Voluntários da Pátria é a denominação das Unidades militares criadas em 7 de janeiro de 1865, pelo Império do Brasil (1822-1889), para lutarem na Guerra do Paraguai (1864-1870); com as quais buscava-se reforçar o efetivo das forças militares do Exército Brasileiro. Decreto nº 3.371, de 07 de Janeiro de 1865. Coleção de Leis do Império do Brasil - 7/1/1865, Página 5 Vol. 1 pt I (Publicação Original)WIEDERSPAHN, Henrique Oscar. Das guerras Cisplatinas às guerras contra Rózas e contra o Paraguai, in: Enciclopédia Rio-grandense, Editora Regional, Canoas, 1956.

Histórico miniaturadaimagem|esquerda|Decreto Imperial de criação dos Voluntário da Pátria de 1865 miniaturadaimagem|O Imperador Dom Pedro II fardado de Voluntário da Pátria número 1, no Estúdio do Fotógrafo Luigi Terragno em Porto Alegre, logo antes de partir para Uruguaiana, durante a invasão Paraguaia do Rio Grande do Sul, 1865. Desprovido de recursos bélicos, sem um exército suficientemente numeroso e instruído, sem condições de revidar adequadamente a ofensa recebida, o Imperador D. Pedro II expediu o Decreto nº 3.371, de 7 de Janeiro de 1865; o qual, apelando para os sentimentos do povo brasileiro, criava corpos militares para o serviço de guerra, com a denominação de "Voluntários da Pátria" (ver Gabinete Furtado), sendo o imperador o primeiro voluntário sendo popularmente chamado de "Voluntário Número Um" demonstrando seu comprometimento com a guerra reforçando o moral das tropas. .

O Imperador D. Pedro II logo partiu para a cidade de Uruguaiana, ocupada pelo exército paraguaio em 11 de setembro. Desembarcou no Rio Grande do Sul e seguiu de lá por terra. A jornada foi realizada montada a cavalo e por carretas, e à noite o imperador dormia em tenda de campanha. Em Uruguaiana apresentando-se no acampamento do exército como o primeiro voluntário da pátria, utilizando essa estratégia política para servir de exemplo tanto aos militares ali estacionados, quanto ao resto do Brasil.

Estrutura de um Corpo Militar Comandante - tenente-coronel thumb|315x315px|Cabo de esquadra do 1º Corpo de Voluntários da Pátria, 1865 miniaturadaimagem|Documento, de 1873, de indenização a feridos em combate Estado-Maior 1 Fiscal (major) - subcomandante; 1 Ajudante (capitão) - responsável pelo pessoal; 1 Quartel-mestre (capitão) - responsável pelo material; 1 Secretário (tenente) - auxiliar e escrivão.

Estado Menor 1 sargento ajudante - auxiliar do capitão ajudante (sargenteante); 1 sargento quartel-mestre - auxiliar do capitão quartel-mestrel (almoxarifado); 1 sargento espingardeiro - armeiro; 1 sargento coronheiro - carpinteiro; 1 sargento corneta-mor - responsável pelos músicos;

Companhias

Oito Companhias, contendo cada uma: 1 capitão - comandante da companhia; 1 tenente - subcomandante da companhia; 2 alferes - comandantes dos pelotões; 1 1º sargento - auxiliar do comandante da companhia; 2 2º sargentos - auxiliares dos comandantes dos pelotões; 1 furriel; 8 cabos de esquadra; 8 anspeçadas; 2 corneteiros; 78 soldados.

Recrutamento

Inicialmente formado para tomar proveito do patriotismo que tinha tomado conta do Brasil no início da guerra, reunindo os voluntários que se alistavam espontaneamente. O governo assegurava vantagens aos voluntários como prêmio de trezentos mil réis; lotes de terra com vinte e duas mil braças em colônias militares; preferência nos empregos públicos; patentes de oficiais honorários; liberdade a escravos; assistência a órfãos, viúvas e mutilados de guerra.

Com o passar do tempo e a diminuição do entusiasmo popular, o governo imperial passou a exigir dos presidentes das províncias cotas de voluntários, que deveriam recrutar. Cada Província foi solicitada prover, no mínimo, 1% da sua população. Por outro lado, havia várias formas de se escapar da convocação: os aquinhoados faziam doações de recursos, equipamentos, escravos e empregados para lutarem em seu lugar; os de menos posses alistavam seus parentes, filhos, sobrinhos ou agregados; aos despossuídos só restava a fuga para o mato. Indígenas de várias províncias também participaram da guerra.

