O golfinho-pintado-do-atlântico (Stenella frontalis) é um cetáceo da família Delphinidae encontrado nas águas temperadas e tropicais do Oceano Atlântico.
centro|miniaturadaimagem|396x396px|Golfinho-pintado-do-atlântico (Stenella frontalis)
Etimologia A origem do termo golfinho-pintado-do-atlântico deve-se às manchas esbranquiçadas presentes na pele do animal, somada ao fato da espécie ser endêmica do Oceano AtlânticoPERRIN, W. F.; CALDWELL, D. K.; CALDWELL, M. C. Atlantic Spotted Dolphin Stenella frontalis (G. Cuvier, 1829). Handbook Marine Mammals, Vol. 5, 1994. Disponível em: <Atlantic-Spotted-Dolphin.pdf (researchgate.net>. Acesso em: 02 mai. 2021.. O gênero da espécie, Stenella, é uma palavra de origem grega, steno, sendo o diminutivo de estreito. A palavra frontalis é um termo do latim que significa testa/fronte.
A espécie apresenta inúmeros nomes populares, entre eles: golfinho-manchado, golfinho-manchado-da-corrente-do-golfo, boto-manchado e boto-de-Cuvier.
Taxonomia e Sistemática esquerda|miniaturadaimagem|217x217px|Georges Cuvier, 1769 - 1832 Em 1812 a espécie foi eventualmente reconhecida por G. Cuvier, como Delphinus dubius, contudo, a validação de sua história taxonômica se deu em 1829 com a descrição de Cuvier, baseada em uma espécie de Cabo Verde, na África Ocidental. Desse modo, nomeando-a como Stenella frontalis.
A ampla variação geográfica do golfinho-pintado-do-atlântico, resultou em uma má identificação das espécies e uma confusão taxonômica. Por muitos anos, a taxonomia do golfinho-manchado-do-atlântico foi confundida com a espécie Stenella attenuata (golfinho-manchado-pantropical). Embora haja semelhança entre os crânios de ambas as espécies, a partir de análise filogenética, foi constatado que não há familiaridade.LEDUC, R. G.; PERRIN, W. F.; DIZON, A. E. Phylogenetic relationships among the delphinid cetaceans based on full cytochrome b sequences. 1999. miniaturadaimagem|Stenella attenuata (golginho-manchado-pantropical) As costas marinhas do Atlântico possuem uma grande concentração de golfinho-pintado-do-atlântico, enquanto há uma proporção bem inferior na Corrente do Golfo e no Atlântico Norte Central.PERRIN, W. F. Development and homologies of head stripes in the delphinid cetaceans. 1997.
Pesquisas moleculares indicam que o gênero “Stenella” é parafilético, assim, a sub família Delphininae, à qual a espécie pertence atualmente, pode passar por uma reestruturação ao longo dos próximos anos, podendo ser atribuída a um gênero diferente.
Alguns estudos sugerem que há uma relação de proximidade com a espécie Tursiops truncatus, conhecida como golfinho-de-nariz-de-garrafa, do Oceano Indo-Pacífico.MORENO, I. B.; ZERBINI, A. N.; DANILEWICZ, D.; SANTOS, M. C. O.; SIMÕES-LOPES, P. C.; BRITO-JR, J. L.; AZEVEDO, A. Distribution and habitat characteristics of dolphins of the genus Stenella (Cetacea: Delphinidae) in the Southwest Atlantic Ocean. 2005.
Morfologia e Distribuição miniaturadaimagem|320x320px|Stenella frontalis O golfinho-pintado-do-Atlântico possui duas formas distintas, uma de corpo mais robusto e mais manchado é encontrado ao longo da costa dos dois lados do Atlântico, a outra forma, mais delicada e menos manchada ou até mesmo completamente sem manchas é encontrada no Golfo do México e no Atlântico Norte.ADAMS, L. D.; ROSEL, P. E. Population differentiation of the Atlantic spotted dolphin ( Stenella frontalis ) in the western North Atlantic, including the Gulf of Mexico . 2006.
Os filhotes nascem sem manchas, com uma coloração que varia nos tons acinzentados no dorso e com áreas esbranquiçadas no ventre. As manchas começam a aparecer entre 2 e 6 anos de vida, aumentando em tamanho e volume até os 16 anos.
Possui bico considerado médio, bem acentuado no melão (estrutura abaixo do orifício nasal). A nadadeira dorsal é alta e de forma falcada. Os adultos podem chegar até 229 cm de comprimento e pesar até 143 kg. Possuem de 32 até 42 dentes na mandíbula superior e de 30 a 40 na mandíbula inferior.
Ecologia Nas Bahamas, esses animais habitam águas rasas (6 a 12 m). Sua dieta varia entre peixes epipelágicos e mesopelágicos de pequeno a grande porte, lulas e invertebrados bênticos, como crustáceos e moluscos, sua dieta provavelmente varia entre as formas que habitam a área costeira do Atlântico e a que habita o Golfo do México. Os únicos predadores conhecidos são os tubarões, porém, provavelmente esses animais também são predados pelas orcas (Orcinus orca) e outros pequenos cetáceos dentados.DAVIS, R. W.; WORTHY, G. A. J.; WÜRSIG, B.; LYNN, S. K. Diving behavior and at-sea movements of an Atlantic spotted dolphin in the Gulf of Mexico. 1996.
