José Antônio Franco Villeroy, também conhecido como Antonio Villeroy (São Gabriel, 19 de julho de 1961), é um cantor e compositor brasileiro.

Vida Pessoal

INFÂNCIA Filho de um casal de de advogados, Gil Villeroy e Heloiza Franco Villeroy, Totonho, como era chamado carinhosamente pelos familiares, é o filho mais moço, tendo como irmãos o advogado Carlos Eduardo Villeroy, especialista em direitos autorais, contratos e direito de família, e o músico, cantor, compositor e produtor Gastão Villeroy, com dois álbuns lançados, Amazônia Amazônia e That Bossa Note, além de realizar a produção musical e atuar como baixista com outros artistas, como Milton Nascimento, Maria Gadú, Lenine, Alceu Valença, Caetano Veloso e Marco Lobo, entre outros artistas de MPB.

A primeira fase da infância de Antonio foi vivida em sua cidade natal, situada na região do pampa, no Rio Grande Sul, próxima às fronteiras do Uruguai e Argentina. Esse período foi marcado por uma vida muito próxima à natureza, e também aos afazeres do campo, na fazenda do seu tio Benedito, onde aprendeu algumas noções de agricultura e pecuária.

Tomava leite recém tirado das vacas, coletava ovos no galinheiro e comia frutas no pé. Em sua casa havia diversos pés de bergamota, laranjeiras, figueira com figos, videira, pereira, pitangueiras, entre outras espécies. Essa vida campeira foi determinante para forjar seu caráter e sua subjetividade.

Nessa fase, aprendeu também a montar a cavalo, a cuidar de plantas, a observar os ciclos da natureza, as épocas de plantio e colheita e o comportamento dos animais. Inspirado por sua avó materna, desenvolveu o gosto por jardinagem e, aos sete anos, plantou, em um canteiro de sua casa, suas primeiras flores, brincos de princesa e amores-perfeitos.

Em 1964, o Golpe Militar, que depôs o presidente João Goulart, e instaurou no Brasil uma ditadura de 25 anos, foi marcante para a família. Seu pai, era vereador pelo PTB, mesmo partido de Jango e sua mãe também era simpatizante do movimento trabalhista. Com o golpe, e as perseguições que dele advieram, o casal de advogados perdeu diversos clientes e sua mãe também teve que lecionar à noite para completar o orçamento da família.

Antonio guarda a lembrança da tensão do dia em que ocorreu o golpe e também de uma ocasião em que viu sua mãe, o pátio da casa, a queimar alguns livros considerados indesejados pelo novo regime, a conselho de um general que se dizia amigo da família.

Além de advogado, seu pai era músico diletante, cantava, tocava piano, violão, acordeon e possuía algumas canções próprias, entre elas, João Carreteiro, em parceria com um colega, Murilo Vescovi, e que fora gravada pelo folclorista, cantor e compositor Paixão Cortes em seu segundo disco.

Seguido, Gil Villeroy organizava saraus em sua casa, com músicos da cidade, em especial os integrantes do grupo Excelsior e Lídio Vieira dos Santos, pai do músico João Vicenti, integrante do grupo Nenhum de Nós.

Esses encontros musicais foram decisivos para despertar em Antonio e seus irmãos o gosto pela música. Na eletrola da casa, passavam discos de música regional, bossa nova, samba, jazz, e música clássica. A 5ª Sinfonia de Bethove estava entre as favoritas da família.

Em 1970, a família mudou-se para Porto Alegre, capital do Estado, cidade com um ritmo muito diferente de São Gabriel, onde não se vislumbrava o céu e as estrelas como na pequena São Gabriel. Mas que possuía outros atributos. Na grande cidade, Totonho sentia-se no mundo, mais próximo de algo que ele começava a almejar, que seria uma vida de viagens, o aprendizado de outros idiomas e conhecimentos diversos.

Nesse período, seu pai foi morar em São Paulo, para fazer a liquidação de uma financeira que havia decretado falência, e sua mãe trabalhava na mesma função, para a mesma empresa em Porto Alegre, além de atuar como advogada de presos políticos junto a Eloar Guazzeli, um notório advogada e político da cidade.

