A Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa, mais conhecida como Associação Chico Lisboa, é uma tradicional associação de artistas sediada em Porto Alegre, no Brasil, que vem desempenhando importante papel na dinamização do circuito artístico da cidade e do estado do Rio Grande do Sul.

História A Associação Chico Lisboa foi fundada em 1938, sendo uma das mais antigas entidades culturais ainda em funcionamento no estado.Mansque, William. "Prestes a deixar sua sede após 18 anos, Associação Chico Lisboa faz exposição para buscar recursos". Zero Hora, 20 de julho de 2022 Foi fundada por Carlos Scliar, Edla Silva, Nelson Boeira Faedrich, Gastão Hofstetter, Mário Mônaco e João Faria Viana, que foi o primeiro presidente, e logo se juntaram a eles Guido Mondin, Gustav Epstein, João Fontana, José Rasgado Filho, Judith Fortes, Vitório Gheno, Romano Reif, Mário Bernhauser, Júlia Felizardo, Armando Kuwer, Carlos Alberto Petrucci, Vasco Prado, Honório Jardim, João Mottini, Oswaldo Goidanich, Edgar Koetz e outros.Ramos, Paula. "Ilustração e Modernidade no Campo Artístico do Rio Grande do Sul na primeira metade do século XX: debates e rupturas". In: 22º Encontro Nacional da ANPAP. Belém do Pará, 2013Silva, Ursula Rosa. "O Manifesto dos artistas no Salão Moderno de 1942 no RS". In: OuvirOuVer, 2017; 13 (1): 232-246

Surgiu como uma proposta alternativa para o sistema artístico que era monopolizado pelo Instituto de Belas Artes, abrindo espaço para um grupo de artistas heterogêneo, com diferentes formações e interesses, que geralmente ficava à margem dos salões organizados pelo Instituto.Doberstein, Arnoldo Walter. "1938 – A fundação da Chico Lisboa". Matinal Jornalismo, 29 de abril de 2023Endo, Maíra. "A auto-organização no campo da arte no Brasil | 1922 – 1970". Projeto Córtex, consulta em 30 de julho de 2026 Nas palavras de Neiva Bohns, "foi a primeira alternativa de formação de profissionais das artes plásticas e gráficas fora do restrito círculo do Instituto de Belas Artes. Pretendia facilitar o contato entre aqueles artistas que se achavam isolados, organizar cursos, conferências, viagens de estudo e salões de arte", democratizando o acesso ao conhecimento e à formação artística.Bohns, Neiva Maria Fonseca. Continente Improvável: artes visuais no Rio Grande do Sul do final do século XIX a meados do século XX. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2005, p. 220 thumb|Edifício União, local da segunda sede da Associação

Não sendo uma entidade pública, a Associação não recebia financiamento estatal e dependia somente de seus sócios e das atividades pagas que organizava, por muitos anos enfrentou problemas de infraestrutura, suas promoções recebiam menos publicidade que as do Instituto de Belas Artes, e não tinha um espaço próprio para seus salões.Bohns, p. 221 Sua primeira sede foi instalada na Travessa Itapiru nº 17, e pouco depois mudou-se para o Edifício União, onde permaneceu muitos anos, em seguida passando para o Centro Municipal de Cultura, e em 2004 para uma casa histórica na Travessa dos Venezianos.

Criou-se uma lenda de que a Associação representava o modernismo e o Instituto de Belas Artes, o academismo, mas mesmo que sua oposição ao Instituto criasse uma rivalidade entre as entidades e uma polarização do circuito artístico entre "progressistas" e "conservadores", em pouco tempo ambas passaram a interagir, e as propostas especificamente estéticas que promoviam não eram muito diferentes. Segundo Paula Ramos, "defendiam o mesmo tipo de obra: uma arte que não agredisse os 'valores morais', tampouco se perdesse em deformações, abstrações e no extremismo estético", e para Ursula Rosa Silva, "eles não eram revolucionários, apenas queriam ter o mesmo espaço e reconhecimento público que obtiveram os professores da escola".

