Dissimilação é um metaplasmo por permuta que consiste em dois fonemas iguais que tendem a ficar diferentes ou até o desaparecimento de um deles. Enquanto fenómeno de evolução fonética, a dissimilação contrapõe-se à assimilação.
Em traços gerais, o fenómeno da dissimilação pauta-se pela tendência para evitar a repetição de uma sequência de dois fonemas iguais ou semelhantes dentro da mesma palavra.
Na língua portuguesa
No âmbito da língua portuguesa, há inúmeros exemplos de dissimilação de algumas palavras do latim para o português:
V.g: liliu > líriu; calamelu > caramelo; memorare > membrar > lembrar
Com efeito, no português moderno ainda são evidenciáveis exemplos de dissimilação. A título de exemplo, no sotaque lisboeta há uma marcada tendência histórica para a dissimilação do «i», que enfraquece, volvendo-se num «e», em palavras com dois «ii» seguidos, como «ministro; limite; vizinho», que soem de ser lidas como «menistro, lemite; vezinho».
Esta tendência histórica já se evidência no sotaque lisboeta há vários séculos, encontrando paralelos, a título de exemplo, em poemas do séc. XVIII, veja-se no seguinte excerto do poema «Às minhas filhas, longe delas em Inglaterra, e doente» de D.ª Leonor de Almeida, a Marquesa de Alorna:
Onde já se denota a tendência para dissimilar o primeiro «i» da palavra «avizinha».
Ou no poema «Soneto à Amnistia» da mesma autora:
Onde já se denota a tendência para dissimilar o primeiro «i» da palavra «adivinha».
Categoria:Linguística histórica