O aramaico é uma língua semítica pertencente à família linguística afro-asiática. O nome da língua é baseado na palavra Aram,Oxford English Dictionary designação de antiga região do centro da Síria. Dentro dessa família, o aramaico pertence ao subgrupo semítico, e mais especificamente, faz parte das línguas semíticas do noroeste, que também inclui as línguas canaanitas, assim como o e o fenício. A escrita aramaica foi amplamente adotada por outras línguas, sendo assim ancestral do alfabeto árabe e do hebraico moderno.

Foi a língua administrativa e religiosa de diversos impérios da Antiguidade, além de ser o idioma original de muitas partes dos livros bíblicos de Esdras e Daniel, assim como do Talmude.

O aramaico foi a língua falada por Jesus e ainda hoje é a língua materna de algumas pequenas comunidades no Oriente Médio, especialmente no interior da Síria. Sua longevidade deve-se ao fato de ser escrito e falado pelos aldeões cristãos que durante milênios habitaram as cidades ao norte de Damasco, capital da Síria, entre elas reconhecidamente os vilarejos de Maalula e Iabrude. Além dessas, outras aldeias da Mesopotâmia, como Tur Abdim ao sul da Turquia, fizeram com que o aramaico continuasse a ser falado até os dias de hoje.

Distribuição geográfica Durante o , os arameus, que foram os falantes originais do aramaico, começaram a estabelecer-se em grande número nas regiões onde atualmente situam-se a Síria, o Iraque e a Turquia oriental. Adquirindo importância, passou a ser falado por toda a costa mediterrânica do Levante. A partir do , o aramaico, que era utilizado como língua franca no Oriente Médio, foi substituído pela língua árabe. Entretanto, o aramaico continua sendo usado, literária e liturgicamente, entre os judeus e alguns cristãos. Guerras e dissensões políticas nos dois últimos séculos ocasionaram a dispersão de inúmeros indivíduos que se utilizam do aramaico como língua materna pelo mundo.

História

A história do aramaico pode ser dividida em três períodos: Arcaico (1100 a.C. – 200 d.C.), incluindo: O aramaico bíblico, do hebraico. O aramaico de Jesus. O aramaico dos Targum. Aramaico médio (200 – 1200), incluindo: Língua siríaca literária. O aramaico do Talmude e dos midraxes. Aramaico moderno (1200 – presente)

Classificação baseada em Klaus Beyer *.

Aramaico antigo O aramaico nabateu foi a língua do Reino Nabateu de Petra , que compreendia a área entre a margem leste do rio Jordão, a península do Sinai e o norte da Arábia. Talvez por causa da importância do comércio das caravanas, os nabateus começaram a preferir usar o aramaico ao árabe setentrional antigo. O dialeto é baseado no aquemênida, com um pouco de influência do árabe: o 'l' frequentemente se transforma em 'n' e há algumas poucas palavras tomadas do árabe. Existem algumas inscrições aramaicas nabateanas dos dias mais antigos desse reino, mas a maioria é dos primeiros quatro séculos d.C. A língua é grafada em escrita cursiva, que é a precursora do alfabeto árabe moderno. O número de palavras emprestadas do árabe aumentou através dos séculos, até que, no , o nabateano fundiu-se definitivamente com o árabe.

O aramaico palmireno é o dialeto que se usava na cidade de Palmira no Deserto Sírio, entre os séculos e Era grafado em escrita arredondada, que mais tarde originou a escrita cursiva. Como o nabateano, o palmireno foi influenciado pelo árabe, mas em um grau menor.

O aramaico arsácida era a língua oficial do Império Parta . Mais que qualquer outro dialeto pós-aquemênida, continua a tradição de . Naquele tempo, no entanto, a língua ficou sob a influência do aramaico contemporâneo falado, do georgiano, do persa. Após a conquista dos partos sobre os sassânidas, que falavam o persa, os arsácidas externaram uma influência considerável sobre a nova língua oficial.

direita|thumb|150px|Targum do século XI da Bíblia hebraica

Aramaico oriental antigo tardio Os dialetos mencionados na última seção descenderam todos do aramaico imperial aquemênida. Contudo, os diversos dialetos regionais do aramaico antigo mais recente continuaram juntos com essas, frequentemente como simples línguas faladas. Evidências antigas dessas línguas faladas só são conhecidas por suas influências em palavras e nomes num dialeto mais padrão. Porém, esses dialetos regionais tornaram-se línguas escritas no Os mesmos refletem um tipo de aramaico que não descende do aramaico imperial e mostra uma divisão clara entre as regiões da Mesopotâmia, Babilônia e o leste, e Palestina e oeste.

