miniaturadaimagem|299x299px|Estátua do Cacique Tindiqüera em homenagem ao povo tingüi, na Praça Tiradentes, em Curitiba. Os povos indígenas do Paraná eram pertencentes a duas grandes áreas culturais: a da floresta tropical e a marginal. No primeiro grupo está a grande família tupi-guarani, com a numerosidade de suas tribos e no segundo a grande maioria da família jê., p. 6-7.

De acordo com Curt Nimuendaju, as mais importantes tribos que pertencem às áreas culturais, assim se distribuíam em território paranaense: os tupis eram predominantes no litoral e a nordeste e oeste do estado. Foram estes índios os primeiros a contatar com os portugueses.

Entre os macro-jê mereceram destaque os caingangues e xoclengues (botocudos). Esta área cultural não teve chegada ao fato de que os etnógrafos do Paraná estudassem bem, o que esvazia um pequeno espaço a preencher no trabalho de estudar a pré-história paranaense. O estudo dos indígenas tem grande complicação, porque os autóctones corriam frequentemente pelo sertão, o que torna grandemente difícil o fato de localizar uma tribo, e mesmo a causar confusão com as tribos entre si.

Diferenças étnicas thumb|200px|esquerda|Índios caiouás em 1860 no Paraná. Atualmente os indígenas representam menos de 1% dos paranaenses. Quando os portugueses se contataram com os nativos, tiveram melhor capacidade de entendimento com os tupis-guaranis do que com os jê. Deve isso ao maior avanço dos tupi-guaranis serem em relação aos gês. As técnicas que os primeiros utilizaram, no trabalho de confeccionar seus utensílios, tinham muito mais avanço do que o trabalho dos jê. É verdade que ambas as nações foram de encontro ainda na Idade da Pedra Polida, porém, de forma incontestável os tupis tinham o maior avanço. Sua atividade econômica era agricultura de subsistência. Eram plantadores de milho, mandioca, algodão e fumo. Não tinham conhecimento do arado, mas praticavam a plantação em covas, que abriram no chão com paus dotados de pontas. O tempo de duração de suas roças era de 5 a 6 anos num certo lugar, até causar o esgotamento da caça ao redor, provocando o deslocamento para outras paragens de maior favorabilidade., p. 7-8. Sua alimentação era completada com os produtos de coleta, quais sejam: frutas, raízes, larvas, mel, erva-mate, jerivá, etc.

Os tupi-guaranis contribuíram para o desenvolvimento de uma cerâmica que tivesse maior avanço, produzindo a confecção da quantidade em abundância de recipientes e vasilhas de barro cozido. Ainda eram fabricantes de uma variedade de cestas e peças, com fibras e taquaras. Faziam uso do algodão nativo para fiar. Com o fio eram realizadores da grandiosidade de trabalhos de tecelagem, dos quais merecem destaque a rede de dormir (eni) e tecidos com bastante aperfeiçoamento. A ocas em que os indígenas moravam eram feitas de estacas de madeira com cobertura de folhas extraídas da palmeira e do butiá.

Mas, uma das maiores conquistas que os tupis-guaranis tiveram foi dominar da técnica de eliminar o ácido dihidrocianídrico, que tem muito veneno. O ácido dihidrocianídrico existe na raiz da mandioca. O fato de utilizar tal técnica tornou possível o trabalho de fabricar a fartura de farinha da mesma em abundância, tornando fácil de maneira enorme a alimentação.

Divisão do trabalho Na sociedade tribal em que o índio paranaense vivia, um dos elementos que mais advertiu o caucasiano foi o trabalho dividido entre o homem e a mulher. A mulher era a dona de casa que trabalhava. Fazia o preparo da comida, era cuidadosa com as crianças, preparava a confecção das peças feitas de cerâmica, trabalhava na feitura da farinha de mandioca, entrelaçava os fios da rede e tomava conta do trabalho de plantar. O homem, por sua vez, se interessava pelos trabalhos de caçar, de pescar, de derrubar o mato para as mulheres praticarem o cultivo de produtos agrícolas, de fabricar armas, de construir as ocas e as pirogas; também se responsabilizavam por promover a segurança da tribo.