Guarda Nacional A Guarda Nacional era uma força paramilitar organizada por lei no Brasil durante o período regencial, em agosto de 1831. Como uma instituição de caráter civil, a Guarda Nacional era subordinada aos Juízes de Paz, aos Juízes Criminais, aos presidentes de Província e ao Ministro da Justiça, sendo somente essas autoridades que podiam requisitar seus serviços. O único cenário em que os guardas nacionais passariam a fazer parte da estrutura militar de 1ª linha era no caso dos corpos destacados para a guerra, quando deveriam atuar como auxiliares do Exército.RIBEIRO, José Iran, Quando o Serviço nos Chama, Os Milicianos e os Guardas Nacionais Gaúchos (1825-1845), PUCRS, Porto Alegre, 2001.

A convocação da Guarda Nacional foi feita de acordo com os artigos 117 e 118 da Lei nº 602, de 1850, e, de início, teve boa acolhida nas províncias da Bahia, Pernambuco, Maranhão e Rio de Janeiro, onde a instituição estava bem organizada.Os Voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai; do General Paulo de Queiroz Duarte; Bibliex; 1983.

Corpos de Polícia

miniaturadaimagem|300px|"Recrutamento" nas casas do Rio de Janeiro (Cabichuí, 23/01/1868).

Os Corpos de Polícia das Províncias, atuais polícias militares estaduais, contribuíram formando ou complementando diversos Corpos de Voluntários da Pátria. E em 1866 já existiam diversas Unidades formadas, muitas oriundas de corporações policiais.

Recrutamento forçado Ainda em 1865 os voluntários da pátria passaram a contar com recrutamento forçado, instituído por chefes políticos locais e a oficiais da Guarda Nacional, que forçavam o alistamento de seus opositores.

Escravos libertos

miniaturadaimagem|300px|Embarque dos "Voluntários da Pátria" (Cabichuí, 02/12/1867).

O uso de escravos para lutar em nome de seus proprietários virou prática corrente. Além disso, sociedades patrióticas, conventos e o governo passaram a comprar escravos para lutarem na guerra.A participação dos negros escravos na guerra do Paraguai O império, então, passou a prometer alforria para os que se apresentassem para a guerra. Isto fez com que escravos fugissem sós ou em bandos das fazendas, e se apresentassem aos recrutadores com nomes falsos, para despistar seus senhores, mesmo com o governo fazendo vista grossa. D. Pedro II deu o exemplo, libertando todos os escravos das fazendas imperiais (como a Fazenda Imperial de Santa Cruz) para lutar na guerra.

Unidades de Corpos de Voluntários da Pátria A enumeração dos Corpos de Voluntários é confusa. Embora inicialmente todas as Unidades tenham recebido numeração contínua, em 20 de dezembro de 1866, Marquês de Caxias realizou uma reorganização das forças brasileiras.Ordem do Dia nº 14, de 20 de dezembro de 1866. Como comandante-geral, ele determinou, conforme previsto no Decreto nº 782, de 19 de abril de 1852, que todos os corpos militares passariam a ter, rigorosamente, oito companhias. E para evitar que as numerações dos Corpos de Voluntários fossem confundidas com os Corpos de Infantaria do Exército (havia vinte e um corpos, enumerados de 1 ao 21), determinou que os primeiros vinte e um CVP fossem reordenados com nova numeração.

A partir dessa data, devido à necessidade de manter as Unidades com as oito companhias regulamentares, alguns corpos que haviam sido criados com determinada numeração, ao se apresentarem no teatro de operação acabaram dissolvidos e seus efetivos redistribuídos em outros corpos. Com isso, possibilitando que outras Unidades fossem formadas com a mesma designação das anteriormente dissolvidas.

UnidadeOrigemObservação1º CVPFormado na Corte, com efetivo de diversas Províncias.Reordenado como 23º CVP.2º CVPFormado na Corte.Reordenado como 24º CVP.3º CVPProvíncia da Bahia.Reordenado como 25º CVP.4º CVPFormado na Corte (uma companhia do Paraná).Reordenado como 27º CVP.5º CVPGuarda Nacional do Rio de Janeiro, 1º Batalhão de Fuzileiros de Niterói.Incorporado ao 28º CVP.6º CVPProvíncia do Rio de Janeiro.Reordenado como 33º CVP.7º CVPProvíncias de São Paulo e Paraná (duas companhias).Incorporado ao 35º CVP, da Província do Rio Grande do Sul.8º CVPProvíncias do Rio de Janeiro, Sergipe e Alagoas.Reordenado como 37º CVP.9º CVPFormado na Corte, com efetivo de diversas Províncias.Dissolvido.9º CVPCorpo Policial do Rio Grande do SulReordenado como 39º CVP.10º CVPCorpo Policial da Bahia.Reordenado como 41º CVP.11º CVPProvíncia de Pernambuco.Reordenado como 42º CVP.12º CVPCorpo Policial do Rio de Janeiro.Reordenado como 44º CVP.13º CVPCorpo Policial do Pará.14º CVPProvíncia de Pernambuco.15º CVPGuarda Nacional da Bahia.Dissolvido.16º CVPProvíncia de Goiás.17º CVPProvíncia de Minas Gerais.18º CVPProvíncia de Minas Gerais, Ouro Preto.Reordenado como 49º CVP.19º CVPCorpos Policiais do Ceará, Sergipe e Piauí.Reordenado como 50º CVP.20º CVPCorpo Policial de Alagoas.Reordenado como 52º CVP.21º CVPCorpo Policial da Paraíba e voluntários da Província de Pernambuco.

