Campeche ou Campete é um dos 31 Estados do México. Faz limite com os Estados mexicanos de Yucatán, Quintana Roo e Tabasco, bem como com a Guatemala e o Belize. Tem área é de 50812 km², e população de cerca de 689 mil habitantes. A capital do Estado é a cidade de Campeche declarada Património Mundial em 1997. Separou-se do Estado de Iucatã em 7 de agosto de 1857.

A formação do Estado começou com a partir da cidade de Campeche, que foi fundada em 1540, quando os espanhóis começaram a conquista da Península de Yucatán. Durante o período colonial, a cidade era um porto rico e importante, mas declinou depois da Independência do México. Campeche era uma província de Yucatán, mas se separou em meados do século XIX, principalmente devido aos atritos políticos com a cidade de Mérida. Hoje, muito do retorno econômico do Estado é devido à descoberta de petróleo no Golfo do México na década de 70, o que tornou as cidades costeiras como Campeche e Ciudad del Carmen importantes centros econômicos. O estado tem importantes sítios arqueológicos maias e coloniais, mas eles não são tão bem conhecido ou visto como outros de Yucatán.

Origem do nome O denominação original é de origem maia KaanPeech (do idioma maia: Kaan=serpente, Peech= carrapato, que se traduz: lugar de serpentes e carrapatos). Ao chegar os espanhóis castelhanizaram a pronúncia para "Campeche" e batizaram o lugar com o nome de Lázaro, por terem chegado num domingo de dia de São Lázaro.

Escudo O escudo do estrado foi outorgado em 1777, pelo rei Carlos III de Espanha. Os quadros vermelhos do escudo, marcam caminhos das torres prateadas dos quadros superior esquerdo e inferior direito, que expressam o valor de seus habitantes, como as torres manifestam a grandeza e poder na defesa de um quadrado.

Os navios dos quadrados superiores direito e inferior esquerdo, indicam a condição de porto marítimo importante e o azul que o enquadra, somada a estas virtudes a pureza de sentimentos, a lealdade e a honestidade. A cor prata das figuras representa integridade e firmeza. O remate da coroa real simboliza a grandeza e majestade de Campeche.

História Período pré-hispânico 220px|left|thumb|pirâmide na Zona Arqueológica Maia de Calakmul. Os antepassados diretos dos maias, chegaram as terras de Campeche a aproximadamente 5.000 anos; grupos migratórios provenientes da Guatemala, Honduras e Chiapas, povoaram a superfície do estado, fundando importantes cidades como Edzná, Santa Rosa Xtampak e posteriormente Calakmul e Becán, Dzibilnocac, El Aguacate e Alimoche,entre outras.

Durante os anos 600 a 900 d.C. se manifestou o máximo florescimento da civilização maia, este período é conhecido como período clássico da Mesoamérica; no entanto o século X, este mítico povo sofreu o chamado “colapso clássico” e cidades importantes foram abandonadas por causas desconhecidas, este fato permitiu a consolidação do grupo maia-chontal assentado na região sul do estado, dos quais retomaram as antigas rotas de comércio com os povos do altiplano central.

Ao desaparecer a Liga de Mayapán, que agrupava as principais linhagens da península, a princípios do século XI, Campeche ficou dividido em pequenos centros; e nestas condições sociais os conquistadores espanhóis encontraram este povo.

Período Colonial Os espanhóis Francisco Hernández de Córdoba e Antón de Alaminos, avistaram em 22 de março de 1517, as costas de "Can-Pech", senhor do senhor Sol Carrapato (hoje a cidade de Campeche) e batizaram como São Lázaro o povoado, pelas festividades religiosas desse dia. Pela costa chegaram até Chakanputun (hoje Champotón) e no dia 2 de abril de 1517, los guerreiros indígenas encabeçados pelo cacique do lugar Moch Couoh, atacaram os espanhóis impondo dolorosa derrota. Por causa das feridas que sofreu Hernández de Córdoba, faleceu dias depois em Cuba, por este fato os espanhóis batizaram o lugar com nome de “Baía da luta ruim”.

