A Capital Mundial do Livro (WBC, na sigla em inglês) é uma iniciativa da UNESCO que reconhece cidades pelo compromisso com a promoção dos livros e o incentivo à leitura durante um ano, a partir de 23 de abril, data em que se celebra o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor . As cidades designadas como Capital Mundial do Livro da UNESCO realizam atividades com o objetivo de estimular a cultura da leitura em todas as idades e compartilhar os valores da organização. A nomeação não inclui prêmio financeiro.
A UNESCO instituiu o programa por meio da Resolução 31C/29, adotada em 2001, e nomeou Madri como a primeira Capital Mundial do Livro. O comitê consultivo do programa é composto por representantes da UNESCO, da Associação Internacional de Editores (IPA), da Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA), do Fórum Internacional de Autores (IAF) e da Federação Internacional de Livreiros (IBF).
História Seis anos após a criação do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor (23 de abril), e seguindo a iniciativa de Madri em 2001 de realizar celebrações anuais em torno da data, a UNESCO lançou oficialmente o programa Capital Mundial do Livro. A organização convidou entidades profissionais da cadeia produtiva do livro, IPA, IFLA e IBF, para desenvolver um programa voltado à promoção da leitura durante o intervalo entre duas edições do Dia Mundial do Livro.
Por proposta da Espanha, apoiada por diversos países, a Conferência Geral da UNESCO decidiu, em 2 de novembro de 2001, conceder apoio moral e intelectual à concepção e implementação da iniciativa, incentivando o trabalho conjunto das organizações internacionais do setor.
Madri (Espanha) foi a primeira cidade a receber o título de Capital Mundial do Livro da UNESCO, antes mesmo da adoção formal da Resolução 31C/29. Um acordo entre os parceiros definiu que as cidades seguintes seriam Alexandria (2002) e Nova Délhi (2003).
Atividades As cidades designadas como Capital Mundial do Livro realizam diversas atividades com o objetivo de promover a cultura da leitura e os valores da UNESCO em diferentes faixas etárias e grupos populacionais. O programa reconhece o comprometimento das cidades na promoção dos livros e da leitura ao longo de um período de 12 meses, e busca sensibilizar o público sobre questões relacionadas à alfabetização e ao acesso à leitura. A iniciativa também fortalece as indústrias locais e nacionais do livro, envolvendo instituições culturais e outros parceiros em projetos diversos. O título contribui para dar visibilidade, nacional e internacional, ao patrimônio literário da cidade e do país.
Nomeação
Processo de seleção Anualmente, a UNESCO publica um edital aberto para candidaturas em seu site oficial. O edital para o ano de 2024 foi divulgado em fevereiro de 2022. A nomeação não oferece prêmios financeiros, mas reconhece os melhores programas dedicados aos livros e à leitura.
A responsabilidade pela designação das cidades é do Diretor-Geral da UNESCO, após consultas internas e externas com os demais membros do Comitê Consultivo.
O Comitê Consultivo é formado por um representante de cada uma das seguintes entidades: Fórum Internacional de Autores (IAF), Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA), Associação Internacional de Editores (IPA), além de um representante da UNESCO. O comitê se reúne uma vez por ano.
Para garantir uma representação geográfica equilibrada, o comitê evita nomeações consecutivas de cidades da mesma região. Também só considera a candidatura de uma cidade situada em um país que já tenha sediado uma edição anterior se houver um intervalo mínimo de dez anos desde a última nomeação.
