O afundamento do cruzador ocorreu a 2 de maio de 1982, em consequência do ataque do submarino nuclear britânico , durante o conflito conhecido como a Guerra das Malvinas (Guerra das Falklands, para os anglófonos). O afundamento do General Belgrano provocou a morte de 323 marinheiros argentinos, praticamente metade de todas as baixas argentinas durante o conflito, e uma forte polémica, visto que o ataque ocorreu fora da zona de exclusão estabelecida pelo governo britânico em torno das ilhas. No Reino Unido há quem considere que a ação foi levada a cabo com o objetivo de inviabilizar as conversações de paz e aumentar a popularidade da primeira-ministra Margaret Thatcher junto da opinião pública britânica, enquanto que na Argentina muitos consideram o afundamento do cruzador um crime de guerra. Independentemente da controvérsia em torno do afundamento, do ponto de vista militar ele cumpriu o seu objetivo, pois assegurou a superioridade naval dos britânicos, decisiva para o desfecho do conflito.

O afundamento do Belgrano foi o primeiro caso de um navio de guerra torpedeado e afundado em ação por um submarino nuclear, e um dos dois únicos casos de um navio de guerra afundado por qualquer tipo de submarino desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Prelúdio Lado argentino thumb|esquerda|upright=1.02|Forças militares argentinas patrulhando Port Stanley após a tomada da cidade, abril de 1982 Em março de 1982 verificou-se um endurecimento das relações diplomáticas entre a Argentina e o Reino Unido devido às recentes e infrutíferas negociações entre os dois países sobre a soberania das ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul. Um incidente ocorrido na ilha Geórgia do Sul no dia 19 de março, quando um grupo de trabalhadores de uma empresa argentina contratada para desmantelar antigas instalações baleeiras na ilha desembarcou em Port Leith e içou uma bandeira argentina, foi interpretado pelos britânicos como uma provocação e levou a uma escalada de tensão entre os dois países, tendo a frota argentina ancorada em Puerto Belgrano entrado em estado de alerta e iniciado em segredo a sua preparação para zarpar com o objetivo de invadir e ocupar as ilhas.Bonzo, 1093 Tripulantes del Crucero ARA General Belgrano, cap. II "Pediram-nos segredo total e absoluto relativamente a essa decisão, visto que o fator surpresa seria prioritário nessa manobra", comentou mais tarde o comandante Héctor Bonzo, capitão do Belgrano, sobre a primeira notificação recebida do Estado-Maior da Armada Argentina sobre a ação bélica a empreender nas ilhas Malvinas.El Belgrano vive, op. cit., 05:16

A frota argentina zarpou de Puerto Belgrano no dia 28 de março, passando a constituir a "Força-Tarefa 40" (FT 40) sob o comando do contra-almirante Walter Allara, tendo as forças argentinas invadido e ocupado as ilhas Malvinas no dia 2 de abril e a ilha Geórgia do Sul no dia seguinte. O Belgrano foi o único navio de guerra argentino que não participou na operação, dado que não tinha sido possível concluir as reparações previstas na sua manutenção anual.El Belgrano vive, op. cit., 05:34 A frota argentina apenas regressou a Puerto Belgrano no dia 6 de abril; na sua ausência, os esforços das equipas de reparação puderam ser concentrados no cruzador, tendo as suas reparações sido concluídas após a primeira semana de abril. Para além disso, foi embarcado um helicóptero Alouette III da Aviação Naval Argentina, aumentando assim a capacidade de vigilância do navio. Após a conclusão das reparações, o treino dos recrutas passou a ser a grande prioridade, tendo também sido reforçado o departamento médico do navio. Em tempo de paz a tripulação era menor do que em tempo de guerra, mas nesta ocasião o Belgrano contava com  homens,El Belgrano vive, op. cit., 10:21 incluindo 408 recrutas e dois civis. O navio adotou então três turnos de guarda rotativos enquanto o navio não entrasse em combate, em que cada tripulante cumpria um turno de oito horas por dia. Desta forma, o navio mantinha-se permanentemente operacional e com possibilidade de dar resposta imediata com todos os sistemas e serviços.

Com a força expedicionária britânica em plena movimentação rumo ao Atlântico Sul, e dada a ausência de progressos a nível diplomático com vista à resolução pacífica do conflito, os navios da Armada Argentina passaram a constituir a "Força-Tarefa 79" (FT 79) sob o comando do contra-almirante Walter Allara, tendo os seus principais navios sido distribuídos por três grupos-tarefa: o "Grupo-Tarefa 79.1" (GT 79.1), composto pelo porta-aviões , três corvetas, um contratorpedeiro e um navio-petroleiro; o "Grupo-Tarefa 79.2" (GT 79.2), composto por cinco contratorpedeiros e um navio-petroleiro; e o "Grupo-Tarefa 79.3" (GT 79.3), composto pelo . Na distribuição das forças pelo teatro de operações foi privilegiada a zona a norte das ilhas, para onde foram destacados o "GT 79.1" e o "GT 79.2", enquanto que para a zona sul apenas foi destacado o "GT 79.3", cujas ordens originais eram: Dirigir-se à sua zona de operações ao largo da ilha dos Estados, navegando junto à costa a fim de ocultar intenções e diminuir a ameaça submarina; Vigiar o acesso meridional ao teatro de operações, intercetar unidades inimigas de acordo com as ordens recebidas e servir como dissuasor regional; Evitar o contacto tático com unidades inimigas armadas com mísseis antinavio; Caso necessário, e de acordo com a situação, reabastecer na Base Naval Ushuaia.

thumb|upright=1.36|O ARA General Belgrano na Base Naval Ushuaia, poucos dias antes do seu afundamento Após adiar por duas vezes a partida,El Belgrano vive, op. cit., 09:52 o cruzador zarpou de Puerto Belgrano no dia 16 de abril,El Belgrano vive, op. cit., 10:16 tendo chegado à ilha dos Estados no dia 19 de abril.Bonzo, 1093 Tripulantes del Crucero ARA General Belgrano, cap. III Depois de patrulhar a zona durante alguns dias e de realizar exercícios de tiro real junto à costa sul da ilha, o Belgrano atracou na Base Naval Ushuaia às 18h30 do dia 22 de abril, para reabastecimento de combustível e troca de um lote de munição defeituosa.El Belgrano vive, op. cit., 12:30 Os membros da sua tripulação aproveitaram esta paragem para enviar cartas para os seus familiares e amigos, muitas das quais só chegariam ao destino após o afundamento do navio.El Belgrano vive, op. cit., 12:37 O cruzador partiu de Ushuaia às 08h30 do dia 24 de abril,Rossiter, Sink the Belgrano, pp. 137 tendo recebido nessa tarde uma comunicação transmitindo a reorganização da "FT 79" e novas ordens; dois contratorpedeiros e um navio-petroleiro haviam sido atribuídos ao "GT 79.3", que com o Belgrano como nau capitânia deveria manter-se em espera na zona entre os meridianos da ilha dos Estados e do Banco Namuncurá. O ARA Piedra Buena e o ARA Hipólito Bouchard separaram-se então do "GT 79.2" e rumaram a sul para se incorporar no "GT 79.3", reunindo-se com o Belgrano e com o navio-petroleiro YPF Puerto Rosales a norte da ilha dos Estados no dia 28 de abril,Rossiter, Sink the Belgrano, pp. 139-40 tendo-se realizado nessa tarde exercícios conjuntos entre o cruzador e os contratorpedeiros por forma a aperfeiçoar as manobras táticas e a comunicação entre os navios. A missão dos contratorpedeiros era proteger o Belgrano de inimigos de superfície, ataques aéreos e submarinos, formando uma cortina de proteção.El Belgrano vive, op. cit., 13:19

Durante a tarde do dia 29 de abril foram recebidas duas comunicações, uma ordenando o "GT 79.3" a rumar a leste em direção à zona a sul das ilhas Malvinas no dia 1 de maio, e outra eliminando todas as restrições ao uso de armas contra alvos identificados como inimigos. Uma das medidas de preparação para a partida era o reabastecimento de combustível dos navios pelo YPF Puerto Rosales, que foi programado para o dia seguinte. Durante a manhã do dia 30 de abril, foi concluído com sucesso o reabastecimento dos dois contratorpedeiros; o reabastecimento do cruzador foi iniciado às 16h00, mas teve de ser interrompido uma hora mais tarde devido ao agravamento das condições atmosféricas. Nessa tarde, o governo argentino emitiu o Comunicado 37, declarando como hostil qualquer navio ou aeronave britânica a menos de da costa argentina, tanto do continente como das ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul. O reabastecimento do Belgrano foi concluído durante a manhã do dia 1 de maio, tendo o "GT 79.3" iniciado a sua navegação para leste por volta das 12h00, deixando o YPF Puerto Rosales estacionado na ilha dos Estados. Nesse dia, o governo argentino emitiu o Comunicado 40, ampliando a declaração de hostilidade a todos os navios britânicos no Atlântico Sul que se dirigissem ao teatro de operações e/ou constituíssem uma ameaça para a segurança nacional.

thumb|esquerda|upright=1.36|Porta-aviões ARA Veinticinco de Mayo Durante o dia 1 de maio, as forças britânicas iniciaram os bombardeamentos navais e os ataques aéreos contra alvos militares nas ilhas Malvinas,Bonzo, 1093 Tripulantes del Crucero ARA General Belgrano, cap. V tendo a persistência e intensidade dos mesmos, assim como a aproximação de grande parte da frota britânica à costa oriental do arquipélago, convencido as chefias militares argentinas de que estava iminente um desembarque. A Força Aérea Argentina reagiu à ofensiva, mas foi rechaçada pelos Sea Harrier dos porta-aviões HMS Hermes e HMS Invincible, tendo a Armada Argentina recebido pouco depois das 20h00 uma comunicação urgente com novas ordens para os grupos-tarefa, que deveriam posicionar-se para atacar a frota britânica, cuja liberdade de ação estava limitada pelo seu empenhamento na operação, tornando-a vulnerável.

A operação planeada pelo Estado-Maior da Armada Argentina consistia de uma manobra em pinça em torno das ilhas, com o "GT 79.1" liderado pelo porta-aviões ARA Veinticinco de Mayo a atacar pelo norte e o "GT 79.3" liderado pelo Belgrano a atacar pelo sul.Finlan, The Royal Navy in the Falklands Conflict and the Gulf War: Culture and Strategy, p. 83-6 A missão do "GT 79.3" era desgastar os navios inimigos utilizando os mísseis antinavio de fabrico francês MBDA Exocet transportados pelos contratorpedeiros, enquanto o Belgrano atacaria eventuais navios danificados com as suas torres de canhões de seis polegadas.Bonzo, 1093 Tripulantes del Crucero ARA General Belgrano, cap. IV Os cenários avaliados pelo comandante Héctor Bonzo e pelo seu Estado-Maior incluíam a entrada na "Zona de Exclusão Total" (ZET) decretada pelos britânicos em torno das ilhas, o contacto tático com navios inimigos, o rechaço de ataques aéreos e o ataque de submarinos nucleares. Os submarinos nucleares britânicos eram particularmente temidos devido à sua velocidade e quase inesgotável capacidade de permanecer submergidos, que lhes dava uma superioridade inultrapassável face aos meios ao dispor dos argentinos; o cruzador não dispunha de qualquer capacidade antissubmarino, enquanto os contratorpedeiros possuíam apenas uma moderada capacidade contra submarinos convencionais.