O transporte privado compreende a modalidade de deslocamento em que os passageiros são os proprietários do veículo a ser utilizado para o transporte. O transporte individual é o contraponto ao transporte colectivo, que tem capacidade de deslocar número maior de pessoas ocupando o espaço semelhante na malha viária do transporte individual. O transporte individual tem como finalidade o deslocamento de um único indivíduo (embora possa haver a possibilidade de levar mais do que um passageiro em determinados veículos), com a possibilidade de transportar alguma carga adicional conforme requerido pelo utilizador. Procura-se que tenha uma mobilidade e flexibilidade acima daquelas proporcionadas pelos transportes colectivos públicos ou privados. Um exemplo de um meio transporte individual bastante popular é a bicicleta, esta com cada vez maior importância nos centros urbanos devido ao baixo custo e à excelente mobilidade proporcionada por este veículo assim como à menor distância entre os vários destinos dentro das cidades. O transporte individual pode ser tanto privado como público, sendo que neste último caso se encontra limitado por horários e trajectos (Tolley, 2000, p. 453).
O transporte individual proporciona uma multitude de vantagens em relação a outras modalidades de transporte. Nomeadamente, uma maior flexibilidade tanto em termos de horário como de trajecto. São também adaptáveis aos requisitos do utilizador, no caso de este último ser portador de deficiência motora ou ter outras necessidades especiais. Existem também inconvenientes associados à utilização do transporte individual. Dado que os meios de transporte individual normalmente pertencem ao seu utilizador, este tem de encontrar algum lugar onde possa deixar o veículo, isto não é um problema com os transportes colectivos ou públicos.
Origem Desde o princípio, o ser humano, como praticamente todos os seres vivos capazes de locomoção, sentiu a necessidade de se deslocar, uma vez que os povos recolectores sedentários só apareceram mais tarde na história da humanidade. O primeiro meio de transporte consistia como é óbvio nas capacidades naturais de locomoção de cada um, ou seja, pelo próprio pé. À medida que a humanidade se foi desenvolvendo, foram também aumentando os grupos de indivíduos e de bens a transportar. Cedo o ser humano se apercebeu que alguns dos animais que caçava podiam não só ser domesticados como eram extremamente úteis como meio de transporte. Assim, os primeiros meios de transporte individuais, propriamente ditos foram os primeiros animais domesticados de grande e médio porte como os cavalos e bovinos. O transporte individual, assim como todos os outros tipos de transporte, sempre seguiu atrás das necessidades de uma melhor locomoção por parte do Homem. Tais necessidades evoluíram com o ser humano. Com uma sociedade cada vez mais complexa, tornou-se necessário melhorar não só o transporte já existente, como também desenvolver novos meios de transportes para novos meios como a água, assim apareceram os primeiros barcos. Os meios de transporte pouco se alteraram até ao aparecimento dos veículos motorizados. A estes se seguiram veículos como o avião e com ele a possibilidade de explorar um novo meio: o ar. Foi no final do século XIX e princípio do século XX que se verificou um grande desenvolvimento na área dos transportes, devido em grande parte à revolução industrial e às necessidades por ela criada. Mais tarde no século XX, com o aumento do poder de compra, mais pessoas puderam aceder a meios de transporte, de tal modo, que ter um veículo ao dispor de cada um foi objectivo de alguns governos, de entre os quais se destaca o de Margaret Thatcher com a sua "great car economy" (grandiosa economia do carro), foi assim desenvolvido o conceito de transporte individual (Wolf, 1996, p. ix).
Vantagens
O transporte individual proporciona uma maior flexibilidade, tanto de trajectos como de destinos em relação ao seu principal concorrente, o transporte colectivo, que se encontra normalmente limitado no que toca ao trajecto, de modo a servir todos os passageiros, oferecendo para além disso, uma gama de destinos bastante limitada em relação ao primeiro. Os veículos de transporte individual apresentam também uma outra notável vantagem em relação ao transporte colectivo, uma vez que são normalmente adaptáveis aos requisitos físicos do seu utilizador. Por exemplo, uma pessoa portadora de deficiência motora, tem necessidades especiais relativas à entrada, saída e à utilização dos meios transportes por ela utilizada, necessidades essas que raramente são atendidas nos meios de transporte colectivo em particular nos transportes públicos. Ao adaptar um veículo individual às necessidades do seu utilizador, está-se não só a proporcionar maior conforto mas também maior flexibilidade, maior segurança e menor esforço, uma vez que o utilizador pode ir directamente ao seu destino recorrendo apenas ao seu veículo ou deslocando-se por si próprio uma distância menor do que se saísse numa paragem de autocarro por exemplo (European, 2000, p. 72).
