Giovanni Ferrari (Alessandria, 6 de dezembro de 1907 - Milão, 2 de dezembro de 1982) foi um futebolista e técnico de futebol italiano. Estatisticamente, foi um vencedor incrível:GEHRINGER, Max (novembro de 2005). Os campeões. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 3 - 1938 França. Editora Abril, pp. 42-43 titular da campanha da seleção italiana campeã pela primeira vez da Copa do Mundo, na edição de 1934,GEHRINGER, Max (outubro de 2005). Os campeões. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 2 - 1934 Itália. Editora Abril, pp. 40-41 foi igualmente titular no bicampeonato, na edição de 1938. Apesar dos títulos seguidos, somente ele e o astro Giuseppe Meazza foram titulares nas duas campanhas. Ferrari também deteve por muito tempo um recorde de títulos no campeonato italiano: oito, marca que foi exclusivamente sua por quarenta anos.LANDULFO, Gerardo; PASTORIN, Darwin (11 maio 1984). Juventus, 21 vezes campeã. Placar n. 729. São Paulo: Editora Abril, p. 11 Foi superado apenas por Gianluigi Buffon, já no ano de 2018, mas segue entre os cinco jogadores que já venceram a Serie A por três equipes diferentes. E apenas ele, Giovanni Trapattoni e Cesare Maldini representaram a Itália como jogador e como treinador na Copa do Mundo FIFA, com a diferença de que Ferrari pôde (como jogador) ser campeão.
Cinco dos seus títulos na Serie A foram pela Juventus, onde é considerado um dos vinte maiores jogadores que o clube teve. Pela seleção, era considerado a referência maior no meio-campo ofensivo na década de 1930, demonstrando um futebol técnico, eficiente e bastante competitivo, Dificilmente perdeu por seu país: foram 32 vitórias e somente três derrotas. como meia central de boa presença no ataque e grande executor do ofício denominado mezz'ala.
Carreira em clubes Alessandria e Internapoli
Ferrari começou no Alessandria, de sua homônima cidade natal, em 1923. O clube obteve dois quintos lugares seguidos no campeonato italiano, nas temporadas 1923-24 e 1924-25.
Na temporada 1925-26, foi repassado à Internapoli, onde teve um desempenho destacado, com mais de um gol por jogo: marcou 16 vezes em 15 partidas. O clube napolitano terminou em terceiro e Ferrari, na vice-artilharia do torneio. Devolvido ao Alessandria, manteve boa média nas temporadas seguintes, com 10 gols em 18 jogos na de 1926-27, e um quarto lugar no campeonato; 21 em 32 na de 1927-28, e um terceiro lugar; 10 em 29 na de 1928-29, e novo terceiro lugar; e 19 em 26 na de 1929-30, incluindo sobre Roma (vitória de 3-1), os três do seu time em 3-3 com o Torino (e outro em 2-2 no returno contra o mesmo clube), contra a Internazionale (então chamada Ambrosiana, que venceu por 2-1), Lazio (4-2) e Milan - que abriu o placar faltando vinte minutos para o fim, mas perdeu de virada por 2-1 com Ferrari marcando o segundo no minuto 86. O Alessandria terminou em sexto e Ferrari, em quarto na artilharia.
Em 1930, fez sua estreia pela seleção italiana, ainda como jogador do Alessandria. No mesmo ano, passou à Juventus.
Juventus thumb|left|300px|Marcando pela Juventus gol sobre a Fiorentina em 1935. Foi o gol do pentacampeonato
Na época, a equipe de Turim tinha apenas dois títulos no campeonato italiano. Ainda estava abaixo dos nove do Genoa, dos sete do Pro Vercelli e dos três do Milan. Da temporada 1930-31 até a de 1934-35, contudo, a Juve obteve cinco títulos seguidos na competição, então um recorde, superado somente pelo heptacampeonato do mesmo clube entre 2012 e 2018. Ferrari esteve nestes cinco troféus, sendo um dos grandes nomes do esquadrão, somando 68 gols naquele ciclo.
Na primeira temporada, a de 1930-31, Ferrari, em 34 jogos, marcou 16 vezes. Dentre eles, dois em 3-0 sobre o próprio Genoa fora de casa, um em 3-2 fora de casa sobre a Ambrosiana-Inter, um em 3-3 com o Milan e um em 2-1 fora de casa sobre o Napoli. Na segunda, foram 17 gols em 33 jogos, marcando duas vezes em 5-3 no Napoli, uma em 2-0 no Milan, em 3-0 no seu antigo Alessandria, em 6-2 sobre a Ambrosiana-Inter (e outros dois em 4-2 no returno, em Milão), duas em 7-1 na Roma e um em 3-0 no clássico com o Torino.
