Dom João da Mata de Andrade e Amaral (8 de fevereiro de 1898 — 7 de novembro de 1954) foi bispo católico brasileiro. Esteve à frente de três dioceses brasileiras, a saber: Cajazeiras, de 1934 a 1941; Amazonas, de 1941 a 1948; e Niterói, de 1948 até sua morte.
Biografia
Nasceu em 8 de fevereiro de 1898 em Altinho, no sertão de Pernambuco, filho de Francisco Severino do Amaral e Deolinda de Andrade Amaral. Desde cedo chamado ao sacerdócio, iniciou seus estudos de primeiras letras com os Padres Salesianos Ingressou no seminário de Olinda e foi ordenado sacerdote em 1921, para a Diocese de Nazaré. Atuou como secretário do bispado, capelão da Usina Aliança, vigário de Nazaré (1923 a 1928) e Vigário-geral da Diocese (1924 a 1932); também pastoreou as paróquias de Queimados, Limoeiro e de Bom Jardim.
Em 24 de março de 1934, foi eleito bispo de Cajazeiras pelo Papa Pio XI. Foi ordenado em 20 de maio daquele ano, pelo Cardeal Sebastião Leme da Silveira Cintra, arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, coadjuvado por Dom José Pereira Alves, bispo de Niterói, e Dom Ricardo Ramos de Castro Vilela, bispo de Nazaré. A cerimônia se deu no santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, em Niterói. Fez sua entrada na diocese em 28 de junho.
À frente da Diocese de Cajazeiras, seu maior feito foi a realização do 1.º Congresso Eucarístico Diocesano, em 1939, em comemoração ao Jubileu de Prata da criação da Diocese e posse do seu Primeiro Bispo. Empenhou-se no impulso da Obra das Vocações Sacerdotais, tendo organizado a formação da Ação Católica e construção de sua sede própria. Na sede episcopal, reconstruiu o Colégio Diocesano Padre Rolim, num edifício imponente, com dois pavimentos, cuja direção foi confiada aos Padres Salesianos. Reconstruiu o Ginásio Escola Normal Nossa Senhora de Lourdes, também com dois pavimentos. Reconstruiu o Prédio Vicentino. Construiu o Hospital Regional de Cajazeiras, depois encampado pelo Estado. Iniciou a construção do prédio da nova Catedral e concluiu o acabamento do Palácio Episcopal. Em outras cidades da Diocese, criou e instalou os seguintes educandários: Colégio Diocesano de Patos; Colégio Diocesano de Catolé do Rocha; Escola Normal Francisca Mendes, em Catolé do Rocha; Escola Normal de Itaporanga; Escola Normal de Princesa Isabel; e a Escola Normal de Santa Luzia do Sabugi.
Em 1939, participou do Concílio Plenário Brasileiro. Em 12 de maio de 1941, o Papa Pio XII o transferiu para a Diocese do Amazonas. Dom João chegou a Manaus em 21 de outubro e logo anunciou a realização do primeiro Congresso Eucarístico Diocesano, como parte da comemoração do cinquentenário da Diocese de Manaus. Realizado em junho de 1942, foi o primeiro Congresso Eucarístico da Amazônia, contando com uma grande caravana comandada pelo Metropolita de Belém, Dom Jaime de Barros Câmara, e até com a presença do Núncio Apostólico do Brasil, Dom Benedetto Aloisi Masella.
Seu governo se preocupou com questões sociais, inaugurando o Abrigo Cristo Redentor em 1943, com departamentos de cuidado a variadas faixas etárias e condições sociais, e a Ação Social Amazonense em 1948. Promoveu as vocações e reabriu o Seminário São José, em 1943, no palácio episcopal que ele cedeu para esse propósito. Ainda revigorou a Ação Católica e promoveu ordens, congregações e associações religiosas. Em 1945, Pio XII consagrou a Diocese do Amazonas ao Coração Imaculado de Maria, enquanto no ano seguinte ocorreu a sagração da Catedral de Nossa Senhora da Conceição.
Em 20 de março de 1948, Dom João da Mata foi transferido para Niterói, tendo tomado posse em 8 de agosto.
Ao assumir a Diocese de Niterói, já se encontrava com a saúde combalida, o que, todavia não o impediu de realizar diversos empreendimentos: multiplicou as paróquias, construiu o novo Seminário Menor, organizou o Departamento Diocesano de Ação Social, levantou o edifício Leão XIII, estabilizou o patrimônio diocesano, iniciou as obras do Templo de Adoração Perpétua, realizou semanas de estudo e dois grandiosos congressos e fundou duas sociedades religiosas.
Faleceu em 7 de novembro de 1954, de um enfarte do miocárdio.
Sua divisa foi "Pasce Agnos Meos" (Apascenta minhas ovelhas).
Referências
Bibliografia SOUZA, Antonio José de. CAJAZEIRAS nas Crônicas de um Mestre-Escola. João Pessoa: Universitária, UFPB, 1981.
NASCIMENTO, Padre Antônio Luiz. CENTENÁRIO DA DIOCESE DE CAJAZEIRAS 1914/15 – 2014/15. Cajazeiras: Diocese de Cajazeiras, 2011.
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