thumb|300px|Gorilas e outros primatas são reconhecidos por terem estruturas sociais complexas semelhantes.
Animais sociais podem ser definidos como organismos que exibem interações diversas com outros membros da sua espécie, ao ponto de chegar a ter uma sociedade distinta e reconhecível. Animais como as abelhas, formigas, lobos, gorilas, podem ser conhecidos como animais sociáveis, assim como outras espécies.
Ao iniciar uma vida em sociedade, os indivíduos deste grupo vão criar relações cooperativas que podem ser desde interações que se limitam ao encontro para reprodução até aquelas espécies chamadas de eussociais. Por mais que os grupos organizados em sociedade possuem divisão de tarefas e cada ser tem uma função específica a desempenhar, com o objetivo de criar uma organização de tarefas de forma que todos trabalhem de forma cooperativa para o sucesso do grupo, esse tipo de comportamento pode apresentar interações que terão tanto benefícios para a sobrevivência da espécie e do indivíduo, assim como, custos para os mesmos. Assim, os benefícios que um convívio em sociedade apresentará podem ser uma melhor proteção contra predadores, auxilio de outros indivíduos para tratar de patógenos, oportunidades para outros machos, que não o dominante, para acasalar com as fêmeas, melhores chances para a obtenção e localização de alimentos. Mas, adjunto dos benefícios, virão os custos, que vêm a ser competições interespecíficas, seja uma competição por alimento, reprodução ou abrigo, esse convívio em grupo também pode atrair atenção de predadores, risco de contágio de doenças será maior, pode existir também casos de canibalismo.
A vida em sociedade é considerada por alguns estudiosos como uma grande conquista da evolução orgânica. As sociedades de insetos são muitas vezes chamadas de superorganismos porque exibem tantos fenômenos sociais que são comparados às propriedades fisiológicas e as relações dos órgãos e tecidos. Cada colônia tem uma forte integração entre o sistema de comunicação e a divisão de trabalho.
Comportamento de ajuda Animais com convívio em grupo possuem grandes chances de exibirem ações de ajuda a outro individuo do grupo. Esse tipo de comportamento pode ter diferentes compensações para os participantes desta ação de ajuda, onde uma ação pode ser benéfica para todos os ajudantes, sendo assim um caso de mutualismo, podendo ser uma cooperação para obtenção de comida, ou proteção em grupo de algum predador. Podem ocorrer casos também em que um macho que perdeu seu domínio sobre seu grupo continuar cooperando para que possa ter uma chance de poder voltar a ser o macho alfa e de se reproduzir, um caso de altruísmo facultativo.
Reciprocidade e Altruísmo A reciprocidade, também conhecida como altruísmo recíproco, consiste em um comportamento onde indivíduos de uma população que receberam ajuda, eventualmente, tendem a retornar os favores que obtiveram. Se um custo inicial de ajuda for modesto e o benefício ao receber a troca de favor for maior, a seleção favorece o gesto inicial. Entretanto, este não é um comportamento comumente encontrado nos animais, pois uma população pode ficar suscetível a possuir indivíduos que buscam por essas ajudas, mas que não tende a apresentar o ato de reciprocidade e realizar um favor de volta. O comportamento de reciprocidade foi notado em papa-moscas-pretos (Ficedula hypoleuca), onde um casal estava sendo atacado por uma ave predadora desta espécie e outro casal foi em auxilio deste caso, pois o casal que estava sendo atacado havia os ajudado contra um ataque. Entretanto existe um comportamento chamado de altruísmo, neste, diferente do caso de reciprocidade, o indivíduo perde por completo oportunidades de reprodução para ajudar outro indivíduo, sem receber nada em troca. W. D. Hamilton, um biólogo evolucionista, buscando explicar o porquê de animais deixarem oportunidades de se reproduzirem para auxiliar um indivíduo geneticamente similar (parente), baseou-se na questão de que o objetivo inconsciente de passar adiante os alelos para as próximas gerações, explica-se com a probabilidade de um de seus alelos está presente naquele parente, já que ambos possuem o mesmo ancestral comum recente, sendo assim, ocorre de forma indireta a propagação dos alelos.
Neurologia e comportamento animal miniaturadaimagem|316x316px|Separações do encéfalo com algumas regiões representadas pelas suas principais funções Com o avanço do campo cognitivo social na neurociência veio o interesse no estudo social do comportamento correlacionado com o cérebro para se compreender o que ocorre com o individuo em uma situação social. Também se tem o debate de qual região do cérebro é responsável pelo comportamento social, alguns dizem que a área do sulco parasingular no lobo pré-frontal mediano do córtex é ativado quando um está pensando no motivo ou observa o outro, um significado para se poder entender o mundo social e o comportamento.
O lobo pré-frontal mediano vem tendo sua ativação associado com a cognição social. Pesquisas realizadas com macacos descobriram que a amigdala, região conhecida por estar relacionada com as emoções do medo, por reconhecer expressões faciais de medo e coordenação de respostas ao perigo, é ativada especialmente quando esses estão em uma situação social que nunca estiveram antes, está região do cérebro mostra ser sensível ao medo em situações sociais diferentes o que vai gerar a inibição da interação social
Outra forma de estudar regiões do cérebro que poderiam estar ligadas ao comportamento social é feito com pacientes que sofreram algum tipo de lesão/trauma craniano que levou a uma mudança social de seus atos. Como em indivíduos que sofreram uma lesão no lobo pré-frontal do córtex quando adultos pode afetar as funções do comportamento social e quando essa lesão ou uma disfunção acontece cedo ou no período da “infância”, o desenvolvimento da própria moral e do comportamento social é afetado se tornando atípico.
