Etnocídio é um conceito vinculado a genocídio. Basicamente, o termo, afim de genocídio cultural, é usado para descrever a destruição da cultura de um povo, em vez do povo em si mesmo.Etnocídio em Dicionário HostDime. Acessado em 5 de março de 2008.-Ethnocide em d.f.c.r. - DIRE, FAIRE CONTRE LE RACISME. Acessado em 5 de março de 2008. Pode envolver linguicídio, fenômenos de aculturação etc. Ademais, diferentemente do genocídio, um etnocídio não é necessariamente intencional. E, diferentemente do genocídio, que entrou para o direito internacional, permanece como matéria de estudo dos etnólogos.

Origem da palavra Raphael Lemkin, o linguista e advogado que criou a expressão genocídio em 1943, unindo a palavra grega genos (raça, tribo) e a latina cídio (assassinato), "também sugeriu etnocídio como uma alternativa para representar o mesmo conceito, usando o grego ethnos (nação) no lugar de genos.LEMKIN, Raphael. Acts Constituting a General (Transnational) Danger Considered as Offences Against the Law of Nations. Publicado em 14 de outubro de 1933. Acessado em 5 de março de 2008. A palavra não parece ter entrado em uso generalizado por esta época.

Subsequentemente, o etnocídio tem sido usado por alguns etnólogos em referência a um sub-tipo de genocídio. Enquanto a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio das Nações Unidas (adotada em 1948, entrando em vigor a partir de 1951) define genocídio como atos cometidos contra grupos "nacionais, étnicos, raciais ou religiosos", o etnocídio, tomado neste contexto, referir-se-ia apenas a crimes motivados pela etnicidade.

Outra definição em uso em alguns escritos sugere que o etnocídio referir-se-ia a ações as quais não levariam à morte ou dano de membros viventes de um grupo, mas, em vez disso, teria um efeito de longo prazo ao reduzir a taxa de nascimentos, interferir com a educação ou transmissão de cultura às futuras gerações, ou excluindo a existência do grupo ou suas práticas do registro histórico. Este uso é encontrado comumente sobre discussões de povos indígenas oprimidos e definido algumas vezes como "culturicídio". Sob a Convenção da ONU, algumas destas práticas podem sobrepor-se às definições legais de genocídio, tais como a prevenção de nascimentos dentro de um grupo ou a transferência forçada de crianças de um grupo étnico para outro.

Embora as leis internacionais sobre o genocídio foquem principalmente ações violentas diretas e repressivas, é válido observar que Lemkin, em seus escritos, considerava o genocídio como um crime acima de todos os outros, não somente por causa da quantidade de pessoas mortas ou feridas, mas porque o genocídio levava com ele a intenção de tornar extintas culturas inteiras e insubstituíveis. A definição mais ampla de etnocídio pode ser útil em expressar deficiências percebidas e restrições que a lei de genocídio tenha em identificar a destruição cultural quando ela ocorrer por meios menos violentos e mais discretos.

Etnocídio e memoricídio O memoricídio é um neologismo que tem origem das palavras memória e homicídio. Esse conceito designa a ação ou a tentativa intencional de assassinato ou destruição dos simbolos representantes da memória de determinado grupo social.

A memória se dá no espaço de disputas de narrativas e dinâmicas de poder e controle. Sendo assim, o memoricídio representa a não parcialidade da memória e, consequentemente, do esquecimento, consistindo, dessa forma, no abuso da memória. Trata-se de uma ação deliberada de destruição de símbolos representativos da memória de determinados grupos, que detém tanto a capacidade de aniquilá-los quanto de manipular culturalmente o seu uso.

Essa prática pode impulsionar o silenciamento historico, acarretando no enfraquecimento da identidade e consciência social ao mesmo tempo em que potencializa o desaparecimento simbólico da alteridade de grupos em decorrência de uma hegemonia cultural.

O termo Memoricídio é frequentemente relacionado aos conceitos genocídio e etnocídio, uma vez que todos compartilham a característica de atacar os bens culturais de um corpo social.

O Etnocídio no Marco Temporal sobre as Terras Indígenas brasileiras Em julgamento no STF sobre a questão do marco temporal, o relator do caso Ministro Edson Fachin pronuncia seu voto citando a questão do etnocídio:

Ver também Aculturação Americanização Colonialismo cultural Genocídio de negros nos Estados Unidos Limpeza étnica

Ligações externas Violência civil no Rio de Janeiro: genocídio e etnocídio programados por Jorge da Silva em MACUMBA Berlin - Movimento Cultural Brasil Alemanha, 21-22 de novembro de 2007. Colombianos acusam governo de "etnocídio" em Folha de S. Paulo, 29 de julho de 2001.

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