Terminal Intermodal Jabaquara é um intercambiador de transportes de São Paulo composto pela Estação Jabaquara-Comitê Paralímpico Brasileiro, da Linha 1–Azul do Metrô de São Paulo, pelo Terminal Jabaquara administrado pela ARTESP e pela SPTrans, e pelo Terminal Intermunicipal Jabaquara, administrado pela Socicam, que tem como destino a Baixada Santista.
Ele também seria o terminal da Linha 17–Ouro do Metrô de São Paulo, porém em agosto de 2015, o governador Geraldo Alckmin já tinha mandado congelar 17 das 36 estações inicialmente previstas da linha na Zona Sul da capital. À época, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos disse que a prioridade era "concluir os trechos que já possuem obras avançadas antes de abrir novas frentes de trabalho".
Estação de metrô
Estação Jabaquara-Comitê Paralímpico Brasileiro, ou apenas Estação Jabaquara, é a estação terminal da Linha 1–Azul do Metrô de São Paulo em seu sentido sul. Inaugurada em 14 de setembro de 1974, é a mais antiga estação de metrô em funcionamento no Brasil. Desta estação, é feita a ligação com o Pátio de Manutenção da Linha 1. O "Pátio Jabaquara" ou "PAT" está localizado na Avenida Francisco de Paula Quintanilha Ribeiro, n.º 134. A estação conta com duas saídas: uma na Rua dos Jequitibás, 80, e outra na Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, s/n.º, com acesso também para o terminal metropolitano.
História Antecedentes Entre 1927 e 1961 foram realizados oito estudos de implantação de uma rede de metrô na cidade de São Paulo. Desses, apenas um citava a intenção de implantar uma estação na Zona Sul, no distrito do Jabaquara, enquanto outros três citavam que Santo Amaro seria o melhor terminal para a implantação do metrô na Zona Sul.
Durante a elaboração do projeto da rede de metrô do projeto HMD, a Câmara Municipal de São Paulo realizou audiências públicas e privadas com a presidência do Grupo Executivo do Metropolitano. Em uma das audiências, realizada em novembro de 1967, os vereadores questionaram a escolha da implantação da estação terminal da Linha Norte-Sul no Jabaquara ao invés de Santo Amaro que era uma centralidade já consolidada ao contrário da primeira. O presidente do Grupo Executivo do Metropolitano, Francisco de Paula Quintanilha Ribeiro, afirmou que a escolha de Jabaquara em detrimento de Santo Amaro deu-se em virtude das projeções de crescimento realizadas indicarem maior população residente e um crescimento futuro maior na região do Jabaquara quando comparado com Santo Amaro e que a prefeitura de São Paulo substituiria os bondes de Santo Amaro por uma linha de trólebus da CMTC.
No entanto, o próprio consórcio HMD apresentou dados contraditórios no estudo concluído em 1968. Apesar do projeto do terminal sul da Linha Norte-Sul ter sido desenvolvido para Jabaquara, de acordo com as projeções do consórcio HMD, o distrito de Santo Amaro possuía população maior que este. Além disso, a linha de trólebus prometida para Santo Amaro em 1967 foi aberta apenas em 1987, vinte anos depois. Santo Amaro só ganhou sua primeira estação de metrô em 2002. DistritoPopulação estimada em 1966 (HMD)Jabaquara144606Santo Amaro218293 Após a escolha do ponto final da Linha Norte-Sul em Jabaquara, o consórcio HMD desenvolveu também o projeto do pátio e oficinas naquela região.
Obras e inauguração miniaturadaimagem|thumb|right|Primeiro teste de um trem de metrô no Brasil realizado entre o Pátio e o túnel de acesso à Estação Jabaquara, ainda em obras, em 1972. Arquivo Público do Estado de São Paulo A Companhia do Metropolitano de São Paulo dividiu a construção da Linha Norte – Sul em onze lotes. A estação Jabaquara acabou integrada ao Lote 9 (ao lado da estação Conceição enquanto o Pátio Jabaquara foi incorporado ao Lote 10. As obras do Lote 9 foram contradas em 1969 e tiveram início em 17 de julho daquele ano pelo prefeito Paulo Maluf. Maluf, no entanto, optou por privilegiar as obras do Lote 2 (Santana – Ponte Pequena) que eram de via elevada enquanto as obras subterrâneas eram deixadas em segundo plano. Ainda em sua gestão, foi decidido que as obras do lote 9 seriam atacadas em duas frentes (Jabaquara e Conceição), dividindo a força de trabalho. Outro problema foi o encontro de uma tubulação adutora de água no meio da área da futura estação Jabaquara. Mais tarde uma terceira frente de obras foi aberta, embora a obra continuasse lenta. Quase seis meses depois, as obras da estação Jabaquara ainda estavam concentradas na escavação do solo e cravação de estacas.
