thumb|right|350px|Stowe House, cerca de 1880.
Stowe House é um palácio rural da Inglaterra localizado em Stowe, no Buckinghamshire. É um listed building classificado com o Grau I. Actualmente aloja a Stowe School, uma escola independente. Os jardins e parte do parque passaram para a posse do "National Trust for Places of Historic Interest or Natural Beauty" em 1990.
História John Temple comprou o solar de Stowe em 1589, o qual se tornou na casa ancestral da família Temple. No final do século XVII, a casa foi completamente reconstruída por Sir Richard Temple, passando da velha fortaleza medieval para o que é, agora, o coração do impressionante palácio pelo qual toda a área é conhecida actualmente. Tendo sido redesenhado e aperfeiçoado posteriormente ao longo dos anos, o conjunto da fachada tem, agora, um comprimento de 916 pés (279 m.) e proporciona uma vista empolgante para quem se aproxima vindo de Buckingham. A longa e recta estrada estende-se de Buckingham até à frente do palácio, passando através dum arco coríntio de 60 pés (18 m.) no cume da colina situada no caminho, executado para impressionar e, ao mesmo tempo, humilhar e intimidar os visitantes. Esta estrada ainda se mantém em funcionamento actualmente.
thumb|180px|O padrão heráldico, com 719 campos, da família Temple-Nugent-Brydges-Chandos-Grenville.
A família Temple-Grenville Stowe House foi, a partir de 1784, a sede dos Marqueses de Buckingham. O 2º Marquês de Buckingham casou com a herdeira do último Duque de Chandos e foi, então, feito Duque de Buckingham e Chandos. Richard Plantagenet Campbell Temple-Nugent-Brydges-Chandos-Grenville, 3º Duque de Buckingham e Chandos (10 de Setembro de 1823–26 de Março de 1889), com o nome habitualmente encurtado para Richard Temple-Grenville, foi um estadista inglês do século XIX e um amigo chegado e subordinado de Benjamin Disraeli. Foi intitulado de Marquês de Chandos até à morte do seu pai, em 1861.
Conde Temple de Stowe é um título no Pariato do Reino Unido. Foi concedido, em 1822, a Richard Temple-Nugent-Brydges-Chandos-Grenville, que fòra anteriormente feito Duque de Buckingham. Com a morte do terceiro Duque, não restaram herdeiros masculinos no Ducado, pelo que este foi extinto. O Condado, porém, tem uma alínea especial inequívoca nas cartas que o criam, a qual permite que possa descer na linha feminina, o que aconteceu até ao primeiro bisneto do último Duque, William Gore-Langton. O palácio permaneceu como sede dos Duques de Buckingham e Chandos até à extinção do título, em 1889, e, depois disso, dos Condes Temple de Stowe, até ao início do século XX, quando, devido a dívidas prodigiosas, foi vendido para se transformar numa escola.
O Palácio História arquitectónica thumb|320px|Frente norte de Stowe House em 1750. As principais alterações foram feitas depois desta data.
Stowe House é o resultado de quatro períodos principais de desenvolvimento, são eles:
1677-1683, sob Sir Richard Temple - envolveu a construção do bloco central. década de 1720-1733, sob o Richard Temple, 1º Visconde Cobham - incluiu a adição do Pórtico Norte (North Portico), por John Vanbrugh e a reconstrução das frentes norte, este e oeste. década de 1740-1760, começada pelo mesmo Visconde Cobham - incluiu a expansão de ambos os apartamentos de aparato, oeste e este. 1771-1779, sob Richard Grenville-Temple, 2º Conde Temple - em 1771, Robert Adam produziu um novo desenho para a frente sul. Este desenho foi adaptado e tornado mais uniforme por Thomas Pitt e concluído em 1779. Os interiores dos novos apartamentos de aparato só foram finalizados em 1788.
O exterior do palácio não sofreu alterações significativas desde 1779. No entanto, os interiores passaram por várias alterações; o Marquês de Buckingham converteu, em 1793 a Galeria Este (The East Gallery) na Grande Biblioteca (The Large Library) e, na década de 1800, foi criada, no piso térreo, a Biblioteca Gótica (Gothic Library), segundo desenhos de Sir John Soane, como um raro exemplo do estilo neogótico na obra daquele arquitecto. Também nesta época, foi adicionado o Vestíbulo Egípcio (Egyptian Hall) por trás do Pórtico Norte, como uma entrada secundária.
A fachada sul thumb|left|320px|A frente sul (ou do jardim) de Stowe House, nas Views of the Seats of Noblemen and Gentlemen, de Jones (1829). Com excepção do aumento de tamanho das janelas da baseO qual, neste contexto, significa piso térreo, com o primeiro andar como piso nobre (piano nobile) a fachada mantém-se inalterada actualmente. Todas as janelas do andar superior, na versão inicial desta fachada, foram sacrificadas ao efeito arquitectónico. Todas as salas restantes nesse piso têm vista para os lados.
O elemento mais admirável no palácio é a sua fachada sul, com vista para os jardins. Esta é um dos mais refinados exemplos de arquitectura neoclássica na Grã-Bretanha. A frente principal estende-se por 460 pés (140 m.), dividida em cinco secções. São elas: o bloco central, com cerca de 130 pés (40 m.) de largura; as secções de ligação, mais baixas, com 75 pés (23 m.) de largura, as quais contêm a Sala de Jantar de Aparato (State Dining Room), a oeste, e a Grande Biblioteca, a este; e, nos extremos, dois pavilhões da mesma altura do bloco central, com cerca de 90 pés (27 m.) de largura.
