500px|thumb|Mapa dos países já visitados por Bento XVI.

Esta é uma lista das viagens apostólicas do papa Bento XVI durante o seu pontificado que durou desde a sua eleição em 19 de abril de 2005 até a sua renúncia em 28 de fevereiro de 2013. https://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/travels.html

O pontífice alemão manteve um ritmo de viagens apostólicas surpreendente para a sua idade e, com isto, superou as expectativas do início de seu pontificado. Justamente por causa da sua idade e pelo seu estilo pessoal mais reservado e comedido, quando comparado com o seu antecessor, João Paulo II, a imprensa o considerava um Papa que ficaria mais restrito ao âmbito do Vaticano e da Cúria Romana, o que acabou por não se verificar.

Bento XVI foi o terceiro papa que mais viajou na história recente, ficando atrás apenas de seu antecessor João Paulo II e de seu sucessor, Francisco. Ele visitou todos os continentes habitáveis, sendo bastante seletivo nos seus destinos, priorizando, na maioria das vezes, países de maioria cristã, como Espanha, Brasil e sua terra natal, Alemanha. https://noticias.cancaonova.com/bento-xvi-pontificado/somando-24-viagens-apostolicas-bento-xvi-visitou-cinco-continentes/

Em seus quase oito anos de pontificado, Bento XVI se tornou o primeiro papa a visitar a ilha de Chipre e o último papa a visitar a Alemanha, Angola, Austrália, Áustria, Benin, Camarões, Croácia, Espanha, Líbano, Reino Unido, San Marino e Tchéquia.

Viagens realizadas (visitas apostólicas) 2005 Colónia, Alemanha (de 18 a 21 de agosto de 2005) thumb|Jornada Mundial da Juventude em Colónia. Naquela que foi a 20ª Jornada Mundial da Juventude, Bento XVI celebrou a sua primeira viagem internacional, visitando o seu país natal. À chegada, foi recebido entusiasticamente, apesar de algum ceticismo dos críticos, que afirmaram que por não ter um carisma ou popularidade como o seu antecessor, seria recebido com alguma frieza. Ao longo daquela e das Jornadas seguintes (2008 e 2011) mostrou uma linha de fidelidade à orientação política do seu antecessor.

2006 (de 25 a 28 de maio de 2006) O Papa iniciou a sua visita às onze horas da manhã de 25 de maio, com o desembarque no Aeroporto Frédéric Chopin de Varsóvia. Durante a sua visita, falou frequentemente em língua polaca, que tinha aprendido foneticamente. Após a cerimónia da chegada, foi até à catedral de Varsóvia no papamóvel e discursou para uma numerosa assistência de membros do clero. No final da tarde, fez uma visita oficial ao Palácio Presidencial e às 19 horas, participou de uma reunião ecuménica na Igreja Luterana da Santíssima Trindade, em Varsóvia.

Em 26 de maio, Bento XVI celebrou uma missa ao ar livre em Varsóvia, visitou o Mosteiro de Jasna Góra, em Częstochowa e foi para Cracóvia. Em 27 de maio, o Santo Padre passou em Wadowice, terra natal do seu antecessor João Paulo II, no santuário de Kalwaria Zebrzydowska. No final da tarde visitou a Catedral de Wawel e depois teve um encontro com jovens no Parque Błonia, em Cracóvia.

No último dia de sua visita, 28 de maio, o Papa celebrou uma missa em Błonia para centenas de milhares de peregrinos, e mais tarde rezou no antigo campo de concentração nazi de Auschwitz-Birkenau.

(de 8 a 9 de julho de 2006)'O Papa visitou a Espanha a convite do rei Juan Carlos e dos bispos espanhóis. Esteve em Valência para a 5.ª conferência mundial da família. A missa de encerramento da conferência teve lugar na Cidade das Artes e das Ciências, em Valência.

(19 de julho de 2006) O Papa fez uma visita não oficial a um mosteiro beneditino nos Alpes Suíços durante as suas férias de verão no Vale de Aosta, na Itália.

