Kelly Key é o álbum de estreia da artista musical brasileira Kelly Key. O seu lançamento ocorreu em 17 de agosto de 2001 pela Warner Music Brasil, sendo lançado seis anos depois em território estadunidense. O disco trouxe dez faixas totalmente autorais, compostas por Kelly em parceria com Andinho, Gustavo Lins e Rubinho de Paula, além de um remix de "Escondido" como faixa bônus. As faixas foram produzidas por DJ Cuca e Sérgio Mama, trazendo a produção artística de Tom Capone e a mixagem do produtor Afegan, diretamente dos estúdios da gravadora de Kelly em Nova Iorque.

A obra trouxe um diferencial ao unir R&B e o dance-pop ao modo utilizado por artistas internacionais, uma novidade no Brasil naquele momento, tendo como inspirações maiores as cantoras estadunidenses Britney Spears, Christina Aguilera, Jennifer Lopez, Madonna e Janet Jackson, além das brasileiras Luciana Mello e Fernanda Abreu, e recebendo análises mistas dos profissionais especializados em música contemporânea, que elogiaram a abordagem do sexo neste, bem como sua maturidade "natural", dos quais os críticos disseram ser o que fazia com que houvesse uma identificação maior do público jovem com suas músicas. Além disso, conseguiu duas certificações de platina, ambas pela Pro-Música Brasil (PMB) e pela Associação Fonográfica Portuguesa (AFP).

De Kelly Key, quatro singles foram lançados. O primeiro, "Escondido", teve seu lançamento ocorrido em junho de 2001, embora tenha sido com "Baba", sua segunda música de trabalho lançada em no começo de novembro daquele ano, que seu sucesso ocorreu e Kelly passou a figurar entre as primeiras posições nas rádios por semanas. Além disso, o vídeo musical da faixa recebeu duas indicações ao MTV Video Music Brasil do ano seguinte. O terceiro single foi lançado em 17 de abril de 2002, sendo ele "Anjo", sua primeira balada romântica. Em 22 de agosto do mesmo ano, a quarta e última canção de trabalho do disco é emitida, sendo ela "Cachorrinho" e tendo com esta seu terceiro primeiro lugar nas rádios brasileiras. Para sua divulgação, a cantora se apresentou em vários programas de televisão e iniciou a digressão Kelly Key Tour, além de ter sido divulgado que a cantora tinha uma rotina corrida após o sucesso de "Baba", fazendo quatro shows diários, embora seu contrato previa, no mínimo, dois diários.

Antecedentes e desenvolvimento

Em outubro de 1999, Kelly Key conheceu Dalmo Belloti, empresário e diretor artístico da Sony Music Brasil, que convidou-a para gravar um disco demo para seu projeto. Belloti estava à procura de uma jovem entre 16 e 20 anos e de cabelos louros para lançar como cantora em um projeto de formato semelhante ao trabalho desenvolvido pela estadunidense Britney Spears, unindo a música pop e R&B com coreografias marcadas. Na ocasião, Kelly pensou em recusar o convite, pois não tinha pretensão em trabalhar com música, visando apenas seguir como apresentadora. No entanto, a musicista foi incentivada por seus pais, acabando por aceitar a proposta. No início de 2000, gravou a demo com o produtor musical Cuca e, após aprovada por Belloti, foi enviada para algumas gravadoras, ganhando o interesse da Warner e fechando com ela a parceria para lançar cinco discos durante os próximos anos. Após assinar o contrato, Kelly começou a trabalhar com o músico Andinho em composições próprias, uma vez que sua exigência foi que seu álbum seria completamente autoral, trazendo apenas letras das quais ela escreveu. Com Andinho, a artista dividiu a composição de "Escondido", "Anjo", "Quem é Você?", "Viajar no Groove" e "Cachorrinho", além de "Bolada", a qual trouxe também o trabalho de Gustavo Lins. Outras duas faixas, "Brincar de Amor" e "Tudo Com Você", foram trabalhadas pela cantora junto com Rubinho de Paula e o DJ Cuca.

No final da fase de composição, Kelly mostrou para Andinho uma faixa composta por ela aos 13 anos, intitulada "Baba", a qual falava sobre seu professor que havia a desprezado. Apesar de inicialmente não acreditar que seria boa o suficiente para o trabalho, ela e Andinho trabalharam na faixa, incorporando novos versos e criando um desfecho para incluí-la no álbum. Após finalizada a etapa de criação das faixas, Kelly gravou os vocais e elas foram enviadas para o estúdio da Warner em Nova Iorque, onde foram produzidas por Cuca em parceria com Sérgio Mama. O conceito do trabalho, bem como a produção artística foi criada por Tom Capone, que também supervisionou a produção geral. Para cuidar da mixagem do álbum, Kelly também convidou o produtor Afegan. Em paralelo, suas características artísticas também passaram a ser lapidadas, passando ter aulas de canto e dança, onde começou a criar os passos de dança de suas músicas com o coreógrafo Dudu Neves. Uma identidade visual também foi criada, a qual, segundo o jornalista Carlos Eduardo Lima, se enquadrava em um padrão internacional de "loura falsa, cara de menina e corpão de academia". Em busca de um nome artístico que soasse autentico e forte, optou por Kelly Key, sendo uma sugestão do fotógrafo Chico Audi, enquanto realizava seu primeiro ensaio fotográfico, argumentando que simbolizaria a chave do sucesso.

