Johan Albert Constantin Löfgren, também conhecido como Alberto Loefgren (Estocolmo, 11 de setembro de 1854 — Rio de Janeiro, 30 de agosto de 1918), foi um botânico sueco naturalizado brasileiro, notado principalmente por ter sido um dos pioneiros do conservacionismo brasileiro e responsável pela criação de algumas das primeiras áreas protegidas do país.

Biografia Começos Formado em filosofia e ciências naturais na Universidade de Uppsala, Löfgren mudou-se para o Brasil em 1874, integrando a expedição botânica comandada pelo naturalista Hjalmar Monsén (1807-1884), seguindo diretamente para Poços de Caldas, onde permaneceu por alguns anos. Löfgren auxiliou Anders Fredrik Regnell na expedição, realizada entre 1874 e 1877, nos estados de São Paulo e de Minas Gerais.

Em 1877, realizou estudos na Serra do Caracol, em Andradas, Minas Gerais. Hjalmar Monsén retornou em seguida a seu país, mas Löfgren permaneceu no Brasil após o término dos trabalhos da expedição. Mais tarde, Löfgren trabalhou como engenheiro-arquiteto da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, entre 1877 e 1880, quando residiu na cidade de Pirassununga. Posteriormente mudou-se para Campinas, onde se dedicou ao ensino de ciências naturais.

Em 1886, Orville Derby convidou-o a participar da organização da Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo – o embrião da pesquisa científica no Estado de São Paulo, que reunia uma equipe interdisciplinar destinada a planejar e executar pesquisas necessárias para subsidiar a ocupação racional da Província, e coube a Löfgren comandar a parte referente à Botânica e à Meteorologia, sendo o primeiro a organizar esse tipo de serviço em São Paulo. Incansável, promoveu ainda a fundação do Museu Paulista, convencendo o governo a aproveitar adequadamente a coleção botânica acumulada pelo coronel Sertório, doada ao Estado, e até 1894, Löfgren ocupou-se interinamente dela. A partir dessa data, a coleção foi instalada no Ipiranga, sob a direção de Herman von Ihering. O herbário que criou para a Comissão constitui, do ponto de vista científico, o primeiro do País sobre a flora paulista. Durante seus trabalhos na Comissão alertou para a destruição que vinha acontecendo de grande número de matas ciliares dos malefícios do fogo, além de fazer previsões na alteração do clima devido à destruição das matas. O Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo originou-se dessa Comissão, criado pela Lei Provincial nº 9, de 27 de março de 1886. Aí começam a germinar as sementes do atual Instituto Florestal e do Serviço Meteorológico do Estado de São Paulo.

Em 1888, Löfgren assumiu a direção do Jardim da Luz, propondo a transformação do local em Jardim Botânico. Porém o espaço foi transformado em jardim público e passou para a municipalidade. Em 1896, graças aos esforços de Löfgren, aliados aos de Derby e de Ramos de Azevedo, foi instalado o Horto Botânico da Cantareira, do qual Löfgren foi o primeiro diretor. 250px|right|thumb|"Contribuições para a archeologia paulista: Os Sambaquis de S. Paulo" Entre 1910 e 1913, Alberto Löfgren chefiou a seção de botânica da Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS), a convite do engenheiro e geólogo Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa (1872 - 1932), que então dirigia o órgão. Sua missão era estudar as condições da flora e do solo da região nordeste do país, flagelada pela seca, visando o seu aproveitamento agrícola e estudar as possibilidades de reflorestamento. Nesse período, Löfgren percorreu demoradamente os Estados da Bahia, Paraíba, Pernambuco e Ceará. Criou Hortos Florestais em Juazeiro, na Bahia, e em Quixadá, no Ceará, tendo sido diretor do horto cearense até 1912. Percorrendo em 1910 essa região, colecionou riquíssimo herbário e as suas principais observações preliminares acham-se registradas na publicação daquela repartição intitulada “Notas botânicas”. Nessa época, dando início a um programa de reflorestamento dessa zona, Löfgren criou diversas estações florestais, que foram instaladas em pontos, onde, ao lado de experiências e demonstrações culturais, grandes viveiros foram formados para a multiplicação das melhores essências.