As obras de Jabaquara ganharam novo impulso após a posse do novo prefeito Figueiredo Ferraz em março de 1971. Ferraz passou a visitar as obras frequentemente e passou a exigir um ritmo de trabalho de 24 horas, com a realização de grandes concretagens de estruturas e a determinação de conclusão das obras principais para setembro de 1972. O principal ponto de indefinição da obra da Linha Norte – Sul era o Pátio Jabaquara, local das oficinas da futura linha e essencial para a operação. Ferraz contratou as obras em 1 de março de 1971 e exigiu um ritmo de trabalho intenso para que o primeiro trecho do metrô fosse aberto em meados de 1972. Em 15 de junho de 1971 foi iniciada a concretagem da laje da estação Jabaquara.
Cinco meses depois, as obras do Lote 9 haviam avançado mais do que nos dois anos anteriores. Durante nova inspeção das obras do metrô em 18 de agosto de 1971, Ferraz afirmou que a estação Jabaquara deveria ser concluída até o final daquele ano. O avanço dos trabalhos atingiu o seu auge em novembro de 1971 quando todo o trecho de túneis entre Jabaquara e Conceição havia sido concluído. As obras civis da estação Jabaquara foram concluídas em janeiro de 1972. As quatro escadas rolantes da estação foram instaladas e se encontravam em funcionamento em agosto de 1973.
Em 25 de maio de 1972, começou a receber os primeiros trilhos do sistema, juntamente com o trecho até a Estação Saúde. Pouco depois, em 6 de setembro de 1972, ocorreu os primeiros movimentos de um trem do metrô no país, que percorreu 500 metros a uma velocidade de 20km/h entre o Pátio Jabaquara e a entrada do túnel da estação. Na ocasião, o evento contou com a presença do então Presidente da República, Emílio Garrastazu Médici, do Governador de São Paulo, Laudo Natel e do Prefeito da capital paulista, José Carlos de Figueiredo Ferraz. Por fim, em 14 de setembro de 1974, iniciou sua operação comercial, juntamente com o trecho até Vila Mariana.
Características A estação é subterrânea, com mezanino de distribuição e plataformas laterais com estrutura em concreto aparente, e possui uma área construída de metros quadrados.
A Estação Jabaquara, juntamente com a Estação Tucuruvi, foi uma das primeiras da Linha 1-Azul do Metrô a receber portas de plataforma. Elas começaram a ser construídas em outubro de 2021, como parte do contrato do sistema de sinalização CBTC, e passaram a operar comercialmente em ambas as estações no dia 7 de julho de 2022.
Demanda A média de entrada de passageiros por dia útil na estação foi de 69 mil passageiros em 2023, tendo sido a sexta mais movimentada da linha, atrás das estações Ana Rosa, Santa Cruz, Paraíso, Luz e Sé, respectivamente.
Toponímia
A Companhia do Metropolitano de São Paulo contratou o arquiteto Nestor Goulart Reis Filho da Universidade de São Paulo para chefiar o estudo toponímico das futuras estações. Em maio de 1972 foi apresentado o estudo. Em relação a estação nº 20, Reis Filho sugeriu os seguintes nomes:
Encontro - por conta do entroncamento das ruas dos Jequitibás e Nelson Fernandes, Alameda Melo Franco com a Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, no local da futura estação Jabaquara - nome do bairro onde estava sendo construída a estação nº 20 Melo Franco - nome de pequena alameda transversal que cruzava a Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira na altura da futura estação. A alameda desapareceu durante as obras do metrô.
