right|thumb|180px|National Institute of Standards and Technology preservando a Declaração da Independência dos Estados Unidos em 1951
Preservacionismo é uma política adotada nas empresas para a conservação dos documentos. Ela vem das áreas de arquivologia, da biblioteconomia e museologia preocupadas com a manutenção ou a restauração do acesso a artefatos, documentos e registros através do estudo, diagnóstico, tratamento e prevenção de danos e da deterioração. Alguns desses conceitos se assemelham com os conceitos de conservação e restauração, porém existem diferenças. Para Cassares (2000, p. 12), a preservação "é um conjunto de medidas e estratégias de ordem administrativa, política e operacional que contribuem direta ou indiretamente para a preservação da integridade dos materiais".CASSARES, Norma Cianflone. Como fazer conservação preventiva em arquivos e bibliotecas. São Paulo: Arquivo do Estado, Imprensa Oficial, 2000. v. 5. A conservação se refere ao tratamento e reparo de itens individuais sob a ação de degradação lenta ou à restauração de sua usabilidade. O termo "conservação" é, às vezes, usado de forma indiferente com relação ao termo "preservação", particularmente fora da literatura profissional. História Antecedentes Apesar de a preservação, enquanto profissão formal desempenhada em bibliotecas e arquivos, datar do século XX, sua filosofia e prática tem raízes em tradições mais antigas. Em biblioteconomia, a preservação é tratada como um processo intencional e ativo, em oposição ao sentido passivo que a preservação adquire em outros campos como a paleontologia ou a arqueologia. A sobrevivência desses itens é uma obra do acaso, na perspectiva da ciência da informação, enquanto a sua preservação após a descoberta é objeto de atividade intencional.esquerda|thumb|180px|Livros deteriorados na biblioteca do Merton College, em Oxford.
O registro humano de dados humanos pode ser traçado até o boom da arte rupestre no paleolítico superior, uns 32 ou 40 mil anos atrás. Antecedentes mais diretos são os sistemas de escrita que se desenvolveram no quarto milênio a.C.. Registros escritos e práticas de compartilhamento de informação, juntamente com a tradição oral, sustêm e transmitem informação de um grupo para outro. Esse nível de preservação tem sido suplementado ao longo do último século com a prática profissional de preservação e conservação do legado cultural das comunidades.
Tradição oral ou cultura oral, a transmissão de informação de uma geração à outra sem um sistema de escrita. Práticas de antiquários, inclusive escribas, práticas de sepultamento, as bibliotecas de Pérgamo e Alexandria e outros arquivos antigos. Práticas medievais, inclusive o scriptorium e as coleções de relíquias Renascimento e a concepção em mudança de artistas e obras de arte Iluminismo e os enciclopedistas O imperativo preservacionista do romantismo
Acontecimentos significativos 1933: William Barrow introduz a desacidificação do papel quando publica um paper sobre o problema do papel ácido. em estudos posteriores, Barrow testou papéis de livros americanos feitos entre 1900 e 1949 e descobriu que depois de quarenta anos os livros tinham perdido em média 96 por cento da sua resistência original; depois de menos de 10 anos, eles já perdiam 64 por cento. Barrow determinou que essa rápida deterioração não era um resultado direto do uso de celulose, uma vez que o papel-pano do mesmo período também se deteriorava com rapidez, mas devido aos resíduos de ácido sulfúrico da produção tanto do papel de celulose quanto do papel-pano. Métodos de manufatura usados depois de 1870 empregavam ácido sulfúrico para sizing e para esbranquear o papel. Métodos de fabricação de papel mais antigos deixavam o produto final apenas levemente alcalino ou mesmo neutro. Esses papéis tem mantido sua resistência por muito mais tempo, de 3 a 8 séculos, apesar do dióxido de enxofre e outros poluentes do ar. O artigo de Barrow de 1933 sobre o estado frágil do papel de celulose predisse que a duração da "vida de prateleira" desse tipo de papel era de aproximadamente 40 ou 50 anos. Nesse ponto o papel passaria a apresentar sinais de deterioração e ele concluiu pela necessidade de pesquisa de uma nova mídia para escrita e impressão. 1966: A Enchente do Rio Arno em Florença danificou ou destruiu milhões de livros raros e levou ao desenvolvimento de laboratórios de restauração e novas técnicas de conservação. Importante para esse processo foi o conservacionista Peter Waters, que liderou um grupo de voluntários, chamados de "anjos da lama", no esforço de restauração de milhares de livros e manuscritos. Esse evento alertou muitos historiadores, bibliotecários e outros profissionais sobre a importância de se ter um plano de preservação. Muitos consideram essa enchente como um dos piores desastres desde o incêndio na Biblioteca de Alexandria na Roma antiga. Ele levou a um ressurgimento na profissão de conservação e preservação em todo o mundo. 1987: Terry Saunders lança o filme Slow Fires: On the Preservation of the Human Record, que examina a deterioração do papel devida ao ácido.
