O Peri Ferroviário Esporte Clube, também conhecido como Peri Ferroviário ou Peri, é um time de futebol brasileiro da cidade de Mafra, Santa Catarina.

História

O Pery Sport Club, de Mafra, cidade no Planalto Norte de Santa Catarina, foi fundado em 18 de setembro de 1920, e foi o primeiro clube de futebol a surgir na então jovem cidade, instalada em 8 de setembro de 1917, graças ao desmembramento do núcleo urbano da cidade paranaense de Rio Negro, por conta da vitória do Estado de Santa Catarina na Questão de Limites com o Paraná, que se arrastava desde 1894.Peri Sport Club, de Mafra (SC) – 95 anos: da Glória ao Esquecimento - (Blog História do Futebol)

Os fundadores do Pery eram todos trabalhadores da ferrovia São Paulo Rio Grande, que em 1917 havia inaugurado um importante entroncamento ferroviário na região, ligando-a á importantes centros como Joinville e Porto União, além da ligação com Ponta Grossa e Curitiba, já existentes.

Foram escolhidas as cores verde e branco para o clube, que teve o seu nome inspirado na obra “O Guarani” de José de Alencar, que trata do romance entre Ceci e Peri, este, um índio que concentra as virtudes de coragem, generosidade e valentia.

O primeiro ano de vida do Pery foi de muito trabalho e pouca diversão, sendo os maiores esforços empregados na construção de seu campo, localizado nos fundos da estação ferroviária, numa região conhecida como Baixada Mafrense. O terreno fica ás margens do Rio Negro, que divide as cidades gêmeas. Mais tarde, com a construção de arquibancadas, o local recebeu o nome de estádio Ildefonso Mello, que mesmo em ruinas, resiste até hoje no mesmo local.

Os jogos contra o experiente Rio Negro SC, da vizinha cidade paranaense de mesmo nome, também movimentaram o clube e a medida que o Pery ia crescendo, seu adversário ia minguando, já que “Rio-Mafra” ainda não comportava dois clubes.

Em 1929, as oficinas da Estrada de Ferro foram transferidas de São Francisco do Sul para Mafra, sendo instaladas bem próximas ao seu campo. Isto trouxe mais ferroviários á cidade e mais sócios ao clube, que aumentou ainda mais seu poderio esportivo e financeiro.

Acertando algumas pendencias junto à Federação Catarinense de Desportos, participou pela primeira vez do Campeonato Estadual. Sua estreia foi diante do Porto União. o qual venceu por 2–1. Na segunda fase, jogada somente em janeiro de 1930, perdeu por 2–1 e foi eliminado pelo Caxias, que assim foi à final e sagrou-se campeão após vencer o Adolfo Konder.

Em 1936, filiou-se à Associação Catarinense de Desportos, entidade fundada no ano anterior em Joinville, dissidente da Federação Catarinense de Desportos.

Sagrou-se campeão da Terceira Zona do Campeonato da ACD, credenciando-se para a final do campeonato desta entidade, onde foi vice-campeão ao ser derrotado pelo Ypiranga de São Francisco do Sul por 4–3. Ainda neste ano ganhou a alcunha de Leão da Fronteira ao empatar um jogo que estava perdendo de 5–0 para o Rio Negro SC e ao vencer o Operário por 15–2.

Em 1938, mudou a sua denominação para Peri Ferroviário Esporte Clube, evidenciando seus fortes laços com esta classe. Por divergências, não disputou o campeonato da Zona Serrana, ficando restrito aos jogos amistosos.

Em 1939, o Peri voltou a disputar e vencer o título do Campeonato da Zona Serrana, credenciando-se mais uma vez para disputar o Campeonato Catarinense. Em jogo único diante do Caxias, venceu por 2–1 e credenciou-se para disputar a final contra o , em Florianópolis, onde foi derrotado por 5–3 e amargou mais um vice-campeonato estadual.

Os últimos anos de glória Ao final da década de 1960, o Peri ficou afastado do campeonato estadual. Apesar disso, o Peri possuía muito prestigio no futebol local e regional, tendo sido campeão do concorrido campeonato da Liga de Futebol de Amador da cidade de Corupá em 1969. Embora modesto no futebol estadual, o Peri ainda era um clube social muito bem estruturado, contando com quadras de tênis, basquete e até uma grande piscina.