Poucos anos depois foi fundada a Villa de Campeche começaram os desembarques e ataques aos povoados, e a detenção de navios no mar por piratas. Guillermo Parquer, Diego el Mulato, Lorencillo, Pie de Palo e outros, capitães de navios ingleses, holandeses, franceses e até portugueses aconteceram por muitos anos perto da Villa de Campeche.

Em 1774, durante o período colonial, Campeche recebeu o título de cidade e em 1784 foi declarado porto menor; no entanto, em 1804 por motivo da guerra contra Inglaterra, o porto foi fechado, o que causou grande descontentamento local e a primeira necessidade de criar uma autoridade independente de governo geral peninsular.

A cidade foi tomada e saqueada mas de uma vez, apesar da resistência de seus habitantes, gradualmente construíram suas muralhas, os fortalezas que se ligam e as outras defesas exteriores que ao final vieram a colocá-la sob certa proteção dos desembarques, assaltos e saques dos piratas.

A Independência Em 17 de setembro de 1821, a câmara municipal de Campeche, em sessão solene proclamou a independência a respeito da Espanha, e se pronunciou a favor do "Plano de Iguala". Em 14 de outubro de 1821, diante da presão pública contra Juan María Echeverri, último governante espanhol da província de Yucatán, se fez em Campeche, pela primeira vez na península.

Agustín de Iturbide é coroado novamente e agita os ânimos; os liberais deo Partido Sanjuanista, apoiavam a Constituição, e em 4 de março de 1823 destacado o "Plano de Casa Mata" as principais cidades da província de Yucatán: Mérida e Campeche, expussaram os iturbidistas. No entanto, se afiaram as discrepâncias políticas entre as duas cidades. Como a autoridade provincial em Yucatán tentava impor condições, os campechanos reconheciam a Junta Governativa Nacional não qualificada. Desta maneira, Campeche desconheceu a Junta Governativa Provincial, posteriormente em 29 de maio de 1823, Campeche declarou sua união ao México sob a condição de que fosse uma República Federal.

Em 1824, o deputado campechano no Congresso Nacional Constituinte, Joaquín Cáceres Armas, apresentou um projeto divisório da península nos estados livres que devia se denominar Mérida e Campeche. No entanto, não encontrou aprovação definitiva. Muitos e diversos foram os conflitos entre os grupos políticos da península yucateca, que oscilaram entre o federalismo e o centralismo; este era um reflexo da situação que imperava no país.

Até 1837, se manifestaram varios levantamentos contra a República Centralista, devido principalmente aos altos tributos, e impostos ao fisco com motivo da guerra contra o Texas.

Um dos movimentos encabeçou Jerónimo López de Llergo em Campeche, tomando Mérida em 20 de fevereiro de 1839, apoiado pelos federalistas. As forças triunfantes de López de Llergo declararam que Yucatán ficaria separado da nação enquanto não cedesse ao regime federal.

Em 8 de agosto de 1840 a legislatura de Yucatán concedeu a Campeche o título de “muy heroica y liberal” e no dia 22 daquele mês, declarou governador Santiago Méndez e vice governador Miguel Barbachano, ambos campechanos. Em 1841, a legislatura peninsular expediu um decreto indicando que como o governo da República não restabelecera o federalismo, esta legislatura assumiria as funções de Congresso Constituinte Nacional, e o governador as de Presidente da República. Em 31 de março de 1841, foi promulgada a Constituição de Yucatán cujo projeto participou o famoso campechano don Manuel Crescencio García Rejón y Alcalá. Esse código estabeleceu as liberdades de imprensa e cultos, aboliu os foros e implantou pela primeira vez em território mexicano o juizado de, criado por esse ilustre advogado.

As diferenças entre Campeche e Mérida foram polarizadas; o porto tenha interrompido seu comércio marítimo com Veracruz, e Mérida realizava o seu com Havana. A capital, Mérida se inclinava pela absoluta independência, e Campeche preferia a incorporação com o México. Don Andrés Quintana Roo foi o mediador para a solução do conflito, mas quando os fatos não foram da satisfação do gabinete presidencial, Santa Anna enviou uma expedição militar para submeter a península.

