Babe é um filme australo-americano de 1995, dos gêneros aventura, fantasia e comédia dramática, dirigido por Chris Noonan, produzido por George Miller e escrito por ambos. Os papéis principais são interpretados por James Cromwell e Magda Szubanski, com as vozes de Christine Cavanaugh, Miriam Margolyes, Hugo Weaving e Danny Mann.
É uma adaptação do romance The Sheep-Pig (1983), também conhecido nos Estados Unidos como Babe: The Gallant Pig, do escritor britânico Dick King-Smith. O enredo gira em torno de um porco criado como gado que quer fazer o trabalho de um cão pastor. Centenas de animais, treinados por Miller e 59 assistentes, foram necessários para a produção do filme. Os animais centrais foram interpretados por uma combinação de porcos reais com minuciosas réplicas animatrônicas e cães da raça border collie.
Depois de sete anos de desenvolvimento, Babe foi filmado em Robertson, Nova Gales do Sul, Austrália. Os efeitos visuais dos animais falantes foram providenciados pelos estúdios Rhythm & Hues e Jim Henson's Creature Shop. O filme se tornou um grande sucesso de bilheteria e crítica, arrecadando cerca de 254 milhões de dólares em todo o mundo. Recebeu indicações para sete prêmios da Academia, incluindo o Oscar de melhor filme, tendo vencido a estatueta de melhores efeitos visuais. O longa-metragem ganhou uma continuação chamada Babe: Pig in the City em 1998, com direção de Miller.
Enredo
Um leitão órfão chamado Babe é escolhido como prêmio de uma competição numa feira rural. Adquirido pelo fazendeiro Arthur Hoggett, ele é levado para um celeiro, onde conhece vários animais da fazenda e é acolhido como filho por Fly, uma atenciosa border collie cujo parceiro, Rex, tem uma visão rígida sobre a função de cada animal naquele ambiente.
Ferdinand, um pato que canta como galo de manhã a fim de ser considerado útil e poupado de virar refeição, convence Babe a ajudá-lo a roubar um despertador adquirido por Esme Hoggett, a esposa do fazendeiro. Durante a missão, eles acordam a gata de estimação de Esme, e na confusão acabam destruindo a sala de estar. Rex ordena que Babe se afaste da casa e do pato.
No Natal, Arthur impede que Babe seja morto para a ceia. Depois de Babe alertá-lo sobre ladrões de ovelhas, o fazendeiro percebe que o suíno é capaz de organizar galinhas em grupos e decide lhe dar uma chance de pastorear ovelhas. Maa, uma ovelha idosa e doente, convence suas iguais a ajudarem Babe. Rex, indignado, acha que isso é um insulto aos cães pastores e confronta Fly. Na luta, ele morde Hoggett acidentalmente e acaba por ser acorrentado, amordaçado e sedado por um veterinário.
Mutilada por cães ferozes, Maa morre na frente de Babe. Hoggett pensa que o porco a matou e decide abatê-lo. Depois de ouvir das ovelhas o que realmente aconteceu, Fly distrai o fazendeiro por tempo suficiente até Esme mencionar que cães estão matando ovelhas em fazendas vizinhas. Esme sai em uma viagem e Hogget decide inscrever Babe num concurso de cães pastores.
Durante a noite chuvosa, Hoggett permite que Babe e Fly fiquem dentro de casa. A gata arranha Babe e Hoggett a expulsa. Ela volta e revela ao leitão que os humanos comem porcos. Angustiado, o porquinho decide fugir e é encontrado num cemitério. Hoggett canta uma canção para Babe, que restaura sua confiança no fazendeiro.
Na competição, Hogget e Babe se apresentam diante das risadas da multidão na arquibancada. As ovelhas ignoram Babe. Decidido a se redimir, Rex corre para a fazenda, onde as ovelhas revelam-lhe a senha secreta delas; ele promete tratá-las melhor dali em diante. Rex retorna e passa a senha a Babe, cujos pedidos são atendidos pelas ovelhas. A multidão aplaude, os juízes dão a nota máxima e Esme acompanha tudo pela televisão. Hoggett olha para Babe e diz com um sorriso: "Arrasou, porco! Arrasou."
