Josina Vieira Peixoto (Maceió, 9 de agosto de 1857 — Rio de Janeiro, 5 de novembro de 1911) foi a esposa do militar e político Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil. Exerceu o papel de primeira-dama do país entre 23 de novembro de 1891, quando Floriano assumiu a Presidência após a renúncia de Deodoro da Fonseca, e 15 de novembro de 1894.
Durante a presidência do marido, Josina recebeu correspondências de pessoas que procuravam sua intervenção em questões particulares, administrativas e políticas. Em 1892, foi designada presidente honorária da comissão feminina responsável pela representação brasileira no Departamento Feminino da Exposição Universal Colombiana de Chicago. Após a morte de Floriano, participou da preservação de sua memória, doando ao museu estadual do Rio Grande do Sul objetos militares que haviam pertencido ao ex-presidente.
Origens e família
Josina nasceu em Maceió, na então província de Alagoas, em 9 de agosto de 1857. Era filha do coronel José Vieira de Araújo Peixoto e de Teresa Josefina Peixoto. Seu pai era proprietário rural, senhor de engenho e uma personalidade influente na política alagoana.
Floriano Vieira Peixoto, filho de Manuel Vieira de Araújo Peixoto e Ana Joaquina de Albuquerque Peixoto, era sobrinho e afilhado de José Vieira. Ainda criança, passou a ser criado pelo tio e padrinho, convivendo no mesmo núcleo familiar de Josina. Além de primos, os dois foram, portanto, companheiros de criação.
Casamento e descendência
Josina e Floriano casaram-se em 11 de maio de 1872. Na ocasião, Floriano já havia regressado da Guerra do Paraguai e prosseguia sua carreira no Exército Brasileiro.
A Fundação Getulio Vargas e a historiadora Dayanny Deyse Leite Rodrigues registram que o casal teve sete filhos. Algumas compilações genealógicas apresentam oito descendentes, divergência que ainda depende da confrontação com registros paroquiais e civis.
Entre os filhos encontravam-se Ana Peixoto, mencionada na correspondência familiar preservada pelo Museu da República, e José Floriano Peixoto, conhecido como Zeca Floriano, nascido em 5 de agosto de 1887.
Esposa do vice-presidente
Em 25 de fevereiro de 1891, Floriano foi eleito vice-presidente pelo Congresso Constituinte, em votação realizada separadamente da eleição presidencial. Deodoro da Fonseca foi eleito presidente e tomou posse no dia seguinte, tendo Floriano como vice-presidente.
Josina acompanhou o marido durante os meses em que ele exerceu a Vice-presidência. A denominação “segunda-dama”, empregada retrospectivamente em algumas listas contemporâneas, não correspondia a um cargo público ou título oficial ocupado por Josina.
Primeira-dama do Brasil
Deodoro renunciou à Presidência em 23 de novembro de 1891, após a crise provocada pelo fechamento do Congresso Nacional. Floriano assumiu o governo na condição de vice-presidente, e Josina passou a ser convencionalmente reconhecida como primeira-dama.
Sua passagem pela condição de esposa do presidente ocorreu durante um período de intensa instabilidade política, marcado pela oposição ao governo de Floriano, pela Revolta da Armada e pela fase final da Revolução Federalista. Apesar do contexto, são escassas as informações sobre sua rotina ou sobre uma participação direta nos assuntos governamentais.
Correspondências e mediação informal
Documentos consultados por Rodrigues indicam que Josina recebeu cartas de pessoas que solicitavam sua intervenção junto ao presidente. As correspondências tratavam de interesses particulares, questões administrativas e assuntos políticos.
Esses pedidos demonstram que alguns contemporâneos a consideravam um possível canal informal de comunicação com Floriano. As fontes disponíveis, entretanto, não permitem determinar quantos pedidos foram atendidos nem atribuir a Josina participação direta nas decisões presidenciais.
