Calabar, O Elogio da Traição (originalmente lançado como Chico Canta) é o sétimo álbum de estúdio do músico brasileiro Chico Buarque, lançado em 1973 pela Philips Records. É a trilha sonora da peça teatral homônima, escrita por Buarque e o poeta moçambicano Ruy Guerra. Foi produzido por Roberto Menescal.

O álbum, assim como a peça teatral Calabar: O Elogio da Traição, escrita por Chico Buarque em parceria com Ruy Guerra, aborda a figura histórica de Domingos Fernandes Calabar, teve diversos trechos censurados. Na visão da censura, os dois autores apresentaram um trabalho provocativo, simpático à colonização holandesa contra o domínio colonial português, e que, metaforicamente, poderia incitar os brasileiros a se revoltarem contra o governo militar vigente. Para Buarque, a narrativa estabeleceu paralelos com a dissidência política durante a ditadura, evocando, por exemplo, a trajetória de Carlos Lamarca, capitão que desertara do Exército Brasileiro em 1969, e engessara a guerrilha contra a ditadura militar. Página acessada em 4 de agosto de 2013

Musicalmente, o disco apresenta um vigoroso trabalho de arranjos por Edu Lobo, com a inclusão de novidades como sintetizadores, guitarra elétrica e cordas. "Não Existe Pecado ao Sul do Equador" foi regravada em 1978 por Ney Matogrosso para o tema de abertura da telenovela Pecado Rasgado.

Título e capa Seu título, a princípio, seria Chico canta Calabar. No entanto, o nome logo foi vetado pelos censores devido as suas iniciais, que poderiam fazer alusão ao Comando de Caça aos Comunistas (CCC).. Página acessada em 17 de julho de 2013.

A primeira tiragem, que seria retirada das lojas poucos dias após o seu lançamento, por ordem do governo militar, tinha o curto título de Calabar e apresentava na capa o nome da peça na parede de um muro. O trabalho ainda seria relançado pouco tempo depois com uma capa branca, apenas com o nome do artista, sem qualquer publicidade, obtendo vendagens tímidas. Em virtude de tal fato, a gravadora lançou no ano seguinte uma nova e definitiva capa do álbum, com o rosto do cantor, e um novo título, Chico Canta.

O design da capa do álbum Calabar foi concebida pela artista visual Regina Vater. Embora a versão branca do disco possa remeter a referências como o “Álbum Branco” dos The Beatles (1968) ou de Caetano Veloso (1969), ela resulta, na verdade, da proibição do design original pelo regime militar ditatorial brasileiro (1964–1985). A intensificação desses mecanismos, especialmente após a criação do Serviço de Censura de Diversões Públicas (SCDP), em 1972, levou à supressão de conteúdos considerados inadequados, frequentemente substituídos por espaços em branco em mídias impressas.

A proposta gráfica original de Regina Vater apresentava o título “Calabar” em letras maiúsculas irregulares, com aparência gestual e marcas que remetem ao grafite, aplicado sobre a imagem de uma parede deteriorada. A composição incluía o nome do artista e elementos gráficos em tipografia sem serifa, criando contraste entre o gesto expressivo e a organização tipográfica. A contracapa mantinha a continuidade visual da parede, incorporando o título Chico Canta em disposição vertical, além de informações técnicas em tipografias geométricas e neo-grotescas.

Os painéis internos do álbum traziam uma fotografia encenada de jovens em um “piquenique luxuoso” realizado em um ambiente urbano degradado, concebido como metáfora da alienação das elites. Segundo a artista, as imagens foram produzidas em locações distintas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. A composição gráfica também incluía o subtítulo da peça em destaque, reforçando o caráter narrativo do projeto visual.

Apesar de o texto da peça gráfica ter sido previamente aprovado pelos órgãos de censura, a encenação teatral foi integralmente proibida em janeiro de 1974, o que levou também à interdição do uso do termo “Calabar” em materiais de divulgação. Como consequência, a gravadora substituiu a capa original por uma versão neutra e, posteriormente, por outra mais comercial, com retrato de Chico Buarque e novo design atribuído a Pedro Hélio Lobianco.

Mesmo assim, exemplares com a capa original chegaram a circular antes da proibição definitiva. A relevância do projeto gráfico foi reafirmada posteriormente, com sua adaptação para a edição do livro da peça e para cartazes teatrais, como o produzido por Elifas Andreato em 1980. A persistência desses elementos evidencia o impacto da proposta visual de Regina Vater, frequentemente associada a estratégias de resistência simbólica e crítica política no campo do design gráfico.

Canções Duas canções – “Ana de Amsterdam” e “Vence na Vida Quem Diz Sim” – tiveram as suas letras integralmente proibidas, sendo lançadas apenas em seus arranjos instrumentais.

A faixa “Bárbara” teve um verso cortado (“no poço escuro de nós duas”), por abordar uma relação lésbica. "Não Existe Pecado ao Sul do Equador/Boi Voador Não Pode" teve o verso "Vamos fazer um pecado safado debaixo do meu cobertor" substituído por "Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor". Na canção “Fado Tropical”, que possui um trecho declamado por Ruy Guerra, a frase "além da sífilis, é claro", foi excluída, ao aludir ao “sangue português” de um dos personagens da peça. Página acessada em 20 de julho de 2013

Lista de faixas

Ficha técnica Segundo o encarte original:

Produção musical

Roberto Menescal – direção de produção Sérgio M. de Carvalho – direção de estúdio Luigi – técnico de gravação Edu Lobo – arranjo de cordas Mário Tavares – regência

Produção gráfica

Regina Vater – arte da capa Gianfranco – fotos da capa externa Sérgio da Matta – fotos da capa interna Hugo Denizart – encarte

Ligações externas

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