Baviera, Alemanha (de 9 a 14 de setembro de 2006) Durante a sua estada na Baviera, em 12 de setembro de 2006, o Papa pronunciou em Ratisbona, na universidade da cidade, onde foi professor, um discurso sobre a relação entre religião e violência, que denunciava e condenava a violência exercida em nome da religião. No entanto, uma citação do discurso de Manuel II Paleólogo, antigo imperador do Império Bizantino, desencadeou fortes reações de políticos e religiosos no mundo, especialmente nos países muçulmanos.

(de 28 de novembro a 1 de dezembro de 2006) Convidado pelo Patriarca Ecuménico de Constantinopla Bartolomeu I, o Papa visitou a Turquia, país com uma população majoritariamente muçulmana. Dois meses após a polémica sobre uma palestra que o papa deu na Universidade de Ratisbona, na Alemanha, a visita do Papa não foi muito bem acolhida pelos manifestantes nacionalistas e islâmicos, sendo colocada sob alta segurança, mas não se registaram incidentes.

Ao chegar, em 28 de novembro, ao Aeroporto Internacional Esenboğa em Ancara, o Santo Padre foi saudado pelo primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan numa breve entrevista, porque Erdoğan teve que assistir a uma reunião da NATO. Em seguida, visitou o mausoléu de Atatürk. Mais tarde, reuniu-se com o presidente Ahmet Necdet Sezer e o presidente do Departamento de Assuntos Religiosos, Ali Bardakoglu, recebendo os embaixadores na embaixada da Santa Sé em Ancara.

Em 29 de novembro visitou o santuário da Casa da Virgem Maria em Éfeso, lugar de culto para católicos e muçulmanos. Celebrou uma missa ao ar livre e fez um discurso perante centenas de fiéis, pedindo "mais paz e reconciliação para aqueles que vivem na terra chamada Santa e considerada como tal pelos cristãos, judeus e muçulmanos". Após a missa, foi para Istambul, onde teve um primeiro encontro com o patriarca Bartolomeu I.Em 30 de novembro o Papa rezou com o Patriarca Ecuménico Bartolomeu I na Igreja Patriarcal de São Jorge, em Istambul, durante a Divina Liturgia e segundo o rito ortodoxo. Este foi o principal objetivo da sua longa viagem, tendo sido previsto para simbolizar a busca da reconciliação entre os ritos cristãos do Ocidente e Oriente. Bento XVI pronunciou palavras de maior abertura para o diálogo ecuménico, dizendo ,entre outras afirmações, que "a Igreja Católica está disposta a fazer todo o possível para superar os obstáculos e procurar, juntamente com os irmãos e irmãs ortodoxos, a cooperação pastoral mais eficaz." O Papa e o Patriarca prepararam uma declaração conjunta condenando a violência perpetrada em nome de Deus. O Papa recordou que um dos principais objetivos do seu pontificado era a cura do Cisma de 1054, que separa a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica Romana desde aquela data. O Santo Padre visitou a antiga Basílica de Santa Sofia, que originalmente era a maior igreja do Cristianismo Ortodoxo, antes de ser convertida em mesquita no século XV e o museu do século XX, na Basílica. Visitou depois a Mesquita Azul, uma mesquita histórica de Istambul, antes de manter conversações com vários funcionários, incluindo o primaz do Patriarcado Arménio Turco de Constantinopla Mutafyan Mesrob II e Hakham Bashi (Grande Mestre) dos judeus sefarditas do país.

No dia 1 de dezembro, último da visita, o pontífice visitou a Catedral Católica do Espírito Santo, em Istambul, onde celebrou missa depois de inaugurar uma estátua do Papa Bento XV. Esse momento foi reservado para a comunidade católica na Turquia. O Papa disse na homilia que "a Igreja não se impõe a ninguém, ela simplesmente pede para viver em liberdade e revelar quem ela não pode esconder, Jesus Cristo, que nos amou até à morte na cruz e nos deu o Seu Espírito, presença viva de Deus entre nós e profundo dentro de nós mesmos", dadas as condições de vida difíceis para os crentes católicos no país. Em seu discurso de despedida no Aeroporto Internacional Atatürk, em Istambul, o Papa disse que parte do seu coração ficava em Istambul.

