As Icamiabas ou Iacamiabas (do tupi i + kama + îaba, "peito partido", ou "mulheres sem marido") são uma nação lendária de mulheres guerreiras da Amazônia que deu origem ao mito das Amazonas no Brasil.

Elas compõem uma sociedade matriarcal, caracterizada por mulheres que vivem sem homens.Datas comemorativas, Aniversário da cidade de Manaus O termo designaria também um monte nas cercanias do rio Conuris (no atual território do Equador). Essa lenda teria dado origem, no século XVI, ao mito das lendárias Amazonas na região Norte do Brasil. Em A Amazônia Misteriosa de Gastão Cruls, lê-se:

O mito das das amazonas brasileiras é conhecido por grupos tupis-guaranis de diferentes regiões do Brasil. Sua lenda foi difundida, em grande parte, pelos tupinambás — conta o religioso francês Yves d'Évreux, em 1612, que obteve copiosas informações a respeito delas entre os tupinambás do Maranhão. O padre espanhol do século XVII Cristóbal de Acuña, do mesmo modo, assegura que as resenhas que lhe foram fornecidas na região amazônica teriam sido a ele transmitidas pelos ditos indígenas. Os apapocuvas (povo guarani do Mato Grosso do Sul) ainda hoje falam, em suas lendas, de mulheres que vivem sem maridos. Os omáguas (povo tupi do Amazonas) contaram ao conquistador alemão, Philipp von Hutten (século XVI), de mulheres "que não tinham nenhuma comunhão com os homens, exceto algumas vezes por ano", que ele associou às amazonas.MÉTRAUX, Alfred. A religião dos Tupinambás e suas relações com a das demais tribus Tupi-Guaranis. Tradução de Estevão Pinto. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1950. 412 p. (Brasiliana, v. 267). p. 296 e 351.

Muitos historiadores associam a descrição feita pelos espanhóis como uma confusão fisiológica e sendo moldada nas lendas e visões eurocêntricas sobre os povos nativos das Américas.

Testemunho de Francisco de Orellana Quando o conquistador espanhol Francisco de Orellana desceu o rio vindo dos Andes em busca de ouro, a vitória das icamiabas (nome que ele nunca usa) contra os invasores espanhóis foi narrada ao rei Carlos I, o qual, inspirado na lenda as antigas guerreiras amazonas da mitologia grega, batizou o grande rio de Rio das Amazonas. Os relatos de Orellana afirmam que a tropa fora advertida da existência dessas indígenas antes mesmo de entrar em contato com elas. O conquistador espanhol descreveu-as como mulheres altas, que andavam nuas e portavam apenas o arco-e-flecha, habitavam casas de pedra e acumulavam metais preciosos.

As icamiabas foram vistas pela esquadra de Orellana em 1542, quando os espanhóis passavam pelo Espelho da Lua, região da atual cidade de Nhamundá, no Amazonas.

Por conta do batismo do rio de Amazonas por Orellana, com a divisão da Província do Grão-Pará a parte ocidental recebeu o nome de Província do Amazonas em 1850.

Relato de Cristóbal de Acuña Em Nuevo descubrimiento del gran Río de las Amazonas (1641), o padre jesuíta espanhol Cristóbal de Acuña, que formou parte da expedição do explorador português Pedro Teixeira à Amazônia na década de 1630 apresenta o relato sobre as amazonas brasileiras como uma tradição indígena amplamente difundida ao longo do rio Amazonas, e não como algo que ele próprio tenha testemunhado.ACUÑA, 1641, p. 36v-37.

Segundo ele, numerosos indígenas afirmavam existir, no interior da região, uma província habitada exclusivamente por mulheres guerreiras. Essas mulheres viviam numa região montanhosa chamada Yacamiaba sem a companhia permanente de homens e eram descritas como exímias arqueiras e combatentes. Em determinadas épocas do ano, recebiam homens Guacarás de uma região vizinha apenas para fins de procriação; as meninas permaneciam na comunidade para perpetuar o grupo, enquanto os filhos do sexo masculino eram, segundo um homem indígena que, quando menino, as tivera visitado junto com seu pai, devolvidos aos pais durante a visita do ano seguinte, mas vários outros testumunhos afirmavam que eram mortos, o que Acuña julga ser mais provável.ACUÑA, 1641, p. 37-37v.

Assim como Orellana, Acuña nunca usa o termo indígena "Icamiabas" ou qualquer outro para se referir a essas mulheres.

Influência cultural No livro Macunaíma (1928) de Mário de Andrade, as icamiabas presenteavam seus amantes depois do acasalamento na Festa de Iaci com um muiraquitã, tradicional amuleto indígena. O presente serviria como recordação e tinha como intuito encorajá-los à fidelidade.

Nas histórias em quadrinhos da Mulher Maravilha da DC Comics, as Amazonas da Amazônia, também conhecidas como "As Esquecidas", são uma tribo indígena de mulheres guerreiras encontrada por uma das Amazonas da Ilha Paraíso em tempos remotos às margens do Rio Amazonas, sendo reencontradas na era moderna pela Mulher Maravilha. A semideusa indígena Yara Flor, filha da amazona que encontrou essa tribo, foi levada ainda criança para os Estados Unidos por questões de segurança, mas retornou na vida adulta, tornando-se a sua defensora, a terceira Moça MaravilhaWonder Girl (2021—2022) e, pelo menos em um futuro possível, a nova Mulher Maravilha.Future State: Wonder Woman (2021—2021) Essas mulheres guerreiras são também chamadas de Coniupuiaras, Iamaricumã e Gaboymilas, mas ainda não foram chamadas de Icamiabas. Uma versão anterior delas, estreando em Wonder Woman #314 (1984), mostrava uma cidade na Amazônia brasileira habitada por amazonas gregas, mas não se sabe se elas foram inspiradas na lenda das Icamiabas como a moderna versão delas.

Ver também Amazonas Guacaris Muiraquitã Mulheres guerreiras na cultura Segregação de gênero

Bibliografia ACUÑA, Cristóbal de. Nuevo descubrimiento del gran rio de las Amazonas. Madrid: Imprenta del Reyno, 1641.

Ligações externas Folclore Amazônico, Amazonas ou Icamiabas

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