Frankenstein é um filme de terror de monstro americano de 1931 dirigido por James Whale, produzido por Carl Laemmle Jr. sendo uma adaptação da peça de 1927 "Frankenstein: An Adventure in the Macabre" de Peggy Webling que por sua vez foi baseada no romance de Mary Shelley, Frankenstein. A peça de Webling foi adaptada por John L. Balderston, enquanto o roteiro foi escrito por Garrett Fort e Francis Edward Faragoh, com contribuições não creditadas de Robert Florey e John Russell.

Frankenstein é estrelado por Colin Clive como Henry Frankenstein, um cientista obcecado que desenterra cadáveres com seu assistente para criar um ser vivo a partir de partes de corpos. A criatura resultante, frequentemente conhecido como o monstro de Frankenstein é interpretado por Boris Karloff. A maquiagem do monstro foi feita por Jack Pierce. Além de Clive e Karloff, o elenco do filme também inclui Mae Clarke, John Boles, Dwight Frye e Edward Van Sloan.

Produzido e distribuído pela Universal Pictures, o longa-metragem teve sucesso comercial após o lançamento e foi geralmente bem recebido tanto pela crítica quanto pelo público. Frankenstein origem a várias sequências e spin-offs e teve um impacto significativo na cultura popular: a imagem de um cientista "louco" maníaco com um assistente corcunda e a representação do monstro de Frankenstein no filme tornaram-se icônicas. Em 1991, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos selecionou Frankenstein para preservação no National Film Registry por ser "culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo".

Enredo

Em uma aldeia dos Alpes Bávaros, Henry Frankenstein (Colin Clive) e seu assistente corcunda, Fritz (Dwight Frye), montam um corpo humano. Algumas partes são obtidas de corpos recém-sepultados; outras, de criminosos recentemente enforcados. Henry deseja criar um ser humano, dando vida ao corpo por meio de dispositivos elétricos. Para concluir sua criação, ele ainda necessita de um cérebro. Seu antigo professor, Dr. Waldman (Edward Van Sloan) apresenta à turma o cérebro de um ser humano comum e, para comparação, o cérebro deteriorado de um criminoso. Henry envia Fritz para roubar o cérebro saudável da sala de Waldman. Fritz o danifica acidentalmente e, assim, entrega a Henry o cérebro do criminoso.

A noiva de Henry, Elizabeth Lavenza (Mae Clarke) conversa com o amigo de ambos, Victor (John Boles), sobre o comportamento peculiar do cientista e seu isolamento. Elizabeth e Victor buscam Waldman para tentar compreender as ações de Henry, e Waldman revela que sabe que Henry pretende criar vida. Preocupados, eles vão ao laboratório e chegam no momento em que Henry faz os preparativos finais, com o corpo inerte estendido sobre uma mesa cirúrgica. Enquanto uma tempestade se intensifica, Henry convida Elizabeth e os outros a presenciar o experimento. Ele e Fritz elevam a mesa em direção a uma abertura no topo da torre. A criatura e os equipamentos de Henry são expostos à tempestade elétrica e energizados, trazendo o ser à vida. Henry fica extasiado ao ver a criatura se mover e precisa ser contido por Victor e Waldman. Henry proclama que agora sabe como é ser Deus.

O Monstro de Frankenstein (Boris Karloff), apesar de sua forma grotesca, revela-se uma criação inocente e infantil. Henry o recebe no laboratório e pede que se sente. Ele abre o teto, fazendo com que o Monstro estenda a mão em direção à luz do sol. Fritz entra com uma tocha acesa, o que assusta o Monstro. Seu temor é interpretado por Henry e Waldman como uma tentativa de ataque, e o Monstro é acorrentado no calabouço, onde Fritz o provoca com a tocha. Ouvindo os gritos de Fritz, Henry e Waldman descobrem que o Monstro o enforcou. A criatura investe contra os dois, mas eles conseguem trancá-la. Cientes de que o Monstro precisa ser destruído, Henry prepara uma injeção de um poderoso narcótico, e Waldman a aplica nas costas da criatura, deixando-a inconsciente.