Nova enumeração determinada pelo Marquês de Caxias, através do Plano de Reorganização expedido pela Ordem do Dia nº 14, de 20 de dezembro de 1866.

UnidadeOrigemObservação22º CVPCorpo Policial da Bahia e voluntários das Províncias de Pernambuco e do Maranhão.23º CVPGuarda Nacional da Bahia, 2° Batalhão de Infantaria de Salvador.24º CVPProvíncia da Bahia.Dissolvido24º CVPAntigo 2º CVP da Corte.25º CVPGuardas nacionais, policiais e voluntários de Santa Catarina e Paraná.Dissolvido e incorporado ao 31º CVP.25º CVPAntigo 3º CVP da Província da Bahia.26º CVPProvíncia do Ceará.27º CVPProvíncia de Minas Gerais.Não foi formado.27º CVPAntigo 4º CVP da Corte.28º CVPGuarda Nacional do Rio Grande do Norte.Dissolvido e incorporado aos 34º CVP (Pará) e 36º CVP (Maranhão). 28º CVPAntigo 5º CVP da Província do Rio de Janeiro,29º CVPProvíncia da Bahia.30º CVPProvíncia de Pernambuco.31º CVPCorpo Policial da Corte, reforçado pelo 25º CVP das Províncias do Paraná e Santa Catarina.32º CVPFormado na Corte.Dissolvido32º CVPGuarda Nacional da Bahia33º CVPProvíncia do Rio Grande do Sul.Incorporado ao 30º CVP, de Pernambuco.33º CVPAntigo 6º CVP da Província do Rio de Janeiro, reforçado com efetivo de diversas Províncias.34º CVPProvíncia do Pará.35º CVPProvíncia do Rio Grande do Sul. Reforçado com efetivo do 7º CVP, das Províncias de São Paulo e Paraná.36º CVPGuarda Nacional do Maranhão.37º CVPGuarda Nacional do Maranhão.Incorporado ao 36º CVP.38º CVPFormado na Corte, com efetivo de diversas Províncias.39º CVPGuarda Nacional do Piauí Dissolvido39º CVPGuarda Nacional do Rio Grande do Sul, 11º e 12º de Corpo de Cavalaria40º CVPGuarda Nacional da Bahia, 3° Batalhão de Infantaria de Salvador.41º CVPGuarda Nacional, 24º Batalhão de Infantaria de Santo Amaro e Corpo Policial da Bahia.42º CVPProvíncia de São Paulo.Incorporado ao 7º CVP.43º CVPProvíncia da Bahia."Batalhão Princesa Imperial"44º CVPProvíncia de Pernambuco.Dissolvido44º CVPCorpo Policial do Rio de Janeiro45º CVPProvíncia de São Paulo.46º CVPGuarda Nacional da Bahia e voluntários.47º CVPGuarda Nacional da Paraíba, 25º Batalhão de Infantaria.48º CVPGuarda Nacional do Rio Grande do Sul, 3º Batalhão de Infantaria de São Borja e 4º Batalhão de Infantaria de Uruguaiana.49º CVPGuarda Nacional do Rio Grande do Sul, 47º Batalhão de Infantaria Montada de Uruguaiana.50º CVPProvíncia do Mato Grosso.51º CVPCorpo Policial de Pernambuco.Incorporado ao 53º CVP.52º CVPCorpo Policial de Alagoas (?).53º CVPGuarda Nacional da Bahia, 107º Batalhão de Infantaria de Cachoeira e Corpo Policial de Pernambuco.54º CVPProvíncia da Bahia.55º CVPGuardas Nacionais do Piauí e Rio Grande do Norte.56º CVPProvíncia de Pernambuco.57º CVPProvíncia da Bahia.

thumb|direita|200px|Recepção aos voluntários da pátria do Paraná, em frente à antiga Igreja Matriz de Curitiba, em abril de 1870