O bloco central e os pavilhões dos extremos estão articulados, ao nível do andar nobre (piano nobile), com pilastras coríntias sem canelados, com mais de 35 pés (11m.) de altura, as quais se transformam num pórtico hexastilo, suportando um frontão no meio da fachada. Ao longo da mesma, corre uma ordem menor de 48 colunas jónicas com mais de 20 pés (6,1 m.) de altura. O pórtico enfrenta uma loggia que contém a entrada para o Salão de Mármore (Marble Saloon), a qual é flanqueada por grandes nichos contendo estátuas. Por cima, existe um largo friso com um tema báquico.
O acesso é feito por um lanço de escadas, com trinta e três degraus da mesma largura do pórtico, as quais sobem do Relvado Sul (South Lawn). A escadaria possui sólidos parapeitos em ambos os lados, os quais terminam em esculturas de leões, que vieram substituir, em 1927, os leões de bronze originais, estes últimos de uma escala ligeiramente maior. De ambos os lados do pórtico existem duas janelas tripartidas, separadas e flanqueadas por colunas jónicas; estas estão delimitadas por um arco que contém um tondo esculpido, em pedra de Portland, no tímpano, com entalhes das quatro estações. Por sua vez, os arcos estão flanqueados por pilastras coríntias geminadas, do mesmo tamanho das colunas do pórtico.
A fachada é encimada por um parapeito balaustrado. No centro do parapeito do pavilhão este encontra-se uma escultura de duas figuras reclinadas, Ceres e Flora. As figuras correspondentes no pavilhão oeste são da Liberdade e Religião. Cada um dos pavilhões dos extremos possui três janelas tripartidas combinadas com as do bloco central, sendo os seus tondos esculpidos com cenas sacrificiais.
Os principais interiores thumb|380px|O piano nobile de Stowe House. A entrada da frente fica em D. As salas P e Q também serviam, às vezes, como sala de vestir de aparato e quarto. Por escala, as salas O e L têm, cada uma, 75 pés (23 m.) de comprimento. Existem alas de serviço de ambos os lados que não são mostradas.
Durante a venda de 1921-1922, todas as mobílias e obras de arte foram vendidas, tal como vários equipamentos, incluindo lareiras. Alguns dos retratos de família e outros elementos associados com o palácio têm sido trazidos de volta, encontrando-se, actualmente, expostos no edifício.
As principais salas são:
O Vestíbulo Norte (North Hall - C na planta ao lado), localizado por trás do Pórtico Norte, é o principal vestíbulo de entrada no palácio e a menos alterada das salas datadas da década de 1730. O tecto, com uma profunda moldura côncava, foi pintado, por William Kent, em grisaille em fundo dourado imitando mosaico. Existem seis divindades clássicas representadas na moldura, Mercúrio, Júpiter, Vénus, Saturno, Apolo e Diana. Também estão ali representados nove dos doze signos do zodíaco. O centro plano do tecto está encerrado numa trave de estuque, contendo, por sua vez, um quadrado com um círculo, no interior do qual está uma pintura de Marte. A parede sul tem no seu centro um grande conjunto de portas que dão acesso ao Salão de Mármore (Marble Saloon). A parede oeste possui, por cima da lareira, um relevo em mármore branco, de Thomas Banks, representando "Carataco frente ao Imperador Cláudio" no seu centro, o qual é flanqueado por duas portas. A parede este tem, acima duma pequena escadaria que conduz ao piso térreo, um outro relevo em mármore branco, de Christophe Veyrier, representando "A Família de Dario III frente a Alexandre, o Grande", também no seu centro e flanqueado por duas portas. O Salão de Mármore (Marble Saloon - B na planta) é o maior ambiente interior do palácio, localizando-se imediatamente por trás do Pórtico Sul. Este salão, com base no Panteão de Roma, possui uma planta elíptica, com um comprimento de 63 pés (19 m.) no eixo maior por 45 pés (14 m.) no menor, com o tecto abobadado a uma altura de mais de 56 pés (17 m.). A sala foi, provavelmente, desenhada por Vincenzo Valdrè. A estrutura básica foi construída entre 1775 e 1777, mas a decoração foi, provavelmente, concluída apenas em 1788 pelo custo de 12.000 libras. A metade inferior das paredes é rodeada por 16 colunas dóricas romanas sem caneladuras, feitas em scagliola encarnado com veios brancos, com capités e bases em mármore branco, suportando um ricamente detalhado entablamento dórico, de estuque branco, com sátiros nas métopas. Estas colunas flanqueiam quatro portas nas direcções cardeais e nichos planos que em tempos contiveram modelos em gesso de estátuas da Roma Antiga. Por cima dos nichos e passagens existem pequenos relevos rectangulares em estuque, representando escudos e troféus. Por cima do entablamento encontra-se um friso muito elaborado, o qual consiste em mais de 280 figuras humanas e 14 animais em estuque, todas em alto-relevo; o escultor foi, provavelmente, Charles Peart. O tema do friso é a suovetaurília. Na cúpula, cofrada com estuque branco, existem 160 caixotões, quase todos com uma forma única. Os caixotões contêm rosetas altamente decoradas, sendo as arestas entre eles também muito elaboradamente decoradas. Ao centro, abre-se um oculus, igualmente elíptico. O pavimento é feito de 72 blocos quadrados de Mármore de Carrara branco apoiados numa cercadura de tijolo; no centro do pavimento encontra-se uma grelha de metal que faz parte do sistema de aquecimento.