Psicofobia é o preconceito contra as pessoas que apresentam transtornos e/ou deficiências mentais. Tem sido um termo usado em sentido não-clínico no Brasil, podendo neste contexto ser definido como o preconceito ou discriminação contra pessoas com transtornos mentais e/ou com deficiências psicossociais ou intelectuais. Neste aspecto, o sufixo fobia não é usado de forma clínica, mas no sentido de atitudes negativas ou preconceituosas. Nesse contexto, o sufixo -fobia (derivado do termo grego phóbos, que significa medo exagerado ou grande aversão) não é empregado em seu sentido clínico, mas sim para designar atitudes de natureza negativa ou preconceituosa.

Psicologia é um termo que ganhou notoriedade no Brasil a partir da campanha lançada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em 2011, com o objetivo de combater o preconceito contra indivíduos com doenças mentais e promover a conscientização sobre a importância da saúde mental.

Panorama Histórico Ao longo da história, pessoas com transtornos mentais e/ou deficiência psicossocial ou intelectual foram acusadas de bruxaria ou de serem possuídas por demônios, ou até mesmo de serem servas do diabo. Nos tempos modernos, quando foram desenvolvidas a Psiquiatria e a Psicologia, verificou-se que essas pessoas tinham transtornos mentais, e não demônios ou quaisquer outras explicações acima mencionadas. O preconceito contra pessoas com transtornos mentais ainda é muito grande hoje em dia, e apenas a informação sobre o assunto pode diminuir o preconceito.A psicofobia e o peso das palavras. Acesso em 11 de março de 2016.Vítimas de transtornos mentais sofrem com a psicofobia. Acesso em 11 de março de 2016.

Desse modo, a psicofobia nada mais é do que tratar alguém com transtorno mental com negligência, medo, aversão ou até nojo. Ou seja, quando se inferioriza uma pessoa dizendo coisas como “isso é frescura”, “você está se fazendo de vítima”, ou quando se dizem que alguém é “louco” porque possui um transtorno mental.

É preciso compreender que pessoas com ideias suicidas não estão em busca de atenção, pessoas com depressão não estão tristes, pessoas com ansiedade não são rudes, pessoas com transtorno mental não são loucas ou idiotas. E a Psicofobia só piora todos os tipos de transtornos que existem. A negligência, a ignorância e a solidão levam a pessoa a um estado muito pior do que aquele no qual o transtorno já a coloca.

Contexto e prevalência Os transtornos mentais constituem um desafio de saúde pública do Brasil. Estudos de revisão sistemática e pesquisas populacionais , como os realizados pela Universidade de São Paulo(USP)e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz),mostram prevalências elevadas: uma meta-análise recente estimou que cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros apresentam transtornos mentais comuns, incluindo ansiedade e depressão. Em serviços de atenção primária, as taxas chegam a mais de 50% entre os usuários atendidos em grandes capitais, como Rio de Janeiro , São Paulo e Fortaleza.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) identificou o crescimento significativo da depressão autorrelatada, passando de 7,6% em 2013 para 10,2% em 2019, com maior prevalência entre mulheres, idosos e pessoas de menor renda. Apesar disso, o acesso ao tratamento permanece limitado: apenas parte dos indivíduos com diagnóstico recebe psicoterapia ou acompanhamento especializado, segundo o Plano de Ação em Saúde Mental do Ministério da Saúde.

Alguns grupos apresentam vulnerabilidades adicionais. Pessoas com deficiência intelectual, por exemplo, têm taxas muito maiores de transtornos mentais, chegando a 43,2%, em comparação com 13,7% na população geral. Fatores como desigualdade social, sobrecarga de trabalho e eventos de grande impacto ,como a pandemia de COVID-19,também contribuem para o aumento desses indicadores.

Pesquisa de base populacional e levantamentos setoriais indicam que parcela da população brasileira com transtornos mentais não procura ajuda profissional. Segundo o Espaço Abra, 55,8% das pessoas afirmam não buscar auxílio médico para problemas de saúde mental, citando “insegurança” relacionada ao julgamento social como um dos principais motivos. Em pesquisa com 333 profissionais brasileiros de diferentes empresas, 73% relataram evitar procurar ajuda para questões de saúde mental por medo de julgamento ou discriminação. Psiquiatras também apontam que o autoestigma,a crença de que ter um transtorno mental é sinal de fraqueza , impede muitas pessoas de buscar tratamento.

Impactos e consequência A psicofobia tem efeitos significativos sobre diversos aspectos da vida das pessoas afetadas. Um dos principais impactos é o retardamento na busca por ajuda profissional, já que muitos indivíduos evitam procurar psicólogos ou psiquiatras por medo de serem julgados socialmente.https://iris.paho.org/handle/10665.2/56358 O estigma também contribui para o isolamento social e profissional, dificultando a inserção em ambientes de trabalho e o acesso à educação. Pesquisas apontam que a discriminação pode prejudicar o processo terapêutico, levando à desmotivação e à desistência do tratamento.DIAS, L. S. et al. Preconceito contra pessoas com transtornos mentais: uma barreira invisível ao tratamento. Revista de Extensão Unesc, Criciúma, v. 4, n. 2, 2019.

