miniaturadaimagem|Diagramas da evolução das bicicletas Tecnologia disruptiva ou inovação disruptiva é um termo que descreve a inovação tecnológica, produto, ou serviço, com características "disruptivas", que provocam uma ruptura com os padrões, modelos ou tecnologias já estabelecidos no mercado. O termo é uma tradução literal do conceito inglês «disrupt» e significa "interromper", "deruir" ou "desmoronar" ou "aquilo que "interrompe o curso normal", cria uma descontinuidade (estudiosos da língua portuguesa sugerem que sua tradução mais adequada seria "tecnologia diruptiva"). O termo se popularizou entre os jovens empreendedores do Vale do Silício e foi apropriado pelas estratégias de marketing e publicidade. Atualmente é usado para promover produtos ou serviços considerados inovadores nos mais variados sentidos.

Nem todas as inovações são disruptivas, mesmo que sejam revolucionárias. Os primeiros automóveis, no final do século XIX, por exemplo, eram uma grande inovação - todavia eram itens caros e luxuosos, pouco acessíveis, e não impactaram o mercado de transportes baseado em tração animal que existia na época. Esse mercado foi transformado apenas em 1908, com a chegada do Ford Model T. A produção em massa de automóveis, com custos mais baixos, foi uma inovação disruptiva e gerou impactos profundos, alterando os padrões de locomoção urbana.

As invenções disruptivas são uma minoria quando comparadas com outros tipos de inovações introduzidas no mercado. Elas não podem ser confundidas com o aperfeiçoamento de tecnologias existentes - estes sim são processos bastante comuns em termos de desenvolvimento tecnológico. Pode-se comparar a inovação disruptiva, grosso modo, a uma mudança de paradigma: Thomas Kuhn já apontava, na década de 1960, que a ciência ordinária vai produzindo uma série de conceitos, ideias, revisando antigos conceitos e criando um contexto favorável para que, num dado momento, uma revolução científica possa surgir e rearticular o campo do conhecimento. No caso das inovações tecnológicas há um processo similar. As tecnologias são constantemente aprimoradas, surgem novas aplicações, novos materiais e, num dado momento, uma empresa ou uma pessoa empreendedora reorganiza os elementos e propõe uma maneira diferente, mais simples e eficaz de fazer as coisas, modificando a maneira como aquilo era realizado até então. Os exemplos de tecnologias disruptivas são raras.

Ocasionalmente, uma tecnologia aprimorada (e não disruptiva) passa a dominar um mercado existente, seja preenchendo um espaço que os modelos antigos não conseguiam atender, ou seja por um processo de escalada, começando com um produto mais barato com performance inferior que, através de aperfeiçoamentos, finalmente acaba por deslocar os líderes do mercado (como as câmeras digitais substituindo as câmeras por filme). Uma tecnologia evolucionária melhora a performance de produtos já estabelecidos, geralmente de forma incremental. Por contraste, uma tecnologia "disruptiva" introduz produtos com novas características. Este é o tipo de inovação que mais frequentemente substitui o modelo vigente no mercado.

História e uso do termo O termo "tecnologia disruptiva" tem sido usado como sinônimo de "inovação disruptiva", mas há quem considere o último mais adequado, pois uma disrupção do mercado não é causada diretamente pela tecnologia, e sim pelo modo como ela é aplicada. O termo "tecnologia disruptiva" foi cunhado por Clayton M. Christensen, professor da Harvard Business School. Foi apresentado primeiramente no artigo "Disruptive Technologies: Catching the Wave", de 1995, escrito em coautoria com Joseph Bower. O texto era um artigo de divulgação científica, voltado ao público executivo, e não um artigo acadêmico stricto sensu.

Em seu livro de 1997 intitulado "The Innovator's Dilemma" ele se aprofunda na descrição do termo. Nesse livro, Christensen compara o caso da indústria de disquetes e CDs, cujas transformações foram extremamente rápidas, à indústria de equipamentos de escavação, na qual a tecnologia hidráulica lentamente substituiu os cabos e guindastes.