Löfgren defendeu a preservação das florestas de São Paulo e a formação de florestas artificiais, tendo inclusive, apresentado à Câmara dos Deputados uma proposta de regulamentação e de proteção das matas no Estado. Em 1901, apresentou ao Presidente do Estado de São Paulo, Francisco de Paula Rodrigues Alves, um projeto de proteção e regulamentação da exploração das matas, incluindo a proposição de uma legislação florestal. Naquele mesmo ano, foi indicado para chefiar uma comissão cujo objetivo era elaborar uma proposta de codificação da legislação florestal brasileira. A iniciativa não foi adiante, mas suas ideias subsidiaram a elaboração do primeiro Código Florestal Brasileiro, instituído em 1934.

O ativista ambiental Empreendeu uma campanha férrea para a conscientização da população nas causas ambientais. À frente dos movimentos conservacionistas, lutou para conscientizar e sensibilizar tanto a população quanto as autoridades em todos os seus níveis. Em 1900, Löfgren alerta as autoridades para o desmatamento devido ao aumento do consumo de lenha pela ferrovias, sendo que uma delas consumia 500 m³ diários, o equivalente à destruição de 2 hectares de matas por dia. Neste mesmo ano, dá início a uma campanha para frear os desmatamentos na Serra da Cantareira empreendida pelos carvoeiros, e encabeça a comissão que tinha por objetivo elaborar o Código Florestal, como meio preventivo e disciplinador do desmatamento e utilização das matas. Neste mesmo ano, escreve inúmeros artigos e pronuncia várias conferências, alertando os paulistas para o uso que faziam de sua cidadania, às avessas, lembrando os poderes públicos da necessidade de uma legislação e de um serviço florestais.

Ao sugerir, em 1901, que as crianças cultuassem as árvores – pelo menos um dia do ano – Löfgren pretendia inspirar aos “homens do amanhã” o amor pelas florestas que “resultam em proteção contra os prejuízos da areia movediça; dos ventos; preservação das nascentes; aumento da beleza das passagens e alimento no suprimento de lenha sendo que tudo isso resulta de importância para o povo e para o País”. Em 1902, Löfgren publica o “Serviço Florestal do Estado de São Paulo”, onde discorre sobre inúmeros temas voltados a proteção da natureza em seus mais diversos aspectos, incluindo estatísticas, medidas preventivas e legislativas, manejo de florestas, publicação de obras voltadas ao tema, etc. Dentre eles se destaca “ensino nas escolas e instituições, de um ‘Arbor Day’ no Estado” e “demonstração nos campos de experiência e nas colônias, onde os diretores deveriam fazer conferências e ensinar os princípios do serviço florestal”. Em 1901 já havia no Horto Botânico (foto) mais de 90 000 mudas de essências nativas e exóticas, em condições de serem transplantadas, iniciando-se sua distribuição aos municípios paulistas. Löfgren o responsável pela difusão da necessidade de se instituir no país um evento anual dedicado ao culto das árvores. Desde os princípios de 1901 fez a necessária propaganda em prol da introdução dessa comemoração conservacionista inspirada no Arbor Day norte-americano, escrevendo nas colunas dos jornais paulistas sobre sua significação e importância. Este é também um dos motivos que levou Löfgren a ser considerado um dos pioneiros do ecojornalismo e um dos maiores conservacionistas do país no século XX. Finalmente, por iniciativa sua, do engenheiro João Pedro Cardoso e do poeta Coelho Netto, em 7 de junho de 1902 realiza-se na cidade paulista de Araras a que que foi considerada a primeira “Festa das Árvores do Brasil", com mudas produzidas no Horto Botânico da Cantareira. Aos particulares, lembrava que a preservação de florestas nas propriedades cortadas por estradas, e perto de cidades, era “fator importante do bem público e privado”, influenciando nas condições hidrográficas, climáticas e de saúde. Argumentava que o serviço florestal, longe de ser uma espécie de lavoura, era como uma “caixa econômica com capitalização a juros compostos”, a ser implantado a partir da conservação e melhoramento das matas existentes e, com os conhecimentos obtidos, possibilitar a criação de matas comerciais em terrenos esgotados.

