O rio Moxotó é um curso de água que banha os estados de Pernambuco e Alagoas, na Região Nordeste do Brasil, servindo como divisa natural em trechos de seu percurso. Com uma extensão total de aproximadamente 226 quilômetros, é um dos principais afluentes da margem esquerda do rio São Francisco. Nasce no município de Sertânia e percorre diversos municípios, como Custódia, Ibimirim, Inajá, Tacaratu e Jatobá (em Pernambuco), além de áreas no estado de Alagoas.
Sua bacia hidrográfica constitui a Unidade de Planejamento Hídrico 8 (UP8) do Estado de Pernambuco. É considerado um rio intermitente (temporário), atingindo seus maiores níveis de vazão durante o período chuvoso, de janeiro a março. Seu principal reservatório artificial é o Açude Poço da Cruz (Engenheiro Francisco Sabóia), localizado em Ibimirim.
Etimologia Existem diferentes hipóteses para a origem do toponímico Moxotó:
Segundo a interpretação atribuída a Murtinho Nobre, o termo provém das línguas indígenas locais, significando "rio de índios bravios", formado pela junção de moxó ("índios bravios") e tó ("rio" ou "planície"). Uma segunda hipótese, registrada pelo naturalista Carl Friedrich Philipp von Martius, associa o vocábulo ao termo "cauda de boi". No entanto, pesquisadores ressalvam a improbabilidade histórica dessa correlação étnica, visto que a fauna bovina foi introduzida no semiárido pelos colonizadores europeus, sendo desconhecida pelos povos originários pré-colombianos.
Geografia e Hidrografia
Nascente A localização exata da nascente do rio Moxotó apresenta diferentes interpretações na literatura geográfica e nas legislações oficiais:
Decreto Estadual nº 11.760/1986: A legislação do estado de Pernambuco que classifica os cursos d'água locais estabelece que o Moxotó é formado pela junção de duas nascentes principais: o riacho do Boqueirão e o riacho Macambira. Literatura Histórico-Geográfica: Ulisses Lins de Albuquerque, em sua obra Moxotó Brabo, indica que a cabeceira principal do rio situa-se no riacho Cipó (também designado como riacho Passagem das Pedras). Melo (2010): Aponta a nascente do rio a uma altitude aproximada de 700 metros, nas vizinhanças da localidade de Passagem das Pedras, próxima à divisa entre os estados de Pernambuco e Paraíba, no município de Sertânia.
Bacia Hidrográfica A bacia hidrográfica do rio Moxotó está compreendida entre as latitudes 07º 52’ 21” e 09º 19’ 03” S e as longitudes 36º 57’ 49” e 38º 14’ 41” W. Abrange majoritariamente o território pernambucano, estendendo-se em sua porção sudeste para o estado de Alagoas, até a foz no rio São Francisco.
Os limites geográficos da bacia são: Norte: Estado da Paraíba e Bacia do Rio Pajeú (UP9); Sul: Estado de Alagoas e Grupo de Bacias de Pequenos Rios Interiores 2 (GI2 / UP21); Leste: Bacias do rio Ipojuca (UP3) e rio Ipanema (UP7); Oeste: Bacia do rio Pajeú e Grupo de Bacias de Pequenos Rios Interiores 3 (GI3 / UP22).
Rede de Drenagem e Afluentes A rede hidrográfica do Moxotó é composta por diversos sub-bacias e microbacias intermitentes que alimentam o curso principal.
Margem Direita Riacho do Saquinho: Com cerca de 34 km de extensão, nasce próximo à Serra de Jabitacá, em Custódia. Tem como afluentes os riachos da Conceição e Barreiro, desaguando no Moxotó na comunidade de Rio da Barra. Riacho dos Campos: Possui 19 km de extensão, com nascente na região dos Cariris Velhos (Custódia). Deságua próximo à localidade de Bom Nome. Riacho da Custódia: Com 35 km de extensão, nasce na Serra da Torre (Custódia). Em seu trecho inicial é denominado Riacho Cangalha, recebendo tributários como o riacho do Jirau, Catolé, do Meio e Mulungu antes de desaguar próximo a Caroalina, em Sertânia. Riacho do Jaramataia: Curso intermitente com nascente na Serra da Lagoinha. Denominado inicialmente riacho Barro Branco, deságua no Açude Poço da Cruz, na comunidade de Caraíbas (Ibimirim). Riacho do Cupeti (ou Capiti): Nasce na Serra da Lagoinha e drena porções dos municípios de Custódia e Flores. Sub-bacia do Riacho da Alexandra: Abrange uma área de drenagem de aproximadamente 275 km² na porção centro-oeste da bacia principal. Seu curso principal percorre cerca de 27 km desde a Serra do Periquito até desaguar no Moxotó, servindo de limite entre os municípios de Inajá e Ibimirim. Seus principais tributários incluem o Riacho dos Nazários (que cruza terras da etnia Kambiwa) e o Riacho do Bandarra. Riacho do Segredo: Possui 27 km de extensão, desaguando no Moxotó próximo ao sítio Formosa Nova. Riacho do Caraibeiro (ou do Juazeiro): Possui cerca de 25 km de extensão, nascendo na Serra Grande/dos Pingos (Inajá), onde recebe a denominação local de Riacho Baixa da Prensa. Riacho do Mel: Curso intermitente de 93 km de extensão, com nascente nas serras do Coqueiro, Caiçara e Santa Cruz, em Arcoverde. Deságua no Açude Poço da Cruz.
Margem Esquerda
Sub-bacia do Riacho do Coité / Manari A sub-bacia do Riacho do Coité engloba uma área de drenagem de 601 km² na porção centro-leste da bacia do Moxotó. Compreende sub-bacias menores, como as do Manari, Cana Brava e Velha Rosa. Territorialmente, abrange áreas dos municípios de Mata Grande (Alagoas), além de Ibimirim, Inajá, Itaíba e Manari (Pernambuco).
O curso d'água principal dessa sub-bacia percorre cerca de 52,5 km a partir da nascente do riacho da Estiva, integrando-se sucessivamente aos riachos da Cana Brava, Manari e Coité, até desaguar no rio Moxotó nas proximidades do povoado de Caurá.
Ver também Rio São Francisco Sertão Pernambucano Caatinga Açude Poço da Cruz
Referências
Moxotó Moxotó Categoria:Geografia de Sertânia Categoria:Geografia de Ibimirim Categoria:Geografia de Inajá (Pernambuco)