No leste, os dialetos do aramaico palmireno e arsácida uniram-se com línguas regionais para criar línguas com um pé no Imperial e um pé no aramaico. Muito mais tarde, o arsácida tornou-se a linguagem litúrgica da religião mandeísta, a língua mandeia."Iranian Scripts for Aramaic Languages," em Bulletin of the American Schools of Oriental Research 341 (2006), pp. 53-62.

No Reino de Osroena, centrado em Edessa e fundado em , o dialeto regional tornou-se a língua oficial: o antigo siríaco, na margem superior do rio Tigre, o aramaico mesopotâmico oriental floresceu, com evidências em Hatra, Assur e Tur Abdin. Tatian, o autor do evangelho harmônico Diatessaron, veio da Assíria e talvez tenha escrito seu trabalho () no dialeto mesopotâmico oriental, em vez de no siríaco ou no grego. Na Babilônia, o dialeto regional foi usado pela comunidade judaica, o judeu babilônico antigo . Essa língua do cotidiano cresceu sob a influência do aramaico bíblico e do targúmico babilônico. thumb|Uma "armadilha de demônios" mágica mandeia

Aramaico ocidental antigo tardio Os dialetos regionais ocidentais do aramaico seguiram curso similar àqueles do leste. Eles são muito diferentes dos dialetos do leste e do aramaico imperial. As línguas semitas da Palestina rumaram ao aramaico durante o A língua fenícia, contudo, seguiu até o

A forma do aramaico antigo ocidental recente usado pela comunidade judaica é mais bem atestada e geralmente chamada de antigo palestino judaico. Sua forma mais antiga é o antigo jordaniano oriental, que provavelmente vem da região da cidade de Cesareia de Filipe. Essa é a língua do manuscrito mais antigo de Enoque, da Bíblia . A fase seguinte distinta da língua é chamada de judaico antigo (no ). Literatura em judaico antigo pode ser encontrada em várias inscrições e cartas pessoais, citações preservadas no Talmude e nos Manuscritos do Mar Morto. A primeira edição da Guerra Judaica do historiador Josephus foi escrita em judaico antigo.

O antigo jordaniano oriental continuou a ser usado no primeiro século antes de Cristo pelas comunidades pagãs que viviam ao leste do Jordão. Seu dialeto é frequentemente chamado, então, de antigo palestino pagão, e era escrito de forma cursiva de certa forma similar ao siríaco antigo. Um dialeto antigo palestino cristão pode ter nascido do pagão, e esse dialeto pode estar por detrás de algumas das tendências do aramaico ocidental encontradas nos evangelhos orientais no siríaco antigo.

Dialetos falados na época de Jesus Sete dialetos do aramaico ocidental eram falados na época de Jesus. Eles eram provavelmente distintos ainda que mutuamente inteligíveis. O judaico antigo era o dialeto proeminente de Jerusalém e da Judeia. A região de Ein Gedi-Engedi tinha o Judaico do Sudeste. A Samaria tinha seu aramaico samaritano distinto, onde as consoantes 'he', 'heth' e '`ayin' todas se tornaram pronunciadas como 'aleph'. O aramaico galileu, a língua da região natal de Jesus só é conhecida de alguns poucos lugares, das influências no Targúmico Galileu, de alguma literatura dos rabinos e algumas poucas cartas privadas. Ela parece ter um número de características distintas, como: ditongos nunca são simplificados a "monotongos". A leste do Jordão, os vários dialetos de jordaniano oriental eram falados. Na região de Damasco e no Líbano, o aramaico damasceno era falado, deduzido na sua maioria do aramaico ocidental moderno. Finalmente, bem ao norte, como em Alepo, era falado o dialeto do aramaico de Orontes.

