O Principado de Gales (em galês: Tywysogaeth Cymru) abrangeu as terras governadas diretamente pelo Príncipe de Gales, e foi formalmente criado em 1216 no Conselho de Aberdyfi, e mais tarde reconhecido pelo Tratado de Worcester de 1218, entre Llywelyn, o Grande e a Coroa inglesa.Davies, John A History of Wales, Penguin, 1994, ISBN 0-14-014581-8, Aberffraw vassalizes Welsh lords pg 138John Edward Lloyd, A History of Wales; From the Norman Invasion to the Edwardian Conquest, Barnes & Noble Publishing, Inc. 2004 ISBN 0-7607-5241-9, "vertual parliament" pg 199 O tratado deu substância à realidade política do século XIII no País de Gales e Inglaterra, ambos parte do Império Angevino.

Englobando dois terços do atual País de Gales, o principado manteve um alto grau de home rule, caracterizado por uma jurisprudência legal distinta baseada na legislação bem estabelecida da Cyfraith Hywel, e pela cada vez mais sofisticada corte da dinastia Aberffraw.

Embora fizesse parte do império angevino, e, portanto, devesse fidelidade ao rei da Inglaterra, a existência do principado era a prova de que todos os elementos necessários para o crescimento do Estado galês estavam presentes, e era independente de facto, escreveu o historiador Dr. John Davies.Davies, John, A History of Wales, Penguin, 1994, emerging de facto statehood pg 148 O principado foi tanto uma parte do império angevino, quanto foi a Escócia, escreveu Davies.

História O Principado de Gales foi criado em 1216 com o Conselho de Aberdyfi, quando foi acordado entre Llywelyn, o Grande e os outros príncipes soberanos galeses, que ele seria o governante primordial entre eles e eles prestariam obediência a ele. Posteriormente, ele obteve o reconhecimento, pelo menos em parte, deste acordo pelo rei da Inglaterra, que concordou que os herdeiros e sucessores de Llywelyn seriam beneficiados com o título de "Príncipe de Gales", porém com certas limitações no seu governo e outras condições incluindo obediência ao rei da Inglaterra como vassalo e adesão às regras relativas a uma sucessão legítima. Llywelyn esforçou-se para assegurar que seus herdeiros e sucessores iriam seguir o sistema de sucessão "aprovado" (pelo Papa, pelo menos) que excluía os filhos ilegítimos. Ao fazê-lo ele excluiu o seu primogênito bastardo Gruffydd ap Llywelyn da sua linha sucessória, uma decisão que traria conseqüências futuras. Em 1240 Llywelyn morreu e Henrique III de Inglaterra (que sucedeu João I) prontamente invadiu grandes áreas de seu antigo reinado usurpados dele. Contudo, as duas partes chegaram à paz e Henrique honrou, pelo menos em parte, o acordo anteriormente existente e concedeu a Dafydd ap Llywelyn o título de Príncipe de Gales. Este título seria concedido a seu sucessor Llywelyn em 1267 (depois de uma campanha por ele para consegui-lo) e foi mais tarde reivindicado pelo seu irmão Dafydd e outros membros da principesca Casa de Aberffraw. Em 1400, foi reivindicada pela última vez por Owain Glyndŵr, que conduziu uma campanha vigorosa, mas em última instância para garantir a independência do País de Gales.

O título de "Príncipe de Gales" é interessante porque pertence a uma vasta área geográfica ainda dividida em vez de uma nação de pessoas. Os antigos governantes galeses tinham estilos próprios, em uma variedade de maneiras, geralmente em relação a um determinado patrimônio como o "Lorde de Ceredigion" ou "Rei de Builth". Os mais poderosos deles muitas vezes foram referidos (por outras pessoas, pelo menos) como "Rei dos britânicos". Como Gales era uma região geográfica definida com fronteiras estabelecidas por acordos fora dos limites da Inglaterra, aqueles agraciados com o título de Príncipe de Gales teriam suserania sobre qualquer local do governo galês, mas sem as ambições territoriais sobre a Inglaterra de um Rei dos britânicos - que implicava "libertador" dos britânicos que ainda residiam em locais distantes considerados parte da Inglaterra, tais como Devon, Cornualha, Cumberland e de outros lugares.

