A arte olmeca caracteriza-se por uma grande mestria na escultura e cinzelagem, a qual não foi excedida por nenhuma outra civilização pré-colombiana. Esta mestria é visível tanto na arte colossal como na arte miniatural.

Os artistas olmecas produziam a sua arte em argila, pedra (sobretudo basalto, andesito, jade e obsidiana) e madeira e ainda na forma de pinturas rupestres. A criação artística desta civilização obriga à distinção entre a arte monumental ou colossal e a arte menor ou arte mobiliária.

A cultura olmeca, que existiu entre 1200 e 500 a.C., foi a primeira das grandes civilizações mesoamericanas, e entre estas a primeira a desenvolver um sistema de escrita e um calendário. Mas foi sem qualquer dúvida a sua arte excepcional, tanto pela sua riqueza iconográfica como pelas suas qualidades técnicas, que tornou-se uma referência e uma herança para todas as culturas mesoamericanas posteriores. Deste modo a escrita maia vai apropriar-se do primeiro sistema glífico elaborado pelos artistas olmecas. Os toltecas, zapotecas, astecas e todas as outras civilizações da Mesoamérica acabarão também elas por usar a cultura olmeca como referência em muitos outros domínios, sejam eles artísticos, técnicos, religiosos ou intelectuais.

Historiografia left|350px|thumb|Mapa mostrando alguns sítios olmecas.

A arte olmeca permaneceu desconhecida até 1862, ano da descoberta fortuita da primeira cabeça colossal em Hueyapan (Veracruz) efetuada por José María Melgar y Serrano. Será necessário esperar até 1925 para que sejam descobertos outros megálitos olmecas. Os especialistas Frans Blom, arqueólogo, e Oliver La Farge, etnógrafo, exploram a costa do golfo do México e o sudeste do México. As suas primeiras descobertas de obras olmecas são incorretamente confundidas com obras maias. O arqueólogo Hermann Beyer, nos anos trinta, dá o nome "olmeca" a esta nova civilização. A cultura e arte olmecas são então definidas e o termo é oficializado em 1942 pelos olmecólogos para designar a civilização-mãe da Mesoamérica, cujos centros mais importantes conhecidos são La Venta, San lorenzo Tenochtitlán, Laguna de los Cerros, Tres Zapotes e Cerro de las Mesas, nos atuais estados mexicanos de Tabasco e Veracruz, e ainda Tlacozotitlan e Abaj Takalik situados em Guerrero e na Guatemala, respetivamente. Em seguida, Alfonso Caso e Miguel Covarrubias, definem os traços culturais da Mesoamérica e o arqueólogo estadunidense Matthew Stirling coloca em evidência os sítios chave da costa do golfo que serão objeto de escavações que revelam importantes descobertas artísticas olmecas.

|thumb|right|250px| « La Abuelita » (« avózinha ») conhecida como Monumento 5 de La Venta. A fim de compreender bem a emergência da arte olmeca, é preciso especificar que esta civilização está na origem de um estilo artístico e de uma iconografia que integra-se na cronologiaOs especialistas nem sempre estão de acordo sobre a cronologia da Mesoamérica. Entre as várias propostas existentes, as mais representativas são as de Willey & Phillips ou de C. Duverger. abaixo entre 1200 e 500 a.C., no período pré-clássico (ou Época I segundo a cronologia mais recente de Christian Duverger estabelecida em 1999).

