Telemontecarlo (ou simplesmente TMC) foi uma rede de televisão comercial italiana sediada em Roma. Pertencia a Seat Pagine Gialle, e foi fundada na cidade de Monte Carlo, em Mônaco, no dia 5 de agosto de 1974. Após ser comprada pela Seat Pagine Gialle, em 6 de agosto de 2000, foi extinta e substituida oficialmente pela LA7 em 24 de junho de 2001.
História
Gestão da Télé Monte Carlo (1974-1985) A rede foi fundada inicialmente como uma versão em língua italiana da Télé Monte Carlo, rede de televisão de Mônaco que transmitia em língua francesa, e tinha o propósito de atender às necessidades da grande comunidade italiana presente no Principado de Mônaco. Foram realizadas transmissões experimentais no início de 1973 e a inauguração oficial foi realizada em 5 de agosto de 1974, um mês após a sentença da Corte constitucional italiana de 10 de julho de 1974, número 225, que sancionou a legitimidade dos sistemas de repetição de sinais de televisão estrangeiros. As transmissões começaram às 17h45, com o programa musical Un peu d'amour, d'amitié et beaucoup de musique, apresentado por Jocelyn Hattab e sua esposa Sophie.
Já no primeiro ano, a Télé Monte Carlo deu início à transmissão de seus programas em cores, destacando-se entre as opções televisivas do telespectador italiano, já que os canais da Rai ainda não contavam com esta tecnologia até 1977. Além de operar fora das fronteiras italianas (porém com muitas repetidoras em território italiano, tendo cobertura em grande parte da península italiana), a emissora também transmitia seus programas na Itália em escala nacional, tornando-se assim (juntamente com as outras duas redes estrangeiras da Itália, TV Koper-Capodistria e TSI) uma das primeiras alternativas aos canais da Rai para o público italiano. Por ser uma TV monegasca, a Telé Monte Carlo podia realizar transmissões ao vivo em rede nacional, diferentemente das redes privadas italianas, às quais isto não foi possível até 1991, por ser um direito exclusivo do serviço público de televisão. Assim como a Rai, a Telé Monte Carlo também era membra da Eurovisione.
A rede teve entre os seus primeiros colaboradores o jornalista esportivo Gianni Brera, diretor do primeiro programa desportivo da rede, Puntosport, e também Mike Bongiorno, embora não de forma totalmente oficial. Indro Montanelli também trabalhou na rede, criando em 1976 o telejornal da rede Il Giornale Nuovo, produzido pelo jornal milanês de mesmo nome, que ele próprio fundou. O programa tinha duração de dez minutos, sendo dividido em duas partes: na primeira (Notiziario), o locutor Antonio Devia lia as notícias mais importantes do dia, redigidas pelo Il Giornale. Na segunda (Editoriale), Indro Montanelli (ou um dos principais colunistas do jornal milanês, como Enzo Bettiza, Mario Cervi ou Cesare Zappulli) apresentava sua opinião sobre o acontecimento do dia. O comentário era gravado no final da manhã em Milão e depois transportado para Mônaco de carro. A partir de 29 de agosto de 1977, o telejornal se dividiu em duas edições noturnas. De 17 de janeiro a 28 de agosto de 1977, o telejornal foi precedido pelo programa noturno de estudo jornalístico apresentado por Luisella Berrino, intitulado Montecarlo sera. Além disso, de 1980 a 1982, era transmitido um telejornal curto com duração de cerca de um quarto de hora, o Monte-Carlo news.
De 1976 a 1980, o engenheiro Henri de France participou da criação e operação da rede de repetidoras da Télé Monte Carlo na Itália. De 1978 a 1980, a rede teve o apresentador de TV e autor Paolo Limiti como diretor de programação, responsável pela criação de diversos programas, incluindo o programa de culinária Telemenù, apresentada por Wilma De Angelis. O programa foi posteriormente renomeado para Sale, pepe e fantasia. Em 1979, Sandra Mondaini também entrou no canal monegasco com o programa de variedades Stasera mi sento milionaria, no horário nobre. Em 1980, o apresentador de TV Ettore Andenna passou a ser diretor de programação, ficando no cargo por um ano. Naquele ano, alguns de seus programas (produzidos nos estúdios da Antenna 3 Lombardia, em Milão) passaram a ser transmitidos na rede monegasca, como o matutino Telemattina e o quiz Scusi, le faccio un assegno?, exibido no início da noite. Também em 1980, Gianfranco Funari estreou um programa próprio, o talk show noturno Torti in faccia, gravado na sucursal da emissora em Milão.