Critérios de nomeação O comitê responsável pela nomeação aceita programas apresentados ou endossados pelo prefeito da cidade candidata que promovam e incentivem a leitura. As atividades devem ocorrer entre uma edição do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor (23 de abril) e a seguinte. As propostas submetidas pelas cidades são avaliadas com base nos seguintes seis critérios:
Apresentação de um programa de atividades especificamente concebido para o título de Capital Mundial do Livro, a ser implementado durante o ano de mandato da cidade, com benefícios duradouros para os parceiros e a sociedade em geral; Esboço geral dos gastos previstos e estratégias de captação de recursos; Grau de envolvimento municipal, regional, nacional e internacional, incluindo organizações profissionais e não governamentais, além do impacto esperado das atividades propostas; Quantidade e qualidade das atividades pontuais ou contínuas organizadas pela cidade candidata, em colaboração com organizações profissionais nacionais, regionais e internacionais representando escritores, editores, livreiros e bibliotecários, respeitando os diversos atores da cadeia do livro, bem como das comunidades científica e literária; Quantidade e qualidade de quaisquer outros projetos relevantes voltados à promoção dos livros e da leitura; Conformidade com os princípios de liberdade de expressão, liberdade de publicação e direito à informação, conforme estabelecido na Constituição da UNESCO, nos Artigos 19 e 27 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, no Acordo de Florença sobre a Importação de Materiais Educacionais, Científicos e Culturais, bem como na Carta das Nações Unidas e nas resoluções relevantes da ONU.
Compromissos das cidades nomeadas Ao apresentar sua candidatura, a cidade candidata se compromete a:
Associar a UNESCO e as organizações profissionais representadas no Comitê Consultivo à sua campanha de comunicação e informação, exibindo os respectivos logotipos em todas as publicações e no site dedicado ao programa; Fornecer à UNESCO (que compartilhará com os membros do Comitê Consultivo): Um relatório intermediário sobre as atividades realizadas entre 23 de abril e 23 de outubro; Um relatório final sobre todas as atividades realizadas entre 23 de abril de um ano e 22 de abril do ano seguinte; Convidar sistematicamente a UNESCO e as organizações representadas no Comitê Consultivo para todos os eventos principais relacionados ao título; Produzir e disseminar materiais de comunicação sobre a programação das atividades aos membros do Comitê.
A UNESCO e o Comitê Consultivo oferecem suporte à cidade escolhida durante os dois anos que antecedem seu mandato, auxiliando no planejamento e implementação do programa. A cidade deve colaborar com possíveis auditorias de avaliação solicitadas pela UNESCO. Caso o desempenho não esteja em conformidade com as expectativas do Comitê, o título pode ser retirado a qualquer momento, mediante aviso prévio de um mês.
Cidades eleitas As cidades a seguir foram eleitas Capital Mundial do Livro: AnoCidadePaís2001Madrid2002Alexandria2003Nova Deli2004AntuérpiaAnúncio da seleção de Antuérpia como Capital Mundial do Livro de 20042005MontrealAnúncio da seleção de Montreal como Capital Mundial do Livro de 20052006TurimAnúncio da seleção de Turin como Capital Mundial do Livro de 20062007BogotáAnúncio da seleção de Bogotá como Capital Mundial do Livro de 20072008AmesterdãoAnúncio da seleção de Amsterdão como Capital Mundial do Livro de 20082009BeiruteAnúncio da seleção de Beirute come Capital Mundial do Livro de 20092010LiublianaAnúncio da seleção de Ljubljana como Capital Mundial do Livro de 20102011Buenos AiresAnúncio da seleção de Buenos Aires como Capital Mundial do Livro de 20112012ErevanAnúncio da seleção de Erevan como Capital Mundial do Livro de 20122013BanguecoqueAnúncio da seleção de Banguecoque como Capital Mundial do Livro de 20132014Port HarcourtAnúncio da seleção de Port Harcourt como Capital Mundial do Livro de 20142015IncheonAnúncio da seleção de Incheon como Capital Mundial do Livro de 20152016BresláviaAnúncio da seleção de Breslávia como Capital Mundial do Livro de 20162017ConacriAnúncio da seleção de Conacri como Capital Mundial do Livro de 20172018Atenas Anúncio da seleção de Atenas como Capital Mundial do Livro de 20182019XarjaAnúncio da seleção de Sharjah como Capital Mundial do Livro de 20192020Kuala LumpurAnúncio da seleção de Kuala Lumpur como Capital Mundial do Livro de 20202021Tbilisi2022Guadalajara2023Acra2024Estrasburgo2025Rio de Janeiro
Madrid (2001) miniaturadaimagem|Biblioteca Nacional da España Madri foi a primeira cidade a receber o título de Capital Mundial do Livro. A capital espanhola foi responsável por propor a criação do título e organizar os primeiros eventos vinculados à iniciativa. Diversas atividades voltadas à popularização dos livros e da leitura foram promovidas por empresas e organizações que apoiaram o evento. A Feira do Livro LIBER, tradicional na Espanha, adotou o tema da Capital Mundial do Livro naquele ano. Um dos destaques simbólicos foi a cobertura da Puerta de Alcalá com livros ao longo do ano.