Abaixo, o texto “ARBOR DAY” de Löfgren composto para o suplemento Revista da Semana de julho de 1902, um suplemento do jornal carioca Jornal do Brasil.

Ficou célebre a polêmica causada pelo artigo que publicou em 1903, no O Estado de S. Paulo, sob o título “A Devastação das Matas”, onde demonstrava aos administradores das ferrovias o perigo a que estavam sujeitas não só as suas estradas, como também a população do Estado, com a devastação desordenada dos recursos, florestais, sem que se promovesse um reflorestamento.

O botânico Outro grande feito de Löfgren foi ter colaborado como botânico na confecção do livro “Os Sertões” de Euclides da Cunha, junto com o engenheiro Theodoro Sampaio e o geólogo Orville Derby. Seria este trio também que também viria a colaborar nos ensaios que Euclides fez sobre a Amazônia. Foi na estrada entre Queimadas e Monte Santo que Euclides da Cunha entrou pela primeira vez em contato direto com as caatingas, que ele considerou capazes de assombrar ao mais experimentado botânico: "De um, sei eu [dizia Euclides], que ante ela faria prodígios. Eu porém, perdi-me logo, perdi-me desastrosamente no meio da multiplicidade das espécies (...)" Esses trechos retirados do “Diário de uma Expedição” e da “Caderneta de Campo”, pinçados não por acaso, permitem colocar a seguinte interrogação: quem seriam essas “pessoas mais competentes” que iriam analisar amostras recolhidas e quem seria o botânico que faria prodígios diante daquela “estranha e impressionadora” caatinga do sertão baiano? Certamente Euclides da Cunha estava se referindo aos seus amigos da Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo, dirigida por Orville Derby e local onde trabalhava Alberto Löfgren, este último provavelmente o botânico que Euclides imaginava ser capaz de “fazer prodígios” diante da vegetação sertaneja. Derby, Löfgren e Theodoro Sampaio haviam indicado o nome de Euclides da Cunha para sócio do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo antes da viagem para a Bahia.

Em 1913, foi convidado por John Christopher Willis, então diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, para assumir a chefia da seção de botânica e de fisiologia vegetal da instituição. Na mesma época Adolpho Ducke, João Geraldo Kuhlmann e Alexandre Brade também foram admitidos, o que propiciou grande impulso nas pesquisas em taxonomia vegetal e elevou o Jardim Botânico à liderança nacional nos estudos sobre a flora brasileira.CASAZZA, Ingrid F. O Jardim Botânico do Rio de Janeiro: um lugar de cência (1915-1931). Rio de Janeiro: Casa de oswaldo Cruz- Fiocruz, 2011. Em janeiro de 1918, foi efetivado no cargo, por concurso. No Jardim Botânico do Rio, ele foi o primeiro pesquisador a realizar trabalhos sobre a anatomia de madeiras. Organizou o herbário e colaborou com a publicação Archivos do Jardim Botânico, que publicou vários dos seus artigos.

O período compreendido entre 1918 e 1966 representa a fase áurea dos estudos anatômicos da madeira no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Alberto Löfgren, contratado em 1918 foi o primeiro pesquisador da casa a realizar trabalhos de anatomia de madeiras brasileiras.

Em 1900 traduziu a obra “Meu cativeiro entre os selvagens do Brasil” de Hans Staden, o primeiro livro sobre o Brasil, segundo Monteiro Lobato. Colaborou na elaboração da obra “Flora Brasiliensis” e também para a “Flora Regnelliana”, da Academia de Ciências de Estocolmo e também na “Regni vegetalis Conspectus” da Academia de Ciências de Berlin. Em 1905 publica do original sueco de K. Lindman, “A vegetação do Rio Grande do Sul”, entre outros.

Tributos e distinções