A família linguística eniseianas (às vezes chamada de eniseicas) é um grupo de línguas relacionadas faladas na Sibéria Central.
Subdivisões 0. Proto-ienisseiano (anterior a 500 AC; tendo se dividido por volta de 1 DC) 1. Ramo setentrional (dividido por volta de 700 AD) 1.1. Ket (100-500 falantes) 1.1.1. Ket meridional 1.1.2. Ket central 1.1.3. Ket setentrional 1.2. Yugh † (2 ou 3 falantes não-fluentes em 1991) 2. Ramo meridional † 2.1. Kott-Assan (tendo se dividido por volta de 1200 DC) 2.1.1. Kott † (extinta na metade do século XIX) 2.1.2. Assan † (extinta por volta de 1800) 2.2. Arin-pumpokol (tendo se dividido por volta de 550 AD) 2.2.1. Arin † (extinta por volta de 1800) 2.2.2. Pumpokol † (extinta por volta de 1750)
Apenas duas línguas dessa família sobreviveram no decorrer do século XX, a língua ket (também conhecida como Imbat Ket), com aproximadamente 1,000 falantes e o yugh (também conhecido como Sym Ket), agora possivelmente extinto. Os outros membros dessa família, arin, assan, pumpokol, e kott, já haviam se extinguido há mais de um século. Outros grupos – buklin, baikot, yarin, yastin – eram identificadas como falantes do grupo ienisseiano nos registros dos cobradores de imposto sobre peles do Império tzarista durante o século XVII, mas nada dessas línguas sobreviveu exceto alguns nomes próprios. Consta em fontes chinesas que o grupo ienisseiano parece ter estado entre os povos que faziam parte da confederação tribal conhecida como Xiongnu,See Vovin 2000, Vovin 2002 and Pulleyblank 2002 que tem sido tradicionalmente considerados ancestrais dos hunos, mas tais sugestões são difíceis de se substanciar devido à obscuridade desses dados.See Vajda 2008a
Características As línguas ienisseianas compartilham muitas similaridades como as línguas túrquicas faladas no sul da Sibéria, as línguas samoiédicas e o evenque, devido ao extenso contato com essas línguas. Tais características incluem harmonia nasal a longa distância, deafricação, e o uso de posposições ou encliticos gramaticais como cláusulas subordinadas.See Anderson 2003 Os clíticos do ienisseiano se aproximam muito dos sistemas de caso das famílias lingüísticas geograficamente próximas.
As línguas ienisseianas têm sido descritas como tendo mais de cinco tons ou nenhum tom. Os 'tons' são concomitantes com a glotalização, extensão vocal, e murmuro, não muito diferente da situação da reconstrução do antigo chinês, antes do desenvolvimento dos tons verdadeiros do chinês modernos. As línguas ienisseianas possuem uma morfologia verbal altamente elaborada, somente encontrada na Eurásia no burushaski e, em menor grau, nas línguas do Cáucaso. (todas essas línguas são ergativas.)
Morfologia Pronomes pessoais Pronomes pessoais nas línguas ienisseianas 1S 2S 3MS 3FS 1P 2P 3AP Ket āˑ(t) ūˑ būˑ būˑ ɤ̄ˑt ~ ɤ́tn ɤ́kŋ būˑŋ Yugh āt ū bū bū ɤ́tn kɤ́kŋ béìŋ Dialetos do kott ai au uju ~ hatu uja ~ hata ajoŋ auoŋ ~ aoŋ uniaŋ ~ hatien Assan aj au bari ? ajuŋ avun hatin Arin ai au au ? aiŋ aŋ itaŋ Pumpokol ad u adu ? adɨŋ ajaŋ ? ...a ser concluído.
Vocabulário Numerais Ket meridional Yugh Kott Assan Arin Pumpokol 1 qūˑs χūs huːtʃa hutʃa qusej xuta 2 ɯ̄ˑn ɯ̄n iːna ina kina hinɛaŋ 3 dɔˀŋ dɔˀŋ toːŋa taŋa tʲoŋa ~ tʲuːŋa dónga 4 sīˑk sīk tʃega ~ ʃeːga ʃega tʃaga ziang 5 qāˑk χāk kega ~ χeːga kega qala hejlaŋ 6 aˀ ~ à àː χelutʃa gejlutʃa ɨga aggɛaŋ 7 ɔˀŋ ɔˀŋ χelina gejlina ɨnʲa onʲaŋ 10 qɔ̄ˑ χɔ̄ haːga ~ haga xaha qau ~ hioga hajaŋ 20 ɛˀk ɛˀk iːntʰukŋ inkukn kinthjuŋ hédiang 100 kiˀ kiˀ ujaːx jus jus útamssa
Alguns exemplos etimológicos A tabela seguinte exemplifica alguns itens do vocabulário básico e também das tentativas de reconstrução das proto-formas:See Vajda 2007, Starostin 1982 and Werner (???)