Pessoas importantes na história da preservação William Barrow (1904 – 1967) foi um químico americano e conservador de papel e um pioneiro na conservação de bibliotecas e arquivos. Ele introduziu o método de conservação do papel pela alcalinização. Paul N. Banks (1934 - 2000) foi um conservacionista e chefe do departamento de conservação da Newberry Library de 1964 a 1981, e publicou regularmente sobre encadernação, livros e conservação de papel e problemas relacionados à conservação. Ele desenvolveu e implementou um currículo para a Escola de Biblioteconomia da Universidade Columbia que lidava diretamente com o treinamento em preservação. Pamela Darling, historiadora e escritora, foi Especialista em Conservação para a Association of Research Libraries. Seus trabalhos incluem materiais para judar bibliotecas a estabelecer seus próprios programas de conservação. Carolyn Harris trabalhou como chefe da Divisão de Preservação de Bibliotecas da Universidade Columbia de 1981 até 1987, onde trabalhou próxima a Paul Banks. Publicou extensas pesquisas ao longo de sua carreira, lidando especialmente com desacidificação de massa do papel de celulose. Peter Waters, ex-Chefe de Conservação da Biblioteca do Congresso em Washington, DC, trabalhou nas áreas de recuperação de desastres e prevenção. Nicholson Baker é um romancista americano contemporâneo e autor de Double Fold, uma crítica à destruição de mídia baseada em papel pelas bibliotecas. Patricia Battin, como primeira presidente da Commission on Preservation and Access, trabalhou para organizar uma campanha nacional (nos Estados Unidos) tanto pelo uso do papel alcalino pelas gráficas e editoras e um programa nacional de preservação através da microfilmagem. John F. Dean, bibliotecário de preservação e conservação na Universidade Cornell, tem dado contribuições no sentido de melhorar a preservação de livros em países em desenvolvimento. Especificamente, Dean criou tutoriais on-line para a conservação e preservação no sudeste da Ásia e no Iraque.
Fundamentos
Digitalização Um conceito relativamente novo na área, a digitalização tem sido vista como uma forma de preservar itens históricos para uso futuro. "Digitalizar refere-se ao processo de conversão de materiais analógicos em forma digital"Rieger, Oya Y. (2008). "Preservation in the Age of Large-Scale Digitization: A White Paper" (PDF). Washington, D.C.: Council on Library and Information Resources. p. 10. Archived from the original (PDF) on 2015-09-19..
Para os manuscritos, o armazenamento é feito através da digitalização de um item e salvando-o em um formato digital. Por exemplo, o programa Google Livros fez uma parceria com mais de quarenta bibliotecas em todo o mundo para digitalizar livros. O objetivo deste esforço conjunto é "facilitar que as pessoas encontrem livros relevantes – especificamente, livros que não encontrarão outras formas como aqueles que estão fora de circulação – respeitando cuidadosamente os direitos autorais dos autores e editores"https://support.google.com/books/partner/faq/3396243/.
Embora a digitalização pareça ser uma área perfeita para a preservação futura, também possui dificuldades. O espaço digital não é gratuito e a mídia e formatos de arquivos podem se tornar obsoletos algum dia, mas a compatibilidade invertida não é garantidaRieger, 24-25.. Além disso, imagens com maior qualidade levam mais tempo para serem digitalizadas, mesmo que sejam muito valiosas para uso futuro. Itens frágeis são muitas vezes mais difíceis ou mais caros de digitalizar, o que acaba criando um dilema para preservacionistas, onde é preciso decidir se o acesso digital no futuro vale a possibilidade de danificar o item durante o processo de digitalização. Outros problemas incluem qualidade de digitalização, redundância de livros digitalizados entre diferentes bibliotecas e lei de direitos autoraisRieger, 14..
Entretanto, muitos desses problemas estão sendo resolvidos por meio de iniciativas educativas. Alguns programas educacionais estão se adaptando para atender às necessidades de preservação e ajudar novos alunos a entender as práticas de conservação. As disciplinas e progrogramas que ensinam estudantes de pós-graduação sobre bibliotecária digital são especialmente importantes em tal processoConway, Paul (2010). "Preservation in the Age of Google: Digitization, Digital Preservation, and Dilemmas". Library Quarterly. 80 (1): 73..
Grupos como a Rede de Preservação Digital se esforçam para garantir que "o registro acadêmico completo seja preservado para as gerações futuras"http://www.digitalpreservation.gov/ . Além disso, a Biblioteca do Congresso mantém um site de sustentabilidade dos formatos digitais que procura educar as instituições sobre vários aspectos da preservação: mais notavelmente, em aproximadamente 200 tipos de formato digital e que são mais propensos a durar para o futurohttps://www.loc.gov/preservation/digital/formats/intro/format_eval_rel.shtml.
Preservação Digital é outro nome dado para a digitalização, sendo também o termo mais comumente utilizado em cursos de biblioteconomia. O principal objetivo da preservação digital é garantir que as pessoas tenham acesso, na posteridade, aos materiais digitalmente preservadoshttp://www.ala.org/alcts/resources/preserv/defdigpres0408. Association for Library Collections & Technical Services (ALCTS). 24 June 2007..
Tratamentos específicos de mídia
Goma de amido Couro#Preservação e condicionamento do couro Ephemera and Realia Papel Papel alcalino Papel japonês Pergaminho Reparação de pergaminhos Preservação de iluminuras Gravações sonoras Preservação de fita magnética Preservação da história oral Preservaçõa da linguagem Material iconográfico (visual) Fotografia Reprografia arquitetônica, uma variedade de tecnologias e mídias usadas para se fazer múltiplas cópias de desenhos ou gravações originais de arquitetos, engenheiros, cartógrafos etc. Preservação de mídias óticas Tinta
Funções comuns de programas de preservação
O cuidado com com o acervo é a manutenção geral e os cuidados preventivos de uma coleção como um todo. Isso pode incluir atividades como segurança e monitoramento ambiental, levantamentos de preservação e atividades mais especializadas, como desacidificação em massa. Conservação é o tratamento e reparação de itens individuais para retardar a decadência ou restaurá-los a um estado utilizável. É ocasionalmente usada intercambiavelmente com preservação, particularmente fora da literatura profissional. Já a preservação digital se trata da manutenção de informações armazenadas digitalmente. Alguns meios de preservação digital incluem refrescar, migração, replicação e emulação. Isso não deve ser confundido com a digitalização, que é um processo de criação de informações digitais que deve então ser preservada de maneira digital.