William Edward Burghardt "W. E. B." Du Bois (Great Barrington, 23 de fevereiro de 1868—Acra, 27 de agosto de 1963)ZUCKERMAN, Phil (Org.), The Social Theory of W.E.B. Du Bois, Estados Unidos: Sage Publications, 2004, p. 2 foi um sociólogo, historiador, escritor e editor norte-americano, socialista, ativista pelos direitos civis e pan-africanista.

Nascido no interior do estado de Massachusetts, Du Bois cresceu em uma comunidade relativamente tolerante e integrada. Casou-se com Nina Gomer em 1896, com quem teve dois filhos: Burghart e Yolanda. Um ano depois da morte de Nina, casou-se com Shirley Graham.

Du Bois recebeu um diploma em 1888 pela Universidade Fisk, e um segundo diploma pela Harvard em 1890. Depois de dois anos de estudo na Universidade de Berlim, recebeu seu Ph.D (título de doutor) pela Harvard em 1895.

W.E.B. Du Bois foi um autor prolífico, que publicou mais de vinte livros ao longo de sua vida. Além das publicações acadêmicas, escreveu novelas e poesia. Foi também um ativista ferrenho da justiça social e racial. Ele foi o principal fundador do "Movimento Niágara", no qual exercia a função de Secretário Geral. No mais, fundou o National Association for the Advancement of Colored People (NAACP), exercendo a função de Presidente do Conselho por muitos anos. Combateu abertamente questões da sua época como linchamentos, discriminação e exploração colonial, também foi o líder mundial do movimento pan-africano, servindo como Secretário do Primeiro Congresso pan-africano. Tornou-se um socialista que lutou pelos direitos das mulheres, dos judeus, e dos trabalhadores, podendo ser considerado como um dos arquitetos do movimento dos direitos civis. Fundou a American Black Academy, onde pode apoiar manifestações de arte e cultura.ZUCKERMAN, Phil (Org.), The Social Theory of W.E.B. Du Bois, Estados Unidos: Sage Publications, 2004, p. 3

Du Bois ganhou proeminência nacional como líder do Movimento do Niágara, um grupo de ativistas afro-americanos que lutavam por direitos iguais para os negros. Du Bois e seus defensores se opuseram ao Compromisso de Atlanta, um acordo elaborado por Booker T. Washington que versava que os negros do sul trabalhariam e submeter-se-iam às regras políticas dos brancos, enquanto os brancos do Sul garantiriam que os negros recebessem oportunidades educacionais e econômicas básicas. No entanto, Du Bois insistiu na determinação de plenos direitos civis e aumento da representação política dos negros, que ele acreditava que seria reivindicada pela elite intelectual afro-americana. Ele referiu-se a este grupo como o décimo talentoso e acreditava que os afro-americanos necessitavam de chances para ter uma formação avançada e desenvolver sua liderança.

O racismo foi o principal alvo das polêmicas de Du Bois, tendo protestado fortemente contra a prática de linchamentos, as leis Jim Crow e a discriminação na educação e no emprego. Sua causa incluía as pessoas de cor de todos os lugares, especialmente nas colônias africanas e asiáticas, em sua luta contra o colonialismo e o imperialismo. Foi um defensor do pan-africanismoIshmael Reed, "Eminent Contrarian", The Village Voice|Voice Literary Supplement, October–November 2000. e ajudou a organizar vários Congressos Pan-Africanos para defender a libertação das colônias africanas das potências europeias. Du Bois fez várias viagens para a Europa, África e Ásia. Após a Primeira Guerra Mundial, ele pesquisou as experiências dos soldados negros americanos na França e documentado intolerância generalizada nas forças armadas dos Estados Unidos.