A lenta decadência Com a falência do sistema férreo, o clube iniciou um lento período de decadência, com uma grande redução no numero de associados e na receita. Neste cenário, restou ao Peri disputar os campeonatos amadores do norte catarinense, enquanto seu principal rival, o Operário, ensaiava o retorno ao Campeonato Estadual, o qual disputou sem grande sucesso em 1977 e 1978. Buscando contar com o apoio do torcedor periense, em 1980, o Operário deu lugar ao Mafra Atlético Clube (MAC), que surgiu com o objetivo de unificar as torcidas da cidade, mas não foi bem sucedido.

O golpe final e o esquecimento

O patrimônio do clube, que já vinha se deteriorando devido á grave crise financeira, foi tragicamente comprometido com a grande enchente que assolou a cidade e o Estado em 1983 e deixou debaixo d’agua o estádio e a sede, que nunca mais foram os mesmos. A fúria do Rio Negro também levou embora grande parte dos troféus e documentos do clube, que assim perdeu também grande parte de sua memória.

Ao mesmo tempo em que o Peri seguia moribundo, uma nova versão do seu rival, agora chamado de Sociedade Esportiva e Recreativa Operários Mafrenses, aventurava-se esporadicamente nos campeonatos regionais amadores e na disputa da Segunda Divisão de Profissionais. Neste cenário, o Peri perdeu espaço, enquanto o Operário, mesmo sem sucesso dentro de campo, conseguia manter uma torcida fiel e se consolidar como o único clube da cidade.

Em 2001, seus antigos jogadores, inconformados com o abandono do clube, decidiram a Sociedade Esportiva Recreativa Veteranos do Peri, que passou a realizar jogos semanais no Estádio Ildefonso Melo, dando um pouco de vida ao local, que desde então também passou a receber cuidados.

A volta inesperada

Em 2006, o Peri retornou ao futebol profissional, a sua volta foi encabeçada pelos dirigentes e comissão técnica que haviam comandado o Operário nas duas últimas temporadas e que não tiveram o apoio necessário para manter este clube em atividade para 2007. Como o clube já não havia mais estádio, além do estádio do seu rival estar em reformas, o clube teve de mandar suas partidas na cidade de Rio Negro.

Naquela temporada, o Peri iniciou a disputa da Divisão de Acesso no grupo B. Pelo turno, a equipe finalizou na quarta colocação, se classificando.

Nas quartas de final, seu adversário foi o Blumenau. O Peri venceu por 4–2 em Rio Negro, na volta em Blumenau, um empate em 3–3 classificou o Peri para as semifinais.

Na semifinal porém, o Peri acabou sendo eliminado pela forte equipe do Videira após perder por 1–0 em Rio Negro e ser novamente derrotado, agora por 3–0 em Videira.

No returno, o Peri classificou-se para as quartas de final após terminar o grupo B na terceira colocação com 12 pontos conquistados.

Nas quartas de final, seu adversário novamente foi o Blumenau. Desta vez, o Peri foi derrotado por 2–0 pela equipe blumenauense em Mafra no jogo de ida. No jogo de volta, um empate em 2–2 eliminou a equipe mafrense da competição.

Os dias atuais

Nos dias atuais o Peri já não tem sede social e campo próprio, já que os mesmos pertenciam à Rede Ferroviária Federal, e agora pertencem á União, sendo administradas pelo DNIT, que por sua vez, cedeu-a á Prefeitura de Mafra. O campo segue servindo á comunidade e aos Veteranos do Peri enquanto a sede social é utilizada para abrigar uma repartição da prefeitura.

Resta ainda um bar e cancha de bocha ao lado da sede social, que mantem vivas as lembranças do clube, graças á sua pintura verde e branca e o escudo do clube desenhado na parede.

Títulos

INTERESTADUAISCompetiçãoTítulosTemporadas Taça Alexandre Gutierrez 1 1936 Taça do Trabalho 1 1934 ESTADUAISCompetiçãoTítulosTemporadas Campeonato Catarinense da Zona Norte - ACD 1 1939 REGIONAISCompetiçãoTítulosTemporadas Campeonato Regional da Zona Norte - LEC 9 1937, 1939, 1940, 1941, 1942, 1943, 1955, 1957 e 1960 border|22px|link=Mafra Campeonato Municipal 14 1929, 1933, 1934, 1936, 1937, 1939, 1940, 1941, 1942, 1943, 1955, 1957, 1960 e 1969 Torneio Incio da Liga Corupaense 1 1969 Taça Pérola 1 1940 Torneio Festival da América 1 1939

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