Comportamento miniaturadaimagem|231x231px|Golfinho-de-nariz-garrafa A espécie mergulha até, aproximadamente, 60 metros, os mais longos mergulhos duram até 6 minutos de acordo com registros, apesar da capacidade, esses animais preferem ficar em profundidades com menos de 10 metros.MULLIN, K. D.; FULLING, G. L. Abundance of cetaceans in the southern US North Atlantic Ocean during summer 1998. 2003. Estudos comportamentais realizados nas Bahamas identificaram uma relação próxima da espécie com os golfinhos-de-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) durante atividades forrageiras e migrações. Os grupos possivelmente são divididos por idade e sexo, podendo chegar até 100 indivíduos. Grupos da espécie já foram vistos associados com atuns, outros cetáceos e aves marinhas em grandes grupos de caça.JEFFERSON, T. A.; WEBBER, M. A.; PITMAN, R. L. “Marine Mammals of the World: A Comprehensive Guide to Their Identification.” Elsevier, San Diego, 2006.
Histórico da Espécie Pouco se sabe do histórico da espécie, a partir de um acompanhamento realizado no Brasil com 44 espécimes, foi possível mensurar que a espécie vive aproximadamente 23 anos, chegando a seu comprimento máximo aos 20 anos. As fêmeas atingem a maturidade sexual entre 8 e 15 anos. Possuem intervalo de gestação de 3 anos e cuidado parental próximo até 5 anos.
Conservação esquerda|miniaturadaimagem|305x305px|Stenella frontalis Apesar de estar na categoria “pouco preocupante” na lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), o golfinho-pintado-do-atlântico está sujeito a diversas ameaças, sendo que a principal delas é a captura acidental em pescarias. De acordo ainda com a IUCN, apesar de no Brasil as taxas de captura acidental da espécies serem mais baixas, pode haver imprecisão dos números obtidos nas áreas de distribuição.
Um exemplo de como a pescaria é a principal ameaça para a espécie Stenella frontalis pode ser demonstrado em um evento documentado no país Mauritânia, na África, em 1995, quando por conta da captura acidental em uma pescaria local, 125 golfinhos-pintados-do-atlântico foram encontrados mortos ao longo da costa norte da capital do país.
Outra possível ameaça para a espécie é a caça, que ocorre em pequena escala e é considerada a única forma de captura direta da Stenella frontalis.
Desta forma, se fazem necessárias ações de conservação para a espécie. Uma delas é a investigação da abundância e captura acidental em pescarias ao largo da África Ocidental. Além disso, pesquisas sobre o tamanho da população, distribuição, tendências e ameaças, e monitoramento das tendências populacionais são importantes para ter mais informações sobre a espécie em questão. Assim, será possível entender melhor as necessidades de conservação da espécie, visto que, hoje, o maior problema para conservação das espécies de pequenos cetáceos costeiros no Brasil é a escassez de supervisão e monitoramento de capturas acidentais e estimativas dos tamanhos populacionais. Além disso, de acordo com Rosa, Zappes e Di Beneditto, 2012, “a insuficiência de informação sobre o esforço de pesca dificulta a estimativa de mortalidade em operações de pesca.”
Aspectos Culturais esquerda|miniaturadaimagem|Barco utilizado na Pesca Artesanal A pesca artesanal é um aspecto cultural passado de geração em geração muito recorrente nos litorais do Brasil, já que também é uma atividade que gera renda para diversas famílias. Dito isso, a utilização de redes de espera para a prática causa interações negativas entre os pescadores e os cetáceos, que acabam mortos. Com a captura acidental, os pescadores, ou descartam a carcaça dos golfinhos no mar, ou utilizam suas musculaturas e gorduras das carcaças para confeccionar iscas que são utilizadas na captura de cação. Sendo que, o consumo de golfinhos não é um aspecto presente na cultura dos pescadores pois o animal possui excesso de gordura no corpo. É importante lembrar que a captura dos golfinhos pelos pescadores artesanais ocorrem apenas de forma não intencional/acidental. miniaturadaimagem|286x286px|Fernando de Noronha - Mirantes dos Golfinhos Outro aspecto cultural observado no Brasil e, mais especificamente, em Fernando de Noronha, é o turismo de observação de golfinhos. A observação dos golfinhos é muito comum na região em questão, que é conhecida como um dos melhores locais para a prática, já que há alta presença da espécie. A atividade pode ser realizada tanto através de barcos, como através do Mirante do Golfinhos, onde a trajetória é feita por trilha. Sendo que a observação através do Mirante é considerada mais informativa e educacional por manter equipes de monitoramento em pontos fixos, tornando a atividade de turismo uma aliada à conservação ambiental e à geração de renda para a população local.
Bibliografia MEAD, J. G.; BROWNELL, R. L. (2005). Order Cetacea. In: WILSON, D. E.; REEDER, D. M. (Eds.) Mammal Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference. 3ª edição. Baltimore: Johns Hopkins University Press. p. 723-743. Braulik, G. & Jefferson, T.A. 2018. Stenella frontalis. The IUCN Red List of Threatened Species 2018: e.T20732A50375312. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2018-2.RLTS.T20732A50375312.en
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