Contribuições do indígena Quanto ao paranaense são muitas as contribuições influenciadas pela herança indígena, seja no trabalho do dia-a-dia, ou em seus usos e costumes:, p. 8-10.

influência étnica: os milhares de habitantes indígenas do Paraná em sua grande maioria passaram por eliminação de maneira definitiva ou passaram por incorporação à sociedade, miscigenados. vocabulário: é grande a quantidade dos termos que se originaram do tupi-guarani ou gê no linguajar do dia-a-dia, como por exemplo: Paraná, Curitiba, Paranapanema, Paranaguá, Iguaçu, Tibagi, Marumbi, canjica, butiá, vossoroca, guri, etc. A língua indígena contribuiu com nomes de acidentes geográficos, como rios, serras, picos, etc. alimentação: o uso da farinha de mandioca tem grande difusão entre a população. Esta farinha era importante para o índio como a farinha de trigo era importante para o caucasiano. O trabalho de eliminar o ácido venenoso possuído pela mandioca brava, tornou proporcional uma fonte de alimento dotada de grandeza para os índios. Atualmente, se conhece o seu uso na totalidade das camadas sociais. Também o mingau, canjica, paçoca e outros alimentos, tiveram o seu uso que se originou dos índios; A eni (rede) utilizada pelo caucasiano, que atualmente generalizou o uso deste utensílio doméstico, foi usada pelos índios para repousar na dormida em suas ocas, porque não eram conhecedores da cama; a erva-mate: foram os índios da família guarani que deram orientação ao homem branco de como se utiliza essa erva. Atualmente, tem utilizado definitivamente nas tradições culturais da Região Sul do Brasil, constituindo-se num chá quente, gelado ou do tradicional chimarrão; o fumo: os europeus não eram conhecedores do fumo. Os colonizadores apenas passaram a ter conhecimento dele na América. Os índios eram utilizadores desse vegetal, aspirando o fumo em cachimbos feitos de barros. Atualmente, seu uso é universal, constituindo-se em cigarro e charuto; o costume do banho diário e do cabelo de loção; são elementos que o colonizador português aprendeu com os indígenas.

Sambaquis No Paraná, um dos principais vestígios arqueológicos deixados pelos indígenas são os sambaquis, encontrados no litoral. São conchas, ostras, ossos de animais sobretudo marinhos e pedras, amontoados irregularmente, nos quais encontra-se farto e abundante material arqueológico., p. 10-11.

Discutiu-se muito a respeito da origem desses sambaquis. Uns defendiam a tese da origem natural, segundo a qual as águas marinhas teriam acumulado este volumoso material. Hoje, é ponto pacífico sua origem artificial. Sambaquis seriam restos de cozinha indígena, acumulados em vários séculos. Predominam, nestas jazidas arqueológicas, evidências de pedra, osso e cerâmica, trabalhados pela mão indígena. Estas amostras permitem formar uma ideia de como vivia o homem pré-histórico na região. As peças indígenas ali encontradas que mais chamam a atenção são os zoolitos, figuras de pedra, reproduzindo geralmente aves, animais ou peixes, de uma escultura rudimentar.

Antigamente, as populações litorâneas denominavam os sambaquis de ostreiras. Estes não foram feitos por uma só tribo. Os grupos humanos que do planalto desciam para o litoral atraídos pela vida ligada ao mar, conseguiam expulsar por vezes grupos indígenas que ali se encontravam. Estabeleciam-se de preferência em mangues, onde se arranchavam. Deste ponto partiam para a procura e coleta de animais marinhos. Com seu consumo sustentavam-se durante o tempo que durasse sua estada no local. As carnes eram secadas ao sol e levadas posteriormente para a sede de suas aldeias. As conchas, carapaças e outras partes resistentes eram acumuladas em montões, ao lado do acampamento, chegando alguns deles a formar verdadeiras elevações. Desses sambaquis ou ostreiras é que foi retirada a matéria prima com a qual se fazia a cal para as edificações das vilas litorâneas.

