O esquilo-vermelho ou esquilo-vermelho-eurasiático (Sciurus vulgaris) é uma espécie de esquilo pertencente ao género Sciurus. É um roedor omnívoro que habita árvores, sendo muito comum por toda a Eurásia.
Em Portugal, o esquilo-vermelho desapareceu no século XVI, mas nos anos 1990 populações vindas da Espanha voltaram a colonizar o norte do país.Esquilo-vermelho no Naturlink Na Grã-Bretanha e Irlanda os seus números têm decrescido, em parte devido à introdução do esquilo-cinzento americano (Sciurus carolinensis)"Fight to save Red Squirrel impeded by lack of funds": artigo por Graham Tibbetts, p.17, n.47,381, Daily Telegraph (Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007) e também devido à baixa manutenção do seu habitat. O esquilo-cinzento foi também introduzido no norte da Itália, e há o risco de que também nessa região ocorra a competição com a espécie nativa europeia.
Descrição física O esquilo-vermelho tem um comprimento típico de 19 a 23 cm (excluindo a cauda), uma cauda entre 15 e 20 cm de comprimento e um peso entre 250 e 340 g. Não apresenta dimorfismo sexual, pois machos e fêmeas têm o mesmo tamanho. Pensa-se que a longa cauda do esquilo o ajuda a manter o equilíbrio e postura quando salta de árvore em árvore e corre ao longo de ramos, podendo também ajudar o animal a manter-se quente durante o sono. thumb|left|250px|Um esquilo-vermelho com a sua pelagem cinzenta de Inverno.
A cor da pelagem do esquilo-vermelho varia com a estação e a sua localização. Existem diversas variantes, do preto ao vermelho. A pelagem vermelha é mais comum na Grã-Bretanha; noutras partes da Europa e Ásia, coexistem diferentes pelagens nas mesmas populações. O ventre é sempre branco-creme. O esquilo-vermelho muda o pelo duas vezes por ano, tomando uma pelagem mais espessa e escura e adquirindo tufos de pelo nas orelhas entre agosto e novembro. Os tufos de pelo são uma característica específica do esquilo-vermelho. Possui em geral uma coloração mais clara e avermelhada que o esquilo-cinzento americano ou o esquilo-vermelho americano.
Possui, também, garras aguçadas e encurvadas que permitem trepar às árvores, mesmo que os ramos estejam caídos.
Reprodução e mortalidade O acasalamento pode ocorrer no final do Inverno, durante fevereiro e março, e no Verão, entre junho e julho. Uma fêmea pode originar uma a duas ninhadas por ano; cada ninhada tem normalmente três ou quatro crias mas pode ter até seis. A gestação dura 38 a 39 dias. A mãe toma sozinha conta das crias, que nascem indefesas, cegas e surdas e pesando entre 10 e 15 g. O seu corpo encontra-se coberto de pêlo após 21 dias, os olhos e ouvidos abrem após três ou quatro semanas e desenvolvem todos os seus dentes até aos 42 dias. Os jovens esquilos conseguem comer alimentos sólidos após 40 dias, podendo após este tempo abandonar o ninho e encontrar comida por meios próprios; são no entanto amamentados até às oito a dez semanas.
left|thumb|250px|Um esquilo-vermelho com duas semanas de idade. Durante o acasalamento, os machos detectam as fêmeas que se encontram no estro através de um odor que elas produzem; embora não exista corte, o macho corre atrás da fêmea até cerca de uma hora antes de acasalar. É usual diversos machos correrem atrás da mesma fêmea até o macho dominante (normalmente o de maior envergadura) conseguir acasalar. Machos e fêmeas acasalam múltiplas vezes com diversos parceiros. As fêmeas têm de possuir uma massa corporal mínima até atingir o estro e as fêmeas mais pesadas produzem em média mais filhotes. Uma fêmea produz a sua primeira ninhada tipicamente durante o seu segundo ano de vida. A reprodução pode ser mais lenta se a comida for escassa.
Um esquilo-vermelho vive cerca de três anos, embora alguns espécimens vivam até aos sete ou dez anos se em cativeiro. A sobrevivência tem uma correlação positiva com a disponibilidade de sementes durante o Outono e Inverno; em média, 75% a 85% dos jovens esquilos desaparece durante o primeiro Inverno e a mortalidade desce para 50% nos Invernos seguintes.Gurnell, J. 1983, Squirrel numbers and the abundance of tree seeds. Mammal Review. 13:133–148
Ecologia e comportamento thumb|250px|Esquilo-vermelho.
