Euclides Fagundes Filho, mais conhecido como Bagre Fagundes (Uruguaiana, 3 de outubro de 1939 – Porto Alegre, 2 de agosto de 2026), foi um folclorista, político, instrumentista, compositor e cantor brasileiro de música nativista.

Bagre fez parte de uma família de músicos e compositores e com alguns deles formou em 2001 o grupo musical Os Fagundes.

Biografia Filho de Euclides Fagundes (1899-1981) e Florentina Silveira da Silva (1902-1990), Bagre nasceu em Uruguaiana, mas cresceu na cidade de Alegrete em uma família de seis irmãos e cinco irmãs. Seu apelido "Bagre" foi dado pelo seu irmão, João Batista. Uma das versões diz que foi após Bagre pescar um grande jundiá no Rio Ibirapuitã. Outra, que foi por ele ser igual a um "bagre que roncava".

Em 1962, casou-se com Marlene Vilaverde, com quem teve quatro filhos: os cantores Neto Fagundes e Ernesto Fagundes, além de Luciana e Paulinho.

Iniciou a carreira musical apresentando-se em programas da Rádio Cultura de São Borja. Ainda adolescente, comprou uma gaita de quatro baixos e dez teclas do irmão Aldo. Com ela, em 1980, compôs, em parceria com o irmão Nico Fagundes, o Canto Alegretense, uma das canções mais populares do Rio Grande do Sul. Nico foi o principal parceiro musical de Bagre, com quem assinou também outra de suas principais músicas, Origens, que por muitos anos foi o tema de abertura do programa Galpão Crioulo, da RBS TV.

Em 1975, apresentou-se na Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, integrando o grupo Os Angüeras, do qual participou entre as décadas de 1970 e 1980.

Bagre Fagundes criou o Grupo Inhanduy em 1980, do qual faziam parte Neto e Ernesto. O grupo saiu-se vitorioso em diversos festivais do Rio Grande do Sul, entre os quais a Tertúlia Musical Nativista de Santa Maria, a Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, Ronda da Canção Nativa de Alegrete, entre outros.

Integrou, com a sua família, o grupo musical Os Fagundes, criado em 2001 e que lançou um álbum em 2002.

Carreira política

Após trabalhar como escriturário no Banrisul e residir temporariamente em Rosário do Sul, retornou à Alegrete, onde ingressou na carreira política. Filiou-se ao PTB e participou da Campanha da Legalidade como Secretário Regional do movimento. Tornou-se presidente do Sindicato dos Bancários de Alegrete.

Em 1974, concluiu o curso de Direito na Universidade de Cruz Alta. Foi eleito vereador de Alegrete em 1976, cidade da qual também candidatou-se ao cargo de prefeito. Nas eleições estaduais no Rio Grande do Sul em 1990, lançou-se candidato a deputado estadual pelo PDT.

Também exerceu a função de diretor da Epatur (Empresa Porto-Alegrense de Turismo) em 1986, durante o mandato de Alceu Collares na prefeitura de Porto Alegre. Entre 1991 e 1995, ocupou o cargo de diretor-presidente do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF).

Em 2013, juntamente com o irmão Nico, recebeu a Comenda Porto do Sol, entregue pela Câmara Municipal de Porto Alegre.

Carnaval e cinema Em 2013, a Embaixadores do Ritmo, escola de samba de Porto Alegre, apresentou o enredo Não Me Perguntes Onde Fica o Alegrete, homenageando a cidade e a obra da família Fagundes. Bagre gravou o samba-enredo tocando gaita-ponto. A escola ficou no oitavo lugar no carnaval.

Bagre também participou do filme O Grande Rodeio, filme produzido pelo irmão Nico. Nele, interpretou um artista popular que, com sua gaita, apresentava a canção Mané Romão na Praça Getúlio Vargas, em Alegrete. Depois, seguia para São Borja participar do rodeio que deu nome à produção.

Nos anos 2000, escreveu uma coluna sobre a cultura gaúcha no jornal Diário Gaúcho, chamada Gauchesco & Brasileiro.

Morte Faleceu em 2 de agosto de 2026 aos 86 anos. Estava internado no Hospital Ernesto Dornelles desde maio, quando sofreu uma parada cardiorrespiratória ao se engasgar no almoço em casa, em Porto Alegre.

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