Posteriormente, Christensen lançou "The Innovator's Solution", em coautoria com Michael E. Raynor. O autor passa a adotar o termo "inovação disruptiva", por reconhecer que poucas tecnologias são de fato disruptivas ou sustentadoras - categorias que descreveu em sua proposta teórica. É a estratégia ou modelo de negócios que a tecnologia aciona que cria o impacto disruptivo.

O conceito de tecnologia disruptiva dá sequência a uma longa tradição de estudos sobre a relação entre inovação e mudanças técnicas radicais, e fundamenta o desenvolvimento de ferramentas para seu gerenciamento em níveis corporativos e políticos.

A Teoria miniaturadaimagem|Gráfico representando a Tecnologia disruptiva. No livro "The Innovator's Dilemma", Christensen propõe a existência de inovações tecnológicas "sustentadoras" e "disruptivas".

Uma inovação "sustentadora" (do termo sustaining, em inglês) não afeta de maneira significativa os mercados existentes. Ela pode ser "evolutiva", aprimorando um produto já existente a partir das expectativas do consumidor; e também pode ser "revolucionária", radical, por apresentar uma tecnologia inesperada e nova - que ainda assim não transforma o mercado por ser exclusiva, inacessível, ou até mesmo por criar um novo nicho, antes inexistente.

Uma inovação "disruptiva", por sua vez, suplanta o mercado existente, reconfigurando suas dinâmicas ou criando novos - e acontece geralmente de modo inesperado. Ela fornece um novo conjunto de valores e desloca os produtos, empresas e arranjos líderes ou já consolidados.

Christensen também distingue a disrupção de baixo espectro, que mira consumidores que não necessitam de total performance (valorizada pelos clientes dos mercados de alto espectro), da "disrupção de novo mercado", que mira consumidores que possuem necessidades previamente não servidas pelos incumbentes existentes.

"Disrupção de baixo espectro" ocorre quando a taxa em que os produtos melhoram excede a taxa em que os clientes podem adotar a nova performance. Então, em algum ponto a performance do produto excede as necessidades do cliente de algum segmento. Neste ponto, uma tecnologia disruptiva pode entrar no mercado e prover um produto com uma performance mais baixa que o incumbente, mas que excedem o requerimento de alguns segmentos, então ganhando solidez no mercado.

Na disrupção de baixo espectro, o disruptor é focado inicialmente em servir o cliente com menor liquidez, que está feliz com um produto que é apenas bom o suficiente. Este tipo de consumidor não está disposto a pagar preços altos por melhorias na funcionalidade de algum produto. Quando o disruptor já ganhou solidez o suficiente com este segmento de cliente, ele procura melhor sua margem de lucro. Para conseguir melhores margens, o disruptor necessita entrar num segmento em que o cliente está disposto a pagar um pouco mais por uma melhor qualidade. Para garantir esta qualidade a seu produto, o disruptor precisa inovar. O incumbente não irá fazer muito para segurar sua fatia neste mercado porque não apresenta liquidez o suficiente, e irá se mover para cima no mercado e se focar em clientes mais atrativos. Depois de vários desses encontros, o incumbente é esmagado em mercados menores em que ele costumava servir. E a tecnologia disruptiva irá satisfazer as demandas dos seguimentos com maior liquidez, jogando a companhia estabelecida para fora do mercado.

A disrupção de novo mercado ocorre quando um produto que se encaixa em novos ou emergentes seguimentos do mercado que não é servido pelo incumbente existente na indústria. O sistema operacional Linux quando foi introduzido tinha performance inferior aos outros sistemas operacionais como Unix e Windows NT. Mas Linux era muito mais barato, e depois de anos de melhorias, ele ameaça deslocar os líderes dos sistemas comerciais Unix.

Comparação de inovações disruptivas