Em 1981, surgiram rumores da intenção de colocação à venda pela propriedade franco-monegasca da sucursal de língua italiana da Télé Monte Carlo. Isto foi confirmado em 1983, com a adoção de um novo logotipo na sucursal, de forma a distingui-la da sua irmã francófona, depois de anos utilizando uma marca unificada. No logotipo da emissora, a grafia seguida era a francesa, portanto o substantivo Tele era escrito Télé, caligrafia que, no entanto, nunca foi usada pela imprensa italiana. Também nos primeiros anos, quando existiam as iniciais da Eurovision, o nome que aparecia era o de Radio Télé Monte Carlo ou Radio Télévision de Monte Carlo, também conhecida em italiano como Radio Televisione de Monte Carlo. Com isto, a rede passou a ser chamada de Tele Monte-Carlo.
Em 18 de março de 1982, a Rai adquiriu metade do pacote de ações da emissora, por medo de que o Canale 5 passasse a controlar o satélite disponível para a Tele Monte-Carlo. Este ato logo causou mal-entendidos que resultaram na saída da redação de Il Giornale da rede e no cancelamento do Monte-Carlo news. Havia, portanto, apenas dois telejornais curtos (Notizie Flash), reduzidos a apenas um em 1985. Nesse período, a rede reprisava alguns programas antigos da Rai, como Lascia o raddoppia?, Studio Uno e Discoring.
A partir de meados da década de oitenta, a Tele Monte-Carlo, que até então contava com uma boa audiência na Itália, começou gradativamente a desaparecer do cenário televisivo, devido ao crescimento das grandes redes privadas nacionais, principalmente do Fininvest Group.
Gestão da Rede Globo (1985-1994) miniaturadaimagem|187x187px|Logotipo utilizado pela rede entre 1985 e 1995. Em 4 de agosto de 1985, 90% da rede foi comprada pelo Grupo Globo, ao qual pertence a Rede Globo. Os 10% restantes permaneceram de propriedade da Rai. A direção do canal foi confiada a Herbert Fiuza, que delegou a gestão das produções internas a Carlo Briani. A partir daí, o nome da rede passou a ser grafado como Telemontecarlo, e a logo passou a ser a mesma utilizada pela rede brasileira de 1981 a 1983.
Com a chegada da Rede Globo, houve também a inauguração do novo centro de produção de TV da TMC em Roma, na Piazza della Balduina, 48. Inaugurado em 1986, tornou-se o principal estúdio da Telemontecarlo (enquanto as sucursais de Monte Carlo e Milão tiveram suas funções cada vez mais reduzidas) e permaneceram em operação até 1998. Como resultado da compra, vários programas brasileiros eram exibidos em versão italiana, como as novelas Gabriela, Dancin' Days, Água Viva, Vite rubate (Louco Amor), Mamma Vittoria (Pão Pão, Beijo-Beijo), Happy End (Final Feliz), Giungla di cemento (Selva de Pedra), La padroncina - Il cammino della libertà (Sinhá Moça), Doppio imbroglio (Cambalacho), Adamo contra Eva (Guerra dos Sexos), Terre sconfinate (Terras do Sem-Fim) e Potere (Roda de Fogo).
Além das novelas, a emissora também exibiu minisséries e séries de TV brasileiras, como Trio di cuore (Rabo de Saia), Scacco alla mafia (A Máfia no Brasil), Lampião e Maria Bonita, Anarchici grazie a Dio (Anarquistas, Graças a Deus) e Società a irresponsabilità illimitata (Armação Ilimitada). Naquela época, alguns programas de TV americanos para crianças também eram exibidos, como Get Smart, Batman, I misteri di Nancy Drew (The Mysteries of Nancy Drew) e Segreti e misteri (Secrets and Mysteries). A TMC também tinha em sua programação o programa infantil Il paese della cuccagna, com piadas no estúdio, brincadeiras e animes, apresentado por Marina Perzy e Paolo Limiti e produzido no Brasil. No que diz respeito a produções próprias, a Telemontecarlo contava com o talk show Specchio della vita, o programa TV Donna, apresentado por Carla Urban, além do consolidado programa de culinária Sale, pepe e fantasia.