Exausto, Henry desmaia, e Elizabeth e o pai dele o levam para casa. Lá, ele se recupera e passa a se preparar para o casamento, enquanto Waldman examina o Monstro. Ao se preparar para vivissecá-lo, a criatura desperta e estrangula o professor. Em seguida, foge da torre e vagueia pela região, encontrando Maria (Marilyn Harris), filha de um fazendeiro (Michael Mark). A menina o convida para brincar, jogando flores no lago. O Monstro aprecia a brincadeira, mas, ao ficar sem flores, atira Maria na água, afogando-a inadvertidamente. Com os preparativos do casamento concluídos, Henry está feliz ao lado de Elizabeth. Eles pretendem se casar assim que Waldman chegar. Victor aparece às pressas, informando que Waldman foi encontrado estrangulado. Henry suspeita do Monstro. A criatura entra no quarto de Elizabeth, fazendo-a gritar. Quando os outros chegam, encontram Elizabeth em estado de choque, logo depois inconsciente. O Monstro fugiu.

O pai de Maria chega carregando o corpo da filha afogada. Ele afirma que ela foi assassinada, e os aldeões formam um grupo de linchamento para capturar o Monstro. Durante as buscas, Henry é atacado pela criatura. O Monstro o deixa inconsciente e o leva para um velho moinho de vento. Os camponeses escutam os sons da criatura carregando Henry e a avistam subindo ao topo, arrastando o cientista. O Monstro arremessa Henry para baixo, mas sua queda é amortecida pelas pás do moinho, salvando sua vida. Alguns aldeões o levam para casa, enquanto o restante da multidão incendeia o moinho, com o Monstro preso em seu interior.

No Castelo Frankenstein, o pai de Henry (Frederick Kerr) celebra o casamento do filho recuperado, brindando a um futuro neto. Elenco

Colin Clive como Henry Frankenstein Mae Clarke como Elizabeth Lavenza John Boles como Victor Moritz Boris Karloff como O Monstro Edward Van Sloan como Dr. Waldman Frederick Kerr como Barão Frankenstein Dwight Frye como Fritz, o assistente corcunda Lionel Belmore como o Burgomestre, Herr Vogel. Marilyn Harris como Maria Michael Mark como Ludwig Francis Ford como Hans (não-creditado) Produção

Em 1930, a Universal Studios havia perdido US$ 2,2 milhões em receitas. Em 48 horas após sua estreia no Roxy Theatre de Nova York, em 12 de fevereiro de 1931, Drácula, estrelado por Bela Lugosi, vendeu 50.000 ingressos, criando um impulso que culminou em um lucro de US$ 700.000, o maior dos lançamentos da Universal em 1931. Como resultado, o chefe de produção, Carl Laemmle Jr., anunciou planos imediatos para mais filmes de terror. A empresa adquiriu os direitos cinematográficos da adaptação teatral planejada por John L. Balderston da peça britânica de Peggy Webling do romance original de Mary Shelley. Logo após o sucesso em Drácula, Lugosi esperava interpretar Henry Frankenstein entretanto, o produtor Carl Laemmle Jr. esperava que o ator interpretasse o Monstro.

Inicialmente o diretor do projeto seria Robert Florey que tinha uma visão de retratar o monstro como uma máquina de matar, sem qualquer traço de interesse humano ou compaixão, ao contrário do romance original de Shelley. Após desavenças com a equipe, ele foi afastado e substituído por James Whale.

Frankenstein foi inspirado por Der Golem, um romance surreal escrito por Gustav Meyrink baseado no folclore judaico, e sua adaptação cinematográfica, Der Golem, wie er in die Welt kam (1920) de Paul Wegener e Carl Boese.

Kenneth Strickfaden projetou os efeitos elétricos usados na "cena da criação". Eles foram tão bem-sucedidos que tais efeitos passaram a ser considerados parte essencial de todos os filmes subsequentes da Universal envolvendo o Monstro de Frankenstein. Consequentemente, o equipamento usado para produzi-los passou a ser chamado nos círculos de fãs de "Strickfadens". Parece que Strickfaden conseguiu garantir o uso de pelo menos uma bobina de Tesla construída pelo próprio inventor Nikola Tesla.

