Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão é o segundo álbum de estúdio da artista musical brasileira Marisa Monte. O seu lançamento ocorreu em 29 de julho de 1994, através das editoras discográficas EMI e Phonomotor. Após lançar e promover seu primeiro disco de inéditas, Mais (1991), que obteve sucesso crítico e comercial, a intérprete iniciou os trabalhos para seu novo projeto. Novamente assinando como co-produtora, ela alistou a produção de Arto Lindsay e compôs material com Arnaldo Antunes e Nando Reis, todos estes com quem havia trabalhado anteriormente. Contudo, após conhecer o músico Carlinhos Brown, ela iniciou uma nova parceria profissional que resultou na criação de três faixas inéditas. Musicalmente, embora continue a manter a presença de estilos do anterior como o rock, MPB e pop, marca uma maior introdução ao samba na obra da intérprete o que, segundo ela, representava um retorno às suas "raízes" musicais. As gravações ocorreram entre março a maio de 1994, e apresenta participações vocais de Gilberto Gil, Laurie Anderson e Velha Guarda da Portela, além de um instrumental fornecido por Época de Ouro.

Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão foi recebido com críticas majoritariamente positivas pela mídia especializada, a qual prezou a sua produção, os vocais de Monte e forma coesa que ela uniu elementos musicais díspares. Geralmente citado como um de seus melhores trabalhos e da década de 1990 por especialistas e público, a obra foi adicionada a lista dos 500 melhores álbuns brasileiros de todos os tempos, elaborada pela revista Rolling Stone Brasil. Comercialmente, converteu-se em outro sucesso para a intérprete, ocupando o sexto lugar entre os dez discos mais vendidos na tabela divulgada pelo instituto Nelson Oliveira Pesquisa e Estudo de Mercado (NOPEM). Consequentemente, recebeu três certificados de platina pela Pro-Música Brasil (PMB) e comercializou mais de um milhão de exemplares no país.

Quatro singles foram lançados a partir de Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão, com os dois primeiros, "Dança da Solidão" e "De Mais Ninguém" se tornando sucessos nas estações de rádio nacionais. O vídeo do terceiro, "Segue o Seco", por sua vez, foi o de mais alto custo até então por um artista brasileiro e foi nomeado para cinco categorias nos MTV Video Music Brasil Awards de 1995. Ao conquistar todos, converteu Monte no artista com maior número de vitórias naquela edição. Como forma de divulgação do material, ela apresentou algumas faixas do mesmo em programas televisivos e embarcou em uma turnê em seu apoio, que visitou a países das Américas e a da Europa ao longo de 1995 e 1996.

Antecedentes e desenvolvimento

Em 1988, Monte foi descoberta pelo diretor artístico Nelson Motta e, após um período recebendo diversas ofertas de contrato por editoras fonográficas, assinou com a EMI Brasil. O seu álbum de estreia, foi lançado no ano seguinte, contendo uma apresentação ao vivo realizada no Teatro Villa-Lobos, no Rio de Janeiro. Em seguida ela entrou em estúdio e desenvolveu seu primeiro álbum de estúdio, nomeado Mais, que foi lançado em março de 1991. O projeto foi elogiado pelos críticos musicais especializados, que o consideraram uma estreia madura e prezaram sua sonoridade, cheia de influências musicais que vão de música pop, rock, ao samba, bem como a qualidade de suas canções. Além disso, tornou-se um sucesso comercial, chegando a mais de 700 mil cópias comercializadas.

Na sequência, Monte dedicou-se a excursionar com a turnê em apoio à Mais e a realizar encontros musicais e colaborações com outros artistas, o que acabaria influenciando mais adiante na concepção de seu álbum seguinte. Em janeiro de 1994, Carlinhos Brown chamou-a para gravar "Grite Se Quiser Gritar"; A música foi veiculada apenas nas rádios de Salvador, visando sua promoção durante o Carnaval da Bahia realizado naquele ano. A partir daí, iniciou-se uma amizade e parceria profissional entre ambos os músicos. Em um fim de semana em Salvador, Brown, Monte e o então namorado da artista, Nando Reis, criaram três novas canções, incluindo "Na Estrada", que ela decidiu utilizar em seu segundo álbum de estúdio. As outras duas, "Seo Zé" e "E.C.T.", foram gravadas por Brown e Cássia Eller, respectivamente, com Monte eventualmente as cantando no palco. Após a realização do Carnaval daquele ano, a artista anunciou a imprensa que entraria em estúdio a partir de março para iniciar a produção do projeto. Assim como no anterior, ela recrutou a produção musical do estadunidense Arto Lindsay. Reis colaborou escrevendo quatro canções para o álbum e tocou em seis das treze faixas de seu alinhamento. Ainda quando estava em Salvador, Brown apresentou-a a duas composições nas quais já havia previamente elaborado, "Segue o Seco" e "Maria de Verdade"; A inclusão do primeiro no projeto deu-se como um pedido do próprio músico a intérprete. De acordo com Monte, ele queria que a faixa fosse gravada por um artista de relevância, sentindo que só assim poderia atrair maior atenção para o assunto tratado na letra. As gravações do álbum ocorreram no Estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro e Skyline Studios, em Nova Iorque, em período de dois meses que estendeu-se até maio do mesmo ano, sendo nove canções registradas no Brasil e quatro nos Estados Unidos. Cada uma delas foram gravadas logo na primeira tomada. Isso partiu do desejo da artista em deixar o projeto com mais aspectos "humanos" e com menos correções digitais.