Música e letras Estilos musicais e temas

Em termos de composição musical, Kelly Key é considerado um afastamento notável dos trabalhos anteriores dos cantores de música pop brasileiros na década de 1990 e no início da década de 2000. Em contraste com outras cantoras da época, que focavam nas melodias românticas e em composições baseadas na mulher que depende essencialmente do homem, Kelly liderou um movimento feminino com temática voltadas às mulheres. Tecnicamente as canções de Kelly Key seguem o estilo musical do pop e R&B, com influências de outros gêneros, como o dance-pop, bubblegum pop e hip hop, inspirados essencialmente na música estadunidense. Liricamente, o disco usou como temas principais a sexualidade feminina, o feminismo, o poder da mulher e os relacionamentos amorosos sob a visão da figura feminina forte e independente, tendo uma ligação fiel ao público pelo realismo embutido nas faixas cantadas de forma explícitas.

"Escondido" é a visão de uma mulher sobre a abertura da sexualidade feminina, contada por uma adolescente que foge de casa para ir ao motel fazer sexo com o namorado escondido dos pais. A cantora confronta seu pai sobre ter uma vida sexual ativa, bem como nas linhas "Meu pai quer me proibir / E qual é coroa, vai me dizer que o senhor nunca... hã? / Eu não sou criança, não / Eu cresci, eu cresci". Em "Baba", a vingança move a história da garota que foi esnobada por um homem mais velho quando pré-adolescente e, após chegar aos 17 anos com um corpo escultural, passa a esnobar as investidas do mesmo, provocando-o apenas por maldade e mostrando o poder feminino. "Bolada" discorre sobre a garota que transou com o cara e ele desapareceu logo após. "Anjo" fala de um relacionamento amoroso com base em uma grande paixão.

O feminismo toma tons mais claros em "Cachorrinho" e "Só Quero Ficar"; na primeira a cantora coloca limites num namorado machista, assumindo o papel dominador da relação, enquanto na segunda, a personagem principal quer aproveitar a vida com diversos rapazes sem compromisso, tendo ela o poder de escolher, fechando a canção com uma linha de rap onde a cantora fala sobre as possibilidades da mulher se desenvolver sem um homem: "Eu vou trabalhar / Me dedicar aos estudos / Me estabilizar / Ter meu lugar no mundo / Ser independente financeiramente / Pra não ter que bater na porta de parentes / Eu não quero depender de ninguém". Em "Brincar de Amor" e "Quem É Você" o tema central é a traição, porém sobre visões diferentes. Na primeira, a personagem principal planeja uma vingança contra o rapaz que a engana, embora sinta falta, fortalecendo o sentimento de que a mulher não deve aceitar ser enganada. Já na segunda, há um sofrimento pela descoberta da traição, contando que o parceiro parecia ser alguém totalmente diferente do qual achava-se que conhecia. "Tudo Com Você" fala sobre o ciúme do parceiro em uma festa, uma vez que a personagem central está dançando com vários rapazes. Por fim, "Viajar no Groove" fala livremente sobre aproveitar a noite em uma balada.

Influências e conceito

Basicamente, a maior influência para Kelly em seu álbum de estreia foi a música pop realizada nos Estados Unidos. Neste nicho, a inspiração mais forte foi a cantora Britney Spears. Durante entrevista ao Chega Mais, anos depois, Kelly revelou que se inspirava na capacidade de renovação e desempenho de palco: "Eu sempre gostei da Britney, como artista busquei referências [para o primeiro álbum] nos videoclipes, nas músicas, ela está sempre se renovando. Ninguém tem uma performance no palco como ela". Por ter sido convidada por Dalmo Belloti para realizar um projeto semelhante aos moldes de Britney, Kelly passou aprofundar seus conhecimentos na carreira desta, assistindo as apresentações ao vivo para buscar inspiração nas roupas e identidade visual. Outra referência para criar seu conceito foi a imagem de lolita, sendo isto a garota jovem que tem uma imagem erótica devido às roupas curtas, unidas à uma postura sexual e inocente ao mesmo tempo, inspirada pelo livro de Vladimir Nabokov de mesmo título.

O álbum também trouxe influências do estilo musical interpretado pelas também estadunidenses Jennifer Lopez, Christina Aguilera, Madonna e Janet Jackson. Sobre artistas brasileiros de música pop, Kelly declarou que fugia do estereótipo das artistas românticas da época, buscando referências em outras cantoras de R&B e dance-pop, citando Luciana Mello e Fernanda Abreu: "Meu som é mais dançante, mais pop, como o da Luciana Mello e da Fernanda Abreu". Segundo o jornal chileno La Cuarta, ela também buscou inspiração visual na cantora mexicana Yuri.

Divulgação

No início de 2002, se apresentou no programa Planeta Xuxa, onde interpretou "Baba" e divulgou seu álbum. Em 31 de março de 2002, foi convidada para cantar para os eliminados da primeira temporada do Big Brother Brasil no especial do Domingão do Faustão. Também passou pelos programas É Show, Eliana & Alegria, Sabadaço e Caldeirão do Huck. Durante sua apresentação de "Baba" no programa Hebe, dividiu os vocais com a cantora Preta Gil. Em 21 de julho, retornou ao Planeta Xuxa em seu penúltimo programa para uma entrevista sobre sua carreira no quadro Intimidades, sendo a última artista a participar deste. Em 5 de setembro esteve no Programa Raul Gil, na Rede Record. Logo após foi homenageada no programa Sabadão de Gugu Liberato. Em agosto se apresentou especial filantrópico no Criança Esperança. Também esteve em outro programa de caridade para divulgar seu álbum, o Band Vida. Em 1 de outubro apresentou a categoria Revelação ao lado da banda Textículos de Mary na oitava edição do prêmio MTV Video Music Brasil, a qual também concorria, sendo descrita pelo jornal Zero Zen como o maior destaque do evento.