Censura esquerda|miniaturadaimagem|A cena em que o Monstro de Frankenstein atira a criança no lago e a afoga acidentalmente causou controvérsia A cena em que o Monstro atira a criança Maria, no lago e a afoga acidentalmente causou controvérsia. Em seu lançamento original, em 1931, a segunda parte dessa cena foi cortada pelos órgãos de censura estaduais de Massachusetts, Pensilvânia e Nova York. Esses estados também se opuseram a uma fala que consideraram blasfémia, ocorrida durante a euforia de Victor Frankenstein ao descobrir que sua criatura está viva:

O governo do Kansas solicitou o corte de 32 cenas que, se tivessem sido removidas, teriam cortado metade do longa-metragem. Jason Joy, do Comitê de Relações com os Estúdios, enviou Joseph Breen para instar a reconsideração. Eventualmente, uma versão editada foi lançada na região.

Como aconteceu com muitos filmes pre-Code que foram relançados após a aplicação rigorosa do Código Hays em 1934, a Universal fez cortes no negativo original da câmera e portanto, a maior parte da filmagem excluída geralmente se perde. No entanto, a cena da garota sendo jogada no lago foi redescoberta no início da década de 1980 pela coleção do BFI National Archive sendo restaurada em cópias modernas de relançamento em mídias domésticas.

No Estado Livre Irlandês, Frankenstein inicialmente recebeu certificado de proibido em 5 de fevereiro de 1932, por ser desmoralizante e inadequado para crianças ou "pessoas nervosas" – os certificados com restrição de idade só foram introduzidos no país em 1965. A decisão foi anulada pelo Conselho de Apelação em 8 de março, e o filme foi aprovado sem cortes em 9 de março. O longa-metragem foi proibido com sucesso na Irlanda do Norte, Quebec, Suécia, Itália e Checoslováquia.

Recepção O crítico de cinema do The New York Times, Mordaunt Hall, publicou uma crítica extremamente positiva de Frankenstein. Segundo ele, o filme “despertou tanta excitação no Mayfair ontem que muitos na plateia riram para disfarçar seus verdadeiros sentimentos. Não há como negar que é de longe a obra mais eficaz de seu tipo. Ao lado dela, Dracula é branda e, incidentalmente, Dracula foi produzida pela mesma empresa”. O Film Daily também elogiou a produção, descrevendo-a como um “drama macabro, arrepiante e empolgante” que fora “produzido com inteligência, grande cuidado e com uma qualidade fotográfica soberba”. A revista Variety relatou que o longa-metragem “parece um Dracula ampliado, atingindo um novo ápice nas obras de horror”, e descreveu a atuação de [Bóris] Karloff como “um fascinante trabalho cênico de mesmerismo”. A crítica destacou ainda o visual do filme como excepcional, chamando a fotografia de “esplêndida” e a iluminação de “o máximo em engenhosidade, já que boa parte do material exige efeitos noturnos ou sombreados para intensificar a atmosfera fantasmagórica”. John Mosher, do tablóide The New Yorker, mostrou-se menos entusiasmado, classificando Frankenstein apenas como um “sucesso moderado” e escrevendo que “o departamento de maquiagem obtém um triunfo com o monstro, onde residem os verdadeiros arrebatamentos da produção, mas a fantasia geral carece da vitalidade que aquela pequena Sra. P. B. Shelley foi capaz de dar ao seu livro”.

Frankenstein foi proibido na China por ser classificado como pertencente à categoria de “filmes supersticiosos”, devido ao seu caráter “estranho” e a elementos considerados não científicos.

Frankenstein continuou a receber aclamação da crítica e é amplamente considerado um dos melhores filmes de 1931, bem como um dos maiores filmes de todos os tempos.

Em 1991, o filme foi selecionado para preservação no National Film Registry dos Estados Unidos por ser considerado “culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo”. Em 2004, o The New York Times incluiu o filme na lista “Best 1000 Movies Ever”.