Estrutura musical

Em termos musicais, Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão é geralmente caracterizado como música popular brasileira, pop e samba. A forte inserção desse último gênero citado em torno do álbum deu-se como resultado da vivência que a artista adquiriu durante sua infância, onde esteve por diversas vezes exposta a escolas de samba, dizendo: "Sou portelense, tenho história nesse negócio. Meu pai era da diretoria da escola. Ele era amigo do Paulinho da Viola. E lá em casa sempre teve muito Clara Nunes, muito Nelson Cavaquinho". Em entrevista à revista Manchete, Monte avaliou que embora a musicalidade do álbum pudesse parecer homogênea em relação a Mais, cada faixa foi concebida para soar distinta uma das outras. A instrumentação é outro ponto que os diferenciam; Uma vez que a artista buscava imprimir mais elementos brasileiros em sua produção, ela fez pouco ou nenhum uso de instrumentos eletrônicos ou de programação como no anterior, explicando: "[Foi] tudo em cima de instrumentos mais brasileiros. Violão, percussão, voz. Não tem um teclado, não tem um sintetizador, não tem uma guitarra. Os outros tinham". A cantora estadunidense Laurie Anderson, o músico Gilberto Gil e o grupo instrumental Época de Ouro, todos com quem Monte se apresentou em shows no Brasil e exterior ao longo dos anos precedentes, realizam participações especiais no projeto.

O disco inicia-se com "Maria de Verdade", um canção pop que é iniciada sob o trabalho de acordes de violão tocado por Reis. Sob vocais suaves, Monte narra a história de uma mulher poderosa cujo amor tem grande força para ser o que seu limite permite, evidenciado por trechos como: "Farinhar bem, derramar a canção / Revirar trens, louco mover paixão / Nas direções, programado e emoldurado"; nomeada Maria, essa mulher que, com o canto, ecoa eflúvios de uma "alma sempre boa", "mesmo que doa", mesmo que a vida lhe seja pesada. A seguinte, "Na Estrada", é musicalmente derivada do rock. Novamente tornando a mulher como o assunto abordado, o seu lirismo, trata de uma protagonista que se foi mas voltará. O samba ganha predominância em "Ao Meu Redor", terceira canção do disco. No sincopado pandeiro de Marcos Suzano, em suas linhas a intérprete expõe a ambiência da alma apaixonada ao cantar a ausência presente de um amor que "não está por perto e ainda estão tão perto" em todos os momentos, até quando não se quer. "Segue o Seco" contém fortes elementos da música oriunda do Nordeste brasileiro, acentuada pela forte percussão de Brown. Com a ajuda de figuras de linguagem — sendo elas a assonância, aliteração e anáforas — apresenta linhas que expressam o drama de quem sofre com a seca no Brasil. Pode-se dizer que é um tipo de oração, cheia de esperança, para que a chuva venha.

Segue-se, então, "Pale Blue Eyes"; trata-se de uma regravação do tema originalmente gravado pelos estadunidenses The Velvet Underground, sendo inclusive parte do disco que leva o nome da banda, lançado em 1969. Na nova roupagem, os vocais de Monte são acompanhados por uma melodia concretizada unicamente através de violão e percussão. "Dança da Solidão", é outra regravação, dessa vez do cantor compatriota Paulinho da Viola, embora mantenha-se fiel as raízes originais, apresenta a participação especial de Gil nos vocais e no violão. Na letra, a intérprete canta a dor do amor de quem se aventurou e se amargurou em uma paixão e agora sobrou apenas dançar na solidão e na desilusão. "De Mais Ninguém", parceria com o Época de Ouro, é uma seresta que narra seu eu-lírico padecendo sem a pessoa amada: "Se ela preferiu ficar sozinha / Ou já tem um outro bem / Se ela me deixou a dor é minha / A dor é de quem tem". O oitavo número é "Alta Noite", que já havia sido anteriormente gravado por Monte em colaboração com Antunes para o álbum de estreia dele, Nome (1993). Musicalmente é uma bossa nova, que exibe o protagonista narrando uma vivência solitária, mas cheia de paz.

"O Céu" é uma faixa com elementos de rock, apoiada por um violão tocado por Gil. Como o próprio título sugere, suas linhas descrevem as belezas de um céu, que pinta o firmamento negro e cintilante, que é a "rua do avião" e a pista de "paraquedas e salto", que é também "sem começo e fim". "Bem Leve", a faixa seguinte, trata de questões ecológicas e, segundo a cantora, também é sobre entender a vida dos seres e objetos inanimados e os respeitar e lamentar quando estes se vão. Já "Balança Pema" é um samba-rock originalmente gravado por Jorge Ben Jor para seu primeiro disco, Samba Esquema Novo (1963). "Enquanto Isso", com Anderson cantando um trecho em inglês, é sobre como um olhar e uma perspectiva em relação a algo pode interferir em tudo, fazendo uma analogia com o fato de ser noite em uma região do mundo e de dia em outra, enquanto as pessoas têm suas rotinas. Por fim, Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão encerra-se com "Esta Melodia", no qual Monte canta acompanhada do dolente violão de Paulinho da Viola. Inicia-se como uma MPB serena, até desembocar num samba típico de Sapucaí, contendo ainda a contribuição de Doca, Surica e Eunice — também conhecidas como as tias da Portela —, apoiando-a em um coro. Em termos líricos, evoca o dia de alguém que amanhece sem ter a pessoa amada nos braços: "Não suporto mais a tua ausência/ Já pedi a Deus paciência".

Título, capa e lançamento