Seu aparecimento foi um evento importante no cenário artístico sulino,Brittes, Blanca & Gomes, Paulo. "A Pinacoteca Barão de Santo Ângelo". In: Gomes, Paulo (org.). Pinacoteca Barão de Santo Ângelo: Catálogo Geral – 1910–2014. Editora da UFRGS, 2015, p. 22 e em sua trajetória organizou inúmeros cursos e oficinas, exposições, palestras, encontros, intercâmbios institucionais, viagens culturais, feiras, apresentações de teatro e música e outras atividades,Processo nº 5101/08: Exposição de motivos. Câmara Municipal de Porto Alegre, 14 de agosto de 2008 além de lançar um periódico e manter desde sua fundação um Salão de Arte, que tornou-se tradicional e mais tarde passou a oferecer um Prêmio Aquisição. Por decreto municipal se tornou a responsável pela organização, entre 1952 e 1960, também do Salão da Câmara Municipal de Porto Alegre. Em 1955 e 1956 organizou viagens de estudos a várias cidades históricas do estado, que segundo Bohns resultaram em "uma significativa valorização do patrimônio próprio das cidades sulinas, o que deu início ao hábito de formar grupos para viajar pelo interior do estado, documentando monumentos arquitetônicos fadados ao desaparecimento pela omissão da autoridade pública". A proposta foi apoiada pelo influente crítico Aldo Obino, que a considerava "um espetacular trabalho de pesquisa".Bohns, pp. 259-260 thumb|Hidráulica Moinhos de Vento, sede atual da Associação

Com a imposição da ditadura militar suas atividades foram interrompidas, retomando-as a partir de 1979. Em 1988 reativou o Salão da Câmara e em 1992 o seu Salão próprio, mas este foi suspenso novamente em 1995, e o período entre 1996 e 2001 foi de retração. Depois suas atividades voltaram a crescer, assim como o número de sócios, e em 2016 o Salão da Chico foi retomado. Durante a pandemia de covid-19 suspendeu suas atividades presenciais e suas finanças entraram em crise, sendo obrigada a deixar sua sede na Travessa dos Venezianos. Firmou então uma parceria com o Departamento Municipal de Água e Esgotos e a partir de fevereiro de 2023 passou a usar alguns espaços da antiga Hidráulica Moinhos de Vento para suas mostras e salões e depósito do seu acervo artístico.Pezzi, Ieda & Brasil, Andrea. "Associação Chico Lisboa abre sua primeira exposição na galeria de arte do Dmae". Prefeitura de Porto Alegre, 28 de março de 2023

Participou, entre outros eventos, da implantação do Polo Cultural de Uruguaiana, organizou o IIº Encontro de Artistas Plásticos Profissionais, e em diferentes momentos foi convidada a enviar um representante para o Conselho do Museu de Arte do Rio Grande do Sul, para a 1ª Assembleia Nacional dos Artistas Plásticos Profissionais, para a Executiva do Fórum Gaúcho em Defesa da Cultura, e para a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura da Secretaria da Presidência da República. Participou ainda da elaboração das Leis de Incentivo à Cultura do estado e do município, e da fundação da Federação Nacional das Entidades de Artistas Plásticos, sendo eleito como primeiro presidente o presidente da Chico Lisboa.

Distinções Em 1958 foi declarada, através de Lei Municipal, uma entidade de utilidade pública. Em 1988 seu 50º aniversário foi marcado com uma retrospectiva e a reativação do Salão da Câmara, e os Correios do Brasil criaram um carimbo filatélico comemorativo. Em 2009 recebeu da Câmara de Vereadores o Troféu Câmara Municipal.Andrade, Regina. "Associação Chico Lisboa recebe homenagem do Legislativo". Câmara Municipal de Porto Alegre, 3 de julho de 2009 Na exposição de motivos, foi dito que "em seus 70 anos de existência, a Chico tem sido uma expressão viva da arte e dos artistas plásticos do estado. A Chico também tem sido parceira de ações da Câmara – o Salão de Artes Plásticas da Câmara Municipal é um exemplo. Por tudo o que representa para a vida cultural de nossa cidade, a Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa, no ano de seu 70º aniversário, merece receber o Troféu Câmara de Porto Alegre". Em 2013 voltou a receber homenagem da Câmara com a entrega da Comenda Porto do Sol, sendo ressaltada a importância da associação em sua "luta cotidiana pela cultura na cidade".Victorino, Luciano & Panzenhagen, Helio. "Associação Chico Lisboa recebe homenagem por seus 75 anos". Câmara Municipal de Porto Alegre, 10 de dezembro de 2013 Em 2022 recebeu o Prêmio Açorianos da Prefeitura na categoria Prêmio Especial do Júri."Concurso 008/2023: Premiados". Diário Oficial de Porto Alegre, 5 de dezembro de 2023

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