O esquilo-vermelho habita a floresta conífera, encontrando-se também em florestas temperadas caducifólias. Nidifica na axila de ramos de coníferas formando ninhos em forma de cúpula com cerca de 25 a 30 cm de diâmetro, forrado com musgo, folhas, ervas e casca de árvore. Também utilizam cavidades em árvores e ninhos de cuco para nidificar. É um animal solitário, tímido e relutante em partilhar comida. No entanto, fora da estação de acasalamento, e especialmente no Inverno, diversos esquilos-vermelhos podem partilhar um ninho para se manterem quentes. A organização social é baseada numa hierarquia de dominância entre sexos e dentro de cada sexo; embora os machos não sejam necessariamente dominantes em relação às fêmeas, os animais dominantes são normalmente maiores e mais velhos que os subordinados e os machos dominantes têm usualmente lares maiores que machos e fêmeas subordinados.Wauters, L., C. Swinnen, and A. A. Dhondt. 1992, Activity budget and foraging behaviour or red squirrels (Sciurus vulgaris) in coniferous and deciduous habitats. Journal of Zoology 227:71–86
O esquilo-vermelho alimenta-se de sementes de árvores, conseguindo limpar cones de coníferas para obter as suas sementes. Também se alimentam de determinados cogumelos, ovos de pássaros, bagas e rebentos de plantas. Também podem remover a casca de árvores para aceder à seiva. É capaz de coleccionar cogumelos e secá-los em árvores.
Entre 60% e 80% do seu período activo pode ser passado na busca de alimento e forragem.Wauters, L.A., and A.A. Dhondt. 1992, Spacing behaviour of red squirrels, Sciurus vulgaris: variation between habitats and the sexes. Animal Behaviour 43:297–311 Embora o esquilo-vermelho seja capaz de memorizar onde escondeu comida, a sua memória espacial é menor e menos precisa que a do esquilo-cinzento;Macdonald, I. M. V. (1997). Field experiments on duration and precision of grey and red squirrel spatial memory. Animal Behaviour 54:879-891 necessita por isso procurar frequentemente os esconderijos quando necessita deles e por vezes não encontra alguns. Não mantém territórios e as áreas de busca de alimento sobrepõem-se de forma considerável.
thumb|250px|Esquilo-vermelho apresentando os característicos tufos de pêlo de Inverno nas orelhas. O período activo do esquilo-vermelho é a manhã e ao anoitecer. Descansa durante o dia no seu ninho, evitando dois perigos dessas horas: o calor e a maior visibilidade a aves de rapina. Durante o Inverno, este descanso diurno é mais curto ou ausente, embora condições climáticas agressivas possam fazer com que o animal fique no seu ninho durante vários dias de seguida.
Os predadores arbóreos incluem pequenos mamíferos como a marta (Martes martes), o gato-bravo e o arminho, que atacam as crias; aves, como corujas, e aves de rapina como gaviões e açores. A raposa-vermelha, gatos e cães também podem ser predadores quando o esquilo se encontra no solo. O homem influencia o tamanho e mortalidade da população ao destruir ou alterar habitats, causar mortes por acidente rodoviário e controlar populações pela caça.
Taxonomia e distribuição O esquilo-vermelho ocorre em quase toda a Europa, boa parte da Sibéria, norte da China, Península Coreana e norte do Japão. thumb|250px|Esquilo-vermelho com pelagem castanha
Em Portugal
Em Portugal o esquilo-vermelho extinguiu-se no século XVI, provavelmente devido à perda de habitats. A partir dos anos 1980 a espécie começou a recolonizar o norte do país, vindo da Galiza, na Espanha.Ferreira et al (2001) Distribución y aspectos ecológicos de Sciurus vulgaris en Portugal. Galemys 13 n especial A subespécie encontrada em Portugal parece ser S. v. fuscoater.
A expansão natural de esquilos repovoou grande parte de Portugal ao norte do Rio Douro, estando a espécie presente nas áreas protegidas do Parque Nacional da Peneda-Gerês e do Parque Natural de Montesinho. Nos últimos anos a espécie foi detectada na Reserva Natural Serra da Malcata, no centro-leste de Portugal.