2007 (9 a 13 de maio de 2007)

thumb|Bento XVI com o presidente brasileiro da época, Luiz Inácio Lula da Silva thumb|Bento XVI durante encontro com os jovens no Estádio do Pacaembu. thumb|Bento XVI fez a abertura solene da Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe.

Na Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe (CELAM), o Papa iniciou a sua primeira viagem fora da Europa.

Em 9 de maio de 2007 o Papa teve a sua primeira conferência de imprensa durante a viagem de avião. Respondeu a perguntas sobre declarações polémicas dos bispos, e argumentou que os políticos mexicanos se tinham auto-excomungado após a legalização do aborto. O Santo Padre disse que matar uma criança inocente é incompatível com estar em comunhão com o Corpo de Cristo, reafirmando a excomunhão como legítima, conforme previsto pelo Código do Direito Canónico. No entanto, embora o Papa estivesse de acordo com os seus bispos, não faria nenhuma excomunhão formal. Chegando ao Brasil, foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 10 de maio de 2007 Bento XVI reuniu com o presidente Lula, que reiterou a sua crença na preservação do Estado laico e nas posições diferentes entre a Igreja e Brasil sobre o aborto. Na parte da tarde, o pontífice falou para cerca de 70 mil jovens a partir de Estádio do Pacaembu em São Paulo (mais de outros viram a cobertura do evento a partir do exterior por motivos de segurança) instando-os a ser "construtores de um mundo mais justo e solidário, reconciliado e pacífico".

Em 11 de maio de 2007 Bento XVI celebrou uma missa em São Paulo perante mais de um milhão de fiéis, e canonizou Frei Antônio Galvão, um franciscano que viveu no século XVIII, e que foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 1998. Reuniu com os bispos do Brasil e falou de vários problemas da Igreja. Ressaltou, mais uma vez, que os ataques prejudicavam a instituição da família, falando em termos muito claros do aborto e da união civil (que o Papa definiu como feridas na sociedade). Também o tema dos problemas dos padres na política, a pobreza e a injustiça social e o flagelo da pedofilia foram discutidos. O Papa exortou a Igreja a ser mais missionária para resistir ao surgimento de seitas e do agnosticismo.

Em 12 de maio de 2007, falou perante uma comunidade de ex-toxicodependentes e alcoólicos, abordando o delicado tema das drogas, através da emissão de um severo aviso para os traficantes de drogas: Eu digo aos que fazem comércio de droga para refletirem sobre os danos que infligem à multidão de jovens e de adultos de todos os níveis da sociedade, Deus irá chamá-los para explicarem o que fizeram". À noite, o Papa chegou ao Santuário de Aparecida, o templo religioso mais visitado da América Latina.

Em 13 de maio de 2007, o Santo Padre celebrou uma missa na praça exterior do santuário, onde centenas de milhares de fiéis aplaudiram a sua chegada a bordo da papamóvel. Depois da celebração, inaugurou a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e ressaltou, num discurso para os bispos, mas sem a nomear, uma certa frieza face à teologia da libertação. Também criticou tanto o marxismo quanto o capitalismo pelos seus efeitos destrutivos sobre a economia, o governo e a religião. Acrescentou que "a política não é competência imediata da Igreja" e salvaguardou o "respeito por uma laicidade saudável, incluindo a pluralidade das posições políticas, como essencial na tradição cristã autêntica".

(de 7 a 9 de setembro de 2007) Em 7 de setembro de 2007 o Papa chegou de manhã ao Aeroporto Internacional de Viena, onde foi recebido pelo presidente austríaco Heinz Fischer e pelo cardeal-arcebispo Christoph Schönborn Na parte da manhã, reuniu com as autoridades judaicas e rezou em silêncio pelas vítimas do Holocausto. Nesta ocasião, foi concelebrada um conselho inter-religioso ao lado do Grão-Rabino de Viena, em honra dos judeus vienenses que morreram em campos de concentração nazis durante a Segunda Guerra Mundial. Na parte da tarde, Bento XVI esteve em reunião com o presidente Heinz Fischer e representantes da vida pública e do corpo diplomático. O Papa fez um discurso com temas difíceis como a eutanásia, o aborto e as raízes cristãs da Europa. Sobre o aborto, o Papa reafirmou que não pode ser um direito humano, mas o seu oposto.