As primeiras escavações arqueológicas em sítios olmecas revelaram práticas rituais em ossos humanos. Foram constatadas mutilações dentárias e deformações cranianas. Estas práticas, ainda que chocantes nos tempos de hoje, tinham um grande simbolismo e podem ser observadas em certas esculturas, sobretudo em jade, representaçõea artísticas dos seus usos e costumes. No que toca à escrita e apesar das controvérsias que tal tema levanta entre os especialistas, pode afirmar-se atualmente, após a descoberta do bloco de Cascajal, que existia um sistema de escrita entre os olmecas desde 1200 a.C.. O bloco de Cascajal revela toda a sua importância, tratando-se do mais antiga escrita descoberta na América. A aparição de uma escrita olmeca (ideogramas e pictogramas) evoca consequentemente uma linguagem mais do que uma simples ornamentação.Trata-se certamente duma "linguagem de sinais"Magni, 2003, pp. 114 à 144 relevada sobretudo do domínio religioso e do campo sociopolítico. A ideia de uma escrita baseada apenas na forma dos ideogramas deverá portanto ser excluída.

A arte olmeca é portadora de todos esses sinais que podem ser encontrados em primeiro lugar nos objetos em terracota e mais tarde em outros suportes, tais como a pedra. De acordo com a escola francesa promovida por Christine Niederberger e retomada nomeadamente por Caterina Magni, a cultura olmeca é um conjunto multiétnico e plurilinguístico, concretamente, a sua presença é atestada em níveis de ocupação antigos na costa do golfo do México, no vale do México e ao longo da costa pacífica dos estados de Guerrero, Oaxaca e Chiapas, mas sobretudo para além das fronteiras mexicanas, até ao sul da Costa Rica. Outros especialistas, como Michael D. Coe e Gareth Lowe, ligam os olmecas às famílias linguísticas maia e mixe-zoque respetivamente; Gareth Lowe faz referência à língua popoluca, do grupo macromaia mixe-zoque, falada pelos habitantes da costa do golfo.

Arquitetura, materiais e técnicas right|250px|thumb|Pintura nº 1, Juxtlahuaca.A arquitetura olmeca é monumental e integra o ambiente. A pirâmide é uma alusão à montanha. Pela sua dimensão imponente e pela sua altura, ela representa a construção principal do centro cerimonial e tornar-se-á uma constante arquitetónica na Mesoamérica. Ainda assim, a arquitetura dos maiores sítios olmecas, como La Venta ou San Lorenzo, considerados como exemplos do urbanismo mais bem conseguido do pré-clássico, manifesta-se através de construções em terra batida. Ao planeamento rigoroso e à arquitetura grandiosa, caracterizada pela pirâmide cónica de La Venta (com 30 metros de altura), pelo sítio de San Lorenzo e ao campo de jogo de bola, associam-se uma arte monumental e a presença de uma sistema de drenagem imponente. Tais características vão prefigurar os sítios mesoamericanos tardios.

Os artistas olmecas distinguem-se também pelos seus trabalhos em argila, pedra e madeira. Por outro lado, a descoberta de pinturas rupestres como as de Juxtlahuaca, mostram a heterogeneidade das suas produções. Uma abordagem esquemática da criação artística leva à distinção entre a arte monumental e a arte menor: A arte menor olmeca engloba todos os objetos ditos de pequenas dimensões, feitos em pedra, terracota, em volume, em alto ou baixo-relevo, incisos ou excisos. Esta arte menor inclui as figuras, os machados votivos, as máscaras, os recipientes, os colares de contas e os pendentes. A arte monumental olmeca designa as obras de grande dimensão. Inclui-se nesta categoria a escultura de vulto, em alto e baixo-relevo, eventualmente gravada ou pintada. As cabeças colossais, as estátuas, os altares, as estelas, lajes, petroglifos e mosaicos são representações maiores da arte olmeca. Os olmecas não conheciam a metalurgia e as suas ferramentas eram de pedra, ainda que os especialistasCoe & Diehl, 1980, p. 296 sejam cépticos quanto ao uso de ferramentas de pedra para esculpir basalto. Um investigadorAgrinier, 1984 pensa que os artefactos minerais ferrosos, descobertos em grande quantidade em vários sítios olmecas, assemelham-se a pequenos martelos enquanto um outro investigadorMagni, 2003, p. 87 descreve o funcionamento destes artefactos e como seriam utilizados no trabalhar da pedra.

