Alexis Stepanenko (São Paulo, – São Paulo, 29 de fevereiro de 2024) foi um professor e sociólogo brasileiro. Foi ministro de Minas e do Planejamento durante o governo Itamar Franco, de 7 de maio de 1993 a 3 de março de 1994. Em agosto de 1993, como ministro, Alexis foi admitido por Itamar à Ordem do Mérito Militar no grau de Grande-Oficial especial.

Biografia Natural de São Paulo, nasceu no dia 14 de abril de 1938, filho do russo Dimitri Petrovich Stepanenko, que imigrou para o Brasil atraído por trabalho na área de Engenharia Química, e da francesa Monique Marie Thérèse Rayneau. Deu início a sua vida estudantil na capital paulista, em 1946, quando ingressou na Saint Paul School, tendo, no período de 1948 a 1949 frequentado o Colégio Dante Alighieri. A conclusão do curso primário se deu no Liceu Pasteur, também em São Paulo.

Com a mudança da família para o município de Piracicaba (SP) em 1950, devido a interesses profissionais do pai e em atendimento à dinâmica da família na época, cursou o Ginasial (atual Fundamental I) no Colégio Piracicabano, entre os anos de 1950 e 1953. De volta à capital paulista, cursou o científico (atual Ensino Médio) no Instituto Mackenzie, em 1954 e 1955. A formatura nessa etapa escolar se deu pelo colégio Maria José, em 1956.

Com forte inclinação às Ciências Humanas, optou por cursar a Escola de Sociologia e Política da Universidade de São Paulo (USP), que frequentou nos anos de 1959 a 1961. Para Alexis, foi um uma escolha coerente, haja vista as discussões que vivenciou em casa junto ao pai, um defensor dos direitos trabalhistas e inconformado com o estudo da Geografia da Fome, um dos primeiros a traçar o mapa da miséria no Brasil. Como estudante de sociologia, foi convidado a trabalhar como pesquisador social em diversas empresas de renome nacional, como a McCann Erickson e a Wordpress, com sede em São Paulo, quando participou principalmente das chamadas pesquisas de mercado. Como pesquisador, conheceu um Brasil de minorias que o motivou a, mais tarde, em sua carreira, elaborar seus próprios estudos e pesquisas.

Em São Paulo, ficou até 1962, quando transferiu-se para concluir o curso universitário na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde se diplomou em 1964. No estado fluminense, continuou prestando serviço como pesquisador e analista social em empresas como a Sociedade para Análise Gráfica e Mecanográfica Aplicada aos Complexos Sociais (SAGMACS) e em sua sucessora Sociedade de Pesquisas e Planejamento (SPLAN), quando participou de pesquisas como sobre o Processos de Industrialização e Urbanização no Brasil’, Migração Rural-Urbana no Brasil e ‘Uma Favela Carioca. Nessa época teve contato e trabalhou ao lado de importantes cientistas sociais, como Darcy Ribeiro, então coordenador do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, e Rosa Duran, sob a coordenação de quem participou da Pesquisa de Migração do Brasil. Foi, ainda, nesse período, que auxiliou na estruturação do Serviço Social Rural, o atual Incra. Participou, nessa época, do curso de Planejamento Social, ministrado pelo Guilherme Dutra, recém chegado de Paris, onde havia estudado o Padre L. J. Lebret, quando conheceu o movimento de Economie et Humanisme que ajudou sua posição ideológica futura.

Formado, começou a ministrar palestras e aulas de Pesquisa para o curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Pouco mais tarde, a convite de José Arthur Rios, membro da Sociedade de Planejamento, foi convidado a participar do Seminário Sociologia Industrial, promovido pelo SENAI, na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais. Sua participação lhe rendeu convite para lecionar na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde realizou várias pesquisas experimentais com os estudantes, uma delas uma científica sobre opinião pré eleitoral do pleito de 1968 que tinha como um de seus candidatos à prefeitura da cidade, o engenheiro Itamar Franco. Na época, ajudou a elaborar o programa de governo de Itamar, sendo que, com o político eleito, Stepanenko foi nomeado assessor especial para elaboração de um plano diretor para a cidade e do levantamento social e econômico do município. Com a aproximação de Itamar Franco e por assumir cargo em sua gestão, passou a fazer parte do denominado Grupo de Juiz de Fora, mais tarde República de Juiz de Fora, que seguiria Itamar até a Presidência da República e da qual ainda faziam parte Murílio Hingel, Maria Andrea Rios Loyola e Walter Barelli.

Em Juiz de Fora, permaneceu até 1969 quando retornou para o Rio de Janeiro. Já na década de 1970, expandiu seus horizontes profissionais, sendo que a partir de 1972, assumiu cargo de superintendente editorial da Gráfica Primor S/A empresa do Grupo Delta-Larousse, onde permaneceu até 1973; neste mesmo ano se transferiu para a Espanha, onde foi aluno do curso de especialização da Universidade de Madri. Como os anos de 1970 seria de muito dinamismo na vida profissional de Alexis, ele ocupou ainda o cargo de sócio-gerente da empresa CIRH , no período de 1973 a 1975, diretor do Sindicato Nacional de Editores de Livros (1973 a 1975), técnico da Financiadora de Estudos e Projetos (1975); técnico da Secretaria Geral do Ministério do Planejamento (Seplan); editor da revista Infância e Adolescência. Foi também vice-presidente (1975-1976) e presidente (1977-1978) do Comitê Executivo do Centro Regional para el Fomento Del Libro en América Latina (Cerlal), organismo da UNESCO sediado em Bogotá, na Colômbia.