Hormônios esteroides miniaturadaimagem|330x330px|Alguns hormônios esteroides (hormônios sexuais) e seus caminhos juntamente com as alças de feedback Estudos ao longo dos anos tem feito uma associação entre os hormônios andrógenos e os comportamentos agressivos e sexuais em machos vertebrados. Estudos, feitos pelo Simon em 2002 e Oliveira em 2004, também mostraram que esses hormônios não são nem necessários nem suficientes para se ter a expressão do comportamento social, eles somente aumentam a possibilidade da expressão deste, servindo como um modulador da via neural como um facilitador do comportamento. Além disso, evidências acumuladas das últimas duas décadas revela que os hormônios andrógenos respondem ao ambiente social como em invasões de território e interações sexuais com a parceira, o que foi mostrado por estudos feitos por Wingfield et al. em 1990 e Oliveira em 2004. Dessa forma os andrógenos não só respondem ao comportamento como também pode afeta-lo, de modo a aumenta-lo ou diminui-lo.
Essa reciprocidade que ocorre entre os andrógenos e o comportamento traz o modelo reciproco, que foi testado pelos pesquisadores Mazur em 1976 e Leshner em 1979, em que o feedback do comportamento no sistema endócrino é interpretado e integrado a resposta do organismo e altera a expressão nas interações subsequentes. Depois esse modelo foi expandido para um contexto comparativo e renomeado como “o desafio de hipóteses” por John Wingfield em 1990, 1999 e 2000, os quais estressaram diferentes componentes no sistema de acasalamento na questão de resposta pelos andrógenos em um desafio social.
Nessa modulação social dos andrógenos pode ser visto como um mecanismo para ajustar os andrógenos-dependentes presentes no comportamento. De acordo com isso, situações sociais em que o indivíduo é exposto e/ou faz parte, tem-se a influência nos níveis dos hormônios andrógenos que em troca modula os níveis dos mecanismos de percepção, motivacional e cognitivo que na sequência afeta o comportamento. Essa resposta está presente em todos as classes de vertebrados e a presença desses hormônios variam em que os ganhadores possuem um alto nível, o que permite a liderança deles em um grupo como o de gorilas, já os perdedores possuem um baixo nível.
Nas sociedades, como a de macacos que possuem seus subordinados, a diminuição de testosterona pelos machos subordinados ou até “perdedores” os encoraja a se retirar de uma interação subsequente, assim evitando futuros custos.
Comportamento de estresse Outro fator bastante discutido dentro das sociedades é o estresse dos indivíduos que se torna relativo, pois existem evidências de animais subordinados que são mais estressados e evidências de dominantes que são mais estressados, então qual seria realmente o mais estressado?
Essa questão depende de vários fatores como o tamanho do grupo em que vivem, o local onde habitam pois se for quente, por exemplo, o metabolismo de todos podem vir a aumentar tendo, assim, maior quantidade de cortisol no sangue e todos ficam estressados, se o local tem abundância ou não e muitos outros fatores que devem ser levados em consideração para se determinar se determinado indivíduo ou até mesmo grupo em si está tendo um comportamento que indica estresse.
Também existem fatores que pode levar o animal a desenvolver um estresse crônico o qual decorre de uma preparação diária para uma situação de estresse que pode ocorrer ou nunca vir a acontecer. Isso leva a um aumento de glicose circulante, pois o animal fica constantemente em alerta, cortisol e outros acontecimentos que quebram a homeostase.
Além disso, o estresse crônico pode levar a uma sobrecarga energética e a uma exaustão dos sistemas uma vez que em certos momentos do dia o animal se prepara para receber aquela situação de tensão/alerta a qual pode ocorrer ou não, porém ao fim o organismo do indivíduo tem que voltar a homeostase o que leva a todo um processo. Tudo isso leva a um cansaço muito grande daquele bicho.
Oxitocina e vasopressina Tem se formado a hipótese de que a vasopressina e a oxitocina provavelmente influenciam o mecanismo de emoção básico, que regula a interação social e a aversão social. De acordo com essa hipótese, a oxitocina agiria na via parassimpática do cérebro, estimulando a ação social, enquanto a vasopressina agiria na via simpática do cérebro, estimulando o isolamento social e/ou a agressão. Alguns resultados empíricos dão suporte a essa teoria. Um exemplo seria o estudo de Thompson & Walton realizados em 2004, em que são realizados centros de infusão da vasopressina em peixes dourados (Carassius auratus) e se percebe uma inibição social, porém quando administrado antagonistas da vasopressina é percebido uma estimulação na interação social.
Arganaz-das-pradarias miniaturadaimagem|309x309px|Concentração de receptores de ocitocina (em cima) e vasopressina (em baixo) no cérebro de arganazes-de-padraria e arganazes-da-montanha Pesquisas são realizadas para investigar o que ocorre com o corpo em um momento correlacionando com o neural. Uma dessas pesquisas são as feitas com os arganazes em que se tem a investigação dos hormônios e a socialidade que estes teriam, pois os arganazes-das-pradarias são monogâmicos, sociáveis e apresentam um bom cuidado parental enquanto os arganazes-dos-prados são poligâmicos, só fazem contato social quando necessário, como no período do acasalamento, os machos não tem nenhum tipo de cuidado parental e as fêmeas ficam com os filhotes por pouco tempo, ou seja, apresentam diferenças consideráveis.
A vasopressina é um hormônio liberado pela hipófise tendo o papel na afiliação de ratos jovens e sendo associado ao comportamento fraternal em arganaz-das-pradarias.