O esquilo-vermelho também foi introduzido em áreas verdes urbanas como o Parque Florestal de Monsanto,O esquilo no Parque Florestal de Monsanto em Lisboa, e o Jardim Botânico de Coimbra.
Subespécies Existem mais de quarenta subespécies identificadas de esquilo-vermelho, mas o estatuto taxonómico de algumas destas é incerto. Um estudo de 1971 reconhece a existência de 16 subespécies e serviu como base para estudos taxonómicos posteriores.Sidorowicz, J. 1971, Problems of subspecific taxonomy of squirrel (Sciurus vulgaris L.) in Palaearctic: Zoologischer Anzeiger. 187:123–142.Lurz, P.W.W. et al. 2005. Sciurus vulgaris. Mammalian Species 769:1–10 S. v. altaicus Serebrennikov, 1928 S. v. anadyrensis Ognev, 1929 S. v. argenteus Kerr, 1792 S. v. balcanicus Heinrich, 1936 S. v. bashkiricus Ognev, 1935 S. v. fuscoater Altum, 1876 S. v. fusconigricans Dvigubsky, 1804 S. v. infuscatus Cabrera, 1905 S. v. italicus Bonaparte, 1838 S. v. jacutensis Ognev, 1929 S. v. jenissejensis Ognev, 1935 S. v. leucourus Kerr, 1792 S. v. mantchuricus Thomas, 1909 S. v. meridionalis Lucifero, 1907 S. v. rupestris Thomas, 1907 S. v. vulgaris Lineu, 1758
Conservação thumb|200px|Esquilo-vermelho. O esquilo-vermelho encontra-se protegido na maior parte da Europa por se encontrar listado no Apêndice III da Convenção de Berna para a Conservação da Vida Selvagem e Habitats Naturais Europeus; também se encontra listado como espécie quase ameaçada na Lista Vermelha da IUCN. Nalgumas áreas, é abundante e caçado por causa da sua pelagem.
Competição com o esquilo-cinzento Embora não considerado sob ameaça a nível global, o número de esquilos-vermelhos diminuiu drasticamente no Reino Unido, pensando-se existir menos de 140 000 indivíduos, 85% destes na Escócia. Este decréscimo na população é frequentemente associado à introdução do esquilo-cinzento (Sciurus carolinensis) provindo da América do Norte, embora a perda e fragmentação do seu habitat tenha desempenhado também um papel importante.
De forma a conservar a restante população, o governo do Reino Unido anunciou em janeiro de 2006 um programa de abate do esquilo-cinzento, uma acção bem recebida por diversos grupos de conservação da natureza. Uma acção anterior de abate foi iniciada em 1998 na ilha de Anglesey, no norte do País de Gales, o que facilitou a recuperação natural da população do esquilo-vermelho e a reintrodução deste na floresta de Newborough. Existem ainda diversos grupos locais de conservação, como o Red Squirrel Conservation em Mallerstang, Cúmbria.
Fora das Ilhas Britânicas, existe uma população significativa de esquilo-cinzento em Piemonte, na Itália, onde dois pares escaparam ao cativeiro em 1948. Observou-se uma diminuição significativa do esquilo-vermelho na área após 1970 e teme-se a expansão desta espécie pela restante Europa.
O esquilo-cinzento aparenta ganhar na competição com o esquilo-vermelho por diversas razões: O esquilo-cinzento consegue digerir facilmente bolotas, algo que o esquilo-vermelho não consegue fazer; O esquilo-cinzento é portador de uma doença, um parapoxvírus, que aparenta não o afectar mas que frequentemente mata o esquilo-vermelho. Quando o esquilo-vermelho se encontra sob pressão, não acasala tão frequentemente.
As duas espécies não são antagonistas e o confronto entre ambas não é um factor no declínio das populações de esquilo-vermelho.
Uma pesquisa efectuada em 2007 mostrou que a expansão da população da marta provoca a retracção da população do esquilo-cinzento. Pensa-se que tal é devido ao maior tempo que o esquilo-cinzento passa no solo, em relação ao esquilo-vermelho, expondo-se mais à acção deste predador.Watson, Jeremy (30 de Dezembro de 2007) "Tufty's saviour to the rescue". Scotland on Sunday. Edinburgh.
Importância cultural e económica