Palavra Línguas e dialetos ienisseianos Reconstruções disponíveis Ramo setentrional Ramo meridional <small>Dialetos ket <small>Yugh <small>Kott-assan <small>Arin-pumpokol <small>SK <small>NK <small>CK <small>Kott <small>Assan <small>Arin <small>Pumpokol <small>Vajda <small>Starostin <small>Werner <small>LARIX sɛˀs sɛˀs šɛˀš sɛˀs šet čet čit tag *čɛˀç *seʔs *sɛʔt / *tɛʔt <small>RIO sēˑs sēˑs šēˑš sēs šet šet sat tat *cēˑc *ses *set / *tet <small>PEDRA tʌˀs tʌˀs tʌˀš čʌˀs šiš šiš kes kit *cʰɛˀs *čɨʔs *t'ɨʔs <small>DEDO tʌˀq tʌˀq tʌˀq tʌˀχ tʰoχ ? intoto tok *tʰɛˀq *tǝʔq *thǝʔq <small>RESINA dīˑk dīˑk dīˑk dʲīk čik ? ? ? *čīˑk *ǯik (~-g, -ẋ) *d'ik <small>LOBO qɯ̄ˑt qɯ̄ˑti qɯ̄ˑtə χɯ̄ˑt (boru < túrquico) qut xotu *qʷīˑtʰi *qɨte (˜ẋ-) *qʌthǝ <small>INVERNO kɤ̄ˑt kɤ̄ˑti kɤ̄ˑte kɤ̄ˑt keːtʰi ? lot lete *kʷeˑtʰi *gǝte *kǝte <small>LUZ kʌˀn kʌˀn kʌˀn kʌˀn kin ? lum ? *kʷɛˀn *gǝʔn- ? <small>PESSOA kɛˀd kɛˀd kɛˀd kɛˀtʲ hit het kit kit *kɛˀt *keʔt ? <small>DOIS ɯ̄ˑn ɯ̄ˑn ɯ̄ˑn ɯ̄n in in kin hin *kʰīˑn *xɨna *(k)ɨn <small>ÁGUA ūˑl ūˑl ūˑl ūr ul ul kul ul *kʰul *qoʔl (~ẋ-, -r) ? <small>VIDOEIRO ùs ùːse ùːsə ùːʰs uča uuča kus uta *kʰuχʂa *xūsa *kuʔǝt'ǝ <small> TRENÓ súùl súùl šúùl sɔ́ùl čogar čɛgar šal tsɛl *tsehʷəl *soʔol *sogǝl (~č/t'-ʎ)
...a ser concluído.
Dene-Ienissei
Em 2008, Edward Vajda da Universidade Western Washington apresentou uma evidência, baseada em rigorosa metodologia, de uma relação genética entre as línguas ienisseianas da Sibéria e as línguas na-dene da América do Norte.See Vajda 2008b Seu trabalho tem sido bem avaliado por especialistas em línguas na-dene e línguas ienisseianas, incluindo Michael Krauss, Jeff Leer, James Kari, e Heinrich Werner, bem como outros respeitados lingüistas como Bernard Comrie, Johanna Nichols, Victor Golla, Michael Fortescue, e Eric Hamp.Dene-Yeniseic Symposium. Alaska Native Language Center, University of Alaska Fairbanks No entanto, ainda levará algum tempo para que a comunidade lingüística avalie essa proposta.
Ligações propostas com outras famílias Até 2008, poucos lingüistas aceitavam alguma conexão do ienisseiano com qualquer outra família lingüística, embora distantes ligações tenham sido propostas com a maioria das línguas ergativas da Eurásia.
Karasuk
A hipótese karasuk, ligando o ienisseiano ao burushaski, têm sido proposta por vários estudiosos, notavelmente por A.P DulsonSee Dulson 1968 e V.N. Toporov.See Toporov 1971 George van Driem, o mais proeminente defensor da hipótese karasuk, postula que o povo burusho era parte da migração da Ásia Central que resultou na conquista indo-européia da Índia.See Van Driem 2001
Sino-tibetano
Como foi notado por TailleurSee Tailleur 1994 e Werner,See Werner 1994 algumas das propostas mais antigas para a ligação genética do ienisseiano, feita por M.A. Castrén (1856), James Byrne (1892), e G.J. Ramstedt (1907), sugeria que o ienisseiano é o relativo setentrional das línguas sino-tibetanas. Essas idéias foram seguidas muito mais tarde por Kai DonnerSee Donner 1930 e Karl Bouda.See Bouda 1963 and Bouda 1957
Dene-caucasiano
Bouda, em várias publicações dos anos 30 aos anos 50, descreveu uma cadeia lingüística que (juntamente ao ienisseiano e sino-tibetano) também incluía caucasiano setentrional, e o burushaski, algumas formas do que foi chamado de sino-caucasiano. Os trabalhos de R. BleichsteinerSee Bleichsteiner 1930 e O.G. Tailleur,See Tailleur 1958 and Tailleur 1994 e posteriormente os de Sergei A. StarostinSee Starostin 1982, Starostin 1984, Starostin 1991, Starostin & Ruhlen 1994 e Sergei L. NikolayevSee Nikola(y)ev 1991 têm buscado confirmar essas conexões. Outros que ajudaram a desenvolver a hipótese, muitas vezes a expandem para dene-caucasiano, incluem J.D. Bengtson,See Bengtson 1994, Bengtson 1998, Bengtson 2008 V. Blažek,See Blažek & Bengtson 1995 J.H. Greenberg (juntamente com M. Ruhlen),See Greenberg & Ruhlen, Greenberg & Ruhlen 1997 e M. Ruhlen.See Ruhlen 1997, Ruhlen 1998a, Ruhlen 1998b George Starostin dá continuidade ao trabalho de seu pai no estudo das línguas ienisseianas, sino-caucasianas e em outros campos.See Reshetnikov & Starostin 1995a, Reshetnikov & Starostin 1995b, Dybo & Starostin
Notas
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