Du Bois foi um autor prolífico considerado o pai do pan-africanismo. Sua coleção de ensaios, As Almas da Gente Negra (The Souls of Black Folk), foi um trabalho seminal na literatura Africano-Americana; e seu magnum opus de 1935, A Reconstrução Negra na América (Black Reconstruction in America) desafiou a ortodoxia dominante de que os negros eram responsáveis pelos fracassos da era da Reconstrução dos Estados Unidos. Ele escreveu o primeiro tratado científico no campo da Sociologia; e publicou três autobiografias, cada qual contendo ensaios perspicazes sobre Sociologia, Política e História. Em seu papel como editor do jornal da NAACP, A Crise (The Crisis), publicou muitas peças influentes. Du Bois acreditava que o capitalismo era a principal causa de racismo, e era geralmente solidário com os socialistas ao longo de sua vida. Ele era um ativista ardente da paz e defendeu o desarmamento nuclear. A Lei dos Direitos Civis dos Estados Unidos, incorporando muitas das reformas para que Du Bois tinha defendido toda a sua vida, foi promulgada um ano após sua morte. Faleceu em Gana, em 27 de agosto de 1963, um dia antes do célebre discurso "I have a dream" de Martin Luther King Jr.

Biografia thumb|DuBois com sua esposa Nina e a filha Yolande William Edward Burghardt Du Bois nasceu em 23 de fevereiro de 1868, em Great Barrington, Massachusetts. Era filho de Alfred e Mary Silvina Burghardt Du Bois. A família de Mary Silvina Burghardt fazia parte da pequena população de negros livres de Great Barrington. O bisavô materno de William Du Bois, Tom Burghardt, foi um escravo nascido na África Ocidental por volta de 1730. Tom serviu o exercito na Revolução Americana, o que pode ter dado sua liberdade. O bisavô paterno de Du Bois foi James Du Bois, de origem franco-americana, de Poughkeepsie, New York, e teve vários filhos com escravas. Um dos seus filhos era Alexander, que viajou para o Haiti, e teve um filho, Alfred, que se mudou para os Estados Unidos um pouco antes de 1860, e se casou com Mary Silvina Burghardt em 1867, em Housatonic, Massachusetts. Alfred deixou Mary em 1870, dois anos depois do nascimento de William. Sua mãe trabalhou para sustentar a família, recebendo alguma ajuda de seu irmão e seus vizinhos.

A comunidade de Great Barrington tratou Du Bois ligeiramente bem. Ele frequentou a escola pública local e manteve relacionamento com colegas brancos. Professores encorajaram sua carreira intelectual, e quando Du Bois decidiu entrar na faculdade, a congregação da igreja que frequentava enquanto criança doou dinheiro para as despesas de seu ensino. Mesmo assim, o racismo que ele experimentou nesse contexto foi objeto de seus artigos e de suas obras, e seu sucesso com os estudos acadêmicos o fez usar seu conhecimento para empoderar os afro-americanos.

Educação universitária Dependendo do dinheiro doado, Du Bois frequentou a Fisk University, uma faculdade historicamente negra em Nashville, Tennessee, de 1885 a 1888. Sua viagem e residência no Sul foi sua primeira experiência com o racismo sulista, o que englobava Jim Crowlaws, atos de intolerância e linchamentos. Depois de receber seu diploma na Fisk, Du Bois frequentou Harvard College de 1888 a 1890, onde ele foi extremamente influenciado por seu professor William James, uma figura proeminente na filosofia americana. Em 1890, Du Bois recebeu seu Segundo diploma, cum laude, em História pela Harvard. Em 1891, Du Bois recebeu uma bolsa de estudos para frequentar o curso de graduação em Sociologia, também pela Harvard.

Em 1892, Du Bois recebeu uma bolsa da John F. Slater Fund for the Education of Freedmen para frequentar a Universidade de Berlin. Ele amadureceu intelectualmente enquanto estudava com alguns dos mais proeminentes cientistas sociais, como Gustav von Schmoller, Adolph Wagner em Heinrich von Treitschke. Depois de retornar da Europa, Du Bois completou sua graduação, e em 1895 ele se tornou o primeiro afro-americano a receber um Ph.D. da Harvard University.