Se acontecia que algum índio morresse durante o período de pescaria, era enterrado nestes montes e coberto com as conchas do sambaqui. Com o recuo lento e progressivo do mar nos últimos milênios, muitos desses sambaquis ficaram a vários quilômetros da atual linha do litoral.

Chegada dos portugueses Os primeiros índios paranaenses que entraram em contacto com os portugueses foram os carijós, que habitavam o litoral. Estes eram inimigos dos tupininquim, que habitavam o litoral de São Paulo. Por esse motivo, inicialmente combateram também os portugueses, que eram aliados dos tupiniquins. Este fato foi explorado contra os portugueses por Ruy Moschéra, espanhol que se estabeleceu ilegalmente em Iguape, em 1531., p. 11-12. A destruição da expedição que em 1531, com 80 homens, Martim Afonso de Sousa enviou para os sertões à procura de ouro, chefiada por Pero Lobo, seria obra de Ruy Moschéra.

Em 1562, alguns jesuítas, aproveitando a companhia de espanhóis que partiram a pé de São Vicente até o Prata, chegara ao território paranaense, com o objetivo de catequizá-los. Foram trucidados pelos carijós, pois foram considerados como espiões dos tupiniquins.

Entretanto, apesar destes revezes, os jesuítas da Casa da Missão de São Vicente continuavam enviando esporadicamente catequistas para os indígenas, não só carijós como os do planalto curitibano. Em 1545, o espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca, que da ilha de Santa Catarina dirigiu-se até Assunção no Paraguai, encontrou, nas margens do rio Iguaçu, um índio já convertido pelos jesuítas portugueses. No início do século XVII, os padres jesuítas fundaram uma Casa de Missão em Cananeia, donde continuaram a enviar missionários para o sul.

Um dos jesuítas que mais se tornou conhecido pelo seu trabalho com os índios do Paraná foi o padre Leonardo Nunes, cognominado pelos carijó de araré-bebe (padre voador). Em 1605, os padres João Lobato e Jerônimo Rodrigues trabalhavam entre os carijós. Em 1690, trabalhava com o gentio de Curitiba o padre Melchior de Pontes. thumb|Família guarani capturada por caçadores de índios no Paraná, tela de Jean Baptiste Debret de 1830 No século XVII, fundaram os jesuítas portugueses uma Casa de Missão em Superagui (litoral norte da baía de Paranaguá), donde passaram a partir catequistas até a região de Laguna. Os jesuítas conseguiram estabelecer-se em Paranaguá, porém alguns anos mais tarde (1759), os padres da Companhia de Jesus foram expulsos dos territórios portugueses.

Carijós Estes índios eram no início muito altivos e orgulhosos de sua liberdade. O trabalho dos jesuítas no seu meio predispôs os mesmos a entrarem em contacto com os portugueses. Domingos Peneda, vindo do Rio de Janeiro, foi o primeiro a conseguir levar alguns carijós até aquela cidade. As câmaras municipais de São Vicente e Santos protestaram por essa intromissão em suas terras e declararam guerra ao indígena carijó (1585), sob alegação de vingar insultos feitos aos portugueses. Na realidade, os portugueses do litoral paulista queriam mão-de-obra escrava para suas fazendas e os carijós pareciam ser a melhor solução., p. 12-13. Foram então aldeados muitos deles e levados para trabalharem na lavoura de São Paulo.

Com a descoberta do ouro no litoral paranaense, formaram-se Companhias de Índios das Minas. Os carijós foram explorados ao máximo na cata de ouro do litoral. Os outrora orgulhosos e valentes homens de arco (guerreiros) transformaram- se em índios administrados, isto é, praticamente escravos. Aprenderam a lavrar ouro na baía de Paranaguá e em consequência foram levados pelos paulistas até Goiás. Aí muitos deles fugiram das bandeiras e internaram-se nos sertões do Araguaia, vindo a formar a conhecida tribo dos canoeiros (habilidade adquirida na baía de Paranaguá). Os carijós tiveram lugar de destaque nas guerras do Prata contra os espanhóis, desempenhando importante papel na anexação do Rio Grande do Sul ao Império Colonial Português. Em São Paulo, devido ao grande número de índios oriundos do litoral paranaense, a palavra carijós passou a ser sinônimo de índio.