Fundação O Principado de Gales no era formado pelas terras históricas governadas pela família Aberffraw, terras na Gales do Norte tradicionalmente incluindo Ynys Môn, Venedócia Superior (Gwynedd-Uwch-Conwy ou Venedócia acima de Conwy), e a Perfeddwlad (o País Médio), também conhecido como Venedócia Inferior (Gwynedd-Is-Conwy ou Conwy abaixo de Venedócia). Territórios adicionais foram adquiridos através de vassalagem ou conquistas, e por terras recuperadas anteriormente perdidas para os lordes das marcas, principalmente as dos Perfeddwlad, Powys Fadog, Powys Wenwynwyn, e Ceredigion.

A família Aberffraw há muito vinha reivindicando a primazia sobre todos os outros lordes galeses, inclusive os de Powys e de Deheubarth.Davies, John, A History of Wales, Penguin, 1994, Aberffraw primacy pg 116, patron of bards 117, Aberfraw relations with English crown pg 128, 135Lloyd, J.E. A History of Wales; From the Norman Invasion to the Edwardian Conquest, Barnes & Noble Publishing, Inc. 2004, Aberffraw primacy pg 220 Em "A História de Gruffydd ap Cynan", escrita em finais do século XII, a família sustenta os seus direitos como sendo a linhagem de descendentes diretos de Rhodri, o Grande, que conquistou a maior parte do País de Gales durante a sua vida útil. A biografia de Gruffydd ap Cynan foi primeiramente escrita em latim e destinada a um público mais vasto fora do País de Gales.

A importância desta alegação era a de que a família Aberffraw não tinha obrigações para com o rei inglês por sua posição no País de Gales, e que eles detinham a autoridade no País de Gales "por direito absoluto através da descendência", escreveu o historiador John Davies.

Os Príncipes de Gales A tradicional ordem cronológica dos Príncipes de Gales (de acordo com fontes galesas) começa com , que governou de 1137 até 1170. Ele nunca foi reconhecido como Príncipe de Gales, e na verdade nunca utilizou esse título, porém ele foi posteriormente considerado por cronistas de ter sido o primeiro príncipe galês a unir o País de Gales. Isto foi demonstrado quando Owain Glyndwr foi explicitamente coroado como "Ovaíno IV de Gales", em 1404. Os ingleses encaram isto de modo muito diferente e consideram que o título foi outorgado por eles e exclusivamente para agraciar Dafydd ap Llywelyn, em 1240 e Llywelyn ap Gruffudd, em 1267. Depois de 1301, o título foi concedido ao filho mais velho e herdeiro de um soberano inglês.

Ovaíno I de Gales 1137-1170 O prodigioso (ou Ovaíno I de Gales) conseguiu manter a posição de líder dos galeses para a sua família, conquistada anteriormente por seu pai. Em 1154 ele impediu uma invasão de ingleses e powysianos, mas foi forçado a desistir de alguns territórios que faziam fronteira com o rio Dee. Anos mais tarde ele reconquistou essas áreas e alcançou uma posição dominante para Venedócia em Gales, que não tinham sido vista ao longo de séculos. Durante o governo de Owain, ele escolheu mudar o seu título de "Rei de Venedócia" para "Príncipe dos Galeses (J. B. Smith, 'Owain Gwynedd', 14-16).

Dafydd I de Gales c. 1170-1195 Dafydd I usurpou a coroa de seus irmãos através de uma guerra civil dentro de Venedócia. Ele casou com a meia-irmã do rei Henrique II de Inglaterra em 1174. Foi posteriormente expulso, em 1195, de seu domínio muito reduzido por seu sobrinho Llywelyn.

Llywelyn I de Gales 1195-1240 thumb|left|230px|Llywelyn I, o Grande de Gales. Llywelyn I governou Venedócia e Gales de 1195 a 1240

Em 1200, o neto de Owain, Llywelyn I Fawr (o Grande) governou todo o Venedócia, com a Inglaterra apoiando todas as ações de Llywellyn I naquele ano.Davies, John, A History of Wales, Penguin, 1994 Llywelyn I relations with English crown pg 136] O apoio da Inglaterra fazia parte de uma estratégia mais ampla de reduzir a influência dos Powys Wenwynwyn, uma vez que o rei João I tinha dado a William de Breos autorização em 1200 para "pegar tanto quanto ele pudesse" da nativa Gales.Davies, John, A History of Wales, Penguin, 1994 English policy in Wales pg 136, Hangs Welsh hostages pg 137 Contudo, de Breos caiu em desgraça em 1208, e Llywelyn apoderou-se de Powys Wenwynwyn e do norte de Ceredigon.