Nesse período foi, ainda, gerente de departamento e membro da diretoria executiva do Banco Lar Brasileiro, mais tarde o The Chase Manhattan Bank, no Rio de Janeiro (1975 a 1978), onde ficou responsável por coordenar o departamento de Recursos Humanos. Na época, realizou cursos de gerência financeira na África do Sul. De 1978 a 1981, foi gerente de treinamento e desenvolvimento na Indústria e Comércio Atlantis do Brasil Ltda. em São Paulo. Em seguida foi consultor das Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebrás) por meio da empresa que originou a Marktel Consultoria S/C Ltda., da qual viria a ser sócio-gerente (1985 a 1990). Em 1988, tornou-se professor de pós-graduação em marketing e pesquisa em organizações da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em Brasília. Foi nesse período, de forma natural, que se deu a aproximação com a presidência da República. Morando em Brasília, onde prestava consultoria à Diretoria de Operações da Telebrás, acabou por receber convites para, a partir de 1986, participar de trabalhos com as equipes da Fundação do Instituto de Administração (FIA) da USP e da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Como amigo, costumava visitar o então senador Itamar, no Senado Federal.

Em 1990, dentro de um processo de anistia acadêmica conseguiu as assinaturas do então Vice-Presidente da República, Itamar Franco, e do ex-Diretor da Faculdade de Filosofia, o Murílio Hingel. As assinaturas foram obtidas, porém junto com elas veio o convite para assumir, na Vice-Presidência, a Coordenadoria da Assessoria Técnica, com a incumbência de preparar um plano geral de governo no caso de vacância da Presidência. Faleceu em 29 de fevereiro de 2024 aos 85 anos.

Vida pública Na década de 1990, mais propriamente no ano de 1992, já com o Itamar Franco vice-presidente do então presidente Fernando Collor de Mello, foi convidado pelo mineiro a assumir a assessoria técnica do Gabinete da Vice-Presidência. Nesse cargo não permaneceria por muito tempo, pois, com o afastamento de Collor, em 29 de setembro do mesmo ano, para responder a processo de impeachment, Itamar assumiu a presidência do Brasil, promovendo Stepanenko a subsecretário-geral da Presidência da República. Com isso, ele entrou no cenário dos grandes cargos nacionais.

Como subsecretário da Presidência foi autor da reforma administrativa do governo, a qual prefere denominar “adaptação administrativa” do governo Collor de Mello, que assumia ainda na ressaca da forma dos militares reformar e precisava de novo fôlego e visão mais social. Um dos principais objetivos dessa ação foi promover a flexibilização das estruturas governamentais, como forma de melhor atender as necessidades e aspirações sociais.

Em novembro do mesmo ano, tornou-se vice-presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com o objetivo principal de acompanhar o processo de privatização em curso no Brasil. miniaturadaimagem|Alexis em 2017 e 2021. Em maio de 1993, deixou o BNDES para fazer parte do primeiro escalão dos cargos do Governo Federal ao assumir o Ministério do Planejamento substituindo Yeda Crusius. Na ocasião, definiu-se como “um coringa técnico do presidente”, que a qualquer momento poderia indicá-lo para outra função. Como ministro, fez declarações polêmicas, como a de agosto de 1992, quando, participando da elaboração da política de reajuste de salários nas empresas estatais, declarou que a concessão de reajustes superiores aos previstos na nova legislação salarial dependeria da comprovação da capacidade financeira da empresa.

Com o advento de o Congresso Nacional derrubar o veto do presidente ao reajuste salarial geral de 100% da inflação, se envolveu em mais uma polêmica ao criticar abertamente o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), por este ter apontado erros nos cálculos do governo.

Uma crise política foi instalada ainda no mês de agosto de 1993, quando Stepanenko pediu abertamente a exoneração do presidente do BNDES, Luiz Carlos Delben. Em contrapartida, Delben acusou Stepanenko de irregularidades cometidas durante sua gestão junto ao banco, como a contratação de empresas sem licitação.

Como Delben fora indicado para o cargo pelo então governador de São Paulo, Luís Antônio Fleury, Stepanenko avaliou que sua saída do ministério seria fundamental para contornar a crise estabelecida com o PMDB, tanto que uma carta de demissão foi encaminhada ao presidente Itamar. Porém, o pedido veio acompanhado de determinação de que fossem feitas auditorias em 188 contratos do banco.

Em janeiro de 1994, foi acusado pelo Sindicato dos Bancários do Rio de ter gasto dinheiro público irregularmente, já que o BNDES teria pago despesas de hospedagem para ele e esposa, além do aluguel de três carros para seu transporte, de esposa e assessores. Atribuindo a denúncia à “ira corporativista” dos funcionários dos bancos estatais, afirmou que isto não seria motivo para afastá-lo da “disposição de promover um choque público nas empresas estatais”. Comparando alguns funcionários e dirigentes de estatais a cupins, que “devoram as empresas por dentro”, autodenominou-se “dedetizador de empresas”.“O Estado centralizador faliu, evidenciando a necessidade de descentralizar e dividir responsabilidades”, declarou na época.

Deixou o Ministério do Planejamento em março de 1994, sendo substituído pelo senador Beni Veras, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Transferido para a pasta de Minas e Energia, sua quarta função no governo Itamar, no lugar de José Israel Vargas, queixou-se de ter ido para um cargo de menor poder. No ato de posse, anunciou a demissão do diretor-geral do Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE), por ter aumentado as tarifas de energia elétrica acima da inflação, contrariando compromissos do Governo.