O estudo indicou Jabaquara como a alternativa mais adequada. A palavra Jabaquara tem origem na íngua tupi, do termo YAB-A-QUAR-A, significando buraco ou rocha.
Mudança de nome thumb|right|Assinatura de decreto que alterou o nome da Estação Jabaquara, no Palácio dos Bandeirantes, em 2024 Em 18 de setembro de 2024, o Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, assinou um decreto alterando o nome da estação para "Jabaquara-Comitê Paralímpico Brasileiro", em homenagem à entidade representada pela delegação brasileira que teve seu melhor desempenho da história nos Jogos Paralímpicos de Paris. A assinatura ocorreu em uma cerimônia no Palácio dos Bandeirantes que contou com a presença de diversos atletas da delegação paralímpica, dos secretários de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, dos Transportes Metropolitanos, Marco Antonio Assalve, e do presidente do Comitê Paralímpico, Mizael Conrado. O Comitê Paralímpico Brasileiro tem sua sede dentro do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, localizado a cerca de 2 km da estação, às margens da Rodovia dos Imigrantes.
A homenagem acabou desrespeitando os critérios de nomenclatura das estações do metrô, elaborados em 1972 e mantidos desde então:
popularidade: denominação de forte apelo popular; escala metropolitana: nome de relevância regional; características de conteúdo: referência histórico-geográfica que permitisse uma fácil e rápida identificação do local; características de forma: nome simples, com sonoridade e fácil compreensão até para pessoas pouco letradas ou analfabetas. Nomes compridos ou com termos estrangeiros deveriam ser evitados.
Segundo um estudo elaborado em 2016 pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, os custos de alteração do nome de uma estação terminal como Jabaquara seriam de 790 mil reais com a troca de mapas, placas e outros elementos de comunicação visual, sendo evitada a troca de nomes por motivos financeiros e toponímicos. Segundo um estudo da Companhia do Metropolitano de São Paulo realizado em 2004, a alteração de nomenclatura de uma estação causa "perda de referência urbana", prejuízo da imagem do Metrô e custos para modificação dos elementos de comunicação visual e sonora para a modificação do nome.
Galeria
Uma tentativa anterior de alterar o nome da estação ocorreu em 2007, quando o Deputado Paulo Alexandre Barbosa propôs um projeto de lei (PL) que renomeava a estação como "Santos Futebol Clube-Jabaquara", como homenagem ao clube do Litoral Paulista. Na ocasião, houve uma forte oposição à medida por parte dos moradores da região, devido ao time não possuir nenhuma relação com o bairro, o que culminou no arquivamento do PL. Com isso, a homenagem foi transferida para a então recém-inaugurada Estação Imigrantes da Linha 2-Verde que, em novembro de 2008, passou a chamar-se Estação Santos-Imigrantes após a aprovação de um PL substitutivo de autoria do então deputado estadual Bruno Covas.
Obras de arte thumb|"Sem título (Painel)" de Renina Katz (1991) "Sem título (Mural 1)", Odiléa Toscano, pintura sobre parede (1990), tinta acrílica (2,96 m X 4,85 m – 14,35 m²), instalada acima das escadas rolantes no acesso a plataforma 1. "Sem título (Mural 2)", Odiléa Toscano, pintura sobre parede (1990), tinta acrílica (2,96 m X 4,85 m – 14,35 m²), instalada acima das escadas rolantes no acesso a plataforma 2. "Sem título (Painel)", Renina Katz, pintura sobre placas de fibrocimento (1991), tinta acrílica (155 m² aproximadamente), instalada no mezanino.
Tabela SiglaEstaçãoInauguraçãoCapacidadeIntegraçãoPlataformasPosiçãoNotasJABJabaquara14 de setembro de 197430 mil passageiros hora/picoBilhete Único da SPTrans e Corredor Metropolitano da EMTULateraisSubterrâneaEstação com estrutura de concreto aparente
Linha 17 do Metrô de São Paulo Sem previsão para inauguração, a Estação Jabaquara da Linha 17–Ouro do Metrô de São Paulo fará parte da terceira etapa da construção do monotrilho, que atualmente liga a Estação Morumbi da Linha 9–Esmeralda à Estação Aeroporto de Congonhas.