A mudança para outra cidade sem a presença do pai foi outro fator importante no amadurecimento dos irmãos. E as saudades do pai e dos parentes que ficaram em São Gabriel, da vida no campo e os almoços certamente foram decisivos para criar uma espécie de lacuna emocional, que Antonio viria, posteriormente, preencher com suas composições.

ADOLESCÊNCIA No Natal de 1975, Antonio e os irmãos ganharam dos pais um violão e um método para iniciantes do violonista Jessé Silva, acompanhado por um disco onde se ouviam instruções e quatro canções tocadas de maneira simplificada. De duas amigas da família, ganharam uma barraca. Começaram as aventuras, acampamentos tendo sempre o violão como fiel companheiro. Antonio estava com 13 anos e, ao aprender os primeiros acordes, passou a compor suas próprias canções. Na sua rua, havia uma espécie de clube de esquina, quase todos amigos tocavam algum instrumento, e, nos finais de tarde reuniam-se para tocar, trocar aprendizados e compor juntos. Naquela época, havia um movimento de música importante em Porto Alegre, através da Rádio Continental, em cujos estúdios os artistas locais apresentavam seus trabalhos, gravavam suas músicas, davam entrevistas, etc.

Isso gerou uma efervescência na cidade, e foram despontando nomes como Hermes Aquino, Fernando Ribeiro, Gilberto Travi e Grupo Cálculo 4, Grupo Utopia, liderado por Bebeto Alves, o Mantra, Bixo da Seda, Bobo da Corte e Nelson Coelho de Castro, entre muitos outros. Um dos locutores da Rádio, Julio Furst, alavancou o movimento com shows coletivos em grandes teatros da cidade.

Nessa mesma época, o Grupo Almôndegas, que tinha entre os integrantes os irmãos Kleiton e Kledir Ramil, já alçava voos maiores, e, em 1976, teve uma das músicas de seu segundo disco, Canção da Meia Noite, de autoria de Zé Flávio, em uma novela de grande audiência da Rede Globo. No final do mesmo ano, Hermes Aquino emplacaria seu hit Nuvem Passageira em outra novela Global. Outro expoente dessa geração, Raul Elwanger, havia sido exilado pela ditadura, e só retornaria ao Brasil em 1979.

Esse ambiente foi propício e inspirador para Antonio e uma nova geração de músicos que surgia no Rio Grande do Sul.

Naquela época Antonio passou a participar de alguns festivais secundaristas e montou com os irmãos e amigos uma banda de rock chamada A Mursa, que tinha como referências Deep Purple, Jimmi Hendrix, Mutantes, O Terço e Bixo da Seda.

JUVENTUDE Em 1980, passou no vestibular para Agronomia na UFRGS e Economia, na PUC/RS. passou a interessar-se por ecologia e agricultura orgânica. Com um grupo de colegas começaram um projeto de horta coletiva na fazenda do professor Luiz Carlos Pinheiro Machado, na cidade de Taquara.

A partir, desse momento, sua vida pessoal passa a ser dirigida principalmente pela sua vida profissional .

MOMENTO ATUAL Em julho de 2022, Antonio casou oficialmente com Pamela Bitencourt Chaves Villeroy, com quem já mantinha uma relação estável desde 2012. O casal tem, como frutos desse relacionamento, duas filhas, Luísa Chaves Villeroy, nascida em 28 de junho de 2013 e Antonella Chaves Villeroy, nascida em 30 de julho de 2017. A família, atualmente vive em Portugal na cidade de Estoril, para onde mudaram-se em setembro de 2022. Luísa também canta e compõe, e lançou em março de 2024 o seu primeiro single, Meu Taratatá, disponível em todas as plataformas digitais, também com um vídeo clipe que pode ser visto em seu canal de YouTube.