Desvantagens
Dado que transporte individual é utilizado principalmente em cidades, há que notar que existem casos em que tal é muito difícil ou mesmo impraticável. Em cidades ou parte delas que sejam mais antigas, a movimentação é bastante dificultada pelas ruas estreitas onde poucos veículos podem circular. Em certos casos até a circulação de pessoas a pé em simultâneo com certos meios de transporte se encontra dificultada. Mesmo que este sejam tão compactos como a bicicleta ou a mota, torna-se assim impossível a circulação devido ao enorme risco de colisões entre os peões e os veículos. Uma outra desvantagem não menos importante é o estacionamento. Este torna-se um problema tanto maior quanto as dimensões do veículo utilizado. Este facto é especialmente importante em cidades com acessos mais limitados, como por exemplo ruas estreitas, onde só os veículos de menores dimensões podem circular. É também importante nas cidades com maior tráfego onde muitos dos lugares onde é possível deixar o veículo estão normalmente ocupados. Ao se deixar o veículo num local público e muitas vezes na proximidade de um edifício, como seja um parque, apresenta sempre um risco real de que o veículo seja danificado ou que seja roubado. Este aspecto deixa de ser um problema para um utilizador de transportes colectivos públicos que chegado à sua paragem só volta a preocupar-se com o meio de transporte quanto dele voltar a precisar (Green, 2001, p. 11).
Terrestre
Origens do transporte terrestre
O transporte terrestre foi o primeiro meio de transporte conhecido pelo Homem, primeiro pelo seu próprio método de locomoção natural, seguidamente pelos animais que domesticou e que podiam ser utilizados como meio de transporte, mais tarde começou a deslocar-se utilizando meios de transporte por ele criados: carros, bicicletas, motos e outros.
Animal
O meio de transporte, que durante a história da humanidade, foi e continua a ser mais utilizado é o transporte animal. Começando com os primeiros cavalos e outros animais de grande porte, os animais foram o principal meio de transporte e tracção até ao final do século XIX. O animal como meio de transporte só foi sendo deixado com o aparecimento do carro, da mota ou outros veículos mais económicos no que toca à manutenção, uma vez que os animais, mesmo parados têm que ser alimentados, ao contrário dos veículos motorizados que quanto menos andam menos gastam (Chamberlin, 2006, p. vii-xii).
Bicicleta
thumb|Figura 1: Bicicleta.
Os primeiros esboços de aquilo que já se assemelhava bastante com a bicicleta moderna (Figura 1) foram feitos por Leonardo da Vinci por volta do ano 1490.É um meio de transporte notável tanto pela sua simplicidade como pela sua utilidade. Proporciona no entanto uma grande mobilidade e versatilidade, sendo que a única fonte de energia que a faz mover, é o próprio utilizador, desde que este consiga pedalar, pode ir onde quiser, de acordo com Jacques Oznam em 1696, que o idealizou o conceito ainda antes do aparecimento da bicicleta. A bicicleta começou por ser um meio de transporte fundamentalmente para estrada, sendo mais tarde no século XX, que foram desenvolvidos outros tipos de bicicleta, como a bicicleta de montanha ou a BMX. Este meio de transporte tem vindo a ganhar cada vez mais em popularidade devido à sua cada vez maior versatilidade e preço. Este último que tem vindo a descer desde o principio do século XX, despoletando por si só, o interesse de muitos possíveis ciclistas (Herlihy, 2004, p. 15 e 309).
Bicicleta urbana
Foi o primeiro tipo de bicicleta a ser desenvolvido no final do século XIX. Pensada para caminhos menos acidentados como a estrada urbana, o seu uso é quase exclusivamente dentro de cidade, embora seja também utilizada na sua periferia. Este meio de transporte é extremamente popular em países com uma topografia plana, como na Dinamarca ou Holanda, onde é mais fácil de utilizar este veículo. A bicicleta urbana é normalmente, um meio de transporte barato, cómodo mas limita-se apenas à cidade e à sua periferia, no entanto, dado o grande tráfego rodoviário habitualmente presente nestes meios, a bicicleta torna-se uma vantagem devido ao pouco espaço que ocupa na via, assim como à sua mobilidade dentro dela (Herlihy, 2004, p. 310).
BMX
Com origens nos anos 60, na Califórnia, a BMX (abreviatura de Bicycle Motocross) foi desenvolvida, como o próprio nome sugere, para simular o motocross original, substituindo as motas por bicicletas. Dentro do género existem vários tipos de bicicleta, existem para rampa, pista, terreno plano, rua e dirt jumper. É um veículo com excelente mobilidade, mas que não é o mais indicado para longos percursos, devido às suas dimensões, que foram pensadas para que o utilizador ande com as pernas estendidas e que raramente utilize o selim (banco), de outro modo, tentar sequer pedalar sentado tornaria as viagens demasiado desconfortáveis (Job, 2003, p. 5).
Bicicleta de montanha
As primeiras bicicletas de montanha (Figura 2) começaram a aparecer nos anos 70, na Califórnia. Foram criadas a partir de bicicletas já existentes, às quais se adicionaram rodas mais largas que proporcionavam uma viagem mais agradável em terreno mais acidentado. Mais tarde foram desenvolvidos quadros mais robustos e outros acessórios e peças desenvolvidos especificamente para este tipo de bicicleta, como, por exemplo, travões, guiadores e suspensões. Apesar do nome, a bicicleta de montanha não se limita ao tipo de terreno mais difícil para o qual foi desenvolvida, pode também ser utilizada como bicicleta urbana sem grandes limitações e em certos casos com maior conforto (Armijo, 1999, p. 14).
Automóvel
thumb|Figura 3:Benz Patent Motorwagen.