Elenco A seguir, a relação do elenco original conforme a ordem mostrada nos créditos de encerramento do filme:
Christine Cavanaugh — Babe (voz) Miriam Margolyes — Fly (voz) Danny Mann — Ferdinand (voz) Hugo Weaving — Rex (voz) Miriam Flynn — Maa (voz) Russi Taylor — Gata (voz) Evelyn Krape — Ovelha Idosa (voz) Michael Edward-Stevens — Cavalo (voz) Charles Bartlett — Vaca (voz) Paul Livingston — Galo (voz) Roscoe Lee Browne — Narrador James Cromwell — Fazendeiro Hoggett Magda Szubanski — Esme Hoggett Zoe Burton — Filha Paul Goddard — Genro Wade Hayward — Neto Brittany Byrnes — Neta Mary Acres — Valda Janet Foye, Pamela Hawken e Karen Gough — Camponesas David Webb — O veterinário Marshall Napier — Presidente dos jurados Hec Macmillan e Ken Gregory — Homens do Lions Club Nicholas Lidstone — Ladrão de ovelhas Trevor Read e Nicholas Blake — Eletricistas Matthew Long — Oficial de julgamento dos cães pastores John Doyle e Mike Harris — Comentaristas da televisão
Os filhotes de Fly foram dublados por Ross Bagley, Rachel Davey, Jazzmine Dillingham, Kevin Woods, Gemini Barnett, Debi Derryberry e Courtland Mead. As ovelhas, por sua vez, receberam as vozes de Jane Alden, Patrika Darbo, Julie Forsyth, Rosanna Huffman, Tina Lifford, Linda Phillips, Kerry Walker, Kimberly Bailey, Michelle Davison, Maeve Germaine, Carlyle King, Gennie Nevinson e Paige Pollack.
Produção Desenvolvimento Eu adoro a história tanto por seu subtexto quanto por sua trama superficial. É sobre preconceito em uma fazenda onde cada animal tem seu lugar predeterminado. Nesse mundo tendencioso, entra um porco com um coração sem preconceitos, que é simpático com todas as criaturas que encontra e, tratando as ovelhas e todos os outros animais como iguais, muda irrevogavelmente suas vidas e se torna cão pastor campeão mundial nesse processo. — George Miller, sobre sua afeição por The Sheep-Pig, o livro que originou Babe.
Babe é baseado no romance The Sheep-Pig, do autor britânico Dick King-Smith, sobre um leitão órfão que mora numa fazenda e quer se tornar um cão pastor. King-Smith foi fazendeiro por 20 anos até se tornar, aos 55, escritor de literatura infantil. Para criar essa história, ele se inspirou numa tradição da pequena área rural onde vivia. Anualmente, realizava-se uma feira na qual um pequeno leitão era oferecido como prêmio à pessoa que adivinhasse seu peso com mais precisão. O escritor imaginou o que aconteceria se alguém ganhasse um porco numa feira como essa, mas decidisse que o suíno "não seria destinado ao congelamento, mas sim a coisas mais altas". King-Smith levou apenas três semanas para escrever o livro, que foi publicado em 1983.
A obra, comercializada no Reino Unido como The Sheep Pig e nos Estados Unidos como Babe the Gallant Pig, venceu diversos prêmios, incluindo o Guardian Children's Fiction Award de 1984, no Reino Unido, e o Horn Book Award do Boston Globe, em 1985. George Miller conheceu o livro em 1986, durante um longo voo da British Airways de Sydney para Londres. Com fones de ouvido, ele escutava um programa radiofônico infantil no qual a apresentadora fazia comentários sobre livros. Intrigado com os risos e o entusiasmo da mulher ao falar sobre The Sheep-Pig, Miller anotou o título para comprá-lo quando chegasse a Londres. Após ler o romance, ele ficou encantado com a história.