Carreira

ANOS 1980 Em 1981, paralelo aos estudos acadêmicos, prestou exame na OMB (Ordem dos Músicos do Brasil), tirando sua carteira profissional. Logo em seguida, fez seu primeiro trabalho musical, compondo com Fernando Corona as músicas da Peça Encontro no Bar de Bráulio Pedroso em montagem do grupo Teatro Novo, com direção de Ronald Rade. Ainda em 1981, junto com Gastão Villeroy, Fernando Corona, Ivo Eduardo, King Jim, Luiz Roberto Silveira e Augusto Maurer, formou o Grupo Escolar, que estreou em novembro daquele ano com uma temporada de três semanas no teatro do Círculo Social Israelita de Porto Alegre.

Em 1982, tirou o 1º Lugar no Festival Musipuc, com a canção Êta Moleque! E passou a se apresentar em faculdades e bares de Porto Alegre. Montou um duo com o flautista e compositor Pedrinhoo Figueiredo, com quem, inicialmente atuava, de terças a domingos, como atração fixa, em casas noturnas de Porto Alegre. Em 1983, Jerônimo Jardim, compositor consagrado, abriu um bar chamado Purpurina, em alusão à sua canção, vencedora do MPB-81, um grande festival de música brasileira, e contratou a dupla para atuar todas as noites. Na sequência, o duo passou a viajar pelo Estado.

Em 1984, fez seu primeiro show em teatro, Do Outro Lado da Rua, e passou a se apresentar em palcos de Porto Alegre e cidades do interior do estado. Montou a Banda CEP 90.000, nome dado pelo seu irmão, Gastão VIlleroy, baixista do grupo, que ainda contava com Luis Ewerling (bateria), Rafael Vernet (teclado), Xande Santin (guitarra), Pedro Figueiredo (flauta), Augusto Maures (Clarinete e Clarone) e Marcio Tubino (flauta e saxofone). Totonho Villeroy e Banda CEP 90.000 apresentavam composições instrumentais e cantadas de autoria de Totonho, desfiando um repertório que ia do samba-funk a baladas com cores jazzísticas.

Nesse mesmo período, paralelo ao seu trabalho autoral, Totonho, como ainda era chamado, passou a atuar como violonista da cantautora Maria Rita Stumpf, fazendo um circuito de bares da cidade. A dupla inaugurou o célebre Bar Opinião, que posteriormente cresceu e abrigou shows de Bob Dylan, Deep Purple, Paralamas do Sucesso, Skank e muitos outros nomes da música nacional e internacional.

Em setembro de 1984, o baterista Luis Ewerling mudou-se para Chicago, onde foi atuar no grupo de Breno Sauer, e foi substituído pelo baterista Queço Fernandes.

Em 1985, Antonio fez seu primeiro trabalho no Rio de Janeiro, acompanhando Maria Rita Stumpf na Sala Funarte, em um programa duplo com o violonista e compositor João de Aquino e seu grupo, formado por grandes músicos. Maria Rita abria uma janela para Antonio cantar uma música sua acompanhado pelo grupo de João. Gilda Horta, produtora, que fazia a direção do show , encantou-se com Villeroy e quis apresentá-lo para seu irmão, Toninho Horta, que naquela época era a maior referência para Antonio. foi o início de uma grande amizade que rendeu alguns shows e gravações ao longo dos anos.

Naquele mesmo ano, com a CEP 90.000 reduzida, Antonio participou do Festival dos Festivais , na primeira eliminatória, realizada no Gigantinho, ginásio do Sport Club Internacional, com transmissão nacional pela Rede Globo. No final daquele ano, montou o show Esquinas do Planeta.

No início de 1986, integrou uma caravana do Circo Voador do Rio de Janeiro, que saiu da capital carioca em direção à São Luis do Maranhão com paradas em Vitória, Itabuna, Petrolina e Teresina. A troupe, que ocupava três ônibus era formada por cerca de 60 integrantes, entre músicos, atores, bailarinos, artistas plásticos, fotógrafos e escritores, entre outras atividades. A cada parada alguns grupos se apresentavam, e , chegando a São Luis permaneceram algumas semanas, revezando-se em shows com artistas que vinham de avião diretamente de outras cidades.

Essa viagem foi fundamental para o crescimento profissional e pessoal da Antonio. Muitas amizades importantes foram ali iniciadas, incluindo Ana Isabel Zibecchi, que posteriormente casou com seu irmão Gastão, com quem teve três filhos.