As figuras olmecas

Iconograficamente, a figura humana constitui o tema principal da arte olmeca. Se algumas cenas da arte olmeca refletem manifestamente o "pensamento mítico", outras descrevem sem ambiguidade ritos e algumas remetem simultaneamente para o mito e rito, ou colocam-se na charneira do domínio mitológico e o campo cerimonial. Podemos definir três grandes categorias, caracterizadas por uma expressão figurativa ou codificada:

as representações de natureza mítica, que na maioria das vezes não são mais que uma sequência de uma narrativa mitológica mais vasta, podendo ser qualificadas como mitográficas. as representações de natureza ritual, que tratam de transcrever de modo fragmentário a realidade de um rito cerimonial. a arte "sócio-histórica", que pode utilizar elementos do mito para simbolizar ou legitimar um poder ou uma posição social.

A iconografia olmeca é extremamente rica, à vista dos detalhes abundantes que aparecem em numerosas esculturas. Os especialistas analisam cada parte duma obra a fim de compreenderem o seu sentido geral. Apercebemo-nos, considerando a multitude de peças arqueológicas até hoje encontradas, que a figura humana é o tema principal da arte olmeca. Beatriz de La FuenteCatalogue d’œuvres monumentales, 1973 cataloga 206 peças, 110 das quais representam personagens antropomórficos. Em terceiro lugar encontram-se as obras animalistas, enquanto as figuras híbridas ocupam o segundo lugar nesta catalogação, e entre estas predominam as do jaguar-homem.

Tal distinção não é apenas estética, antes de mais nada trata-se de compreender que esta é uma arte religiosa na qual a imagética olmeca mostra estados de graus diversos da relação entre o homem e o animal.

A arte olmeca obedece a regras precisas que permitem classificar as figuras animais segundo três características: felinas, reptilianas e felino-reptilianas. De igual modo, as figuras antropomórficas em figuras femininas, figuras masculinas (as mais raras) e as figuras assexuadas (as mais numerosas).

A figura híbrida

thumb|right|150px|A figura híbrida: o jaguar-homem.thumb|right|150px|A figura zoomorfa: a águia. A imagética olmeca pressupõe vários graus na relação homem-animal. Caterina Magni elaborou um quadroEste quadro pode ser lido da seguinte forma: primeira situação dita de extremos que concerne a aliança, o parentesco e o antagonismo e segunda situação dita de intermediários que agrupa a identificação, a metamorfose, a troca de aparência por meio do disfarce. Magni, 2003, pp. 284 e 285. que permite compreender as diferentes situações ou evoluções do homem ao animal e do animal ao homem. Tais manifestações artísticas sugerem uma exploração sistemática da relação homem-jaguar e da sua recíproca jaguar-homem. Nesta ótica, a imagem do jaguar-homem (imagem), onde os traços antropomórficos e zoomórficos misturam-se de um modo inteligente, é o melhor exemplo de figura híbrida.

A figura zoomórfica Numa arte impregnada de animalidade, é surpreendente constatar a raridade das representações puramente animalistas. Também aqui o lugar de honra é ocupado por um felino. Seguem-se os outros grandes predadores como a serpente e a águia. As presas (veados, macacos e outros pequenos mamíferos) são minoritários, em comparação com os carnívoros. Além das representações zoomórficas naturalistas, observa-se a propensão para a hibridização das formas. A criatura compósita ou "fantástica" é uma imagem de síntese criada pela combinação de formas e/ou atributos chave, em número variável, emprestados a diferentes espécies animais existentes; uma agregação plástica e intelectual que esconde uma forte lógica interna regida por regras precisas.

Na arte olmeca, podemos classificar as criaturas compósitas em três categorias: os animais de carácter felino (imagem), os animais de carácter reptiliano e os animas com carácter felino-reptiliano (imagem).

A figura antropomórfica Nesta categoria distinguem-se as figuras femininas (imagem), as figuras masculinas (imagem) e as personagens assexuadas (imagem).