Na temporada 1932-33, foram onze gols em 33 jogos. Três desses gols vieram em uma só partida, contra o Casale. Ferrari marcou também em 4-1 e em 4-2 nas velhas potências Genoa e Pro Vercelli, respectivamente, além de outro em 3-0 no Alessandria. A Juve foi campeã com oito pontos de vantagem sobre o vice. na de 1933-34, Ferrari voltou a ter bons números contra o Casale (duas vezes em 6-1 e outra em 3-0 fora de casa no returno), com o rival Torino (um em 4-0), Genoa (um em 8-1), Alessandria e Roma (um gol em dois 3-1 sobre ambos), Milan (dois em 4-0) e Pro Vercelli (um em 2-0 fora de casa).
A fase naturalmente fez com que os jogadores bianconeri compusessem a base da seleção na ocasião da Copa do Mundo FIFA de 1934.GEHRINGER, Max (outubro de 2005). E la nave va. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 2 - 1934 Itália. Editora Abril, pp. 24-26 O pentacampeonato viria na temporada subsequente, a de 1934-35. Nela, Ferrari marcou sete gols em 26 jogos, incluindo o da vitória de 2-1 de virada sobre o Napoli, a oito minutos do fim; o único do 1-0 contra a Ambrosiana-Inter; três em 6-1 sobre a Lazio; e o único de 1-0 sobre a Fiorentina, exatamente o gol do título, na rodada final - o clube de Turim terminou dois pontos acima da Ambrosiana, que em paralelo perdeu sua partida.
Ferrari, todavia, deixou o clube pouco depois, em meio à tragédia aérea que matou o presidente juventino Edoardo Agnelli, a qual mudou os rumos da diretoria bianconera. O jogador rumou à Ambrosiana-Inter, nome da Internazionale na época, em tempos nos quais ainda não existia o Derby D'Italia, rivalidade que a seria fomentada apenas na década de 1960 entre Inter e Juve. Seu ex-clube só voltaria a ser campeã na temporada 1949-50.
Inter
Sua contratação era um sonho da diretoria interista, que conseguia reproduzir no time de Milão a dupla que já funcionava na seleção, entre Ferrari e Giuseppe Meazza, que mantiveram o bom entrosamento no clube. Após cinco anos na Juventus, Ferrari passou outros cinco anos na Inter, deixando os nerazzurri em 1940. Conseguiu no time mais dois títulos italianos, nas temporadas 1937-38 e 1939-40, além da Copa da Itália de 1938-39, a primeira do clube.
Foram 8 gols em 25 partidas na temporada 1935-36, incluindo um cada sobre o Torino (3-3 fora de casa e 4-0 em Milão), Roma (5-1) e Lazio (3-1), embora seu clube não tenha ido além do quarto lugar. Na de 1936-37, foram sete gols em trinta jogos, com os milaneses apenas em sétimo. Ferrari marcou sobre Torino (1-0) e Napoli (derrota de 2-1), dentre outros.
Na temporada 1937-38, foram nove gols em trinta partidas. A Inter, enfim, foi campeã, com dois pontos de vantagem sobre a Juventus. Ferrari marcou em vitória de 2-1 no clássico com o Milan, em cada duelo contra a própria Juventus (vitória e derrota de 2-1), em 3-1 na Lazio, em 1-1 com o Torino e no 1-0 sobra a Roma, já na penúltima rodada. Nas duas temporadas seguintes, porém, Ferrari já não marcou gols, usado quinze vezes na de 1938-39 e oito na de 1939-40. A Inter ficou respectivamente em terceiro e em primeiro lugar.
Bologna e final
Em meados de 1940, ele foi jogar no Bologna, na época uma potência conhecida como "o time que faz a Terra tremer", e quem se intercalava em títulos com a Inter, ganhando os outros três disputados entre 1935 e 1940. Nos felsinei, conseguiu um novo título italiano, na temporada 1940-41. Jogou 16 vezes, convertendo dois gols, precisamente nas duas primeiras rodadas, no 2-1 sobre Roma e na derrota de 3-1 para a Juventus.
