thumb|direita|Platão (esquerda) e Aristóteles (direita) Crematística (do grego: χρηματιστική), ou o estudo da riqueza ou uma teoria particular da riqueza medida em dinheiro, teve historicamente níveis variados de aceitação na cultura ocidental.
Grécia Antiga Aristóteles estabeleceu uma diferença entre economia e crematística que seria fundamental no pensamento medieval. A crematística, para Aristóteles, era a acumulação de dinheiro por si só, especialmente por meio da usura, uma atividade não natural que desumaniza quem a pratica. A economia, para Aristóteles, é o uso natural do dinheiro como meio de troca.
De acordo com Aristóteles, a economia "necessária" é lícita se a venda de bens for feita diretamente entre o produtor e o comprador pelo preço justo; não gera um produto de valor acrescentado. Em contrapartida, é ilícita se o produtor compra para revender aos consumidores por um preço mais alto, gerando valor acrescentado. O dinheiro deve ser apenas um meio de troca e medida do valor. Este sistema de vendas diretas só funciona quando há produtores e consumidores limitados.
Idade Média A Igreja Católica manteve esta doutrina econômica ao longo da Idade Média. São Tomás de Aquino aceitava a acumulação de capital se servisse para fins virtuosos, como a caridade.
Moderno Embora Martinho Lutero se insurgisse contra a usura e a extorsão, sociólogos modernos argumentam que ele inspirou doutrinas que auxiliaram a difusão de práticas capitalistas na Europa moderna inicial. Max Weber defendeu que as seitas protestantes enfatizavam a frugalidade, sobriedade, consumo adiado e poupança.
Em O Capital de Karl Marx, Marx desenvolveu uma teoria do valor-trabalho inspirada nas noções de troca de Aristóteles e destacando as consequências do que também chama de auri sacra fames (maldita sede de ouro), uma referência latina de Virgílio à paixão pelo dinheiro em si.
Teoria crematística no marketing Da perspetiva dos sistemas de marketing, a crematística refere-se ao processo de influenciar manipulativamente a estrutura, funções e resultados dos sistemas de marketing, perpetuado por atores do sistema de marketing que detêm poder, conhecimento e competências necessárias. Para estudar a crematística nos sistemas de marketing, os investigadores podem empregar a seguinte metodologia de investigação em macromarketing proposta por Kadirov et al. (2016): enquadrar um sistema de marketing para análise; recolher dados ricos (qualitativos e quantitativos) sobre o sistema de marketing em foco; analisar os seguintes sintomas: miopia das necessidades comunitárias, engenharia da procura, comercialização e a visão de "sucesso"; analisar os custos de oportunidade relacionados com o design dos sistemas de marketing e normas coletivas; analisar mecanismos retóricos a nível societal; estudar como as mudanças institucionais são transformadas em fluxos de receita.
Ver também Crítica da economia política Antropologia econômica
Leitura adicional Aktouf, O. (1989): "Corporate Culture, the Catholic Ethic, and the Spirit of Capitalism: A Quebec Experience", in Journal of Standing Conference on Organizational Symbolism. Istanbul, pp. 43–80. Browdie, S.; Rowe, C. (2002): Aristotle's Nicomachean Ethics: Translation, Introduction, and Commentary. Oxford: Oxford University Press. Daly, H. e COBB, J. (1984): 'For the Common Good: Redirecting the Economy toward Community, the Environment, and a Sustainable Future'. Boston: Beacon Press. Gržan, Karel (2019): '95 Theses: Nailed to the Door of the Shrine of Neoliberal Capitalism to Achieve Liberation from Parasitic Chrematism'. Rok Zavrtanik, et al., Amazon. Kraut, R. (ed.) (2006): The Blackwell Guide to Aristotle’s Nicomachean Ethics. Oxford: Blackwell. Kadirov, D., Varey, R. J., & Wolfenden, S. (2016). Investigating chrematistics in marketing systems: a research framework. Journal of Macromarketing, 36(1), 54–67. McLellan, D. (ed.) (2008): Capital (Karl Marx): An Abridged Edition. Oxford: Oxford Paperbacks; Abridged edition. Pakaluk, M. (2005): Aristotle’s Nicomachean Ethics: An Introduction. Chicago: University of Chicago Press. Schefold, B. (2002): "Reflections on the Past and Current State of the History of Economic Thought in Germany", in History of Political Economy 34, Annual Supplement, pp. 125–136. Shipside, S. (2009): Karl Marx's Das Kapital: A Modern-day Interpretation of a True Classic. Oxford: Infinite Ideas. Tanner, S.J. (2001): The Councils of the Church. A Short History. New York: The Crossroad Publishing Company. Warne, C. (2007): Aristotle's Nicomachean Ethics: Reader's Guide. London: Continuum.
Categoria:Escolas de pensamento econômico