Além das consequências pessoais, a psicofobia gera impactos econômicos e institucionais. Em 2023, foram concedidos 288.865 benefícios por incapacidade relacionados a transtornos mentais no Brasil, representando um aumento de 38% em relação a 2022.SILVA, T. P.; MARTINS, G. R. Estigma e saúde mental: desafios da reforma psiquiátrica brasileira. Revista de Medicina e Humanidades, Universidad Nacional de Córdoba, 2018. Do ponto de vista cultural, o estigma mantém viva a associação entre sofrimento psíquico e “loucura”, o que reforça preconceitos e mitos históricos. Apesar dos avanços da Reforma Psiquiátrica e das políticas de saúde mental, as transformações culturais sobre o tema ocorrem de forma gradual.https://www.scielosp.org/pdf/physis/2008.v18n4/836-840

Legislação e combate à psicofobia Diversos estados brasileiros como ,Goiás, Espírito Santo, e Mato Grosso do Sul aprovaram leis e campanhas de conscientização sobre o tema. Em Goiás, por exemplo, foi instituída a Semana Estadual de Combate à Psicofobia, voltada à promoção de ações educativas e à defesa dos direitos das pessoas com transtornos mentais.. No Estado do Espírito santo, o dia 12 de Abril se tornou a data estadual de combate á psicofobia, uma data para estimular a conscientização e a quebra de preconceito que acerca transtornos e deficiências mentais.. No Estado do Mato Grosso do Sul, o dia do enfrentamento á Psicofobia é no dia 12 de Abril, com o intuito de conscientizar sobre o duplo sofrimento de de ser diagnosticado e ser tratado com violência além de combater atitudes preconceituosas contra pessoas com transtornos mentais. O estado do Rio de Janeiro contém uma proposta de lei, o programa estadual de combate á psicofobia que é referente á conscientização desmistificando preconceitos e discriminações desenvolvendo campanhas sobre o tema.

A Associação Brasileira de Psiquiatria defende que o enfrentamento à psicofobia deve envolver educação pública, políticas inclusivas e empatia social, a fim de reduzir o estigma e promover o cuidado integral em saúde mental .. A ABP coordena a campanha contra a Psicofobia desde 2014, com o intuito de combater o estigma e o preconceito contra os portadores de doenças mentais. ao longo dos anos á campanha recebeu apoio de artistas e representantes de diversos partidos, e casas legislativas.

Com o objetivo principal de combater o preconceito contra o portador de transtorno mental e contra o psiquiatra, a campanha “A Sociedade Contra o Preconceito” é, também, uma iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria contra qualquer outro tipo de preconceito seja ele étnico-racial, religioso , de gênero ou de deficiência. Dentro desta campanha está o PLS 236/2012 que criminaliza a psicofobia. o PSL 236/2012 foi um marco na luta para reconhecer e punir a psicofobia como forma de discriminação, buscando dignidade e garantia de direitos para pessoas com sofrimento mental.

Legislação ao redor do mundo

A psicofobia é observada em diferentes contextos socioculturais ao redor do mundo, manifestando-se por meio do Estigma e da Discriminação contra pessoas com transtornos de Saúde mental.

Nos Estados Unidos, levantamento divulgado pela CBS News indica que quase nove em cada dez americanos reconhecem a existência de estigma e discriminação em relação a pessoas com transtornos mentais. Além disso, pesquisas do Pew Research Center apontam que aproximadamente 50% dos adultos com algum transtorno mental não recebem tratamento adequado, estando o estigma social entre os fatores associados a essa realidade.

Na Europa, estudos de opinião conduzidos pela YouGov no âmbito do projeto Eurotrack, realizados em sete países europeus (Reino Unido, Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Espanha e Suécia), indicam que, embora muitas pessoas considerem os problemas de saúde mental tão sérios quanto as doenças físicas, a maioria acredita que a sociedade atribui maior valor às condições físicas. De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os transtornos mentais tendem a receber menor reconhecimento institucional em comparação à saúde física em diversos países europeus.

Na Ásia, estudo comparativo publicado na revista científica Frontiers in Psychology, envolvendo seis sociedades asiáticas, apontou que, em alguns contextos, até 94,7% dos pacientes diagnosticados com Esquizofrenia relataram experiências de autoestigma, caracterizado pela internalização de atitudes negativas associadas à condição. Relatórios sobre o mercado de trabalho asiático indicam que o receio da discriminação relacionada à saúde mental está associado a impactos profissionais, incluindo limitações percebidas nas oportunidades de carreira.

Ver também

Capacitismo

Orgulho louco

Movimento antimanicomial

Preconceito linguístico

Aporofobia

Discriminação estética

Ligações externas

Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP