Highway 61 Revisited é o sexto álbum de estúdio do cantor e compositor americano Bob Dylan, lançado pela Columbia Records em 30 de agosto de 1965. Apesar de até o momento ter gravado a maior parte de suas músicas como acústicas, Dylan usou músicos de rock como sua banda de apoio em todas as faixas do álbum, com exceção para a canção de encerramento, a música épica e bíblica de 11 minutos "Desolation Row". Críticos têm-se centrado na forma inovadora com que o artista combina o blues com a sutileza da poesia para criar músicas que capturam o caos político e cultural da América contemporânea. O autor Michael Gray argumentou que, em um sentido importante, a contracultura da década de 1960 "começou" com este álbum.
As sessões de gravação foram realizadas entre junho e agosto de 1965 no Studio A, em Nova Iorque, e contaram com a participação do organista Al Kooper, o guitarrista Mike Bloomfield e o pianista Paul Griffin. Conduzido pelo sucesso de "Like a Rolling Stone", o disco traz canções que Dylan continuou a tocar ao vivo ao longo de sua extensa carreira, incluindo "Ballad of a Thin Man" e "Highway 61 Revisited". Ele nomeou o álbum em homenagem a grande rodovia americana que ligava sua terra natal, Duluth, Minnesota, com as cidades do sul famosas pela herança musical, incluindo St. Louis, Memphis, Nova Orleans, e a região do delta blues no Mississippi.
Highway 61 Revisited alcançou a posição de número três nas tabelas musicais dos Estados Unidos e número quatro no Reino Unido. O álbum foi classificado na quarta posição na lista dos "500 melhores álbuns de todos os tempos" da revista Rolling Stone. "Like a Rolling Stone" foi um sucesso, apareceu entre as músicas mais tocadas em vários países e foi classificada em primeiro lugar na lista das 500 melhores canções de todos os tempos da Rolling Stone. Duas outras canções, "Desolation Row" e "Highway 61 Revisited", foram listadas nas posições de número 187 e 373, respectivamente.
Dylan e a rota 61 Em sua autobiografia Chronicles: Volume One, Dylan descreveu a familiaridade que sentia com a rota que forneceu o título de seu sexto álbum: "a rota 61, a principal via do country blues, começa mais ou menos onde eu nasci. Eu sempre senti como se tivesse começado nela, sempre tinha sido sobre ela e poderia ir a qualquer lugar, mesmo até o profundo Delta. Era a mesma estrada, cheia das mesmas contradições, as mesmas cidades de um cavalo, os mesmos antepassados espirituais ... era o meu lugar no universo, sempre senti que estava no meu sangue."
Enquanto ele crescia em meados da década de 1950, a rota 61 se estendia de Duluth, onde o cantor nasceu, passava por St. Paul e ia até o delta do Mississippi. Ao longo do caminho, a estrada passa perto de locais de nascimento e casas de músicos influentes, como Muddy Waters, Son House, Elvis Presley e Charley Patton. A "imperatriz do Blues", Bessie Smith, morreu depois de sofrer ferimentos graves num acidente automobilístico na rota 61. O crítico Mark Polizzotti ressalta que a lenda do blues Robert Johnson teria vendido sua alma ao diabo na encruzilhada da rodovia com a rota 49. A rodovia também tinha sido objeto de várias gravações do gênero, especialmente "Highway 61 Blues" (1932) de Roosevelt Sykes e "Highway 61" (1964) de Mississippi Fred McDowell.
O cantor afirmou que teve de superar uma resistência considerável da Columbia Records para dar o título do álbum. Disse ao biógrafo Robert Shelton: "Eu queria chamar o álbum de Highway 61 Revisited. Ninguém entendia isso. Eu tive que subir a maldita escada até que a palavra finalmente veio e disse: 'Deixe-me chamá-lo como quiser'." Michael Gray sugeriu que o próprio título do álbum representa a insistência de Dylan de que suas músicas estão enraizadas nas tradições do blues: "Na verdade, o título do disco Highway 61 Revisited anuncia que estamos em uma longa revisita, visto que é uma estrada tão longa pelo blues. Muitos músicos do gênero tinham estado lá antes dele, todas as versões de gravações do gênero chamavam-se 'Highway 61'."
Sessões de gravação Antecedentes Em maio de 1965, Dylan voltou de uma turnê da Inglaterra sentindo-se cansado e insatisfeito com o seu material. Ele disse ao jornalista Nat Hentoff: "Eu ia parar de cantar. Eu estava muito esgotado". O cantor acrescentou: "É muito cansativo ter outras pessoas te dizendo o quanto eles cantam você, se você mesmo não canta."Hentoff, Nat. Playboy, março de 1966, reprisado em
Como consequência de sua insatisfação, Dylan escreveu 20 páginas de versos que ele mais tarde descreveu como "um longo pedaço de vômito".Dylan em entrevista para Marvin Bronstein, da CBC de Montreal, 20 de fevereiro de 1966. citado por Ele reduziu isso para uma canção com quatro versos e um refrão — "Like a Rolling Stone". Disse a Hentoff que escrever e gravar a canção lavou a sua insatisfação, e restaurou o seu entusiasmo em criar música. Descrevendo a experiência para Robert Hilburn em 2004, quase 40 anos mais tarde, o músico disse: "É como se um fantasma tivesse escrito uma música como essa ... Você não sabe o que significa, só que o fantasma me escolheu para escrever a canção".Hilburn, Robert. Guitar World Acoustic, Fevereiro de 2006, citado em
Highway 61 Revisited foi gravado em dois blocos de gravação que ocorreram no Studio A da Columbia Records, localizado em Midtown Manhattan. O primeiro bloco, realizado entre 15 e 16 de junho, foi produzido por Tom Wilson e resultou em "Like a Rolling Stone". Em 25 de julho, Dylan realizou um controverso concerto elétrico no Newport Folk Festival, onde algumas pessoas na multidão vaiaram sua performance. Quatro dias depois da apresentação, voltou ao estúdio de gravação. Entre 29 de julho e 4 de agosto, ele e a banda completaram a gravação do disco, mas sob a supervisão de um novo produtor, Bob Johnston.
15 e 16 de junho
miniaturadaimagem|180px|O som de órgão que Al Kooper improvisou em "Like a Rolling Stone" tem sido descrito como "um dos grandes momentos de serendipidade da música pop".
Tom Wilson produziu as sessões de gravação iniciais para Highway 61 Revisited entre 15 e 16 de junho de 1965. Dylan foi acompanhado por Bobby Gregg na bateria, Joe Macho, Jr. no baixo, Paul Griffin no piano, e Frank Owens na guitarra. Para a guitarra solo, o cantor convidou Michael Bloomfield da banda Paul Butterfield Blues Band. Os músicos começaram a sessão de 15 de junho gravando uma versão adiantada de "It Takes a Lot to Laugh, It Takes a Train to Cry" e a canção "Sitting on a Barbed Wire Fence", que foi omitida do disco. Dylan e a banda tentaram gravar "Like a Rolling Stone"; nesta fase inicial, o piano dominou o apoio, que estava em compasso ternário. "Barbed Wire Fence", a versão acelerada de "It Takes a Lot to Laugh", e uma tomada inicial de "Like a Rolling Stone" foram finalmente lançadas em The Bootleg Series Volumes 1–3 (Rare & Unreleased) 1961–1991.
Os músicos voltaram ao Studio A no dia seguinte, quando dedicaram quase toda a sessão de gravação a "Like a Rolling Stone". Nesta ocasião estava presente Al Kooper, um jovem músico convidado por Wilson para assistir, mas ele queria tocar na sessão. Kooper conseguiu assistir à sessão, e ele improvisou um riff de órgão que, segundo os críticos Greil Marcus e Mark Polizzotti, tornou-se um elemento crucial da gravação. A quarta tomada foi escolhida como a mestre, mas Dylan e a banda gravaram a canção por mais de 11 vezes.
29 de julho a 4 de agosto Para criar o material para o disco, Dylan passou um mês escrevendo em seu novo lar na colônia de artistas em Byrdcliffe, Woodstock, Nova Iorque. Quando voltou ao Studio A, em 29 de julho, contou com uma banda de apoio composta pelos mesmos músicos da sessão anterior, mas seu produtor tinha mudado de Wilson para Johnston.
miniaturadaimagem|180px|A visita de Charlie McCoy, de Nashville, ao estúdio em Nova Iorque resultou nos floreios de guitarra que acompanham "Desolation Row", a última faixa do álbum. A primeira sessão com Johnston foi dedicada a três músicas. Depois de gravar várias tomadas, cada uma de "Tombstone Blues", "It Takes a Lot to Laugh" e "Positively 4th Street", as mestre foram gravadas com sucesso. "Tombstone Blues" e "It Takes a Lot to Laugh" foram incluídas no final do álbum, mas "Positively 4th Street" foi lançada somente numa versão single. No encerramento da sessão de 29 de julho, Dylan tentou gravar "Desolation Row", acompanhado por Al Kooper na guitarra elétrica e Harvey Brooks no baixo. Não havia baterista, já que o mesmo tinha ido para casa. Esta versão elétrica foi finalmente lançada em 2005, em The Bootleg Series Vol. 7.
Em 30 de julho, o cantor e sua banda retornaram ao Studio A e gravaram três músicas. Uma tomada mestre de "From a Buick 6" foi gravada e posteriormente incluída no final do álbum, mas a maior parte da sessão foi dedicada a "Can You Please Crawl Out Your Window?". Dylan estava insatisfeito com os resultados e deixou a música de lado para uma data posterior; ela acabou sendo regravada com o The Hawks em outubro.
Depois dele e Kooper passarem o fim de semana em Woodstock escrevendo cartas de acorde para as canções, as sessões foram reiniciadas no Studio A em 2 de agosto. "Highway 61 Revisited", "Just Like Tom Thumb's Blues", "Queen Jane Approximately" e "Ballad of a Thin Man" foram gravadas com sucesso e as sessões mestre foram selecionadas para o álbum.
Uma sessão final foi realizada no dia 4 de agosto, novamente no Studio A. A maior parte foi dedicada a completar "Desolation Row". Johnston relatou que o músico Charlie McCoy, de Nashville, estava visitando Nova Iorque, e ele o convidou a tocar guitarra no estúdio. Segundo algumas fontes, sete tomadas de "Desolation Row" foram gravadas, e as tomadas seis e sete uniram-se para a gravação mestre.
O disco resultante tem sido descrito como "o primeiro álbum puramente rock de Dylan", a realização do desejo de deixar seu velho formato de música para trás e seguir em frente com todos os quatro primeiros álbuns acústicos e semi-acústicos, e seu quinto álbum semi-elétrico, Bringing It All Back Home. D. A. Pennebaker, diretor do documentário que filmou o músico em sua turnê acústica no Reino Unido em maio de 1965, disse: "Eu não sabia que ele ia deixar o acústico. Eu sabia que ele estava ficando um pouco arrastado por isso."
Canções Lado A
Highway 61 Revisited abre com "Like a Rolling Stone", que tem sido descrita como revolucionária na sua combinação de toques de guitarra elétrica, acordes do órgão e a voz de Dylan, "ao mesmo tempo jovem e rosnante ... e tão cínica". Michael Gray caracterizou a música como "um amálgama caótico de blues, impressionismo, alegoria e uma franqueza intensa: 'Como se sente?'". Polizzotti escreveu que a composição é notável por evitar temas tradicionais da música popular, tais como romance, e em vez disso expressa ressentimento e desejo de vingança. Tem sido sugerido que a senhorita solitária, personagem central da canção, é baseada em Edie Sedgwick, uma socialite e atriz do cenário Factory do artista pop Andy Warhol. O crítico Mike Marqusee escreveu que esta composição é "certamente uma exposição do próprio Dylan", e que a sua total pungência torna-se evidente após a constatação de que "é cantada, pelo menos em parte, para o próprio cantor: ele é o único 'sem direção para casa'." "Like A Rolling Stone" alcançou a posição número dois na Billboard Hot 100 no verão de 1965, e foi uma das 10 canções mais tocadas na Austrália, Canadá, Holanda, Nova Zelândia e Reino Unido.