O Bologna só foi campeão uma única outra vez após aquela temporada. O recorde de oito títulos italianos acumulados por Ferrari só seria igualado em 1984, por Giuseppe Furino, e superado em 2018, por Gianluigi Buffon. Já a conquista da Serie A por três clubes diferentes seria igualada por Sergio Gori, Pietro Fanna, Aldo Serena e Attilio Lombardo. Após o título com o Bologna, Ferrari voltou à Juventus para a última temporada da carreira de jogador, pendurando as chuteiras em 1942, após seis jogos e um gol no retorno à Juve, sobre o Liguria.
Seleção
Ferrari estreou pela Itália em 9 de fevereiro de 1930, em vitória por 4-2 sobre a Suíça em Roma. Na época, ainda defendia o Alessandria. A segunda partida veio cerca de um ano depois, em vitória por 5-0 sobre a França em Bolonha. Já era jogador da Juventus. Na quinta partida, marcou pela primeira vez pela Azzurra, que na ocasião venceu por 2-0 Portugal dentro da cidade do Porto.
O pentacampeonato da Juventus entre 1931-35 fez com que naturalmente os jogadores do clube formasse a base da seleção e Ferrari esteve entre os titulares da Itália nesse período rumo à Copa do Mundo FIFA de 1934, a ser realizada no país. Antes do mundial, marcou o gol italiano no empate em 1-1 com a Inglaterra em Roma, em 13 de maio de 1933. A importância do resultado reside no contexto da época, em que os ingleses julgavam ter por direito a melhor seleção do mundo, isolando-se de competições internacionais a ponto de recusarem o convite de disputarem o próprio mundial de 1934.GEHRINGER, Max (outubro de 2005). A política entra em campo. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 2 - 1934 Itália. Editora Abril, pp. 6-8 Ferrari abriu o placar já aos 4 minutos de jogo. O empate viria no minuto 54.
Copa do Mundo de 1934 thumb|right|300px|Jogadores italianos erguem o treinador Vittorio Pozzo após a final da Copa do Mundo FIFA de 1934. Ferrari é a pessoa mais à direita, de perfil, facilmente distinguível pelos cabelos calvos
A edição de 1934 foi a única na qual o país-sede precisou jogar as eliminatórias, as primeiras realizadas para uma Copa do Mundo FIFA. O único compromisso italiano foi uma vitória por 4-0 sobre a Grécia, já em 25 de março de 1934, em Milão.GEHRINGER, Max (outubro de 2005). As primeiras eliminatórias. Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 2 - 1934 Itália. Editora Abril, pp. 18-21 Ferrari marcou um dos gols. Na estreia, em Milão, a Azzurra venceu por 7-1 o terceiro colocado na Copa do Mundo FIFA de 1930, os Estados Unidos. Ferrari fez aos 18 minutos do segundo tempo quarto gol italiano, seis minutos após o adversário alterar o placar para 3-1.GEHRINGER, Max (outubro de 2005). Presença "eletrizante". Placar: A Saga da Jules Rimet, fascículo 2 - 1934 Itália. Editora Abril, p. 30
Ele também marcou na partida seguinte, contra a Espanha, que havia aberto o placar, aproveitando um rebote do goleiro Ricardo Zamora, ainda que em lance considerado faltoso no qual o colega Angelo Schiavio teria impedido Zamora de movimentar-se.CASTRO, Robert (2014). Capítulo III - Italia 1934. Historia de los Mundiales. Montevidéu: Editorial Fín de Siglo, pp. 34-55 A arbitragem não anulou e o empate em 1-1 em Florença perseverou ao fim da prorrogação, em partida que extenuou alguns jogadores. Pelo regulamento da época, as duas seleções deveriam se enfrentar novamente já no dia seguinte.GEHRINGER, Max (out. 2005). Equilíbrio total. Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 2 - 1934 Itália". São Paulo: Editora Abril, p. 35 Ferrari foi um dos poupados, substituído pelo argentino Attilio Demaría, mas os anfitriões venceram por 1-0.GEHRINGER, Max. Escalação estranha (out. 2005). Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 2 - 1934 Itália". São Paulo: Editora Abril, p. 35
Ferrari voltou na partida contra uma sensação do torneio, o Wunderteam da Áustria, cuja exibição terminou decepcionante, prejudicada pela chuva a tornar o gramado pesado em Milão. A Itália venceu novamente por 1-0, classificando-se para a decisão.GEHRINGER, Max. Chuva e decepção (out. 2005). Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 2 - 1934 Itália". São Paulo: Editora Abril, p. 35