Alexandria (2002) miniaturadaimagem|Bibliotheca Alexandrina A cidade egípcia de Alexandria foi escolhida como Capital Mundial do Livro em 2002, ano em que foi reinaugurada a Bibliotheca Alexandrina, uma homenagem à antiga Grande Biblioteca de Alexandria, considerada uma das maiores e mais importantes bibliotecas do mundo antigo. Construída no século III a.C., a biblioteca original foi um dos primeiros centros mundiais de conhecimento, artes e ciências, além de pioneira na criação de um sistema bibliográfico. Apesar de destruída diversas vezes ao longo da história, o governo do Egito construiu uma nova biblioteca no local. O projeto da nova Biblioteca de Alexandria foi um dos principais fatores que justificaram a escolha da cidade, por seu papel em fomentar o interesse pela leitura.
Nova Délhi (2003) Nova Deli, capital da Índia, abriga o maior número de editoras do país. Em 2003, lançou um programa para incentivar a publicação de livros e promover a leitura, envolvendo associações profissionais, representantes políticos e sociais, além de órgãos governamentais. Entre as atividades realizadas ao longo do ano, destacam-se a instalação de quiosques de livros, bibliotecas e um pavilhão permanente do livro no complexo Pragati Maidan. Houve atenção especial à formação de hábitos literários entre crianças. Outros eventos relevantes incluíram a Feira do Livro de Deli (realizada em agosto de 2003), a Convenção Nacional “Tornando a Índia uma Sociedade Leitora” e exposições de livros infantis em escolas de destaque da cidade.
Antuérpia (2004) A cidade belga de Antuérpia foi escolhida como Capital Mundial do Livro em 2004, tendo como tema o projeto ABC 2004, que evoluiu para XYZ 2005 na segunda fase do programa. Um dos destaques foi a realização de quatro exposições dedicadas ao patrimônio escrito da cidade.
Com um orçamento de 1,7 milhão de euros, foram realizados diversos projetos literários ao longo do ano, incluindo festivais da palavra, performances teatrais de rua, leituras públicas, homenagens a autores, concursos de redação por celular, publicações em parceria com artistas, exposições e distribuição gratuita de cadernos em branco para incentivar a escrita. Poemas foram impressos em embalagens de pão e distribuídos ao público. No hall principal do centro internacional de arte e cultura DeSingel, foi instalado um cubo metálico contendo uma biblioteca pública.
Montreal (2005) Com o lema "O poder agregador dos livros", Montreal foi nomeada Capital Mundial do Livro em 2005. Os principais objetivos do programa eram ampliar os hábitos de leitura, especialmente entre os jovens, incentivar a escrita criativa, fortalecer a indústria editorial e consolidar a posição da cidade como centro cultural de destaque internacional.
As atividades foram organizadas em torno de temas como livros e leitura, criatividade, educação e aprendizado, memória e patrimônio, cultura, celebração e festivais. Autores canadenses como Marie Laberge, Réjean Ducharme, Yann Martel, Mordecai Richler e Michel Tremblay tiveram suas obras destacadas durante o ano.
Turim (2006)