O jornalismo da rede também passou por muitas mudanças nesta fase, e em fevereiro de 1986, sob a direção de Ricardo Pereira, em parceria com Roberto Quintini, passou a ser produzido o telejornal TMC News. Foi o primeiro na Itália a ser apresentado em dupla (alternando entre um jornalista masculino e uma jornalista feminina) e com movimentação de câmeras, uma inovação no telejornalismo italiano à época. Alguns jornalistas brasileiros também trabalharam compuseram a equipe da rede, como José Altafini.
Nessa época, a Telemontecarlo transmitia as comemorações e eventos relacionados ao carnaval carioca, e no campo esportivo, eram feitas transmissões das partidas de futebol do Campeonato Brasileiro e da Seleção Brasileira, além das corridas da Fórmula 1. A parte gráfica da rede também havia sido alterada com a chegada da Rede Globo, adotando trilhas sonoras e vinhetas da rede brasileira. A maioria dos grafismos eram adaptados em Roma por designers gráficos como Fiammetta Grasselli (que na época era diretora de arte e responsável do setor gráfico da rede), enquanto a maior parte das trilhas eram compostas ou rearranjadas por Silvio Amato.
Em outubro de 1987, a programação da Telemontecarlo foi retirada do ar em suas afiliadas Canale 7 Roma e Canale 21 Roma, devido a uma contestação jurídica do direito da emissora de realizar transmissões ao vivo no território italiano feita pelo grupo Fininvest, de Silvio Berlusconi, que alegava que a rede monegasca tinha privilégios indevidos. A determinação foi de que a rede deveria deixar de fazer transmissões ao vivo em Roma e na região do Lácio.
Em 1990, devido a baixa audiência da rede e dívidas, a Globo começou a retirar suas ações da Telemontecarlo, transferindo 40% da propriedade do canal para a Montedison, comandada na época por Raul Gardini.
Vários famosos, deslocados pelas principais emissoras, foram contratados pela Telemontecarlo, como Luciano Rispoli, com o programa Ho fatto 13!!! e Mino Damato, que de 1991 a 1992, apresentou o talk show I.T. - Incontri Televisivi, e Loretta Goggi, que na mesma época apresentou o programa noturno de variedades Festa di compleanno.
Também foram lançados nomes que viriam a se popularizar alguns anos depois, como Alessia Marcuzzi (apresentadora, junto com Mauro Serio, do programa infantil Amici mostri, de 1992 a 1993), Paola Perego, apresentadora do programa Settimo squillo, acompanhada pelo ator Remo Girone. Perego também apresentou o programa sobre saúde Quando c'è la salute. Também neste período, a estreante Simona Ventura trabalhou no canal como jornalista esportiva. Ainda em 1992, a Telemontecarlo cobriu parte das Olimpíadas de Barcelona.
De 1992 a 1993, a programação também foi preenchida com novos programas como La più bella sei tu e Tappeto volante, com Luciano Rispoli (acompanhado por Melba Ruffo), Verde Fazzuoli, de Federico Fazzuoli, e deu início a uma série de programas experimentais tendo como público-alvo os jovens, produzidos por Lorenzo Torraca, como T.R.I.B.U., com Gegè Telesforo, e The Lion Trophy Show, com Emily De Cesare.
O ponto forte da rede, porém, era as transmissões esportivas. O futebol (a TMC podia transmitir, por ser monegasca e membra da Eurovisione, as partidas do Campeonato Europeu e das Copas do Mundo, fugindo assim da exclusividade dos canais da Rai), as corridas de iatismo pela Copa América, e o esqui alpino, cujas corridas da Copa do Mundo e dos Campeonatos Mundiais eram transmitidas com os comentários de Bruno Gattai. O maior destaque da programação esportiva foi o Galagoal, programa que estreou em 1990 e tinha como apresentadores Alba Parietti e Massimo Caputi. Alba também apresentou, na Telemontecarlo, o programa de vareidades Tre donne intorno al coro, junto com Athina Cenci e Susanna Agnelli, e o talk show Corpo a corpo.