Dentro de poucos meses, ele contatou os agentes de King-Smith em Londres e negociou a compra dos direitos do livro. Como a trama envolvia muitos animais que conversavam entre si, não havia concorrência pela aquisição, e Miller conseguiu adquiri-la a um preço bastante razoável. Era esperado que o livro fosse adaptado para um filme de animação, mas essa não era a vontade de Miller. Os personagens animais eram tão realistas que ele sentia que a história funcionaria muito melhor com animais vivos e considerava que um longa-metragem animado seria imediatamente rotulado de filme infantil, reduzindo drasticamente seu público potencial. O cineasta queria que o filme também atraísse os adultos, pois acreditava que a história também tocaria esse público.
Ao evitar a animação, Miller se deparou com outro problema, pois a tecnologia de computação gráfica capaz de fazer os animais reais parecerem falar ainda estava longe de existir naquela época e a maioria das pessoas duvidava que isso fosse possível algum dia. Miller, entretanto, não desistiu da ideia, segundo ele, motivado pela própria mensagem do livro: "aquele porquinho [...] tentando fazer algo com a bondade de seu coração, mas sendo zombado por animais preconceituosos e pessoas que não o deixavam fazer coisas de cachorro, bem, o espírito da coisa me incentivou de alguma forma".
Roteiro e pré-produção Miller optou por confiar a direção do filme a outro cineasta, pois ele acreditava que o longa-metragem, se fosse para ser feito com animais vivos, precisaria de um diretor particularmente talentoso, detalhista e com muita paciência (mais, segundo Miller, do que ele próprio possuía). Miller então conseguiu entrar em contato com Chris Noonan, um diretor australiano com quem havia trabalhado antes. Noonan comentou:
Em 1988, Miller e Noonan deram o primeiro passo na construção do filme: a elaboração do roteiro. Inicialmente, eles se encontravam todos os dias e conversavam sobre todos os aspectos da história e então decidiram fazer algumas alterações em relação ao romance de King-Smith. Dois novos personagens animais foram adicionados: o pato Ferdinand para alívio cômico e o cão pastor Rex para proporcionar um pouco mais de tensão. Visando enfatizar a ideia de que os animais servem de alimento, os cineastas acrescentaram uma cena inicial em que Babe observa a mãe ser levada para o matadouro; o romance, por sua vez, começa com Hoggett tentando adivinhar o peso do porco na feira. Também tornaram bem mais elaborado o momento no qual o fazendeiro descobre a inocência do leitão no caso da morte da ovelha. Além disso, deixaram a Sra. Hoggett com uma personalidade mais fria, pois no livro ela até trata Babe como animal de estimação, mas no filme quer apenas matá-lo para comer.
Depois de aproximadamente três meses, Miller e Noonan desenvolveram um minucioso guia com storyboards para a construção de cada cena do filme. Nessa altura, os cineastas interromperam as reuniões para que Noonan escrevesse o primeiro rascunho de um roteiro. Concluída essa etapa, a dupla reuniu-se novamente para discutir o que funcionaria ou não na narrativa. Após todas as análises, Noonan retirou-se para escrever o segundo rascunho. Esse processo continuou ao longo de, aproximadamente, quatro anos; ao todo, foram escritos cerca de vinte rascunhos até que os cineastas estivessem satisfeitos. Com a pré-produção programada para levar dezoito meses, a produção seis e pós-produção doze, os executivos da Kennedy Miller Productions, produtora fundada por Miller, decidiram que o longa-metragem seria filmado inteiramente na Austrália.
Em meados de 1989, a dupla começou a procurar financiamento para o longa-metragem. Eles sabiam que teriam que recorrer a um dos grandes estúdios dos Estados Unidos, pois acreditavam que nenhuma companhia produtora da Austrália teria condições de investir num filme tão caro. Os maiores estúdios americanos inicialmente se entusiasmavam com o projeto, mas o interesse diminuía rapidamente ao avaliarem a proposta, pois ponderavam quão incerto seria investir num filme como aquele. Noonan comentou que isso se devia ao "conceito bastante radical" do projeto, que tinha "todos os ingredientes para dar errado: animais, efeitos especiais e filmagens ao ar livre e, portanto, sujeitas ao clima e às estações do ano". No final, a proposta foi aceita apenas pela Universal Pictures, que quase abandonou a produção pouco antes do início das filmagens.
Locações e cenários thumb|Vista aérea de Robertson, a pequena cidade australiana onde Babe foi filmado