Movimento de Niágara Ao ingressar em Harvard, em 1895, para fazer o PhD, Du Bois passa a dividir ideias referentes ao status social dos negros com outros acadêmicos e profissionais afro-americanos, fazendo reuniões que visavam determinar objetivos para melhorar as condições de vida desse grupo social. Essas reuniões passaram a se desenrolar e em 1905, Du Bois, seus colegas e vários outros ativistas dos direitos civis afro-americanos se reuniram para escrever uma declaração de princípios que levou o grupo passou a ser conhecido como “Movimento de Niágara”.DU BOIS, W.E.B, Dusk of Dawn, Transaction Publishers, New Jersey, 1984, p. 90

Encontros como esses, formados por pessoas negras, eram condenáveis na América, o que implicava uma série de riscos. Mesmo assim, as assembleias seguiram, e o grupo escreveu uma proclamação demandando o direito de votar, bem como outros direitos que pertenciam aos americanos nascidos livres. Mesmo durando apenas alguns anos, a organização representou um papel importante na conquista da igualdade racial e Du Bois teve papel central na organização do movimento, assim como das demandas civis que eles pretendiam alcançar.disponível em: www.biography.com/people/web-du-bois-9279924

NAACP Em 1909, Du Bois esteve entre os fundadores da NAACP (National Association for the Advancement of Colored People). Dezenas de defensores dos direitos civis, tanto negros quanto brancos, participaram da fundação da associação, entretanto, a maioria dos diretores eram brancos. Durante os anos de 1910 e 1934, Du Bois foi diretor de pesquisa e publicidade, membro do corpo de diretores, e editor de A Crise, revista mensal da associação.disponível em: www.naacp.org

Revista A Crise e a luta contra o racismo O seu dever assumido, a partir do posto de diretor de pesquisa e publicidade, passou a ser a edição da revista mensal da NAACP, denominada A Crise (The Crisis).DU BOIS, W.E.B, Dusk of Dawn, Transaction Publishers, New Jersey, 1984, p. 93 A primeira edição surgiu em novembro de 1910, e Du Bois afirmou que o seu objetivo era estabelecer "esses fatos e argumentos que mostram o perigo de preconceito racial, nomeadamente no que se manifesta hoje em relação às pessoas de cor". A revista era composta por dois componentes principais: de um lado, protesto e do outro um princípio de reerguimento moral.disponível em: www.history.com/topics/black-history/w-e-b-du-bois) Assim, ao mesmo tempo que estava protestando, igualmente estava buscando construir uma consciência. Na revista, Du Bois direcionou comentários aos americanos brancos, ao mesmo tempo servindo de fonte de informação e orgulho aos afro-americanos. O protesto racial durante a década seguinte a I Guerra Mundial focou-se em garantir uma legislação contra os linchamentos. Durante esse período, a NAACP era a organização líder de protesto e Du Bois era a sua figura representativa. A revista “A crise” empenhou uma movimento importante de combate ao racismo, empreendendo tal campanha contra o linchamento e Du Bois utilizando seu papel influente na associação para se opor a uma variedade de incidentes racistas.

Como Du Bois mudou-se com 17 anos para o Tennessee para ir a faculdade, ele percebeu a diferença entre os negros do sul e os do norte: a vida no sul era muito mais dura do que onde ele crescera. Viu que as pessoas não conseguiam progredir desde a proclamação da emancipação, e o fato de as pessoas serem livres não havia transformado as suas vidas. Esse foi um motivo para que, no início do século XX, ele apoiasse a grande migração de negros do sul para outras regiões do país, o que já vinha acontecendo. Diante desse contexto, Du Bois escreveu um editorial apoiando essas migrações, porque ele acreditava que seria melhor que os negros escapassem ao racismo do Sul, encontrando melhores oportunidades econômicas e assimilando a sociedade norte-americana.