Em sua expansão, o príncipe teve o cuidado para não criar atritos com o rei João, seu sogro. Llywelyn havia casado com Joana, filha ilegítima do rei João, em 1204. Em 1209 o príncipe Llywelyn juntou-se ao rei João em sua campanha na Escócia.

No entanto, em 1211, o rei João viu a influência crescente do príncipe Llywellyn como uma ameaça à autoridade inglesa em Gales. O rei João invadiu Venedócia e alcançou as margens do estreito de Menai. Llywelyn foi obrigado a ceder o Perfeddwlad, e reconhecer João como seu herdeiro casou o casamento de Llywelyn I com Joana não produzisse qualquer sucessor legítimo. A sucessão era uma questão complicada, dado que o direito galês reconhecia que crianças nascidas fora do casamento tinham os mesmos direitos daquelas nascidas dentro dele.Davies, John, A History of Wales, Penguin, 1994, Welsh law succession pg 136 Llywelyn tinha vários filhos, porém, todos com uma amante.

Muitos aliados galeses de Llywelyn I o abandonaram durante a invasão inglesa de Venedócia, preferindo um suserano distante, ao invés de um bem próximo.Davies, John, A History of Wales, By John Davies, Penguin, 1994 Welsh lords pg 135-136 Estes lordes galeses contavam com uma discreta Coroa inglesa, porém o rei João tinha castelos construídos em Ystryth, e a interferência direta de João em Powys e em Perfeddwlad levou muitos destes lordes galeses a repensarem suas posições.

thumb|right|250px|Gales c. 1217. Amarelo: áreas diretamente governadas por Llywelyn; Cinza: áreas governadas pelos vassalos de Llywelyn; Verde: domínios dos lordes anglo-normandos em Gales.

Llywelyn explorou o ressentimento dos galeses contra o rei João, e liderou uma revolta apoiada pela Igreja contra ele. Como o rei João era um inimigo da Igreja, Inocêncio III deu a sua bênção para a revolta de Llywelyn. No início de 1212 Llywelyn havia recuperado a Perfeddwlad e incendiado o castelo em Ystwyth.

A revolta de Llywelyn levou João I a adiar a sua invasão da França, e Filipe Augusto, o Rei de França, entrou em contato com o príncipe Llywelyn e propôs-lhe que se tornasse seu aliado contra o rei inglês.Davies, John, A History of Wales Penguin, 1994 Relations with France pg 136 O rei João ordenou a execução por enforcamento do seus reféns galeses, os filhos de muitos apoiadores de Llywelyn.

Llywelyn I foi o primeiro príncipe a receber a submissão de outros lordes galeses por ocasião do Conselho de Aberdyfi de 1216, tornando-se assim o Príncipe de Gales de facto e reforçou as reivindicações da Aberffraw.

Dafydd II de Gales 1240-1246 Ao suceder seu pai, Dafydd imediatamente teve que lutar contra uma invasão inglesa. Ele conseguiu um acordo de paz e foi reconhecido pela Coroa inglesa como "Príncipe de Gales", embora dentro de uma área restrita a Venedócia Superior. Ele morreu inesperadamente em 1246.

Owain II de Gales 1246-1253 (m. 1282) Após a morte de Dafydd, Venedócia foi dividida entre Owain Goch, e seu irmão mais novo Llywelyn. Esta situação perdurou até 1252, quando o seu irmão mais novo Dafydd ap Gruffudd atingiu a maioridade. Desentendimentos sobre a forma de dividir ainda mais o domínio geraram conflitos em 1253, com Llywelyn saindo vitorioso. Owain II passou o resto de seus dias como prisioneiro de seu irmão.

Llywelyn II de Gales 1246-1282