A Batalha de Zela foi uma batalha travada em 47 a.C. entre as forças da República Romana, lideradas por Júlio César, e as do Reino do Bósforo, lideradas pelo rei Fárnaces II, filho de Mitrídates VI do Ponto, o antigo inimigo de Roma nas Guerras Mitridáticas.
Contexto Depois de sua vitória na Batalha do Nilo, César viajou com uma de suas legiões veteranas, a VI FerrataAulo Hírcio, De Bello Alexandrino, cap. 69., bastante experiente por anos de contínuas batalhasSheppard, 2009: 84-85, na época com apenas homensSheppard, 2009: 30, para enfrentar Fárnaces II, do Reino do Bósforo, que aproveitou a guerra civil romana para invadir o Reino da Capadócia, a Armênia Parva e a província romana do PontoAulo Hírcio, De Bello Alexandrino, caps. 34, 41., um território que no passado havia sido de seu pai, o rei Mitrídates VI do Ponto, derrotado décadas antes por Pompeu e Lúculo na Terceira Guerra MitridáticaAulo Hírcio, De Bello Alexandrino, cap. 35..
Ao saber que o governador romano da Ásia, Cneu Domício Calvino, havia sido forçado a enviar duas de suas três legiões para ajudar César no EgitoSheppard, 2009: 23, 84-85, 87 no final de 48 a.C., Fárnaces invadiu o território romano e derrotou Calvino na Batalha de NicópolisSheppard, 2009: 87Aulo Hírcio, De Bello Alexandrino, cap. 74., ocupando posteriormente todo o território, uma ocupação marcada por saques e abusos contra a população e, especialmente, contra os romanosAulo Hírcio, De Bello Alexandrino, cap. 41..
César partiu do Egito em 7 de junho de 47 a.C., zarpando de Alexandria rumo a Antioquia e dali para a AnatóliaSheppard, 2009: 20, 86-87. No caminho, César soube que a situação era crítica em Roma, administrada pelo seu legado Marco Antônio, e, por isso, tinha pressa para terminar a campanha no orienteAulo Hírcio, De Bello Alexandrino, cap. 65.. Seu exército foi reforçado por tropas alistadas entre os reinos aliados na região, como foi o caso da Legio XXII Deiotariana, formada por recrutas do Reino da Galácia (Deiótaro foi obrigado a ajudar por ter se aliado antes aos pompeianos)Aulo Hírcio, De bBello Alexandrino, cap. 67.. César conseguiu resolver facilmente os conflitos latentes na Síria, Cilícia e Ásia, intocadas pela invasão de Fárnaces, e deixou a região sob o comando de seu parente Sexto Júlio CésarAulo Hírcio, De Bello Alexandrino, cap. 66.. Chegando ao Ponto, César unificou sua legião (a VI Ferrata) com os auxiliares locais e os sobreviventes da Batalha de Nicópolis. Fárnaces ainda tentou negociar uma saída diplomática, mas foi rechaçado por CésarAulo Hírcio, De Bello Alexandrino, cap. 70..
Fárnace então ocupou e fortificou as colinas perto de ZelaAulo Hírcio, De Bello Alexandrino, cap. 72., um local onde seu pai havia vencido uma batalha em 67 a.C., esperando repetir o mesmo sucesso. César acampou a cerca de oito quilômetros de distância e, na noite de 31 de julho, ordenou que suas forças se aproximassem secretamente das posições inimigasAulo Hírcio, De bBello Alexandrino, cap. 73..
Batalha de Zela Depois de dias de mútua vigilância, Fárnaces, alardeando seu desprezo pelas tropas romanas, dispôs em formação seu exército enquanto César e sua primeira linha estavam de frente para suas trincheiras e o resto estava trabalhando nas fortificações do acampamento, deixando sua forte posição defensiva nas colinas que circundavam o vale. César ordenou que os trabalhos fossem abandonados e dispôs todo seu exército em formação de batalhaAulo Hírcio, De Bello Alexandrino, cap. 75.. A batalha começou e a VI Ferrata conseguiu defender sua posição na ala direita romana; pouco depois, o flanco esquerdo e o centro do exército de Fárnaces foram postos em fuga com pesadas baixas; o flanco direito foi cercado. Todas as forças de Fárnaces foram mortas ou capturadas e somente suas coortes mais leais permaneciam na reserva em seu acampamento fortificado. Contudo, elas pouco puderam fazer diante do poderoso assalto romano que se seguiuAulo Hírcio, De Bello Alexandrino, cap. 76. e uns poucos sobreviventes fugiram em desordem colina abaixoGoldsworthy, 2007: 446-447.
Eventos posteriores A parte de seu exército estava morto ou capturada, mas ainda assim Fárnaces conseguiu fugir com mil cavaleiros para Sinope. Fárnaces recrutou mercenários citas e sármatas em Teodósia e Panticapeu, mas foi derrotado e morto por Asandro depois de quinze anos no tronoApiano, De Bello Mithridatico, cap. 120.. Calvino foi incumbido de perseguir os sobreviventes com a cavalaria ligeiraAulo Hírcio, De Bello Alexandrino, cap. 77.Sheppard, 2009: 23 enquanto César repartia o butim amealhado entre seus soldados. Depois de dispensar os auxiliares de Deiótaro, César enviou a VI Ferrata de volta para a Itália e deixou duas legiões no Ponto sob o comando de Célio Vinciano. Depois disto, marchou pela Galácia e pela Bitínia reorganizando o governo destas regiões. Mitrídates de Pérgamo, seu fiel aliado na campanha do Egito, recebeu o trono do Reino do Bósforo, que era de Fárnaces II. Terminada a reforma, César finalmente voltou para RomaAulo Hírcio, De Bello Alexandrino, cap. 78.Tucker, Spencer C. (2009). A Global Chronology of Conflict: From the Ancient World to the Modern Middle East. Santa Bárbara: ABC-CLIO, pp. 127. ISBN 9781851096725..
A campanha contra Fárnaces durou apenas cinco dias. Foi tão rápida e contundente que Plutarco conta que César teria dito "Veni, vidi, vici", uma de suas frases mais famosasPlutarco, Vidas Paralelas, Vida de Júlio César'' 50..
Porém, a guerra civil ainda não havia acabado, pois os pompeianos sobreviventes da Batalha de Farsalos formaram um novo exército na África Velha.
Bibliografia
Ligações externas
Categoria:Batalhas da Guerra Civil de César Categoria:Reino do Ponto Categoria:47 a.C.