do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Em Santa Maria, 5ª maior cidade do Rio Grande do Sul, a candidata Sandra Feltrin obteve 10 360 votos, ficando com mais de 6% dos votos válidos.
Na eleição municipal de São Paulo, o Partido Socialismo e Liberdade teve Ivan Valente como candidato a prefeito. O deputado obteve 42 616 votos (0,67% dos válidos), ficando em sexto lugar. Em Sorocaba, no interior de São Paulo, o PSOL também obteve um resultado expressivo. O candidato do partido, o deputado estadual Raul Marcelo, obteve mais de 24 mil votos (quase 8% do total).
O partido obteve pouco mais de 795 mil votos e conseguiu eleger 25 vereadores em diversas cidades brasileiras e em algumas capitais. O partido obteve ainda os vereadores mais votados de Maceió e Fortaleza: Heloísa Helena (que, com quase trinta mil votos, se tornou a vereadora mais votada da história de Alagoas) e João Alfredo (com quase quinze mil votos), respectivamente. O Partido Socialismo e Liberdade também elegeu um vice-prefeito: Messias Furtado, em Manacapuru (AM), assumiu no início de 2010, após o afastamento do prefeito eleito no pleito de 2008, Edson Bessa.
Eleições de 2010
thumb|180px|Plínio de Arruda Sampaio, candidato do Partido Socialismo e Liberdade à presidência nas eleições de 2010 O PSOL apresentou Plínio de Arruda Sampaio como candidato a presidente. Plínio teve como vice o pedagogo Hamilton Assis, do PSOL baiano. A demora na definição de seu nome para a candidatura à presidência, porém, dificultou a formação da Frente de Esquerda entre PSOL, PSTU e PCB, cada um dos partidos lançando seus próprios nomes para as eleições presidenciais.
Durante a campanha, o PSOL defendeu os seguintes temas: auditoria da dívida pública, financiamento público de campanhas, reforma agrária e reforma urbana.
Já na campanha eleitoral, o candidato à presidência pelo partido, Plínio de Arruda Sampaio, obteve destaque na imprensa e na rede social Twitter por conta de seu desempenho no primeiro debate eleitoral entre os postulantes à cadeira de Lula, realizado pela TV Bandeirantes em 5 de agosto de 2010. Fora do debate promovido em 18 de agosto de 2010 pela Folha/UOL, Plínio convocou um "tuitaço" e chegou pela segunda vez ao trending topics, expressão usada para classificar o número um do ranking da rede Twitter.
Em 12 de agosto, durante entrevista concedida ao Jornal Nacional, Plínio de Arruda Sampaio foi interrompido em sua fala após fazer um protesto sobre o tempo que lhe foi oferecido de participação. O presidenciável reclamou do tempo de três minutos dado a ele, enquanto Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB) tiveram 12 minutos, durante a resposta da primeira pergunta. Plínio contou que "sempre viajou de classe econômica e nunca viu problema nisso", mas não aceitava que a emissora "criasse uma classe executiva para os candidatos chapa branca" ("chapa branca" refere-se à cor branca das placas de veículos governamentais no Brasil). Pela crítica, Plínio foi impedido de participar de entrevistas de outros telejornais da Rede Globo como Bom Dia Brasil, o que reacendeu a polêmica sobre a censura no país e várias teorias sobre esse tipo de ação dentro das Organizações Globo ao longo da história.HERZ, Daniel. A História Secreta da Rede Globo. Porto Alegre : Ortiz, 1989. pp. 133-145.
Em São Paulo, o PSOL veiculou o primeiro beijo homossexual da história do horário eleitoral gratuito brasileiro. No segundo turno das eleições, Plínio de Arruda Sampaio e Heloísa Helena declararam voto nulo, enquanto o PSOL recomendou o voto em Dilma Rousseff (PT) ou o voto nulo.
Plínio foi o quarto candidato à presidência mais votado, tendo recebido 886 800 votos (0,87% dos votos válidos). Diante da popularidade do presidenciável, a legenda se mobilizou para 2012.