Em 30 de julho de 1847, se inicia na península o movimento social chamado Guerra das Castas de Yucatán; esta revolução indígena assolou cidades e povoados em toda a região, ironicamente seria também a causa da reincorporação definitiva de Yucatán ao resto do país. O governador Barbachano ao não encontrar resposta nas potências estrangeiras, solicitou ajuda ao governo do México que aporta 150 mil pesos e dois mil fuzis para a solução do conflito. Desta maneira, em 17 de agosto de 1848, Manuel Barbachano declarou a formal reincorporação de Yucatán a nação mexicana. O Congresso Constituinte reafirmou como governador Barbachano em 21 de agosto de 1849. Aprovou a reincorporação ao México em 28 de agosto, e expediu a terceira Constituição de Yucatán em 16 de setembro de 1850.

O Novo Estado 250px|rigth|thumb|Forte de San Miguel em Campeche. As eleições de 1857 provocaram uma cismas entre as fações políticas de Mérida e Campeche, isso gerou várias rebeliões na península, e una revolução em Campeche iniciada pelos jovens do estado com filiações liberais; alguns dos participantes nestas rebeliões foram: Pablo García, Tomás Aznar, Manuel Barbachano, Leandro e Miguel Domínguez, Ireneo Lavalle, Santiago Martínez, Rafael e Francisco Carvajal, José e Antonio García Poblaciones e Perfecto Baranda.

Na noite de 6 de agosto de 1857, 150 homens armados tomaram os principais fortes da cidade; as exigências dos rebeldes eram: a destituição da câmara municipal, e dez juízes criminais, a isenção de inscrição no mar de serviço da guardia nacional, e a união da causa de Champotón, Isla del Carmen e a região do oeste doestado.

Hecelchakán, Dzibalche, Calkiní, Tenabo, Becal, Tinum, Nunkini, Hopelchén, Iturbide, Dzibalchen e Bolonchenticul declararam que era sua vontade se integrar ao antigo Distrito de Campeche e constituir uma nova entidade independente do resto de Yucatán e que forma parte da República Mexicana.

Em 3 de maio de 1858 os representantes de Campeche, Nicolás Dorantes y Avila e José García Poblaciones, e de Yucatán Alejandro García, José Antonio Cisneros e Nicolás Rendón redigiram em Halacho um convênio de divisão territorial, no que se fixaram os limites comuns e regularam as relações econômicas. O convênio foi ratificado em Mérida em 11 de maio do mesmo ano e publicado em Campeche no dia 15 de maio. A Junta Governativa de Mérida decreta em 18 de maio o novo estado de Campeche e reconhece como governador Pablo García, e como General e chefe das armas campechanas Pedro Baranda.

O Império As forças comandadas pelo imperialista Felipe Navarrete assediaram a cidade de Campeche, obrigaram a capturar as autoridades, e as expulsaram para Cuba. Como consequência, Yucatán e Campeche voltaram a se uma só entidade.

Em 1864, o comissário imperial José Salazar Llaregui pós em liberdade os presos políticos deu exílio para García e outros. No entanto, em 13 de agosto de 1866 explode um movimento armado no bairro de Santa Ana, e foi culpado o ex governador García, sendo recapturado. Posto em liberdade, fugiu para Tabasco, e com apoio do governador desse estado Gregorio Méndez, organizou a campanha para recuperar Campeche. O exército imperialista foi vencido em Hecelchakán pelas forças de Manuel Cepeda Peraza em 24 de janeiro. Juan Carbo e Vicente Capmany invadiram a Isla del Carmen em 23 de abril, e Campeche foi tomada em 1 de julho de 1867, nesse mesmo dia a tropa republicana a mando de Vicente Capmany se apoderou do resto dos navios imperialistas.

O Congresso declara governador Pablo García para o período 1868-1871; no entanto, ao ser acusado no Congresso da União por ter impedido o funcionamento da legislatura, foi substituído por Tomás Aznar Barbachano.

A Revolução