Além desses dialetos do aramaico, o grego era usado extensivamente nos centros urbanos. Há pouca evidência do uso do hebraico durante esse período. Algumas palavras em hebraico continuaram como parte do vocabulário aramaico-judeu (em sua maior parte palavras religiosas, mas também algumas do cotidiano, como `ēṣ, árvore) e a língua escrita do Tanakh era lida e entendida pelas classes cultas. Contudo, o hebraico deixou de ser a língua do dia a dia. Além disso, as várias palavras no contexto grego do Novo Testamento que não são traduzidas, são claramente aramaico ao invés de hebraico. Tirando da pouca evidência que existe, esse aramaico não é o aramaico da Galileia, mas o antigo aramaico da Judeia. Isso sugere que as palavras de Jesus foram transmitidas no dialeto da Judeia e Jerusalém ao invés do de sua cidade natal.

O filme A Paixão de Cristo, de 2004, utilizou diálogos em aramaico especialmente reconstruído por apenas um professor, William Fulco. Contudo, falantes modernos da língua consideraram a linguagem usada pouco familiar.

Aramaico médio O é tido como o limiar entre o aramaico antigo e o médio. Durante aquele século, a natureza das várias línguas aramaicas começaram a mudar. As descendentes do aramaico imperial deixaram de existir como línguas vivas e as línguas regionais do leste e oeste começaram a formar literaturas novas e vitais. Diferente de muitos dos dialetos do antigo aramaico, muito se sabe do vocabulário e gramática do aramaico médio.

Aramaico oriental médio Somente dois dos idiomas do aramaico oriental antigo continuaram nesse período. No norte da região, o antigo siríaco evoluiu para o siríaco médio. No sul, o antigo judeu-babilônico se tornou o judeu-babilônico médio. O dialeto pós-aquemênida, arsácida, se tornou o fundo da nova língua mandeia.

Siríaco

O siríaco médio é, até hoje, a linguagem clássica, literária e litúrgica dos cristãos siríacos. Sua época de ouro foi do século IV ao Esse período começou com a tradução da Bíblia nessa língua: a Peshitta, e a prosa e poesia de Éfrem da Síria. O siríaco médio, diferentemente de seu ancestral, é uma língua completamente cristã, embora no tempo ela tenha se tornado a língua daqueles que se opuseram à liderança bizantina da Igreja no leste. A atividade missionária levou a espalhar o siríaco pela Pérsia, até a Índia e China. direita|thumb|1=250px|Manuscrito do século IX escrito em siríaco Estrangela, da Homilia sobre o Evangelho de João de João Crisóstomo thumbnail|222x222px|O Pai Nosso, Abun dbashmayo, cantado em siríaco

Aramaico judeu-babilônico médio O aramaico judeu-babilônico médio é a língua do Talmude babilônico (que foi completado no ). Apesar de ser a principal língua do Talmude, em seu conjunto, vários trabalhos em hebraico (reconstruído) e dialetos mais antigos de aramaico são cuidadosamente dispostos. O aramaico judeu-babilônico médio é também a língua por trás do sistema babilônico de apontamento (marcando as vogais em um texto que seria primordialmente feito somente com consoantes) da Bíblia hebraica e o seu Targum.

Mandeu

O mandeu é um dialeto muito próximo do aramaico judeu-babilônico,embora linguisticamente e culturalmente diferente. O mandaico clássico é a língua na qual a literatura religiosa dos mandeístas foi composta. Caracteriza-se por uma ortografia altamente fonética.

Aramaico ocidental médio Os dialetos do aramaico do Velho Ocidente continuaram com o dialeto judaico da Média Palestina (em hebraico, no alfabeto hebraico dito "de escrita quadrada"), o dialeto aramaico samaritano (no alfabeto fenício, antiga escrita hebraica) e o dialeto cristão-palestino (em siríaco cursivo, no alfabeto siríaco). Destes três, somente o dialeto judeu da Média Palestina continuou como uma língua escrita.

Aramaico judeu-palestino médio