O Museu da República conserva duas cartas escritas por Floriano entre 26 e 30 de março de 1892. Uma delas era destinada a Josina, a quem ele se dirigia pelo apelido familiar de “Sinhá”, e tratava de assuntos pessoais. A outra foi enviada à filha Ana.
Exposição Universal de Chicago
Em outubro de 1892, Josina foi designada presidente honorária da comissão de senhoras encarregada de organizar a representação brasileira no Departamento Feminino da Exposição Universal Colombiana, realizada em Chicago, nos Estados Unidos.
A presidência efetiva da comissão era exercida por Marietta de Oliveira. A entidade pretendia reunir e expor trabalhos produzidos por mulheres brasileiras e criar comissões auxiliares nos diferentes estados do país. A documentação encontrada permite caracterizar a participação de Josina como honorária e representativa, não havendo elementos suficientes para lhe atribuir a direção cotidiana dos trabalhos.
Asilo D. Josina Peixoto
Em 20 de novembro de 1892, foi inaugurado no Rio de Janeiro o Asilo D. Josina Peixoto, inicialmente destinado a oito meninos que se encontravam sob a guarda das autoridades por abandono ou vadiagem.
Segundo a notícia publicada por O Tempo, a iniciativa e a direção do estabelecimento pertenciam ao delegado Ulpiano Fuentes e Carqueja. A instituição recebeu o nome de Josina como uma homenagem às suas qualidades pessoais, com a anuência do presidente Floriano Peixoto. Não existem, nas fontes consultadas, evidências de que Josina tenha fundado, financiado ou administrado o asilo.
Rodrigues observou que a documentação examinada não demonstra a realização, por Josina, de um programa sistemático de beneficência semelhante ao que seria posteriormente associado a outras primeiras-damas brasileiras.
Viuvez e preservação da memória de Floriano
Floriano deixou a Presidência em 15 de novembro de 1894, sendo sucedido por Prudente de Morais. Morreu em 29 de junho de 1895, deixando Josina viúva.
Nos anos seguintes, ela colaborou para a preservação de objetos relacionados à trajetória militar e política do marido. Em carta datada de 9 de novembro de 1900 e dirigida ao historiador e político Alfredo Varella, Josina encaminhou as dragonas de Floriano para que fossem incorporadas ao museu estadual do Rio Grande do Sul.
O relatório da instituição, datado de 31 de julho de 1901, registrou o recebimento de um par de dragonas, três medalhas e um alfange que haviam pertencido ao ex-presidente. Os objetos foram incorporados ao acervo que posteriormente formaria o Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre.
Morte e funeral
Josina morreu em 5 de novembro de 1911, no Rio de Janeiro, aos 54 anos. Segundo o jornal O Século, a causa da morte foi uma pneumonia aguda, agravada por enfermidades anteriores.
O cortejo fúnebre partiu da residência de seu genro, o general Ferreira Ramos, situada na Rua General Canabarro, número 77. Josina foi sepultada no jazigo da família no Cemitério de São João Batista.
Imagem pública e historiografia
A trajetória de Josina recebeu pouca atenção individual da historiografia. A maior parte das referências posteriores concentrou-se em sua condição de esposa, mãe e testemunha doméstica do governo de Floriano, sem aprofundar sua experiência pessoal.
A escassez de informações também está relacionada ao caráter informal atribuído às esposas dos presidentes no início da República. A condição de primeira-dama não constituía um cargo público e ainda não possuía a estrutura assistencial, cerimonial e administrativa que seria desenvolvida ao longo do século XX.
O Museu da República conserva um álbum composto por 59 fotografias de familiares e amigos de Josina e Floriano, produzidas entre 1877 e 1904. O álbum foi oferecido a Floriano por um grupo de mulheres como manifestação de patriotismo e gratidão. O conjunto constitui uma das principais fontes iconográficas sobre o círculo familiar do casal.
Ver também
Lista de primeiras-damas do Brasil Floriano Peixoto Governo Floriano Peixoto Palácio do Itamaraty
Ligações externas
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